Os Ses da História XI Se o Garoto George Washington tivesse se tornado um Aspirante Britânico

Os Ses da História


Por Joseph Edgar Chamberlin


Prefácio e Conteúdos


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[99]Capítulo XI Se o Garoto George Washington tivesse se tornado um Aspirante Britânico


Um dia de verão, em 1746, uma embarcação britânica de guerra estende-se no rio Potomac, abaixo do lugar onde a cidade de Washington agora se ergue. Os oficiais da embarcação tinham visitado o Monte Vernon, o qual era a residência do major Lawrence Washington, ajudante-geral da Virgínia.

Nenhuma embarcação da marinha real entrava no rio Potomac sem uma visita da parte dos seus oficiais à casa do major Washington. Ele tinha estado a serviço do rei no cerco de Cartagena e em outros lugares. O almirante [100]Vernon era amigo dele; a propriedade territorial do major Washington tinha sido nomeada em homenagem ao almirante. A familiaridade de Lawrence Washington com os homens tanto do exército quanto da marinha era ampla, e a sua popularidade entre eles, grande. Uma visita à sua residência hospitaleira, onde ele os entretinha com verdadeira prodigalidade virginiana, era sempre um ponto brilhante brilhante na vida de qualquer oficial naval naquela época.

À mesa de Lawrence Washington, por dois ou três anos antes de 1746, tinha se sentado seu irmão mais jovem, de nome George. Esse rapaz, quem era um cavalheiro e um soldado em miniatura, frequentemente tinha ouvido as histórias das proezas da marinha – da captura de Porto Bello, do bombardeamento de Cartagena, dos cruzamentos e batalhas junto com o poder espanhol. Essas histórias e o contato pessoal com seus heróis tinam inspirado nele um desejo ansioso para entrar no serviço naval. O pai dele estava morto, e o irmão dele, quem virtualmente [101]tinha assumido o lugar do pai, favorecia a intenção do menino. A mãe dele opunha-se a ela. Mas finalmente ela foi induzida a conceder o consentimento dela. Uma patente de aspirante foi obtida para o jovem George Washington, e, no dia de verão em 1746, do qual nós falamos, a bagagem dele efetivamente tinha sido enviada a bordo da embarcação estendendo-se no rio.

Mas, no último momento, Mary Washington rebelou-se categoricamente. Ela não conseguia suportar o pensamento do garoto dela indo ao mar. Ela previu um tempo quando ela necessitaria dele em casa. Ela retirou seu consentimento; e como a assinatura dela era necessária para o alistamento, foi impossível para ele juntar-se à embarcação, e a bagagem dele foi enviada de volta a Monte Vernon.

Assim, dessa maneira, não aconteceu que George Washington, à idade de quatorze, entrasse na marinha britânica, e embarcasse em uma carreira que provavelmente o ocuparia durante o resto da vida dele.

[102]Foi uma contingência real – aquela do possível comprometimento de George Washington com a causa real. Toda influência que ocorreu sobre ele, até a morte do seu irmão Lawrence, em 1752, foi realista. Esse irmão era casado com a filha de Gorge William Fairfax, primo e administrador das grandes propriedades americanas de lorde Fairfax. Lorde Fairfax mesmo, mudando-se para a Virgínia, tornou-se o patrono, amigo e mentor do jovem George Washington. O jovem rapaz estava em associação constante com ingleses, e sempre, mais ou menos, sob influência oficial.

Os Fairfaxes permaneceram leais ao poder britânico quando a guerra de independência foi declarada. Se Lawrence Washington tivesse vivido, é bastante concebível – sim, provável – que ele teria seguido com eles. Se, além disso, George Washington não tivesse sido muito jogado em contato com os seus vizinhos virginianos, entre [103]quem o espírito de rebelião tinha sido propagado a partir de Massachusetts – se ele não tivesse se tornado um soldado e comandante colonial – pode haver pouca duvida de que ele teria se agarrado ao lado inglês.

Entrementes, sem dúvida, ele teria avançado para posição bastante elevada em seu serviço real, se ele tivesse se juntado a ele. Os anos entre 1746, quando a patente de aspirante foi obtida para Washington, e 1774, quando as colônias começaram a tinham começado a se inflamarem em revolta, tinham sido de grande atividade no mar.

O jovem oficial poderia ter participado da destruição da frota francesa em Capo Finisterre; na vitória fora de Lagos; no grande combate decisivo na baía de Quiberon, na captura de Havana, e em muitas outras lutas no mar. Ele teria lutado ao lado de Boscawen, sir Edward Hawke, e lorde Howe, Duff e Rodney, e muito provavelmente teria conquistado louros como os deles. Nada [104]colonial poderia tê-lo separado da bandeira que ele tinha servido dessa maneira, não mais do que a influência da sua propriedade natal poderia ter separado Farragut da Bandeira Estrelada em 1861.

É demais dizer que a república americana teria ficado sem pai sem Washington? Talvez um braço poderia ter sido encontrado – embora isso seja duvidoso – que poderia ter empunhado a espada dele. Mas onde haveria o cérebro, a paciência, o tato, a determinação, que teriam composto as diferenças nos conselhos americanos, e teriam mantido as colônias discordantes e os comandantes invejosos juntos?

Que outro homem, que qualquer combinação de homens, pudesse ter feito o que ele fez, é inconcebível. Na grandeza do caráter dele e no gênio com o qual ele realizou uma obra tremenda, ele é sem igual, não apenas na América, mas na história do mundo. Sem [105]a sua mão estabilizadora na guerra, o exército americano teria seguido um curso tortuoso para a morte, e a jovem república, um para a sua destruição.

Quanto à parte decisiva que ele desempenhou na formação da união dos estados depois da guerra, a palavra dos seus companheiros na Convenção Constituinte Federal é conclusiva. “Não fosse por um grande caráter,” disse Grayson da Virgínia, referindo-se a Washington, “tantos homens não seriam a favor desse governo; nós não tememos enquanto ele vive, mas quem além dele pode concentrar a confiança e a afeição de todos os americanos?” Ninguém mais alguma vez poderia tê-las concentradas. Monroe relatou a Jefferson, “Esteja certo de que a influência de carrega este governo.” E Bancroft registrou este julgamento: “O país era um instrumento com treze cordas, e o único maestro que poderia extrair todo o pensamento harmonioso delas era Washington. [106]Tivesse prevalecido a ideia que ele não aceitaria a presidência, isso teria se provado fatal.”

Washington foi o eixo ao redor do qual todas as coisas giravam. Carecendo de um tal eixo, o mecanismo da república americana teria desmoronado em ruínas. Feliz a escolha da mãe virginiana, quem não conseguiu dispensar o garoto dela naquele dia de verão e embarcou no navio de guerra no córrego do Potomac em busca da bagagem dele!


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ORIGINAL:

CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 99-106. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/99/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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