Os Ses da História
Por Joseph Edgar Chamberlin
[13]Capítulo I Se Temístocles não tivesse derrotado Aristides em uma Eleição Ateniense
MITRA em vez de Jesus! O mundo ocidental zoroastriano, não cristão! O Redentor persa, sempre chamado de a Luz do Mundo nas escrituras deles; o auxiliar de Ahura Mazda, o Todo-poderoso, em sua guerra contra Ahriman, ou Satã; o intercessor junto ao Criador em favor dos homens; o salvador da humanidade; ele, Mitra, poderia ter sido a pessoa central da religião dominante da Europa e tempos modernos, exceto por causa de certos desenvolvimentos na política ateniense nos anos [14]entre 490 e 480 a.C. Pois é verdadeiro que nos primeiros três dos quatro séculos da era cristã, o mundo ocidental pareceu hesitar entre a religião de Mitra e aquela de Cristo; e se os persas tivessem completado a conquista de Grécia no quinto século a.C., Mitra poderia ter fortalecido tanto esse seu domínio sobre a Europa que a balança teria sido virada para sempre na direção dele.
O que foi que possibilitou aos gregos, no teste crucial, a contingência última, impedirem os persas e manterem sua independência? A história diz que isso foi o resultado das batalhas de Maratona e Salamina, nas quais os gregos foram triunfantes sobre os persas. Isso é verdadeiro apenas em um sentido limitado. A batalha de Maratona, em 490 a.C., não salvou a Grécia, pois os persas voltaram mais poderosos do que nunca. Em Termópilas, Leônidas e seu bando morreram em vão, pois as tropas de Xerxes invadiram toda a Grécia ao norte do istmo de Corinto. Eles tomaram Atenas e queimaram os templos da Acrópoles. Eles foram triunfantes em terra.
Mas em Salamina, no estreito canal entre a ilha com forma de ferradura e a terra firme ática, Temístocles, no dia 20 de setembro de 480 a.C., habilmente conduziu a grande frota persa de seiscentas embarcações para dentro de uma armadilha e derrotou-a em uma luta tão heroica como nunca os homens do ocidente lutaram contra os homens do oriente. Sentado em seu “trono,” ou antes sua cadeira de pés de prata, no topo da colina supervisionando a cena, Xerxes, o mestre do mundo, contemplou a destruição das suas embarcações, uma por uma, pelos gregos aliados. Quando a batalha estava terminada, ele viu que a fuga do seu exército vitorioso da terra firme estava em perigo, e, embora ainda houvesse tempo, ele liderou sua tropa persa em uma fuga selvagem através da sua ponte de botes sobre o Helesponto. O campo de Plateia completou [16]o revés, e as invasões persas da Europa estavam terminadas para sempre.
O que foi que possibilitou a Temístocles conquistar essa vitória decisiva para a Grécia depois de derrotas desastrosas em terra? Simplesmente a habilidade dele na política de Atenas. Temístocles era um imperialista helênico. Ele foi oposto por Aristides, quem era um homem muito justo, e um anti-imperialista e “neutralista (mug-wump).” À época, a Grécia estava terrivelmente ameaçada pelo poder persa, e ameaçada com “medicização,” ou absorção dentro da nacionalidade persa. Temístocles viu que a única chance do país jazia em uma união de todos os helenos, e na construção de uma marinha digna do nome. Aristides foi um orador melhor do que ele e inicialmente o venceu nas eleições ateniense. O espírito grego era inatamente hostil a qualquer coisa como centralização ou imperialismo. Mas quando Egina, o qual era um grande estado marítimo grego, e tinha algumas boas embarcações, voltou-se [17]contra Atenas e derrotou-a no mar, os olhos dos atenienses começaram a abrir-se. Temístocles forçou seu plano para a construção de uma frota de duzentas embarcações e adição de vinte novas embarcações a cada ano à marinha.
Diretamente no meio do caminho dele estava Aristides, com sua ridicularização da pequena Atenas para se tornar uma potência marítima, e seus avisos contra o militarismo. Mas Temístocles, através de política hábil, levou os atenienses a ficarem indispostos com Aristides, e persuadiu-os a ostracizarem ou banirem esse homem justo. Aristides foi para Egina. Então Temístocles apressou-se com seu plano de reforma naval, e levou-o a cabo. As duzentas embarcações foram construídas, e bem na hora. Foi essa frota, brilhantemente liderada por Temístocles e Euribíades em Salamina, que enredou os Persas nas águas estreitas de Salamina e derrotou-os e salvou a Europa para os europeus.
[18]A vitória também a salvou para Cristo, ao manter vivo a adoração dos meio deuses da Grécia e de Roma até que um deus inteiro chegasse da Judeia. Os persas também tinham um deus inteiro. Ideia por ideia, princípio por princípio, princípio por princípio, sonho por sonho, todo o judaísmo posterior e toda a cristandade medieval, exceto a pessoa e a história de Jesus, estava na religião da Pérsia. Não apenas as ideias centrais da cristandade formal, mas muitos dos seus princípios dependentes e relacionados, são encontrados no mitraísmo, o qual foi a tradução das ideias filosóficas fundamentais do zoroastrismo em termos da vida humana. O paralelo é tão impressionante que muitos pensadores consideram a cristandade meramente como mitraísmo dado forma em uma história inventada por, ou, pelo menos, contada para e acreditada por, um círculo de fanáticos primitivos e sem educação que não conheciam nada da história das doutrinas que eles estavam adotando.
Mas, a despeito da [19]semelhança filosófica, a aceitação do mitraísmo, como ele era sustentado e praticado na Pérsia na época de Dario, em vez do cristianismo, o qual pode ter sido o mitraísmo primeiro judaizado e depois romanizado, teria produzido uma vasta diferença com o mundo ocidental. Se a Grécia tivesse sido persianizada antes da ascensão do poder de Roma, também Roma teria sido persianizada. A influência do pensamento hebraico sobre o mundo ocidental teria sido impedida. O misticismo do oriente teria se estendido sobre tudo.
A nossa civilização poderia ter ascendido tão alto quanto ela sempre fez, na arte, na graça da vida; mas, em ver de ser inspirado com o desejo ansioso de progresso, pela necessidade helênica sem descanso de fazer alguma coisa melhor e superior, ou, pelo menos, alguma coisa outra, alguma coisa nova – em vez disso, o espírito de paz e de satisfação [20]com ideias antigos teria permeado os nossos sistemas e a nossa vida.
Também, o senhor Mitra teria sido primariamente o sol, primariamente uma encarnação da luz brilhando para nós abaixo através do céu, a partir daquela essência central que sozinha pode dizer, “Eu sou o que Eu sou,” e não, como no senhor Cristo, um homem humilde, sofredor, pobre e desprezado elevado à divindade.
ORIGINAL:
CHAMBERLEIN, J. E. The Ifs of History. Philadelphia: Henry Altemus Company, 1907. p. 13-20. Disponível em: <https://archive.org/details/ifsofhistory00chamuoft/page/13/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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