Os Ses da História
Por Joseph Edgar Chamberlin
[37]Capítulo IV Se Colombo tivesse mantido seu Curso Direto para o Oeste
Na manhã do 7º dia de outubro de 1492, Cristóvão Colombo, navegando através de mares desconhecidos em busca de “Cipango,” das Índias, e do Grande Cã, ainda se mantinha resolutamente em um curso que ele tinha estabelecido para o oeste. Esse curso ele manteve, a despeito dos murmúrios da sua tripulação, quem desejava retornar, e contrário ao conselho daquele navegador habilidoso e astuto, Martín Alonso Pinzón, quem comandava a Pinta. Pinzón repetidamente tinha avisado que o curso se alterou para a direção sudoeste.
[38]Colombo estava navegando sobre uma teoria. Pinzón, como qualquer outro navegador prático em um mar estranho, estava sentindo o seu caminho e respondendo às indicações das águas, dos céus, das gramas verdes que flutuavam na superfície das ondas, os bandos de pássaros que giravam e mergulhavam, e mostravam seus pés para os navegadores muito impressionados, e pareciam conhecer o seu caminho através daquela vastidão remota e desconhecida das profundezas tão bem. Colombo tinha dito, “Nós navegaremos para o oeste, e sempre para o oeste, até que o oeste se torne leste.” O que, para os homens diante do mastro, era loucura pura. Mas Pinzón já tinha encontrado estranhas terras africanas. O aroma das folhas e flores delas parecia estar nas suas narinas.
Martín Alonso Pinzón zarpou em um bote, depois naquele dia de 7 de outubro, e retornou a Santa Maria, na qual estava o almirante. Ele trouxe a informação de que ele tinha visto “uma grande multidão de pássaros [39]passando do norte para o sudoeste; causa a partir da qual ele considerou razoável supor que eles (os pássaros) estavam indo dormir sobre a terra, ou talvez devessem voar do inverno, o qual tem de estar se aproximando nos países dos quais eles vêm.” O almirante sabia que foi através do auxílio de pássaros que os portugueses tinham descoberto a maior parte das novas terras que eles tinham encontrado. Colombo hesitou, acenou.
Finalmente o coração do grande teórico, navegando obstinadamente diretamente para o oeste em resposta ao chamado da terra cuja presença ali ele tinha raciocinado, tinha traído-o? Tinham o desencorajamento e a incredulidade dos seus homens afetado-o? Nós não sabemos. Mas nós sabemos que finalmente ele prestou atenção à demanda frequentemente repetida de Pinzón para que o curso fosse alterado.
Parecia senso comum seguir os pássaros. Realmente, não era. A teoria era a verdadeira guia dele. [40]Colombo traiu sua fé; ele resolveu, como o jornal dele registra, “virar sua proa para o oés-sudoeste com a determinação de perseguir aquele curso por dois dias.” Ele nunca retornou ao curso para o oeste. Ele tinha enfraquecido em sua devoção à sua própria ideia – e tinha perdido um continente para a Espanha e para a Igreja Católica Romana.
Pois a despeito da conclusão alcançada por John Boyd Thacher, em sua obra monumental sobre Colombo, de que, mesmo se o almirante tivesse mantido o curso para o oeste, a frota dele não teria passado a ponta mais ao norte das Bahamas, há fundamento suficiente para a conclusão geralmente aceita de que, nesse caso, o desembarque dele teria sido na costa da Florida ou da Carolina do Sul ou até da Carolina do Norte. Após a alteração do seu curso, Colombo continuou a navegar por quatro dias em uma direção no geral sudoestina, antes que, em 12 de outubro, ele topasse com a Ilha de Watling. [41]Naquele momento ele tinha navegado, de acordo com o seu próprio cálculo, cento e vinte e uma léguas. Essa distância, se persistida devidamente para o oeste, teria trazido-o em contato com indicações de movimento e voos de pássaros reais do continente.
Vejamos na direção de qual ponto o curso dele tinha sido estabelecido. Navegando a partir de Gomera, nas Ilhas Canárias, Colombo propôs-se a ir diretamente para o oeste até que ele alcançasse terra. Gomera está aproximadamente na latitude do Cabo Canaveral, ou do Rio Indígena, na Flórida. Uma linha traçada a partir de Gomera para o Cabo Canaveral passa completamente na direção norte de Bahamas. Terra nenhuma se estende no caminho do almirante para a Flórida.
Mas qualquer suposição de que Colombo não tivesse ido para o norte do Rio Indígena ignora o movimento que a Corrente do Golfo teria causado aos seus barcos. É claro, ele ainda tinha de [42]alcançar o eixo daquela poderosa corrente, o qual é comparativamente estreito aqui, e corre muito velozmente no ponto onde o curso devido ao oeste a partir de Gomera teria atingido-o. É chance justa que esse movimento teria levado Colombo tanto ao norte quanto a desembarcá-lo na vizinhança do que agora é Charleston, CS, ou ainda mais longe ao norte, se ele tivesse seguido o caminho que ele tinha estabelecido para si mesmo.
Espetaculares as consequências que penderam sobre o voo daquelas “multidões de pássaros” que giraram na direção das Bahamas naquele dia de outubro! O desembarque do almirante mesmo na costa da Flórida teria tornado espanhola toda a América temperada, pois teria focado a força de Fernanda e Isabel sobre as nossas costas. Nós sabemos que as ilhas que se estendem imediatamente na direção sul do seu “Salvador,” nas Bahamas, acenaram para Colombo naquela direção, e que os indígenas foram capazes de, através de sinais, [43]deixar claro para ele que uma terra maior, a qual era Cuba, e a qual eles chamavam de “Cipango,” estendia-se nessa direção sul. Dessa maneira, ele estabeleceu seu curso, “para,” como ele escreveu no seu jornal, “ir para essa outra ilha, a qual é muito grande e onde todos esses homens, quem eu estou trazendo da ilha de San Salvador, fazem gestos de que há uma grande quantidade de outro e que eles usam braceletes dele nos seus braços e suas pernas e em seus ouvidos e em seus narizes e em seus peitos.”
Razão suficiente! Isso apenas quis dizer que a energia da Espanha neste hemisfério devia ser direcionada para as Índias Ocidentais, e a América do Sul, e o México, por um tempo tão longo quanto foi destinado a durar, e que o vasto continente Norte devia ser deixado como herança para outra raça.
É verdadeiro que depois a Flórida se tornou espanhola. Mas isso não foi uma questão do que a Flórida, meramente, devia ser. Se Colombo tivesse desembarcado [44]no continente, a tendência na direção nordeste da costa, estendendo-se de volta para a Espanha por exatamente tanto, teria acenado para ele na direção norte, não sul. Mesmo se ele explorado na direção sul, por algum acaso, ele tem de ter retornado na direção norte, quando tivesse alcançado o ponto da península da Flórida; e na direção norte ele teria cruzado, retornando na direção da Europa. E ele teria alcançado a terra passo a passo, como ele anexou Cuba, Hispaniola, e todas as terras ao sul, tão rapidamente quanto ele as tocava.
As Carolinas, Virgínia, Maryland, teriam sido as cenas dos assentamentos espanhóis por cem anos. Embora depois ele tivesse tomada a Flórida, isso foi uma mera questão lateral; ela foi desconsiderada, negligenciada, em favor de Cuba e México; e finalmente foi passada para a raça que chegou ao continente mais de cem anos depois do desembarque em San Salvador.
[45]Quem pode estimar as consequências de um fato que deveria ter enviado Colombo diretamente no seu caminho? Quem pode abranger o pensamento de milhões de americanos amantes do país da nossa raça não nascida aqui, mas nutridos sob céus agora estrangeiros à sua própria natureza, senão por aquele cintilante grupo de pássaros tropicais rodopiando na direção sudoeste? Isso não é conjectura vã; von Humboldt, um dos mais sábios cosmógrafos, diz que nunca na história do mundo o voo de pássaros teve consequências tão momentosas. “Ele pode ser dito,” ele afirma, “ter determinado os primeiros assentamentos no novo continente, e a sua distribuição entre as raças latina e germânica.” Ele acreditava que a Corrente do Golfo teria levado Colombo ao redor de Cabo Hatteras. Ela de fato poderia ter feito isso.
Nós dos Estados Unidos bem podemos acreditar que a mão da Providência guiou aqueles pássaros naquele dia de Outubro; mas mesmo assim nós somos [46]compelidos a admitir a estranha dependências dos eventos humanos de coisas que são as mais insignificantes em si mesmas.
ORIGINAL:
CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 37-46. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/37/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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