O Livro Vermelho das Fadas
Editado por Andrew Lang
[215]A Verdadeira História do Chapeuzinho Dourado1
Você conhece o conto da pobre Chapeuzinho Vermelho, que o Lobo enganou e devorou, com o bolo dela, a sua pequena vasilha de manteiga, e a Avó dela; bem, a história verdadeira aconteceu bastante diferentemente, como nós agora sabemos. E, primeiro de tudo, a garotinha era chamada, e ainda é chamada, de Chapeuzinho Dourado; segundo, não foi ela, nem a boa grande dama, mas o Lobo perverso quem, no final, foi pego e devorado.
Apenas escute.
A história começa um pouco como o conto.
Uma vez houve uma pequena garota camponesa, bonita e agradável como uma estrela em sua temporada. O nome real dela era Blanchette, mas, mais frequentemente, ela era chamada de Chapeuzinho Dourado, por causa de um maravilhoso pequeno manto com um capuz, da cor de ouro e fogo, o qual ela sempre usava. Esse pequeno capuz foi dado a ela pela Avó dela, quem era tão velha que ela não conhecia a idade dela; ele deveria trazer boa sorte para ela, pois ele era feito de um raio de luz do sol, ela dizia. E como a boa mulher idosa era considerada um pouco de bruxa, todos considerava que o pequeno capuz bastante enfeitiçado também.
E assim era, como você verá.
Um dia a mãe disse para a criança: ‘Vejamos, minha querida Capuz Dourado, se agora você sabe como encontrar o seu caminho por si mesma. Você deverá levar esse bom pedaço de bolo para a sua Avó, para um deleite de sábado, amanhã. Você deverá perguntar a ela como ela está e retornar imediatamente, sem parar no caminho para tagarelar com pessoas que você não conhece. Você entende bem?’
‘Eu entendo bem,’ respondeu Blanchette, alegremente. E partiu ela com o bolo, bastante orgulhosa da sua missão.
Mas a Avó vivia em outra vila, e havia uma grande floresta antes de chegar lá. Numa curva da estrada sob as árvores, subitamente ‘Que vai lá?’
[216]‘Amigo lobo.’
Ele tinha visto a criança partir sozinha, e o vilão estava esperando para a devorar; quando, em um momento, ele percebeu alguns lenhadores que o poderiam observar, e ele mudou de intenção. Em vez de cair sobre Blanchette, ele veio brincando para ela, com um bom cachorro.
‘É você! Minha boa Chapeuzinho Dourado,’ disse ele. Assim a garotinha se detém para falar com o Lobo, quem, por tudo isso, ela não conhecia de maneira nenhuma.
‘Você me conhece, então!’ disse ela; ‘Qual é o seu nome?’
‘Meu nome é amigo Lobo. E onde você está indo dessa maneira, minha belezinha, com a sua pequena cesta no seu braço?’
‘Eu estou indo para minha avó, para levar a ela um bom pedaço de bolo para o deleite dela de sábado, amanhã.’
‘E onde ela vive, a sua Avó?’
‘Ela vive no outro lado da floresta, na primeira casa na vila, perto do moinho de vento, você sabe.’
‘Ah! Sim! Eu sei agora,’ disse o Lobo. ‘Bem, é justamente para lá onde eu estou indo; Eu deverei chegar lá antes de você, sem dúvida, com as suas pequenas partes de pernas, e eu direi a ela que você está chegando para a ver; então ela esperará por você.’
Imediatamente depois, o Lobo abriu caminho através da floresta e, em cinco minutos, chegou à casa do Avó.
Ele bateu à porta: toc, toc.
Nenhuma resposta.
Ele bateu mais alto.
Ninguém.
Então no final ele ficou de pé, colocou suas duas patas dianteiras na trava e a porta abriu-se.
Nenhuma alma na casa.
A mulher idosa tinha se levantado cedo para vender erva na vila, e ela tinha saído em uma pressa tão grande que ela tinha deixado a cama dela desarrumada, com sua grande touca de dormir sobre o travesseiro.
‘Bom!’ disse o Lobo para si mesmo, ‘Eu sei o que farei.’
Ele fecha a porta, puxa a touca de dormir da Avó para os seus olhos, então ele deita todo o seu comprimento na cama e puxa as cortinas.
Entrementes, a boa Blanchette seguia seu caminho quietamente, como garotinhas fazem, entretendo a si mesmo aqui e ali colhendo margaridas de Páscoa, observando os passarinhos construindo seus ninhos, e correndo atrás de borboletas que se agitavam à luz do sol.
Finalmente, ela chegou à porta.
[217]Toc, toc.
‘Quem está aí?’ diz o Lobo, suavizando sua voz rouca tão bem quanto ele pode.
‘Sou eu, Avozinha, sua Chapeuzinho Dourado. Eu estou trazendo para você um grande pedaço de bolo para o regalo de sábado, amanhã.’
‘Pressione o seu dedo na trava, então empurre e a porta abre.’
‘Uai, você pegou um resfriado, Vovó,’ disse ela, entrando.
‘Hm hm! Um pouco, um pouco …’ responde o Lobo, fingindo tossir. ‘Feche bem a porta, minha criancinha. Coloque o seu cesto sobre a mesa, e então tire o seu manto, venha e deite-se perto de mim: você deve descansar um pouco.’
A boa criança despiu-se, mas, observe isto! Ela manteve o pequeno capuz sobre a cabeça dela. Quando ela viu quê figura a Vovô dela formava na cama, a pobrezinha ficou muito surpresa.
‘Oh!’ ela gritou, ‘como você se parece com o amigo Lobo, Avó!’
‘Isso é por causa da minha touca de dormir, criança,’ responde o Lobo.
‘Oh! Que braços peludos você tem, Avó!’
‘Muito melhor para abraçar você, minha criança!’
Oh! Que língua grande você tem, Avó!
‘Muito melhor para responder, criança.’
‘Oh! Que bocado de grandes dentes brancos você tem, Avó!’
‘São para triturar criancinhas!’ E o Lobo arreganhou suas mandíbulas para engolir Blanchette.
Mas ela baixou a cabeça chorando:
‘Mamãe! Mamãe!’ E o Lobo apenas agarrou o pequeno capuz dela.
Logo a seguir, oh céus! Oh céus! ele recuou, chorando e sacudindo suas mandíbulas como se ele tivesse engolido carvões vermelhos quentes.
Era o pequeno capuz de cor de fogo que tinha queimado da língua até a garganta dele.
Veja, o pequeno capuz era uma daquelas toucas mágicas que eles costumavam ter em tempos antigos, nas histórias para se tornarem invisíveis ou invulneráveis.
Assim ali estava o Lobo, com sua garganta queimada, pulando fora da cama e tentando encontrar a porta, uivando e uivando como se todos os cães da região estivessem nos seus tornozelos.
Exatamente nesse momento, a Avó chegar, retornando da cidade com seu longo saco vazio sobre o ombro.
‘Ah, bandido!’ Ela grita, ‘Espere um pouco!’ Rapidamente ela arreganha o saco através da porta, e o Lobo enlouquecido pula de cabeça dentro.
[218]É ele agora que está capturado, engolido com uma carta no correio.
Pois então a brava dama idosa fecha o saco dela; e ela corre e esvazia-o no poço, onde o vagabundo, ainda uivando, cai e é afogado.
‘Ah, canalha! Você pensou que trituraria minha netinha! Bem, amanhã nós faremos um regalo da sua pele, e você mesmo deverá ser triturado, pois nós daremos a sua carcaça para os cães.’
Depois disso, a Avó se apressou para vestir a pobre Blanchette, quem ainda estava tremendo de medo na cama.
‘Bem,’ ela disse a ela, ‘sem o meu pequeno capuz onde você estaria agora, querida?’ E, para restaurar coração e pernas à criança, [219]ela fez ela comer um bom pedaço do bolo dela, e beber um belo gole de vinho, depois do quê ela pegou pela mão conduziu-a novamente para a casa.
E então, quem foi que a repreendeu quando ela soube de tudo que tinha acontecido?
Foi a mãe.
Mas Blanchette prometeu de novo e de novo que ela nunca mais pararia para ouviu um Lobo, de modo que, finalmente, a mãe perdoou-a.
E Blanchette, a Chapeuzinho Dourado, manteve a palavra dela. E, em tempo bom, ela ainda pode ser vista nos campos como seu lindo pequeno capuz, a cor do sol.
Mas para a ver, você tem de se levantar cedo.2
ORIGINAL:
LANG, A. The Red Fairy Book. Edited by Andrew Lang, with Numerous Illustrations by H. J. Ford and Lancelot Speed. London: Longmans, Green and Co., and New York: 15 East 16th Street, 1890. p.215-219. Disponível em: <https://archive.org/details/redfairybook00langiala/redfairybook00langiala/page/215/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1Nota do tradutor: ver o conto “Chapeuzinho Vermelho” (https://blogeidonet.blogspot.com/2025/03/livro-azul-fadas-chapeuzinho-vermelho.html), para comparação.
2[219]Ch. Marelles.

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