A Defesa do Vau do Estúpido
Por Ernest D. Swinton
Informação de Contexto, Glossário, Prefácio, Prólogo e Conteúdos
[19]Segundo Sonho
“E o que vós considerais que eles deveriam englobar? Arte da guerra aprendida em um instante,
Conhecimento para a ocasião à primeira visão distante da Morte?” KIPLING
Eu subitamente descobri a mim mesmo jogado no Vau do Estúpido com as mesmas ordens já detalhadas e um destacamento igual composto de homens inteiramente diferentes. Como antes, e em cada ocasião subsequente, eu tive amplas reservas, munição e ferramentas. Minha posição era precisamente similar à minha antiga, com esta importante exceção, correndo através do meu cérebro estavam quatro lições.
Portanto, tão logo recebi minhas ordens, eu comecei a elaborar meu plano de operações sem desperdiçar nenhum tempo com a paisagem, o sol poente ou a coluna que partia, a qual, tendo descarregado todas as nossas reservas, logo desapareceu. Eu estava determinado a levar a cabo todas as lições que eu tinha aprendido tão bem quanto eu sabia como.
Para impedir que quaisquer estranhos, amigáveis ou de outro tipo, alcancem a minha posição e espiem as defesas elaboradas que eu criarei, eu imediatamente enviei duas guarnições de examinadores [compostas] de um ONC1 e três [20]homens cada, um para o topo da colina Waschout, e os outros para alguns 1000 metros no campo ao norte o vau. As ordens deles eram para observarem a região circundante e darem o alarme no evento da aproximação de qualquer grupo de homens que fosse (É claro, bôeres eram improváveis, mas ainda exatamente possíveis), e também impedirem qualquer indivíduo, amigável ou não, de chegarem a qualquer ponto mais perto do acampamento e atirarem imediatamente ao descumprimento da ordem para pararem. Se os recém-chegados tivessem quaisquer provisões para vender, essas deviam ser enviadas com uma lista através de um dos guardas, quem retornaria com o dinheiro, mas os estranhos não deveriam ser permitidos a chegarem mais perto do acampamento por qualquer causa.
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[21]Mapa 3
Tendo arranjado dessa maneira uma salvaguarda contra espiões, eu prossegui para escolher uma terreno de acampamento. Eu escolhi o mesmo lugar descrito no meu sonho anterior, e pelas mesmas razões, as quais ainda me atraiam. Enquanto eu estivesse entrincheirado, ele parecia-me o melhor lugar ao redor. Nós começamos a construir nossas trincheiras tão logo eu tinha marcado uma bela cercada quadrangular a qual conteria o nosso pequeno acampamento ao redor. É claro, embora o norte fosse o fronte, eu pensei, tendo um campo, seria melhor ter uma defesa por todos os lados como um tipo de obstáculo. Foi dito à maioria dos homens para cavar, o que eles não apreciam, uns poucos recebendo detalhes para montar o acampamento e preparar chá. Como o comprimento da trincheira era bastante grande para o número disponível de escavadores, e o solo era difícil, nós apenas fomos capazes de construir um parapeito bastante baixo e uma trincheira rasa já ao escurecer, altura pela qual os homens já estavam bastante esgotados pelo seu dia duro para construírem um parapeito bastante baixo e uma trincheira rasa. Ainda assim, nós estávamos “entrincheirados,” o que [21]era a coisa principal, e a trincheira circulava todo o nosso acampamento, assim nós estávamos bem preparados, mesmo se nós devêssemos ser atacados durante a noite ou cedo na manhã seguinte, o que era bastante improvável.
Durante esse tempo, um ou dois estranhos tinham [22]se aproximado da guarda do norte vindo de uma fazenda sob Incidentamba. Como eles tinham ovos e manteiga, etc, para vender, esses foram trazidos como arranjado. O homem enviado com o material relatou que o ancião dos holandeses era um homem muito agradável, e tinha me enviado um presente de um bocado de manteiga e alguns ovos, com seus cumprimentos, e gostaria que eu permitisse que viesse para falar comigo? Contudo, não sendo um tolo tão grande quanto a permiti-lo em minhas defesas, eu sai, em caso de que ele tivesse alguma informação. A única informação dele era que não havia nenhum bôer em nenhum lugar perto. Ele era um homem velho, mas embora ele tivesse um museu de “passes,” eu não devia ser cloroformizado por eles em confiança. Como ele pareceu amigável, e possivelmente leal, eu caminhei parte do caminho de volta da fazenda dele com ele, para olhar ao redor. Na escuridão, os dois examinadores de guarnição chegaram, e dois guardas estavam montados perto do objeto que eu devia vigiar, a saber, o vau, nos mesmos lugares que no sonho anterior. Desta vez, contudo, não houve gritaria de meia-hora, nem onde houvesse quaisquer fogueiras, e os sentinelas tinham ordens para não desafiarem, mas para atirarem imediatamente em qualquer pessoa que eles pudessem ver fora do acampamento. Eles estavam posicionados abaixo do banco de areia do rio, apenas suficientemente elevados para enxergarem sobre o topo e, dessa forma, não estavam desnecessariamente expostos. Chá tinha sido tomado, e todas fogueiras tinham sido colocadas para fora na escuridão e, após escurecer, todas acesas, mas nas trincheiras em vez de nas tendas. Depois de circular entre os sentinelas para ver tudo bem arranjado pela noite, eu deitei-me com um senso de ter cumprido com meu dever e de não ter negligenciado nenhuma precaução possível para a nossa segurança.
Exatamente antes do amanhecer muito do mesmo aconteceu como já descrito em meu primeiro sonho, exceto que o baile foi iniciado por um tiro sem desafios de um [23]dos nossos sentinelas em alguma coisa se movendo em meio aos arbustos, o que resultou em um tiroteio de curta distância abrindo-se sobre nós de todos os lados. Desta vez nós não formos precipitados, mas uma perfeita saudação de balas assoviava de todas as direções – a partir do fronte de cada trincheira e acima e através do nosso parapeito. Era suficiente levantar uma mão ou a cabeça para ter uma dúzia de balas através ou ao redor dela, e a parte estranha era, nós não víamos ninguém. Como o destacamento brincalhão lamentosamente observava, nós poderíamos te vistos muitos dos bôeres, “se não fosse pelos arbustos no meio.”
Após tentar em vão, até alta luz do dia, enxergar o inimigo para causar o mesmo dano em retorno, tantos homens foram atingidos, e a posição pareceu tão completamente sem esperança, que eu tive de levantar a bandeira branca. Por essa altura, nós tínhamos 24 homens mortos e seis feridos. Tão logo a bandeira branca subiu, os bôeres cessaram de disparar imediatamente e ficaram de pé, cada arbusto e formigueiro até um alcance de 100 metros parecia ter um escondido um bôer atrás dele. Essa distância curta explicava a maravilhosa precisão dos tiros deles, e a grande proporção dos nossos mortos (quem foram quase todos baleados através da cabeça) para nossos feridos.
Enquanto nós estávamos recolhendo a nós mesmos em preparação para marchar dali, houve uma ou duas coisas que me impressionaram; uma foi que o holandês quem me tinha presenteado com ovos e manteiga estavam em confabulação firme com o comandante bôer, quem o estava chamando de “Oom” muito afetuosamente. Eu também observei que todos os homens negros do vila vizinha tinham sido trazidos e obrigados a auxiliarem em trazerem armas e vagões bôeres através do vau e carregarem nosso equipamento capturado, e de modo geral realizarem trabalhos estranhos e sujos. Esses negros realizaram o trabalho deles com [24]vivacidade surpreendente, e olhavam como se eles tivessem prazer nele; não havia nenhuma “resposta malcriada” quando uma ordem era dada – usualmente pelo amigo “Oom.”
Novamente, enquanto eu caminha penosamente com pés com bolhas naquele longo dia, eu comecei a pensar sobre minha falha. Eu tinha feito tudo o que eu sabia, e, contudo, aqui nós estávamos, ignominiosamente capturados, 24 de nós mortos, e os bôeres sobre o vau. “Ah, BF, meu garoto,” eu pensei, “tem de haver mais algumas lições a serem aprendidas além daquelas que você já conhece.” Para descobrir quais eram essas, eu ponderei profundamente sobre os detalhes da luta.
Os bôeres têm de ter conhecido a nossa posição, mas como eles tinham conseguido se aproximarem cercando-nos dentro de distância de tiro rápido sem serem descobertos? Que vantagem tremenda eles tinham obtido, atirando de entre os arbustos no banco de areia, onde eles não podiam ser vistos, sobre nós, quem tínhamos que nos mostrar sobre o parapeito a cada vez que nós procurássemos por um inimigo, e, além disso, mostrávamo-nos exatamente no lugar mesmo onde todo bôer esperava. Pareceu haver alguma falta na posição. Como as balas pareciam algumas vezes atravessar o parapeito, e como aquelas que passavam sobre acertavam nas costas os homens defendendo o outro lado. Como, no todo, aquele “obstáculo natural,” o leito do rio, parecia ser mais uma desvantagem do que uma proteção.
Eventualmente, as seguintes lições estruturam-se na minha cabeça – algumas delas bastante novas, algumas delas suplementando aquelas quatro que eu já tinha aprendido:
5. Com rifles modernos, para guardar um vau ou localidade não é necessário se sentar no topo dela (como se ela pudesse ser pega e levada), a menos que a localidade [25]seja adequada para manter por razões outras e defensivas. Pode ser até melhor tomar sua posição defensiva a alguma distância do ponto e, assim, a algum distância do terreno oculto, o qual possibilita ao inimigo arrastar-se para uma distância muito curta, oculto e despercebido, e disparar a partir de uma cobertura que os oculta até quando atirando. Seria melhor, se possível, ter o inimigo no aberto, ou ter o que é chamado de um claro “campo de tiro.”
Um parapeito ou abrigo não à prova de balas que é visível serve apenas para atrair balas em vez de as manter fora – a prova de espessura pode ser facil e praticamente testada.
Quando um inimigo atirar em você à distância curta a partir de quase todo lado, um parapeito baixo e trincheira rasa não são de muito uso, visto que as balas que não acertam os defensores de um lado acertam aqueles no outro.
6. Não é suficiente manter homens estranhos da raça do inimigo longe das suas defesas atuais, deixando-os caminhar livremente para avisar seus amigos da sua existência e paradeiro – mesmo se eles não estiverem sob a tentação de comunicar nenhum conhecimento que eles possam ter obtido. “Outra maneira,” como o livro de culinária diz, mas econômica em vidas, seria como se segue: reúna e saúde calorosamente uma quantidade suficiente de estrangeiros. Recheie bem com nozes para uma grande força prestes a juntar-se a você em umas poucas horas; enfeite com detalhe corroborativo, e tempere de acordo com o gosto com uísque ou tabaco. Isso muito provavelmente será suficiente para o comando mais próximo. Custo provável – algumas mentiras pesadas e superficiais, mas nenhuma vida será despendida.
7. Não é negócio permitir homens preguiçosos (mesmo se eles forem irmãos e neutros) sentarem-se e cutucarem seus [26]dentes fora das suas vilas enquanto soldados cansados estão esforçando-se tentando fazer trabalho pesado em tempo curto. É mais o dever de um soldado ensinar ao neutro preguiçoso a dignidade do trabalho e, ao mantê-lo sob guarda, evitar que ele saia para falar sobre isso.
Pelo momento que as lições acima tinha sido marcadas no meu cérebro, além de toda chance de esquecimento, uma coisa estranha aconteceu. Eu tive um novo sonho.
ORIGINAL:
SWINTON, E. D. The Defense of Duffer’s Drift. U.S. Marine Corps. 1989. p. 19-26. Disponível em: <https://archive.org/details/FMFRP1233TheDefenseOfDuffersDrift/page/n23/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
1Nota do tradutor: ONC (oficial não comissionado), original; NCO (non-commissioned officer).

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