Os Ses da História
Por Joseph Edgar Chamberlin
[91]Capítulo X Se Almirante Penn tivesse persistido em renegar seu Filho William
Quando um pai inglês, irascível e teimoso, renega e expulsa um filho que não apenas o desobedece, mas prova-se falso com as tradições e interesses óbvios da família, ele fica muito inclinado a aderir à sua ação. Uma vez uma questão muito grande se tornou um problema, no qual um pai inglês, depois de fazer uma exibição muito firme da renegação do seu filho, finalmente se arrependeu e tomou-o de volta no seu coração.
Para saber, a Pensilvânia dependeu; e todo o sucesso maravilhoso do grande experimento de William Penn em [92]colonização. Nunca tinha havido nada exatamente como esse sucesso na história do mundo, pois a grande jornada da já estabelecida população americana no século XIX foi um reajuste, uma extensão, em vez de uma colonização no verdadeiro sentido. A colonização da Pensilvânia foi uma colonização verdadeira. Não apenas ela equivaleu à criação de uma grande e modelar comunidade política, completa, com uma população composta de novo mundo, no período de vinte ou trinta anos, mas ela forneceu a pedra para o arco de estados que constituiu a república americana no século seguinte ao assentamento de Penn.
A Filadélfia liderou as cidades americanas nos sete anos da Revolução. Ela foi sua capital, comercialmente assim como politicamente. Ela supriu a maioria dos sustentáculos de guerra. Sem os $1.400.000 de Robert Morris, o qual veio todo da Filadélfia, a campanha final e crucial [93]da guerra não poderia ter sido lutada. Mais do que isso, sem exatamente o tipo de comunidade política que a Pensilvânia já tinha se tornado, erguendo-se no centro das coisas – cosmopolita, independente de influência realista ou aristocrática, próspera, democrática, firme – é difícil ver como a Revolução poderia ter sido empreendida de qualquer maneira.
Mas, pelo incidente que permitiu o assentamento de Penn o vasto território que depois constituiu a Pensilvânia teria se tornado meramente uma extensão de New York, ou de New Jersey, ou de Maryland, ou da Virgínia, ou de todos eles. As chances são que os seus recursos teriam sido explorados por trabalho escravo. A maior parte do estado poderia ter permanecido território escravo até 1861. Em qualquer caso, o seu desenvolvimento teria sido muito mais lento, o seu povoamento, muito menos rápido. Não apenas as guerras indígenas restringiram o crescimento, mas o espetáculo da [94]chegada de quinhentos mil alemães robustos, a criação da maior cidade nas colônias dentro de cinquenta anos, e a construção, naquela época, de um comércio a partir do rio Delaware que empregou mais do que quinhentas embarcações e setecentos marinheiros, nunca poderia ter sido apresentado.
O papel que a Pensilvânia começou a desempenhar desde o momento da chegada de Penn, e que ela ainda desempenha, nos assuntos americanos, foi diretamente dependente do caráter e gênio de Penn, e, por um longo tempo, da riqueza e posição social dele. Sem a riqueza que William Penn herdou do pai dele, o almirante sir William Penn, ele não poderia ter organizado a sua Sociedade Pensilvânia, nem comprado o lugar da Filadélfia. Sem a posição, assim como a riqueza, as quais ele herdou, em primeiro lugar, ele não poderia ter aspirado à familiaridade com o rei Charles II; e essas [95]foram absolutamente essenciais para o título extraordinário, em nome de um povo desprezado e desconfiado, o qual Penn recebeu das mãos do rei.
Penn sempre esteve nessa posição variável? Vejamos. O almirante, pai dele, foi um bom homem de igreja e conservador. O rei Charles tinha-o em estima muito elevada. O filho era brilhante, e de caráter nobre. Ele foi enviado para a Universidade de Oxford; e qual foi o assombro do pai, após o garoto ter estado lá por algum pouco tempo, ouvir que ele tinha se juntado ao secto desprezado e perseguido dos Quakers! Isso foi muito como se, nos dias presentes, o filho e herdeiro de um grande multimilionário devesse juntar-se não meramente aos socialistas, mas aos anarquistas em Paterson!
Sir William rugiu e repreendeu. O filho apenas se tornou mais firme na fé. sir William suportou muito, mas, descobrindo que o rapaz realmente se inclinava a dirigir-se ao rei como [96]“tu,” ele disse-lhe que se ele cometesse essa impropriedade, ou algo similar a “ti” e “tu,” ou o rei, ou o almirante, ou o duque de York, renegá-lo-ia e isolá-lo-ia sem um xelim. Na primeira oportunidade mesma depois disso, o jovem William dirigiu ao rei Charles como “tu!” O rei, tendo um senso de humor mais do que régio, fez uma piada da questão, mas sir William não. Ele cumpriu sua palavra. Ele expulsou o filho porta afora, e ordenou que ele desaparecesse. O jovem partiu e, por um tempo, assumiu uma existência muito desacreditada. Ele já tinha sido expulso da universidade.
Aqui, por um tempo, o destino de Pensilvânia certamente tremeu na balança. Estava bastante dentro do poder afrontado do almirante tornar o banimento permanente. Tivesse ele feito isso, nunca teria existido uma comunidade política quaker-alemã na América.
É conhecido que o filho aceitou [97]o seu banimento como permanente. Mas a mãe dele não. Ela suplicou ao pai dele pelo seu perdão. Ela lembrou da grande bondade natural do garoto, do seu brilhantismo, da sua afetividade. A senhora Penn sustentou que ele se recuperaria do destempero do quakerismo. Ela suplicou ao marido dela, antes que fosse tarde demais para abrandar e mandá-lo voltar.
Por fim, movido por esse apelo e as incitações do seu próprio coração, o almirante chamou o jovem para casa. Uma ou duas vezes depois ele esteve a ponto de um banimento mais radical dele. Mas, afortunadamente para o Novo Mundo, o coração do sir William era mole, afinal. O filho foi reestabelecido em suas boas graças. Após a morte to almirante, em 1670, foi descoberto que ele tinha legado toda a sua fortuna para filho, e, devido à influência do filho, os quakers melhoraram muito a sua posição, e, em tempo devido, Penn organizou e levou a cabo o [98]experimento da Pensilvânia. Mas o rei Charles teve bastante cuidado para lhe informar de que o nome de “Pensilvânia,” oficialmente concedido à colônia, não foi em honra do fundador, mas em comprimento ao almirante, o pai dele.
Estreita como essa contingência possa ter sido, uma vez que evento tão grande dependeu do impulso de um homem, ela foi, afinal, uma contingência moral, e não um acidente físico, como tantas outras foram. Ela é mais impressionante por essa razão. É bom saber que apenas mais umas poucas batidas de coração, no peito de um homem que pode ser amável assim como temperamental, podem criar um poderoso império.
ORIGINAL:
CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 91-98. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/91/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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