Os Ses da História
Por Joseph Edgar Chamberlin
[107]Capítulo XII Se o Alexander Hamilton não tivesse escrito sobre o Furacão
“Ele concebeu a Constituição dos Estados Unidos e os detalhes do governo da União; e, a partir do caos que existiu após a Revolução, ergueu um edifício, cada parte do qual está imbuída com o seu pensamento.” Assim disse um dos seus contemporâneos, Ambrose Spencer, de Alexander Hamilton; e outro disse: “Ele realizou o pensamento do seu tempo.” O pensamento que Halmilton realizou para a jovem república americana foi da importância mais tremenda e vital para ela. Os serviços dele como um [108]financista não foram meramente de um caráter negativo e poupador – eles foram positivamente construtivos e permanentemente duradouros; ele “criou um crédito público e colocou os recursos do país em eficiência ativa.” Foi Alexander Hamilton quem fundou o sistema americano de negócios e finança.
Contudo, é completamente improvável que, exceto por uma circunstância acidental ou duas, Alexander Hamilton nunca teria vindo para as colônias continentais. Ele nasceu na ilha de Nevis, nas Índias Ocidentais, e sobre essa ilha, e sobre St. Christopher e St. Croix, ilhas vizinhas, a vida dele até a idade de quinze anos foi despendida. O pai dele, James Hamilton, tinha se provado “irresponsável e desafortunado,” como um biografo britânico de Hamilton expressa, e cedo cessou de sustentar o menino, ou, aparentemente, de ter qualquer interesse em sua educação ou bem-estar. A mãe dele morreu cedo e deixou-o sob os cuidados [109]dos parentes dela, e como ela legou para eles várias outras crianças, eles pensaram pouco sobre Alexander, exceto para o tornar de algum uso e aliviar o próprio fardo deles. Ele escassamente foi enviado a escola e, à idade de doze, foi colocado na loja ou depósito de Nicholas Cruger, um comerciante geral em St. Croix, para se sustentar como um funcionário.
Ali ele permaneceu por aproximadamente três anos. Ele frequentemente tem sido descrito como fenomenalmente precoce, e certamente foi nesse sentido que a mente dele amadureceu cedo. Mas não há nada da qualidade de imaturidade inteligente, autossatisfeita sobre esse gênio. Ele leu muito, estudou profundamente e recebeu algum bom treinamento nas mãos do Rev. Hugh Knox, um ministro presbiteriano.
Mas de repente, ali ocorreu o acidente que resultou na sua ida para as colônias continentais. No final do verão de 1772 uma terrível furação varreu as ilhas Leeward. [110]O garoto Hamilton, então de quinze anos de idade, teve o seu quinhão completo nas aventuras acompanhando essa calamidade, e escreveu um relato longo e vívido dela para um jornal publicado em St. Christopher. Através desse trabalho brilhante de notícias as inteiras Índias Ocidentais ficam excitadas. O povo de lá tinha tido abundância de furacões antes, mas nenhum deles nunca tinha sido adequadamente “escrito.” O jovem Hamilton despertou uma manhã para descobrir a si mesmo no gozo de uma fama que se estendia todo o caminho da Jamaica para Trinidad.
O resultado imediato dessa notoriedade foi convencer os parentes de Alexander de que eles possuíam nele um prodígio e estimulá-los a encontrarem meio para o educar. Eles levantaram um fundo para isso sem nenhuma dificuldade particular, e embarcaram-no, armado com uma carta de introdução do sr. rev. Knox, para Boston, em rota para Nova Iorque. Carecendo dessa assistência, é improvável que o jovem [111]teria encontrado o seu caminho para as nossas costas. Talvez, a despeito de tudo, ele tivesse ascendido à eminência nas Índias Ocidentais. Muito provavelmente, um dia, ele teria navegado para a Escócia ou a Inglaterra e poderia ter se tornado um homem famoso ali. Mas a América o teria perdido.
Ainda há outra e vital contingência associada com a mudança de Hamilton para o continente americano. Em seu caminho para Boston, enquanto no oceano aberto, a embarcação na qual ele tinha navegado pegou fogo. Por algum tempo, ela esteve em perigo de destruição. Mas, com grande dificuldade, as chamas foram extintas. Se elas tivessem prevalecido, a carreira do gênio das Índias ocidentais teria sido encurtada pela morte.
Dessa maneira, através da ajuda, primeiro de um furação tropical, e, segundo, através dos esforços da tripulação da embarcação que o transportava na extinção de um incêndio no porão, Alexander Hamilton alcançou as colônias americanas exatamente a tempo de serem [112]varridas para dentro da corrente do movimento por independência; para ser renovado em um ardente americano, e para colocar sua estampa para sempre na jovem nação que surgiu da fumaça de Bunker Hill. O estudante de pele escura, de olhos escuros, de aparência exótica em King’s College, a quem os cidadãos de Nova Iorque olharam de soslaio como um “índio ocidental estranho,” tornou-se um grande líder, um comandante, um guia, uma força construtiva magnífica assim como restritiva.
O que este país teria sido sem ele, ou melhor, o que ele tem de ter falhado eternamente em ser, pode ser inferido a partir das coisas que se tornaram o que são devido a ele. Ele foi o inventor da proteção americana. A indústria americana foi fundada sobre o seu “relato sobre manufaturas.” Como o primeiro e o maior dos Federalistas, ele salvou a confederação da disrupção ao suprir a ideia de autoridade central. Outros poderiam laborar [113]por liberdade – ele laborou por segurança. Ele colocou a razão na base da sua comunidade política. Sem os seus princípios, a república teria carecido de uma roda de equilíbrio. Os direitos dos Estados teriam sido tudo – os direitos da nação, nada.
Toda a nossa expansão nacional foi embalada nas visões de Hamilton. McKinley e Roosevelt têm sido os seus continuadores. O sentimento que governa a nossa república hoje em dia é hamiltoniano; e a guerra e a discórdia que têm nos afligido, como o resultado da frouxidão da nossa confederação, há muito desde então teriam destruído a nação senão pela roda de equilíbrio com a qual ele nos supriu.
ORIGINAL:
CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 107-113. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/107/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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