Os Ses da História
Por Joseph Edgar Chamberlin
[121]Capítulo XIV Se Gilbert Livingston não tivesse votado para colocar Nova Iorque na União
Quantos americanos do presente compreendem que o estado de Nova Iorque, à época da adoção da Constituição nacional, era radicalmente e esmagadoramente oposto à entrada na União que a Constituição propunha, e foi finalmente forçado para dentro da união de estados apenas pela demonstração de que o estado seria isolado e removido dos seus estados vizinhos se ele não se juntasse, com uma parede tarifária erguida contra ele? De fato, é difícil para os nova iorquinos compreenderem, visto que [122]hoje eles vivem sob a Bandeira Estrelada, tendo esquecido qual é a sua bandeira do estado, e estando entre os mais zelosos apoiadores da União, que o estado deles liderou a oposição à Constituição, e que, exceto pela influência de uns muito poucos homens em dois outros estados, Nova Iorque poderia ter impedido a consumação daquela “mais perfeita união.”
A contingência que impediu o estado de desmembrar a União no seu começo foi algo estreito, mas ela tinha sido antecipada. Hamilton e os federalistas tinham estabelecido bem os seus planos. Primeiro eles forneceram aos estados do sul, e aos estados menores do norte, uma razão interessada para se juntarem à União. Eles concederam ao Sul representação por conta dos escravos deles. Eles igualaram os pequenos estados aos grandes estados no Senado. Então eles planejaram que, quando nove estados tivessem ratificado a Constituição, ela deveria tornar-se efetiva, e uma confederação [123]deveria ser formada por aqueles nove estados, se não houvesse outros.
Então as ratificações começaram. O jogo era obter nove estados. O pequeno Delaware disse “Sim” primeiro. Franklin e Wilson tinham um domínio firme sobre a Pensilvânia, e esse estado entrou em seguida, sob a pressão que eles exerceram. New Jersey, Georgia, Connecticut, Massachusetts, Maryland e Carolina do Sul seguiram. Isso fez oito estados. Então as coisas emperraram rapidamente. Haveria um nono?
Dois terços dos delegados na convenção de Nova Iorque eram firmemente opostos à ratificação. Eles acreditavam que a Constituição significava um fim para as liberdades dos estados. Eles viam um trono real assomando para a América. Eles diziam que temiam um grande poder central que deveria oprimir e taxar excessivamente o povo dos estados. O governador Clinton liderou a oposição à ratificação. Os hábeis argumentos de Hamilton não tiveram nenhum efeito. Nova Iorque não deseja entrar.
[124]Acreditava-se que todos os estados restantes também eram opostos. New Hampshire tinha se recusado a obedecer aos requisitos da Confederação; por que ele deveria aceitar com mais favor a Confederação? Na Virgínia, Patrick Henry liderou a oposição à ratificação com eloquência apaixonada. Richard Henry Lee, William Grayson, George Mason e James Monroe, todos grandes homens no senado, eram inalteravelmente opostos à ratificação. Certamente parecia sombrio para a União.
Mas nesse momento de triunfo aparente, enquanto a convenção de Nova Iorque estava em sessão, o governador Clinton e o seu partido na convenção ouviram as notícias surpreendentes. New Hampshire, sob a influência de Massachusetts e dos conselhos mais sábios de alguns dos seus próprios líderes, ratificou a Constituição em 21 de junho de 1788 – mais do que nove meses depois da adoção dos instrumento pela [125]Convenção Constitucional na Filadélfia.
Esse evento colocou uma nova face na situação de Nova Iorque. A União agora estava decretada. Se Nova Iorque não entrasse nela, ela tinha de ser preparada para se erguer sozinha, como uma nação independente. Ela poderia fazer isso? A nova Confederação limitá-la-ia em ambos os lados. A ela pertenceriam New Jersey, o qual flanquearia o seu único porto marítimo no oeste, e Connecticut e Massachusetts, os quais o emparedariam no leste. De fato, a forma do estado adaptava-se muito mal para uma posição independente. Além disso, conhecia-se que influências estavam em ação que precipitariam uma tarifa hostil contra os estados que permanecessem fora da União. Uns poucos meses depois, uma tarifa similar foi efetivamente adotada contra Rhode Island, o qual foi tratado como um país estrangeiro na imposição de impostos sobre importações.
Nova Iorque não poderia suportar isso. Gilbert Livingston e uns poucos outros [126]mudaram seus votos sobre um anúncio distinto de que a pressão dos “estados irmãos” tinha tornado impraticável continua a oposições. Mas mesmo por fim, a Constituição foi ratificada por uma maioria de apenas dois em um voto de sessenta! Gilbert Livingston segurou o destino do estado nas mãos deles, e ele, embora empenhado contra a União, colocou Nova Iorque dentro da União através do seu voto.
Um voto teria mantido Nova Iorque de fora.
Nós observamos o fato de que a posição de Nova Iorque era desfavorável para uma tentativa de independência. Mas o fato de que a voz de apenas um homem impediu a tentativa mostra que os outros delegados opostos não estavam muito temerosos de darem o salto. Supondo-se que Gilbert Livinston tivesse votado da outra maneira, e que o voto tivesse sido de trinta e um para vinte e nove contra a ratificação, em vez das mesmas figuras a favor, qual teria sido o resultado?
[127]Vejamos. Dois outros estados eram radicalmente opostos à Constituição – Rhode Island e Carolina do Norte. Muito provavelmente eles teriam ficado felizes em formarem uma aliança defensiva com Nova Iorque. A Virgínia ratificou uns poucos dias depois de New Hampshire, mas facilmente ela poderia ter retirado a ratificação dela, pois ela não tinha o coração nisso. Com a Virgínia, os estados descontentes teriam tido uma população de 1.550.306 contra 2.378.908 (censo de 1790) das colônias restantes, incluindo Vermont, quem ainda não estava dentro. Isso não teria sido um fundamento completamente sem esperança para uma nova liga, constituída nos termos fáceis sobre os quais, e apenas sobre os quais, esses estados estavam dispostos a entrarem na União. A falta de uma contiguidade de território teria sido a pior objeção à formação da liga.
Mas o efeito real da autoexclusão de Nova Iorque, tão estreitamente evitada, teria sido algo negativo. Ela teria impedido toda coesão [128]na nova União. Ela teria empurrado uma ponta diretamente através da nova república, de oeste a leste. Pior, ela teria erigido a secessão em um princípio desde o início. Logo nós deveríamos ter tido pelos menos três repúblicas em vez de uma, e provavelmente mais. Politicamente nós deveríamos ter sido o que as Américas Central e do Sul agora são. Progresso real teria sido barrado. Guerras teriam sido prováveis entre os estados. Influência política europeia teria penetrado nos estados mais fracos, ou em alianças de estados.
Em resumo, a “ideia americana,” de governo do povo pelo povo e para o povo, provavelmente teria sido natimorta. Através da sua mudança de voto, Gilbert Livingston assinou a pena de morte do princípio de secessão. Não apenas ele colocou em movimento as influências unificadoras que prevalecerem sobre a soberania dos estados, mas ele decretou o Estado Império, destinado a ser um baluarte contra a desunião.
ORIGINAL:
CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 121-128. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/121/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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