Os Ses da História - Prefácio e Conteúdos

Os Ses da História


Por Joseph Edgar Chamberlin


[vii]Prefácio


Se ou não nós acreditamos que eventos estejam deliberadamente ordenados antes da ocorrência deles, nós estamos compelidos a admitir a importância da Contingência em assuntos humanos.

Se nós acreditamos em um arranjo tão ordenado e predeterminado, a pequena circunstância da qual um grande evento pode depender torna-se, na nossa visão, apenas o instrumental por meio do qual o grande plano é operado. De maneira nenhuma deixa de lado a influência vital do acaso (chance) assumir que “todo acaso é apenas direção que nós não conseguimos ver (all chance is but direction which we cannot see).”

Por exemplo, o crente em providências especiais considera como claramente providencial [viii]o voo dos bandos de pássaros que desviaram o curso de Colombo das nossas costas para aquelas das Índias Ocidentais; mas, mesmo assim, não é menos verdadeiro que essa circunstância trivial levou o grande navegador a virar sua proa.

Por outro lado, aqueles que rejeitam a ideia de providências especiais, e tratam a história como uma sequência de ocorrências emergindo mecanicamente a partir das relações dos homens uns com os outros, têm de admitir que causas lutam eternamente com causas, e que o belo equilíbrio de ação e reação algumas vezes pode ser influenciado radicalmente até pelo cacarejo dos gansos de Roma. É verdadeiro que o evolucionista está inclinado a tornar-se um crente na necessidade em uma extensão que parece improvável para a mente do outro. Nessa visão, os eventos são inerentes à natureza e ao caráter dos homens, esses, por sua vez, sendo o resultado das circunstâncias físicas que diferenciam as nações. [ix]Inicialmente essa visão parece reduzir a probabilidade que, em qualquer momento, o acidente alterará sensivelmente o curso dos assuntos.

Mas se nós tomarmos a ação e reação históricas em seus momentos de equilíbrio, nós vemos que a maré dos assuntos algumas vezes pode parecer seguir a deriva de uma pena. Por exemplo, considera a declaração do Duque de Wellington de que desenlace da batalha de Waterloo dependeu do fechamento dos portões do Castelo de Hugomont pela mão de um homem. Certamente Wellington estava em uma posição para saber se isso foi verdadeiro; e à luz dos tremendos eventos que dependeram do ato insignificante, não parece que, por um momento, o acidente pesou mais em consequência de qualquer necessidade inerente ao caráter do povo francês ou daquelas das nações organizadas contra eles em Waterloo? Pode ser a função da Contingência corrigir a confiança excessiva do evolucionista.

[x]De qualquer maneira, nós não podemos despreza o “se (if)”; como Touchstone diz, há muita virtude nele.


J.E.C.


CONTEÚDOS1


Capítulo I Se Temístocles não tivesse derrotado Aristides em uma Eleição Ateniense 13

Capítulo II Se os Mouros tivessem vencido a Batalha de Poitiers 21

Capítulo III Se o Rei Etelredo não tivesse se casado com a Normanda Emma 30

Capítulo IV Se Colombo tivesse mantido seu Curso Direto para o Oeste 37

Capítulo V Se a Rainha Elizabeth tivesse deixado um Filho ou uma Filha 47

Capítulo VI Se a Filarmonia não tivesse realizado Concertos em Vicenza 56

Capítulo VII Se a Armada Espanhola tivesse zarpado na Hora Marcada 64

Capítulo VIII Se Champlian tivesse se demorado na Baía de Plymouth 71

Capítulo IX Se Charles II tivesse aceito o Reinado da Virgínia 79

Capítulo X Se Almirante Penn tivesse persistido em renegar seu Filho William 91

Capítulo XI Se o Garoto George Washington tivesse se tornado um Aspirante Britânico 99

Capítulo XII Se o Alexander Hamilton não tivesse escrito sobre o Furacão 107

Capítulo XIII Se La Fayette tivesse mantido o Reino de Terror Francês sob controle 114

Capítulo XIV Se Gilbert Livingston não tivesse votado para colocar Nova Iorque na União 121

Capítulo XV Se o Pirata Jean Lafitte tivesse se juntado aos Britânicos em Nova Orleans 129

Capítulo XVI Se James MacDonnell não tivesse fechado os Portões do Castelo de Hugomont 138

Capítulo XVII Se o Pai de Abraham Lincoln tivesse se movido em direção ao Sul e não em direção ao Norte 150

Capítulo XVIII Se o Capitão Jennings não tivesse resgatado certos Japoneses Naufragados 160

Capítulo XIX Se a Bomba de Orsini não tivesse falhado em destruir Napoleão III 170

Capítulo XX Se o Presidente Buchanan tivesse feito cumprir uma Lei em Novembro de 1860 176

Capítulo XXI Se os Confederados tivessem marchado sobre Washington depois da Bull Run 185

Capítulo XXII Se os Estados Confederados tivessem comprado a Frota da Companhia das Índias Orientais em 1861 – Final 194


ORIGINAL:

CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p.vii-x. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/n8/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.

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