A Coluna de César. Uma História do Século XX.
Por Ignatius L. Donnelly
[23]Capítulo II Minha Aventura
Meu Querido Heinrich:
Eu pouco supunha, quando eu escrevi a você ontem, que vinte e quatro horas poderiam mudar tão completamente a minha situação. Nessa ocasião, eu fui um habitante no palaciano Hotel Darwin, luxuriante em toda a sua magnificência. Agora, eu estou me escondendo em uma casa estranha e tremendo por minha liberdade; - mas eu contarei tudo a você.
Na manhã de ontem, depois de eu ter organizado em amostras a nossa lã, e ter procurado o avaliador de minérios, mas sem o encontrar, para lhe mostrar os espécimes de nossas descobertas minerais, eu retornei para o hotel, e lá, após obter direções de um dos atendentes no “Serviço de Informação,” eu peguei o trem elevado para o grande Parque Central.
Eu não deverei parar para descrever extensamente os esplendores desse lugar maravilhoso; as bestas selvagens rondando em meio às árvores, aparentemente em liberdade perigosa, mas realmente cercadas por cercas de finos cabos de aço, quase invisíveis aos olho; os grandes lagos cheios das diferentes aves aquáticas do mundo; o ar cheio com pássaros distinguidos pela doçura das canções deles ou pelo brilho da sua plumagem; as árvores centenárias, de tamanho grande e artisticamente agrupadas; lindas crianças brincando sobre o relvado, acompanhadas por cuidadoras e servos masculinos; a cena inteira constituía um retrato de feriado. Em meio às árvores em todo lugar eu vi as estátuas brancas e brilhantes de muitas [24]centenas de grandes homens e mulheres, quem tinham adornado a história deste país durante os dois últimos séculos – poetas, pintores, músicos, soldados, filantropos, estadistas.
Após banquetear meus olhos por algum tempo sobre esse retrato charmoso de beleza rural, eu deixei o Parque. Assim que eu tinha passado através do portão exterior, - guardado por sentinelas para excluir a multidão pedinte e miserável, mas quem, ao mesmo tempo, concediam admissão cortês a fluxos de carruagens esplêndidas, - eu fiquei sobressaltado por gritos altos de “Olhe lá!” Eu virei-me e vi uma visão que fez meu sangue correr frio. Um pedinte grisalho, corcunda, vestido em trapos, estava cruzando a rua diante de um par de lindos cavalos, amarrados a uma magnífica carruagem aberta. O lacaio corpulento, de aparência ruim quem, trajado em uniforme lindo, estava segurando as cordas, tinha proferido o grito de aviso, sem, ao mesmo tempo, não ter feito nenhum esforço para conter a velocidade rápida dos seus poderosos cavalos. Em um instante, o pedinte estava debaixo dos cascos dos cavalos. O lacaio riu! Eu estava apenas a alguns pés de distância na calçada, e, rápido como o pensamento, eu tinha os cavalos pelas cabeças e puxeis de volta sobre os seus quadris. Nesse momento, o pedinte, quem estava sob as patas dos cavalos, arrastou-se para perto das rodas dianteiras da carruagem; e o condutor, indignado que qualquer coisa tão detestável devesse deter o progresso de sua magnifica carruagem, desferiu-lhe um golpe selvagem com seu chicote, enquanto ele esforçava-se para ficar de pé. Eu vi o chicote serpentear ao redor do pescoço dele; e, soltando as cabeças dos cavalos, quem agora foram trazidos a uma parada, eu pulei para frente e, enquanto o chicote descia para um segundo golpe, eu agarrei-o, arranquei da mão do canalha, [25]e com toda a minha força deitei-o sobre ele. Cada golpe onde ele tocava a carne dele tirava sangue, e dois longos cortes vermelhos apareceram instantaneamente no rosto dele. Ele deixou as cordas caírem e gritou em terror, erguendo suas mãos para proteger o rosto. Afortunadamente uma multidão tinha se reunido, e alguns homens pobremente vestidos tinham agarrado as cabeças dos cavalos, ou teria havido uma fuga. Enquanto eu erguia minha mão para chicotear novamente o bruto, um grito feminino alcançou meus ouvidos, e eu tornei-me ciente de que havia damas na carruagem aberta. Meu senso de educação sobrepujou minha ira em um instante, e eu recuei e, tirando meu chapéu, comecei a desculpar-me, explicando a causa da dificuldade. Enquanto fazia isso, eu observei que as ocupantes da carruagem eram duas jovens damas, ambas impressionantemente belas, mas, de outra maneira, muito diferentes em aparência. A mais próxima de mim, quem tinha proferido os gritos, era de aproximadamente vinte anos de idade, eu devia pensar, com traços aquilinos, e cabelo e olhos negros; cada detalhe da face dela era perfeito, mas havia um olhar de ousado, de lugar comum daqueles olhos brilhantes. A companheira dela instantaneamente capturou toda a minha atenção. Pareceu-me que eu nunca tinha contemplado um semblante mais belo e impressionante. Ela era mais jovem, por dois ou três anos, do que a companhia dela; a compleição dela era mais clara; o longo cabelo dourado dela caía quase até a sua cintura, envolvendo-a como uma vestimenta magnificente, brilhante; os olhos dela era azuis e grandes e bem afastados; e havia neles, e no contorno todo da face, uma aparência de honestidade e dignidade, e inteligência calma, raramente testemunhada no semblante de mulher. Ela não pareceu estar de qualquer maneira alarmada; e quando eu contei minha história do condutor chicoteando o pedinte idoso, a face dela iluminou-se, e ela disse com um olhar que me emocionou, [26]e em uma voz suave e gentil: “Nós estamos muito obrigadas com você, senhor; você agiu de modo perfeitamente correto.”
Eu estava prestes a responder, quando eu senti alguém puxando ferozmente o meu casaco, e, virando-me, eu fiquei surpreso de descobrir que o pedinte estava puxando-me para longe da carruagem por meio de grande força. Eu também fiquei impressionado diante da mudança na aparência dele. O aspecto de decrepitude tinha desaparecido, um esparadrapo verde que eu tinha observado cobrindo um dos olhos dele tinha caído, e os olhos negros dele brilhavam com uma aparência de comando e poder que estava em contraste marcado com o seu cabelo grisalhos, suas costas torcidas, e seus trapos.
“Venha,” ele disse, em um sussurro rouco, “venha rapidamente, ou você será preso e jogado na prisão.”
“Pelo quê?” eu perguntei.
“Eu direi a você depois – olhe!”
Eu olhei ao meu redor e vi que uma grande multidão tinha reunido-se como se por mágica, pois esta cidade de dez milhões de pessoas abunda com tantos habitantes que a excitação mais leve reunirá uma multidão em uns poucos minutos. Eu também notei um policial uniformizado em meio à multidão. O condutor também o viu, e, recuperando sua coragem, gritou, “Prenda-o – prenda-o.” O policial agarrou-me pela gola. Eu observei que naquele instante o pedinte sussurrou alguma coisa no ouvido dele: a mão do oficial liberou seu agarração da minha gola. No momento seguinte, o pedinte gritou, “Para trás! Para trás! Vejam! Dinamite!” A multidão apertou-se para trás, uns sobre os outros, em grande confusão; e eu senti o pedinte puxando-me, repetindo seu grito de aviso – “Dinamite! Dinamite!” – a cada passo, até que a multidão espalhou-se em confusão selvagem, e eu descobri a mim mesmo sem fôlego em um pequeno beco. “Venha, venha,” gritou meu companheiro, “não há tempo a perder. Apresse-se! [27]Apresse-se!” Nós corremos adiante, pois os modos do pedinte inspiraram-me com um terror que eu não podia explicar, até que, através de várias ruas pequenas e pequenos becos, com os quais o pedinte parecia perfeitamente familiar, nós emergimos em uma grande rua e logo tomamos um elevador de esquina para uma das autoestradas no ar que eu descrevi. Após viajarmos por duas ou três milhas, nós trocamos por outro trem e, a partir deste, para ainda outro, alinhavando o nosso caminho para trás e para frente através do topo da grande cidade. Finalmente, como se o pedinte pensasse que nós já tínhamos ido suficientemente longe para confundir perseguição, nós descemos sobre uma movimentada rua comercial e paramos em uma esquina; e o pedinte pareceu estar procurando por um carro de aluguel passar. Contudo, ele permitiu uma dúzia passar, cuidadosamente inspecionando o condutor de cada um. Finalmente, ele chamou um e nós tomamos nossos assentos. Ele sussurrou algumas direções para o condutos, e nós aceleramos.
“Jogue isso pela janela,” ele disse.
Eu segui a direção dos olhos dele e vi que eu ainda mantinha em minha mão o chicote engastado de ouro que eu tinha arrancado da mão do condutor. Em minha excitação, eu tinha me esquecido completamente da sua existência, mas tinha instintivamente o segurado.
“Eu o enviar de volta ao proprietário,” eu disse.
“Não, não; jogue isso fora: isso é suficiente para condenar você por assalto em estrada.”
“Absurdo; assalto em estrada por chicotear um canalha?”
“Sim. Você parou a carruagem de uma aristocrata; você tirou um chicote valioso da mão do cocheiro dele; e você levou-o. Se isso não for assalto em estrada, o que é? Jogue isso fora.”
[28]Os modos dele foi imperativa. Eu larguei o chicote fora da janela e cai em um profundo pensamento. Ocasionalmente, eu roubei uma olhadela do meu companheiro estranho, que, com a vestimenta de pobreza extrema e o cabelo grisalho da velhice, tinha um tal modo de autoridade e um tal ar de prontidão e decisão.
Depois de um percurso de meia-hora, nós paramos na esquina de duas ruas diante de uma casa simples mas de aparência respeitável. Parecia ficar na parte mais velha da cidade. Meu companheiro pagou o condutor e dispensou-o e, abrindo a porta, nós entramos.
Eu não preciso dizer que comecei a pensar que esse homem fosse algo mas do que um pedinte. Mas, por que esse disfarce? E quem era ele?
ORIGINAL:
DONNELLY, I. L. Caesar's Column. A Story of the Twentieth Century. Chicago: F. J. Schulte & Company, Publishers, 1890. p.23-28. Disponível em: <https://archive.org/details/csarscolumnsto00donn/page/23/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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