Os Ses da História VII Se a Armada Espanhola tivesse zarpado na Hora Marcada

Os Ses da História


Por Joseph Edgar Chamberlin


Prefácio e Conteúdos


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[64]Capítulo VII Se a Armada Espanhola tivesse zarpado na Hora Marcada


Quando Felipe II, filho do grande imperador Carlos V, chegou ao trono da Espanha, aquele país tinha se tornado o maior império cosmopolita no mundo. O trono de Castela, em um momento ou em outro durante o reino de Filipe, foi não apenas o trono de Espanha e Portugal, mas da Holanda e Borgonha, as Sicílias, Sardenha, Milão, Cuba, Hispaniola, Flórida, México, Califórnia, quase toda a América do sul, e as ilhas filipinas. O monarca espanhol era o filho mais velho da igreja; e Filipe, forte, [65]ambicioso, intolerante e insolente, esperava, enquanto ele estabelecia os fundamentos do seu palácio glorioso, o Escorial, a oitava maravilha do mundo, tornar-se o mestre de França e Britânia, e legar ao filho dele o império mais vasto sobre o qual o sol alguma vez tinha brilhado.

Pelo casamento dele com a Rainha Mary, ele adquiriu o título nominal de rei da Inglaterra, embora ele nunca fosse coroado. Mas o rancor dele surgiu contra a Inglaterra após a morte de Mary e a sucessão de Elizabeth. O país provava-se uma pedra no sapato dele, ajudando os rebeldes holandeses e desfazendo em casa o trabalho de perseguição de sua falecida esposa. Felipe formou um grande projeto para a invasão do país.

À época, a Espanha era suprema sobre o mar. A marinha inglesa tinha declinado muito. Em 1575, ela tinha apenas vinte e quatro embarcações de todas as classes na água. Contudo, Felipe conhecia a esperteza da Inglaterra com as embarcações deles e no [66]planejamento dessa invasão ele propôs que ela fosse invencível. Invencível ele procurou criar a Armada, ou frota, que ele enviou contra o país, e invencível não apenas ele, mas toda a Europa, acreditou que ela fosse, quando, em janeiro do ano de 1588, a grande flotilha estava pronta para zarpar.

Ela consistia em aproximadamente cento e trinta embarcações, das quais, sessenta e duas eram de mais de trezentas toneladas de carga. Ela era comandada por um guerreiro do mar corajoso e habilidoso, Santa Cruz. Os ingleses tinham melhorado muito as condições deles desde sete anos atrás, mas, nesse momento, eles estavam absolutamente despreparados para se oporem a uma frota estrangeira. As embarcações deles estavam espalhadas por todas as partes e muitas estavam desequipadas. Se a armada tivesse zarpado àquele momento, ela não teria encontrado nenhuma força pronta para se opor a ela. E ela teria escapado das tempestades que depois ocorreram.

Mas mañana é a maldição de todos os projetos da Espanha. A armada demorou-se, Santa Cruz, o seu chefe, adoeceu [67]no porto e morreu. Muito provavelmente, se ele tivesse zarpado, nenhum destino similar teria alcançado-o. Esse foi o primeiro dos infortúnios da grande frota. Felipe procurou por outro comandante. Por um favoritismo estúpido, a escolha dele caiu sobre o duque de Medina Sidonia, quem era um completo incompetente.

Os meses passaram. Entrementes, na Inglaterra, completamente informada das intenções do rei, estava montando uma frota. Naqueles dias não era necessário esperar cinco anos para um navio de batalha ser construído. Quase qualquer grande embarcação poderia ser transformada em uma embarcação de combate. Em particular, os ingleses estavam bem de armas, e o atraso da armada concedeu-lhes a chance de colocarem a artilharia deles a bordo.

Nombre de Dios! – O leitor supõe quando que essa frota invencível, pronta em janeiro, realmente zarpou de Coruña? No dia 12 de julho! Ela já tinha sido espalhada e enfraquecida por uma tempestade fora de Lisboa. Em 21 de julho, Medina Sidonia [68]navegou para dentro da formação em linha de batalha” de Drake e Hawkins no canal inglês, como Rojestvensky navegou para dentro do covil de Togo fora de Tsushima em 1905, e o resultado para ele assemelhou-se um pouco ao destino subsequente da frota russa no mar do Japão. Contudo, isso não foi tão ruim. Se Medina Sidonia tivesse partido, com suas embarcações sobreviventes, após a primeira investida, para a Dinamarca, e reaparelhado, ele ainda poderia ter embaraçado os britânicos. Mas ele buscou criar a passagem ao redor do norte da Escócia, e uma sucessão de tempestades devastou toda a sua frota restante.

Todas as autoridades concordam que, em janeiro de 1588, não havia nenhuma força inglesa que pudesse ter esperança de conter Santa Cruz conforme as coisas então estavam. E se ele tivesse chegado e desembarcado um exército de veteranos treinados sobre as costas indefesas da Inglaterra? Ele teria vencido. A rainha Elizabeth teria sido destronada. A Irlanda alegremente teria se juntado a Filipe. [69]A Inglaterra era quase metade católica, e o povo dessa fé eventualmente poderia ter se reconciliado com o estrangeiro. Felipe poderia ter tornado a si mesmo outro normando William. A cultura hispânica teria sido imposta sobre a nação inglesa. Mas, diferentemente de William da Normandia, quem transferiu o seu poder para a Britânia, Felipe teria permanecido um soberano espanhol, e Londres teria sido governada a partir de Madri.

Felipe nunca teria contemporizado com o protestantismo inglês. As chances são de que ele o teria erradicado completamente e desde o começo, como ele buscou fazer, tarde demais, na Holanda. Se pudesse ter realizado a sua vontade, ele também poderia ter suprimido o conhecimento e a literatura ingleses. William Shakespeare, quem há pouco tinha chegado a Londres, nunca tinha produzido uma peça quando a Armada zarpou e, provavelmente, ele nunca teria produzido uma, se ela tivesse sido conquistado. A gloriosa [70]cultura elizabetana teria sido cortada pela raiz.

Todas as possessões da Britânia, já existentes ou por vir, teriam caído para Espanha ou França se Filipe tivesse destronado Elizabeth – indubitavelmente para a Espanha, pois a ambição de Filipe de capturar o trono francês teria sido favorecida pela conquista da Inglaterra por ele. Vice-reis espanhóis teriam tido autoridade por séculos sobre toda a América do Norte. Uma raça latina-indigena híbrida teria nascido aqui, como no México e no Peru. Carecendo da inspiração da liberdade norte-americana, toda a América espanhola ao sul teria permanecidos até hoje em dia sob os dons.

Língua castelhana, cultura castelhana, maneiras castelhanas, a fé castelhana, poderiam ter reinado supremas sobre uma raça morena desde do São Lourenço aos Estreitos de Magalhães.


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ORIGINAL:

CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 64-70. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/64/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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