Os Ses da História
Por Joseph Edgar Chamberlin
[47]Capítulo V Se a Rainha Elizabeth tivesse deixado um Filho ou uma Filha
Nunca eventos maiores dependeram do capricho de uma mulher contra o casamento do que aqueles que pesaram sobre a vontade de Elizabeth, rainha da Inglaterra, nos longos anos que se estendem entre o tempo quando, como uma jovem rainha, foi proposto casá-la com o duque de Anjou, e a folha seca e amarela da feminilidade dela, quando o potencial dela para maternidade tinha passado.
Se Elizabeth tivesse casado, como o povo dela frequentemente a implorou para fazer, e se a progênie dela tivesse sentado-se no trono e continuado o domínio dos [48]Tudors, um meio século de distúrbio e derramamento de sangue, sob o reino essencialmente estrangeiro dos Stuarts, poderia ter sido poupado à Inglaterra. Sem dúvida a revolução nunca teria ocorrido. O avanço material e intelectual da Inglaterra e toda a Britânia teria sido firme e certo, sobre o fundamento esplêndido da estrutura elizabetana.
Mas, por outro lado, visto que o bem frequentemente evoluiu a partir do mal, muito daquilo que é sagrado e vital para a inteira raça anglo-saxã poderia ter sido perdido. A Declaração dos Direitos, o Habeas Corpus e outras garantias que foram obtidas através da Revolução ou da Commonwealth teriam ficado faltando na Constituição inglesa. Oliver Cromwell e John Hampden provavelmente teriam ficado em obscuridade rústica. Toda a Europa moderna teria carecido do incentivo político, o impulso revolucionário, a audácia construtiva, a qual foi derivada a partir do Grande [49]Protesto, dos campos de batalha do Pântano de Marston e Naseby, onde a realeza foi derrubada pelo braço do povo comum, e a partir da ameaça eterna que jaz no bloqueio mortal do rei Charles.
Não foi por causa de nenhuma aversão à companhia de homens que Elizabeth permaneceu solteira. Muito longe disso; é provável que o extremo desejo dela pela companhia masculina gravou uma figura considerável na recusa dela. Ela não propunha conceder a nenhum homem um direito público de interferir com a liberdade dela de escolha nesse aspecto. A História concorda que há uma picada de verdade nas palavras de Mary, rainha dos Escoceses, em uma carta que uma vez ela enviou a Elizabeth: “Sua aversão ao casamento procede a partir de você não desejar perder a liberdade de compelir pessoas a fazerem amor com você.” A rainha era inconstante e apaixonada. Ela tinha pouco medo da régia sra. Grundy. Na tenra idade de dezesseis, um escândalo ligou o nome dela com aquele do [50]lorde almirante Seymou de uma maneira que uma investigação pelo conselho foi necessária. Ela desconcertou os advogados no exame com a sua “inteligência muito boa.”
Desde o momento da sua ascensão, na idade de vinte e cinco, ao momento da sua morte, Elizabeth certamente nunca esteve sem um favorito. Ele tinha uma pequena consciência, e pode haver pouca dúvida de que ela requereu o assassinato da pobre Amy Robsart para que o favorito dela, Dudley, pudesse ficar livre da sua jovem esposa; e quando, depois da idade dos sessenta, o jovem cavaleiro daquela época, o fascinante Essex, cansando-se do serviço de dança para ela na corte, juntou-se à expedição de Drake contra Portugal, a rainha ordenou-o a retornar instantaneamente diante do seu “perigo extremo.” No fim, ela assinou a infeliz sentença de morte de Essex por uma alegada rebelião contra ela.
Mas o motivo dela para recusar o matrimônio não foi completamente – talvez [51]nem mesmo principalmente – um de coqueteria. Ela era ávida por poder, e não poderia tolerar nenhum rival no seu exercício. É provável que considerações de patriotismo real impedissem-na de casar-se com um príncipe continental. Ela recuava de introduzir influência estrangeira tão instintivamente como os americanos fazem em todos os momentos. Ela recuava de se curvar para qualquer jugo da Europa. Mas também havia objeções para ela casar-se com um inglês. Se tivesse escolhido um, ela teria excitado a inveja de todos os ingleses não do partido ou séquito dele. Ela considerou como a melhor política manter todos esperando.
A condição de solteira ajustava-se bem à sua natureza arrogante e dominante. Ela não tinha nada da docilidade que fez da rainha Vitória uma dona de casa e mãe modelo e também uma soberana constitucional modelo. Era o propósito dela ter poder indiviso ou nenhum. À deputação da Casa dos Comuns que a visitou com [52]uma petição para que ela casasse, ela respondeu: “Para mim deverá ser suficiente que uma pedra de mármore declare que uma rainha, tenha reinado por um tempo tal, viveu e morreu uma virgem.”
Os Comuns, quem proferiram a petição, devem ter sentido uma premonição do que efetivamente ocorreria se não houvesse nenhum herdeiro do corpo de Elizabeth. A próxima herdeira ao trono era Mary, rainha dos Escoceses, e a Inglaterra tinha estabelecido há pouco a sua independência religiosa. É verdadeiro que o filho e herdeiro de Mary, James, quem depois se tornou rei da Inglaterra, assim como rei da Escócia, era um protestante, mas a lealdade da adesão da sua casa à nova confissão bem poderia ter sido desconfiada. Não havia promessa de felicidade para a Inglaterra na admissão de um príncipe ou uma princesa dessa casa ao seu trono.
Mas os Stuarts vieram – e os problemas da Inglaterra começaram a sério mesmo. [53]O reino de Elizabeth tinha sido, e como então pareceu para todos os ingleses, e como em muitos aspectos foi, a era dourada da Britânia. Nunca arte e literatura e prosperidade material tinham se elevado a um nível tão alto. O mundo parecia abrindo-se para uma vida nova e gloriosa, como uma roseira explodindo em floração. Na literatura tinha sido a era de Shakespeare e Bacon. Mas, com os Stuarts, literatura e arte passaram para um longo eclipse. A luz de Shakespeare, pode ser dito ter ficado extinta por uma centena de anos, para ser acesa novamente apenas a partir da tocha emprestada da cultura alemã.
Suponhamos que Elizabeth tivesse sido capaz de encontrar um consorte tão sábio e tão inofensivo quanto foi o príncipe Albert, o esposo da rainha Vitória. Suponhamos que o par tivesse deixado depois de si um príncipe completamente inglês, seu próprio filho, um homem quem teria sido capaz de continuar o governo prudente de Elizabeth e de conservar a Inglaterra em suas tradições [54]enquanto mantendo o avanço extraordinário que tinha marcado o seu esplêndido reino. Sem a pusilanimidade e tirania misturadas de James para o nutrir e estimular, é duvidoso de se o puritanismo teria tido o seu espasmo de ascendência. A história inglesa teria sido poupada de uma época do caos de experimentação selvagem, de empiria política.
Ao mesmo tempo, ela teria sido privada de um forma de gênio político que foi extraído do fogo da rebelião. Whigismo inglês, liberalismo inglês, não conformidade inglesa tinham tornado o mundo novo de novo. A América, em particular, teria sido infinitamente mais pobre sem o fermento puritano. Nós deveríamos ter tido a migração para a Nova Inglaterra de qualquer maneira, se a Inglaterra tivesse continuado o seu desenvolvimento calmo e homogêneo sob as influências elizabetanas? Antes toda a América não teria sido como a Virgínia, e o novo mundo organizado sobre uma base de carne assada, pudim de ameixa [55]e distintamente anglicana e conformista?
Se nós podemos imaginar Massachusetts uma colônia puramente episcopal hoje em dia, governada por sacristias paroquiais em vez de parlamentos de reunião municipal, e a vila de Gladstone e o seu gabinete responsável em cada aldeia, e a inteira província presidida por algum autossuficiente sir Alexander Swettenham como o representante da realeza britânica, talvez nós podemos imaginar a Inglaterra sem o cataclismo dos Stuarts.
ORIGINAL:
CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 47-55. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/47/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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