Os Ses da História XIII Se La Fayette tivesse mantido o Reino de Terror Francês sob controle

Os Ses da História


Por Joseph Edgar Chamberlin


Prefácio e Conteúdos


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[114]Capítulo XIII Se La Fayette tivesse mantido o Reino de Terror Francês sob controle


Em cada época do mundo, e em cada lugar, uma voz sempre comandou nas questões de nações, povos e comunidades. Se oligarquias, legislaturas, grupos ou cabalas pareceram ter autoridade, mesmo assim, tem sido verdadeiro que em cada um desses grupos, de tempos em tempos, a influência de algum indivíduo tem sido preponderante. As repúblicas mais livres são uma organização desse princípio – uma submissão voluntária dos muitos à liderança de homens escolhidos.

Em tempos de tensão e contenda e mudança é impossível que homens fortes [115]não devam agarrar as rédeas do poder, não importa qual sistema político exista, não importa que a anarquia tenda a prevalecer. De fato, a mudança cria a oportunidade do forte; e o destino de nações e continentes depende do caráter do homem forte que se apresenta. Se ele é bom, como Washington era bom, os seus concidadãos derivam benefício duradouro e desmesurado a partir do agarrar da oportunidade dele por ele. Se ele é mau, como Napoleão Bonaparte foi mau, a colheita maligna dos seus vícios pode ser colhida através de gerações e séculos, como a França colheu, e está colhendo agora, uma herança de conflito e declínio nacional.

Quando a Revolução de 1789 veio à França houve muitas pessoas, de todos os partidos e condições, quem acreditavam que o país tinha o seu Washington. Ele devia ser encontrado, eles pensaram, na pessoa do marquês de La Fayette. Esse homem era amigo de Washington. Ele tinha [116]copiado exitosamente muitas das virtudes dele. Ele era um patriota altruísta. Ele acreditava na liberdade do povo e deseja vê-los governarem a si mesmos. Embora ele mesmo um nobre, ele acreditava na abolição dos títulos de nobreza. Em seus aposentos e depois no seus escritório como um servidor público, ele mantinha dois quadros pendurados na parede. Em um quadro estava uma cópia da Declaração americana de Independência. O outro quadro estava vazio, mas ele portava a lenda, “Este espaço espera a Declaração francesa de Independência.”

Quando a Revolução irrompeu, La Fayette foi convocado pelo povo para o centro do poder real – o comando das tropas em Páris. Tanto o rei quanto o povo confiavam nele. O poder dele para o bem foi quase absoluto. Ele evitou a anarquia e restaurou a ordem em Páris depois da derrubada da Bastilha. Ele concedeu ao país uma Declaração de Direitos e uma Constituição fundadas sobre os modelos americanos. [117]As brigas das facções disputantes foram detidas pela mão dele. A multidão não se atrevia a expulsar o rei. A influência moderadora de La Fayette foi o lastro que manteve a nação francesa, a despeito de certos excessos, em um barco firme.

Mesmo quando os girondinos e jacobinos se inflamavam e estavam prestes a voarem uns nas gargantas dos outros, o medo de La Fayette afastou essas facções da violência. Se ele tivesse sustentado essa influência – se ele tivesse preservado a sagacidade e ousadia para se aliar ao povo e liderá-los – a nação francesa poderia ter sido salva da anarquia, da reação e das tiranias de imperadores e de multidões, e da lenta degeneração que se seguiu à sua longa dieta de pólvora.

Mas no teste, La Fayette não exibiu esse poder. Em 1792, ele estava no campo de batalha, no comando de um exército, resistindo à invasão prussiana. A nação, excitada, foi suficiente para a tarefa de repelir o ataque estrangeiro. Mas, em [118]Paris, os eventos estavam marchando. O povo levantou-se e derrubou o trono e a constituição realista que La Fayette tinha criado. Mas eles ainda se voltaram para La Fayette. Eles ofereceram-lhe o poder executivo central no novo governo.

Essa foi a oportunidade dele para salvar a França. Ele não foi adequado para ela. Ele não se ergueu para a emergência. Ele não apenas recusou a oferta de poder, mas fez as tropas dele renovarem seus juramentos de fidelidade ao rei. Então a Assembleia declarou-o um traidor; e La Fayette, levando com ele alguns poucos seguidores, desertou do seu comando, seguiu para Bouillon, na fronteira, e cavalgou da França para uma terra estrangeira!

Nenhum homem pode imaginar Washington dando um passo tal como esse. La Fayette sofreu por causa disso e, subsequentemente, ele serviu nobremente ao país dele. Mas o prejuízo eterno da sua fraqueza tinha sido produzido. Girondinos e jacobinos, aliviados do temor dele, [119]voltaram-se para destruição e assassinato mútuos. O Reino do Terror estava em curso. A nação foi afundada em uma orgia de sangue. Quatrocentos mil homens e mulheres foram mortos. A liberdade na França foi assassinada na casa dos seus amigos.

Eu disse que um homem sempre chega ao topo das coisas. Com La Fayette fora, Robespierre, o homem de sangue, prevaleceu. Robespierre foi o Terror. Depois dele, o Terror tendo saciado a sua sede terrível, e a cabeça de Robespierre tendo ido para o cesto com as das vítimas dele, ai surgiu outro homem para tirar vantagem da paralisia que a Revolução perversa tinha infligido sobre a França. Esse homem foi Napoleão Bonaparte.

Bonaparte libertou La Fayette da prisão. Bonaparte considerava-o com desdém, chamando-o de um “néscio.” Não era tão ruim assim. Mas Napoleão desprezava um homem quem tinha tido a sua chance e falhado em agarrá-la.

Tivesse La Fayette provado-se apto para [120]essa oportunidade, a França teria sido organizada como uma república constitucional. O Terror não teria existido. A ambição de Napoleão poderia ter sido mantida sob controle. O equilíbrio na Europa teria sido mantido, mas a liderança da França teria sido consolidada e tornado-se imortal. As nações teriam seguido o exemplo dela. A monarquia teria morrido em decadência. O sonho de um Estados Unidos da Europa poderia ter sido realizado – talvez com uma cidade de La Fayette, a capital da vasta confederação, a cidade europeia equivalente à Washington, sorrindo de cima, pode ser, a partir das costas neutras do lago de Constança, para o leste, o oeste, o norte, o sul, com uma benção de paz.


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ORIGINAL:

CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 114-120. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/114/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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