Mitologia de Bulfinch
Por Thomas Bulfinch
Histórias de Deuses e Homens
[19]Capítulo III Apolo e Dafne, Píramo e Tisbe, Céfalo e Prócris
O lodo com o qual a terra foi coberta pelas águas do dilúvio produziu uma fertilidade excessiva, a qual causou todo tipo de produção, tanto boa quanto ruim. Em meio ao repouso, Píton, uma serpente enorme, arrastava-se publicamente, o terror das pessoas, e espreitava nas cavernas do Monte Parnasso. Apolo matou-a com suas flechas – armas que ele nunca tinha usado antes contra nada, exceto animais fracos, lebres, bodes selvagens, e caça similar. Em comemoração a essa conquista ilustre, ele instituiu os jogo píticos, nos quais o vencedor em feitos de força, rapidez de pé ou na corrida de bigas era coroado com uma coroa de folhas de faia; pois o louro ainda não tinha sido adotado por Apolo como sua própria árvore.
A famosa estátua de Apolo chamada de a Belvedere representa o deus após a sua vitória sobre a serpente Pitão. A isso Byron alude em seu “Childe Harold,” iv., 16.:
[20]“… O senhor do arco que não erra,
O deus da vida, e poesia, e luz,
O Sol, em membros humanos arrumado, e fronte,
Todo radiante a partir do seu triunfo na luta.
A flecha há pouco sido disparada; a flecha brilhante
Com vingança de um imortal; em seu olho
E narina, lindo desdém, e poder
E majestade reluzem seus plenos relâmpados perto,
Mostrando nesse único vislumbre a Divindade.”
Apolo e Dafne
Dafne foi o primeiro amor de Apolo. Isso não foi causado por acidente, mas pela malícia do cúpido. Ele não foi causado por acidente, mas pela malícia de Cupido. Apolo viu o menino brincando com seu arco e flechas; e estando ele mesmo exultante com a sua vitória recente sobre Píton, ele disse-lhe, “O que você tem a ver com armas de guerra, garoto atrevido? Deixe-as para mãos dignas delas. Contemple a conquista que eu obtive através delas sobre a vasta serpente que estica o seu corpo venenoso sobre acres da planície! Fique contente com a sua tocha, criança, e acenda suas chamas, como você as chama, onde você desejar, mas não ouse mexer com minhas armas.” O menino de Vênus ouviu essas palavras e regozijou-se, “Suas flechas podem atingir todas as outras coisas, Apolo, mas as minhas deverão atingir você.” Assim dizendo, ele ergueu-se sobre uma rocha do Parnaso, e sacou da sua aljava duas flechas de diferente acabamento, uma para excitar amor, a outra para o repelir. A primeira era de ouro e de ponta afiada, a segunda, cega e com ponta de chumbo. Com a flecha de chumbo ele atingiu a ninfa Dafne, a filha do deus-rio Peneu, e com a dourada, Apolo, através do coração. Imediatamente o deus foi tomado pelo amor pela donzela, e ela abominou o pensamento do amor. O deleite dela estava em esportes de bosques e nos espólios da caça. Muitos amantes procuravam-na, mas ela despreza todos eles, vagando nos bosques, e não pensava em Cupido nem em casamento. O pai dela frequentemente dizia a ela, “Filha, você deve-me um genro; você deve-me netos.” Ela, odiando o pensamento de casamento como um crime, com sua linda face tingida por toda parte com rubores, lançou seus braços ao redor do pai, e disse, “Mais querido [21]pai, conceda-me este favor, que eu possa sempre permanecer solteira, como Diana.” Ele consentiu, mas, ao mesmo tempo, disse, “Sua própria face impossibilitará isso.”
Apolo amava-a, e ansiava por a obter; e ele, quem concedia oráculos para todo mundo, não foi suficientemente sábio para olhar suas próprias fortunas. Ele via o cabelo dela flutuar solto sobre os ombros dela, e disse, “Se tão charmoso desordenado, o que seria se arrumado?” Ele via os olhos dela, brilhantes como estrelas; ele via os lábios dela, e não ficava satisfeito com apenas or ver. Ele admirava as mãos e pernas dela, nua até o ombro, e seja o que for que estivesse oculto da visão ele imaginava ainda mais belo. Ele seguia-a; ela fugia, mais veloz do que o vento, e não se detinha nem um momento diante das investidas dele. “Fique,” dizia ele, “filha de Peneu; eu não sou um inimigo. Não fuja de mim como uma ovelha foge do lobo, ou como um pombo do falcão. É por amor que eu persigo você. Você torna-me miserável, por medo de que você deva cair e machucar-se sobre essas pedras, e eu deva ser a causa. Suplico, corra mais devagar, e eu seguirei mais devagar. Eu não sou palhaço, nem camponês rude. Júpiter é meu pai, e eu sou senhor de Delfos e Tênedos, e conheço todas as coisas, presentes e futuras. Eu sou o deus da canção e da lira. Minhas flechas voam verdadeiras até o alvo; mas, ai de mim! Uma flecha mais fatal do que a minha perfurou meu coração! Eu sou o deus da medicina, e conheço as virtudes de todas as plantas medicinais. Ai de mim! Eu sofro de um mal que nenhum bálsamo pode curar!”
A ninfa continuou sua fuga, e deixou sua súplica meio proferida. E mesmo enquanto fugia, ela encantava-o. O vento soprava as vestes dela, e o cabelo solto dela fluía solto atrás dela. O deus impacientou-se por descobrir suas cortes desperdiçadas, e, apressado por Cupido, venceu sobre ela na corrida. Era como um cão de caça perseguindo uma lebre, com mandíbulas abertas prontas para agarrar, enquanto o animal mais fraco voa adiante, escorregando do aperto mesmo. Assim voavam o deus e a virgem – ele, nas asas do amor, e elas, naquelas do medo. Contudo, o perseguidor é mais rápido e alcança-a, e a respiração ofegante dele sopra sobre o cabelo dela. A força dela começa a falhar, e, pronta para cair, ela convoca o pai dela, o deus-rio: “Ajude-me, Peneu! Abra a terra para [22]me encerrar, ou mude minha forma, a qual me trouxe a esse perigo!” Escassamente ela tinha falado quando uma rigidez capturou todos os membros dela; o seio dela começou a ser encerrado em uma casca rígida; o cabelo dela tornou-se folhas, os braços dela tornaram-se galhos; o pé dela afundou-se rápido no solo, como uma raiz; a face dela tornou-se um topo de árvore, nada retendo do seu eu antigo exceto sua beleza. Apolo parou assombrado. Ele tocou o tronco e sentiu a carne trêmula sob o novo tronco. Ele abraçou os galhos e, liberado, beija a madeira. Os galhos fogem dos lábios dele. “Já que você não pode ser minha esposa,” disse ele, “você indubitavelmente deverá ser minha árvore. Eu usarei você como minha coroa; eu decorarei minha harpa e minha aljava com você; e quando os grandes conquistadores romanos liderarem a pompa triunfal para o Capitólio, você deverá ser entretecida em coroas para as frontes deles. E, como juventude eterna é minha, você também deverá ser sempre verde, e sua folha não conhecerá decaimento.” A ninfa, agora mudada em uma árvore de louro, curvou sua cabela em reconhecimento grato.
Que Apolo devesse ser o deus tanto da música quanto da poesia não parecerá estranho, mas que a medicina também devesse ser atribuída à província dele, pode. O poeta Armstrong, ele mesmo um médico, explica isso desta maneira:
“A música exalta cada alegria, atenua cada pesar,
Expele doenças, suaviza toda dor;
E, consequentemente, o sábio dos dias antigos adorava
Poder único de medicina, melódia e canção.”
A história de Apolo e Dafne frequentemente é aludida por poetas. Waller aplica-a ao caso de alguém cujos versos amorosos, embora eles não suavizem o coração da dama, contudo, conquistam para o poeta fama universal:
“Contudo, o quê ele cantava em sua tensão imortal,
Embora malsucedido, não era cantado em vão.
Todos, exceto a ninfa que deveria remediar o erro dele,
Acompanhavam a paixão dele e aprovavam a sua canção.
Como Febo assim, adquirindo elogio inesperado,
Ele capturava no amor e enchia seus braços com louros.”
[23]A estrofe seguinte de “Adonis” de Shelley alude à querela inicial de Byron com os críticos:
“Os lobos arrebanhados, ousados apenas para perseguir;
Os corvos obscenos, clamorosos sobre os mortos;
Os abutres, verdadeiros ao estandarte do conquistador,
Quem alimentam-se onde a primeiro a Desolação alimentou-se,
E cujas asas chovem contágio; como eles fugiram,
Quando, como Apolo, a partir de seu arco dourado,
O Pítio da era uma flecha despachou
E sorriu! Os Arruinadores não tentaram nenhum segundo golpe;
Eles bajulam sobre os pés orgulhosos que os desprezam conforme eles seguem.”
Píramo e Tisbe
Píramo era o jovem mais belo, e Tisbe, a donzela mais bela, em toda a Babilônia, onde Semíramis reinava. Os pais deles ocupavam casas adjuntas; e a vizinhança juntou os jovens, e a familiaridade amadureceu em amor. Eles teriam casado alegremente, mas os pais deles proibiram-nos. Contudo, uma coisa eles não proibiram – que o amor devesse resplandecer com igual ardor nos peitos de ambos. Eles conversavam através de sinais e olhares, e o fogo queimava mais intensamente por estar encoberto. Na parede que separava as duas casas havia uma fenda, causada por alguma falha na estrutura. Ninguém tinha observado antes isso, mas os amantes descobriram. O que o amor não descobrirá! Ela proporcionava uma passagem para a voz; e tenras mensagens costumavam ir e voltar através da fenda. Conforme ele ficavam ali, Píramo deste lado, Tisbe daquele, as respirações deles misturar-se-iam. “Parede cruel.” eles diziam, “por que você mantém dois amantes separados? Mas nós não seremos ingratos. Nós confessamos que devemos a você o privilégio da transmissão de palavras amadas para ouvido desejantes.” Tais palavras eles proferiam nos lados diferentes da parede, eles pressionavam seus lábios na parede, ela do lado dela, ele, do dele, visto que eles não poderiam chegar mais perto.
Na manhã seguinte, quando Aurora tinha extinguido as estrelas, e o sol tinha derretido o gelo da grama, eles encontraram-se no local costumeiro. Então, após lamentarem o seu destino difícil, eles concordaram que, na próxima noite, quando tudo [24]estivesse parado, eles fugiriam dos olhos vigilantes, deixariam suas habitações e entrariam nos campos; e para assegurarem um encontro, dirigirem-se a uma edifício bem conhecido de pé fora dos limites da cidade, chamado de a Tumba de Ninus, e aquele que chegasse primeiro deveria esperar pelo outro ao pé de um certa árvore. Ela era uma amoreira branca, e erguia-se perto de uma fonte fria. Tudo foi combinado, e eles esperaram impacientemente para o sol descer sob as águas e a noite erguer-se a partir delas. Então, cautelosamente, Tisbe moveu-se em segredo, despercebida pela família, a cabeça dela coberta por um véu, seguiu seu caminho para o monumento e sentou-se sob a árvore. Enquanto ela sentava-se à luz sombria da noite, ela avistou uma leoa, as mandíbulas dela fedendo com abate recente, aproximando-se da fonte para saciar sua sede. Tisbe fugiu diante da visão e buscou refúgio no buraco de uma rocha. Enquanto fugia, ela derrubou seu véu. A leoa, depois de beber na fonte, virou-se para se retirar para os bosques e, vendo o véu no chão, agitou-o e rasgou-o com sua boa ensanguentada.
Píramo, estando atrasado, agora se aproximou do local de encontro. Ele viu na areia as pegadas da leoa, e a cor fugiu das bochechas dele diante da visão. Logo ele encontrou o véu todo rasgado e ensanguentado. “Oh, garota infeliz,” disse ele, “eu fui a causa da tua morte! Tu, mais digna da vida do que eu, caíste a primeira vítima. Eu seguirei. Eu sou a causa culpada, ao tentar-te para um lugar tão perigoso, e não estando eu mesmo no lugar para te guardar. Vinde, leões, das rochas, e rasgai este corpo culpado com vossos dentes.” Ele pegou o véu, levou-o consigo para a árvore combinada e cobriu com beijos e lágrimas. “Meu sangue também deverá manchar a sua textura,” disse ele, e, sacando sua espada, enfiou-a no coração. O sangue jorrou a partir do ferimento e tingiu todas as amoras brancas da árvore de vermelho; e, afundando-se na terra, alcançou as raízes, de modo que a cor vermelha subiu através do tronco até a fruta.
Por essa altura, Tisbe, ainda trêmula de medo, contudo, não desejando desapontar seu amante, caminhou cautelosamente adiante, procurando ansiosamente pelo o jovem, ansiosa para lhe contar [25]sobre o perigo do qual ela tinha escapado. Quando chegou até o local e viu a cor mudada das amoras, ela duvidou de se era o mesmo lugar. Enquanto hesitava, ela viu a forma de alguém sofrendo as agonias da morte. Ela saltou para trás, um tremor correu através do corpo dela como uma ondulação na face da água parada quando uma briza súbita sopra através dela. Mas tão logo reconheceu o corpo do amante, ela gritou e bateu no peito, abraçando o corpo sem vida, vertendo lágrimas nos seus machucados, e marcando beijos nos lábios frios. “Oh Píramo,” ela gritou, “o que causou isto? Responda-me, Píramo; é a sua própria Tisbe que fala. Ouça-me, querido, e ergue essa cabeça caída!” Diante do nome de Tisbe, Píramo abriu os olhos, então, fechou-os novamente. Ela viu o véu manchado com sangue e a bainha vazia da espada dele. “Tua própria mão matou-te, e por minha causa,” ela disse. “Eu também posso ser corajosa uma vez, e meu amor é tão forte quanto o teu. Eu te seguirei na morte, pois eu fui a causa; e a morte, a qual sozinha conseguiu nos separar, não evitará que eu me reúna contigo. E vós, país infelizes de nós dois, não nos negai nossa requisição unida. Como amor e morte uniram-nos, que uma tumba nos contenha. E tu, árvore, retém as marcas da morte. Que tuas amoras ainda sirvam de memórias do nosso sangue.” Assim dizendo, ela enfiou a espada no peito. Os país dela ratificaram o seu desejo, os deuses também o ratificaram. Os dois corpos foram enterrados em uma sepultura, e a árvore sempre depois gerou amoras púrpuras, como ela faz até hoje em dia.
Moore, no “Sylph’s Ball,” falando da Lâmpada de Segurança de Davy, é lembrado da parede que separava Tisbe e o amante dela:
“Oh através daquela tela metálica de Lâmpada,
Aquela cortina de arame protetor,
A qual Davy delicadamente arrasta
Por toda parte fogo ilícito, perigoso!
A parede ele coloca entre Chama e Ar,
(Como aquela que barrava a felicidade da jovem Tisbe,)
Através dos pequenos buracos da qual, esse casal perigoso
Pode um ao outro ver, mas não beijar.”
[26]Na tradução de Mickle dos “Lusíadas” ocorre a seguinte alusão à história de Píramo e Tisbe e a metamorfose das amoras. O poeta está descrevendo a Ilha do Amor:
“… aqui cada presente a mão de Pomona concede
No jardim cultivado, livre de flores incultas,
O sabor mais doce e o tom mais claro
Do que alguma vez foi nutrido pela mão do cuidado.
A amora aqui em intenso carmesim brilha,
E manchada com o sangue de amantes, em fileiras pendentes,
As amoras sobrecarregam os galhos curvantes.”
Se qualquer um dos nossos jovens leitores pode ser de coração tão duro para desfrutar de um riso às custas dos pobres Píramo e Tisbe, ele pode encontrar uma oportunidade para se voltar para a peça de Shakspeare a “Midsummer Night’s Dream,” onde ela é mais divertidamente burlesca.
Céfalo e Prócris
Céfalo era um belo jovem e inclinado a esportes masculinos. Ele se levantaria antes do amanhecer para perseguir a caça. Aurora viu-o quando ele primeiro caçava, apaixonou-se por ele e roubou-o. Mas Céfalo há pouco tinha se casado com uma encantadora esposa a quem ele amava devotamente. O nome dela era Prócris. Ela era a favorita de Diana, a deusa da caça, quem tinha dado a ela um cão que poderia correr mais do que qualquer rival e um lança que nunca erraria o seu alvo; e Prócris deu esses presentes ao esposo dela. Céfalo estava tão feliz com a sua esposa que ele resistiu a todas as investidas de Aurora, e ela finalmente dispensou-o em desprazer, dizendo, “Vai, mortal ingrato, mantém tua esposa, quem, se eu não estou muito enganada, um dia você ficará muito triste ao vê-la novamente.”
Céfalo retornou, e ficou tão feliz quanto sempre com sua esposa e seus esportes de bosque. Agora, aconteceu que alguma divindade irada tinha enviado uma raposa voraz para incomodar a região; e os caçadores saíram com grande força para a capturar. Os esforços deles foram todos em vão; nenhum cão conseguia alcançá-la correndo; e finalmente eles vieram até Céfalo para tomar emprestado o famoso cão dele, cujo nome era Lelaps. [27]Logo que o cão foi solto, ele disparou, mais rápido do que o olho deles conseguia enxergar. Se não tivessem visto as pegadas dele na areia, eles teriam pensado que ele voava. Céfalo e outros ficaram de pé numa colina e viram a caça. A raposa tentou toda arte; ela correu em um círculo e voltou-se sobre sua trilha, o cão aproximou-se, com mandíbulas abertas, abocanhando os tornozelos dela, mas mordendo apenas o ar. Céfalo estava prestes a usar a sua lança quando, subitamente, ele viu tanto cão quanto presa pararem instantaneamente. Os poderes celestes que tinham concedido ambos não estavam desejosos de que qualquer um deles devesse vencer. Na atitude mesma de vida e ação, eles foram transformados em pedra. Tão vívidos e naturais eles pareciam, você teria pensado, conforme olhasse para eles, que um estava prestes a latir e o outro a saltar adiante.
Céfalo, embora ele tivesse perdido o cão dele, continuou a deleitar-se na caça. Ele sairia cedo pela manhã, vagueando dos bosques e colinas, desacompanhado de qualquer um, não necessitando de ajuda, pois a lança dele era uma arma certa em todos os casos. Fatigado com a caçada, quando o sol estava alto, ele procuraria um recanto sombreado onde um riacho frio fluía e, esticando-se sobre a grama, com suas vestes jogadas de ela, apreciaria a briza. Algumas vezes ele diria em voz alta, “Venha, doce briza, venha e ventile meu peito, venha e alivie o calor que me queima.” Alguém passando perto um dia, ouvindo-o falar dessa maneira com o ar, tolamente acreditando que ele estava falando com alguma donzela, foi e contou o segredo a Prócris, esposa de Céfalo. O amor é crédulo. Prócris, diante do choque súbito, desmaiou. Logo se recuperando, ela disse, “Não pode ser verdadeiro; eu não acreditarei a menos que eu mesma seja uma testemunha.” Assim ela esperou, com coração ansioso, até a manhã seguinte, quando Céfalo foi caça como era comum. Então ela moveu-se em segredo atrás dele, e ocultou-se no lugar onde o informante orientou-a. Céfalo chegou, como ele estava acostumado, quando cansado do esporte, e esticou-se sobre o verde banco de areia, dizendo, “Venha, doce brisa, venha e ventile-me; você sabe como eu amo você! Você torna os bosques e meus passeios solitários deliciosos.” Ele estava correndo nessa direção quando ele ouviu, ou pensou ter ouvido, um [28]som como de um soluço nos arbustos. Supondo algum animal selvagem, ele arremessou sua lança no ponto. Um grito da sua amada Prócris disse a ele que a arma muito certamente tinha atingido seu alvo. Ele apressou-se para o lugar e encontrou-a sangrando, e com força diminuindo tentando tirar do machucado a lança, seu próprio presente. Céfalo ergueu-a do solo, esforçou-se para estancar o sangue, e convocou-a para reviver e não o deixar miserável, para o repreender com sua morte. Ela abriu seus olhos fracos e forçou a si mesma a proferir estas poucas palavras: “Eu imploro a você, se alguma vez você me amou, se eu alguma vez mereci gentileza em suas mãos, meu esposo, conceda-me este último desejo; não se case com aquela Brisa odiosa!” Isso revelou o mistério inteiro; mas, ai de mim! Que vantagem o revelar agora! Ela morreu; mas a face dela usava uma expressão clama, e ela olhava com piedade e perdão para o esposo dela quando ele a fez entender a verdade.
Moore, em suas “Legendary Balads,” tem algo sobre Céfalo e Prócris, começando desta maneira:
“Um caçador uma vez em um bosque reclinou-se,
Para evitar o olho brilhante do meio-dia,
E frequentemente ele cortejava o vento errante
Para esfriar sua testa com seu sopro.
Enquanto mudo jazia até o zumbido da abelha selvagem,
Nem sopro poderia mexer o cabelo do asno,
A sua canção ainda era, ‘Doce Ar, oh venha!’
Enquanto Eco respondia, ‘Venha, doce Ar!’”
Próximo capítulo
ORIGINAL:
BULFINCH, T. Bulfinch's Mythology: The Age of Fable, The Age of Chivalry & Legends of Charlamagne. By Thomas Bulfinch. Complete in One Volume. Revised and Enlarged, with Illustrations. New York: Thomas Y. Crowel Company Publishers, 1913. p. 19-28. Disponível em: <https://archive.org/details/bulfinchsmytholo0000thom_q8l3/page/19/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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