Mitologia de Bulfinch - Histórias de Deuses e Homens I Introdução

 Mitologia de Bulfinch


Por Thomas Bulfinch


Prefácios e Conteúdos


Histórias de Deuses e Homens


[1]Capítulo I Introdução


As religiões da Grécia e Roma antigas estão extintas. As assim chamadas de divindades do Olimpo não têm um único adorador entre os homens vivos. Elas não pertencem agora ao departamento da teologia, mas àqueles da literatura e do gosto. Ali elas ainda mantêm o seu lugar, e continuarão a mantê-lo, pois elas estão conectadas muitos estritamente com as mais finas produções de poesia e arte, tanto antigas quanto modernas, para passarem para o esquecimento.

Nós propomos contar histórias relacionadas a elas que foram transmitidas a nós dos antigos, e às quais aludem poetas, ensaístas e oradores modernos. Dessa maneira, os nossos leitores podem, ao mesmo tempo, ser entretidos pelas ficções mais encantadoras que a fantasia alguma vez criou, e ser colocados de pose de informação indispensável para todos que desejam ler com inteligência a literatura elegante da nossa própria época.

Para entender essas histórias, será necessário familiarizar a nós mesmos com as ideias da estrutura do universo que prevaleciam entre os gregos – os povos de quem os romanos, e as outras nações através deles, receberam sua ciência e religião.

Os gregos acreditavam que a terra fosse plana e circular, o próprio país dele ocupando o meio dela, o ponto central sendo ou o Monte Olimpo, a morada dos deuses, ou Delfos, tão famoso pelo seu oráculo.

O disco circular da terra era cruzado do ocidente para o oriente e dividido em duas partes iguais pelo Mar, como eles chamavam o Mediterrâneo, e a sua continuação, [2]o Euxino, os únicos mares com os quais eles estavam familiarizados.

Ao redor da terra fluía o Rio Oceano, seu curso sendo do sul para o norte no lado ocidental da terra, e na direção contrária do lado oriental. Ele fluía em uma corrente firme, uniforme, não perturbada por tempestade ou tormenta. O mar e todos os rios da terra recebiam suas águas a partir dele.

Supunha-se que a porção norte da terra fosse habitada por uma raça feliz denominada de hiperbóreos, habitando em benção e primavera eternas além das elevadas montanhas cujas cavernas supunham-se enviarem os sopros penetrantes do vento norte, o qual resfriava o povo da Hélade (Grécia). O país deles era inacessível por terra ou mar. Eles vivam isentos de doença e velhice, de labores e guerra. Moore concede-se a “Song of a Hyperborean,” começando


Eu venho de uma terra no mar iluminado pelo sol,

Onde jardins dourados brilham,

Onde os ventos do norte, acalmados em sono,

As conchas dela nunca sopram.”


No lado sul da terra, perto do córrego do Oceano, habitava um povo feliz e virtuoso como os hiperbóreos. Eles eram chamados de Etíopes. Os deuses favoreciam-nos tão intensamente que, às vezes, eles eram acostumados a deixarem suas moradas olimpianas e irem compartilhar dos sacrifícios e banquetes deles.

Na margem ocidental da terra, ao lado do córrego do Oceano, estende-se um lugar feliz denominado de planície elisiana, para onde mortais favorecidos pelos deuses eram transportados sem provarem a morte, para desfrutarem de uma imortalidade de benção. Essa região feliz também era chamada de os “Campos Afortunados” e as “Ilhas dos Abençoados.”

Dessa maneira, nós vemos que os gregos nas épocas primitivas conheciam muito pouco de qualquer povo real, exceto aqueles ao leste e ao sul do seu próprio país, ou próximos à costa do Mediterrâneo. Entrementes, a imaginação deles povoava a porção ocidental desse mar com gigantes, monstros e feiticeiras; enquanto eles colocavam ao redor o disco da terra, o qual eles provavelmente consideravam como de não [3]grande largura, nações desfrutando do favor peculiar dos deuses e abençoadas com felicidade e longevidade.

Supunha-se que a Aurora, o Sol e a Lua erguessem-se do Oceano, no lado oriental, e conduzissem-se através do ar, concedendo luz a deuses e homens. Também as estrelas, exceto aquelas formando a Carruagem ou o Urso, e outras próximas delas, erguiam-se do e afundavam no córrego do Oceano. Ali o deus-sol embarcava em um bote alado, o qual o transportava ao redor pela parte norte da terra, de volta ao seu lugar de ascensão no leste. Milton alude a isso no seu “Comus”:


Agora o carro dourado do dia

Seu eixo dourado reprime

Na firme corrente atlântica,

E o sol inclinado seu raio ascendente

Dispara contra o polo sombrio,

Passando na direção do outro objetivo,

Da sua câmara no leste.”


A morada dos deuses ficava no topo do Monte Olimpo, na Tessália. Um portão de nuvens, mantido por uma deusa de nome Estações, abria-se para permitir a passagens dos celestiais para a terra e para os receber em seu retorno. Os deuses tinham suas habitações separadas; mas, quando convocados, todos se dirigiam ao palácio de Júpiter, como também faziam aquelas divindades cuja morada habitual era a terra, as águas ou o submundo. Também era no grande salão do palácio do rei olimpiano que os deuses se banqueteavam a cada dia com ambrósia e néctar, sua comida e bebida, o último sendo dispensado ao redor pela amável deusa Hebe. Aqui eles conversavam sobre as questões do céu e da terra; e, enquanto eles bebiam o néctar deles, Apolo, o deus da música, deleitava-os com os tons da sua lira, aos quais as Musas cantavam em tensões responsivas. Quando o sol se punha, os deuses retiravam-se para dormir em suas respectivas habitações.

As linhas seguintes de a “Odisseia” mostrarão como Homero concebia o Olimpo:


Assim falando, Minerva, deusa de olhos azure,

Ascendeu ao Olimpo, o reputado assento

Eterno dos deuses, o qual nunca tempestades

[4]Perturbam, chuvas alagam, ou neve invade, mas calmos

O espaço e sem nuvens brilha com o dia mais puro.

Ali os habitantes divinos regozijam-se

Eternamente.”

Cowper.


Os robes e outras partes da vestimenta das deusas eram tecidos por Minerva e as Graças, e tudo de uma natureza mais sólida era formado de vários metais. Vulcano era o arquiteto, ferreiro, armeiro, construtor de carruagens e artista de toda obra no Olimpo. Ele construiu de bronze as casas dos deuses; ele produziu para eles as sandálias douradas com as quais eles caminhavam no ar ou na água, e moviam-se de lugar para lugar com a velocidade do vento ou até do pensamento. Ele também calçou com bronze os corcéis celestes, os quais rodavam as carruagens dos deuses através do ar, ou ao longo da superfície do mar. Ele foi capaz de conceder às suas obras automovimento, de modo que os trípodes (cadeiras e mesas) poderiam mover a si mesmas para dentro e para fora do salão celestial. Ele até dotou de inteligências as criadas douradas a quem ele fazia servirem a ele mesmo.

Júpiter, ou Jove (Zeus1), embora chamado de o pai de deuses e homens, teve ele mesmo um começo. Saturno (Cronos) foi seu pai, e Reia (Ops), sua mãe. Saturno e Reia eram da raça dos titãs, quem eram os filhos da Terra e do Céu, os quais brotaram do Caos, do qual nós fornecemos uma consideração adicional no nosso próximos capítulo.

Há outra cosmogonia, ou relato da criação, de acordo com a qual Terra, Érebos e Amor foram os primeiros dos seres. Amor (Eros) gerou-se a partir do ovo da Noite, o qual flutuava no Caos. Através de suas flechas e archote ele perfurava e vivificava todas as coisas, produzindo vida e alegria.

Saturno e Reia não eram os únicos titãs. Havia outros, cujos nomes eram Oceano, Hiperião, Jápeto e Ofíon, homens; e Têmis, Mnemósine, Eurínome, mulheres. Fala-se deles como de deuses mais antigo, cujo domínio depois foi transferido para outros. Saturno rendeu-se a Júpiter, Oceano a Netuno, [5]Hiperion a Apolo. Hiperion foi o pai do Sol, da Lua e da Aurora. Portanto, ele é o deus-sol original, e é retratado com o esplendor e a beleza que, posteriormente, foram concedidos a Apolo.


Cachos de Hiperion, a fronte mesma de Jove.”

Shakspeare.


Ofíon e Eurínome governaram sobre o Olimpo até que eles foram destronados por Saturno e Reia. Milton alude a eles em “Paradise Lost.” Ele diz que os pagãos parecem ter tido algum conhecimento da tentação e queda do homem.


E fabularam com a serpente, a quem eles chamavam de

Ofion, com Eurínome, (a amplamente

usurpadora Eva, talvez) primeiro teve o comando

Do alto, daí por Saturno expulsa.”


As representações dadas de Saturno não são muito consistentes; por um lado, o reino dele é dito ter sido a era dourada de inocência e pureza, e, por outro lado, ele é descrito como um monstro que de devorava os filhos dele.2 Contudo, Júpiter escapou desse destino e, quando adulto, desposou Metis (Prudência), quem administrou uma bebida a Saturno que o fez vomitar seus filhos. Júpiter, com seus irmãos e irmãs, agora se rebelaram contra o pai deles, Saturno, e os irmãos deles, os titãs; baniram-nos e aprisionaram alguns deles no Tártaro, infligindo outras penalidades a outros. Atlas foi condenado a suportar os céus sobre seus ombros.

Com a destronação de Saturno, Júpiter com seus irmãos Netuno (Poseidon) e Plutão (Dis) dividiram seus domínios. A porção de Júpiter foram os céus, de Netuno, o oceano, e de Plutão, os reinos dos mortos. A terra e o Olimpo eram propriedade comum. Júpiter era o rei de deuses e homens. O trovão era a arma dele, e ele portava um escudo chamado de égide, feito para ele por [6]Vulcano. A água era o seu pássaro favorito, e portava os seus raios.

Juno (Hera) era a esposa de Júpiter e a rainha do deuses. Íris, a deusa do arco-íris, era sua auxiliadora e mensageira. O pavão era o seu pássaro favorito.

Vulcano (Hefesto), o artista celestial, era o filho de Júpiter e Juno. Ele nasceu coxo, e a mãe dele ficou tão desagradada diante da visão dele que ela o jogou para fora do céu. Outros relatos dizem que Júpiter chutou-o, por ele tomar o lado da mãe dele em uma querela ocorrida entre ambos. A claudicação de Vulcano, de acordo com esse relato, foi consequência dessa queda. Ele ficou o dia inteiro caindo e, finalmente, aterrissou na ilha de Lemos a qual, desde então, foi consagrada a ele. Milton alude a essa história em “Paradise Lost,” Livro I:


“… Da manhã

À tarde ele caiu, da tarde à véspera orvalhada,

Um dia de verão; e com o sol poente

Caiu do zênite, como uma estrela cadente,

sobre Lemos, a ilha egeia.”


Marte (Ares), o deus da guerra, era o filho de Júpiter e Juno.

Febo Apolo, o deus do arqueria, profecia e música, era o filho de Júpiter e Latona, e irmão de Diana (Ártemis). Ele era o deus do sol, como Diana, sua irmã, era a deusa da lua.

Vênus (Afrodite), a deusa do amor e da beleza, era a filha de Júpiter e Dione. Outros dizem que Vênus brotou da espuma do mar. O zéfiro soprou-a à frente das ondas para a Ilha de Chipre, onde ela foi recebida e trajadas pelas Estações e, em seguida, conduzida à assembleia dos deuses. Todos ficaram encantados com a beleza dela, e cada um exigiu-a como sua esposa. Júpiter concedeu-a a Vulcano, em gratidão pelo serviço que ele tinha prestado na forja dos raios. Desse modo, a mais bela das deusas tornou-se esposa do mais desfavorecido dos deuses. Vênus possuía um cinto bordado chamado de Cesto, o qual tinha o poder de [7]inspirar o amor. Os pássaros favoritos dela eram cisnes e pombos, e as plantas consagradas a ela eram a rosa e o mirto.

Cúpido (Eros), era o deus de Vênus. Ele era o seu companheiro constante; e, armado com seu arco e flechas, ele disparava dados de desejo nos peitos tanto de deuses quanto de homens. Havia uma divindade chamada de Anteros, quem, algumas vezes, era representada como o vingador do amor desprezado e, algumas vezes, como símbolo da afeição recíproca. A lenda seguinte é contada sobre ele:

Vênus, reclamando com Têmis que o seu filho Eros continuava sempre uma criança, foi dito a ela por Têmis que isso era porque ele estava solitário, e que, se ele tivesse um irmão, ele cresceria rapidamente. Anteros nasceu logo depois, e Eros imediatamente foi visto crescer rapidamente em tamanho e força.

Minerva (Palas, Atena), deusa da sabedoria, era prole de Júpiter, sem um mãe. Ela brotou completamente armada da cabeça dele. O pássaro favorito dela era a coruja, e a planta consagrada a ela, a oliveira.

Byron, em “Childe Harold,” alude ao nascimento de Minerva desta maneira:


Podem tiranos apenas por tiranos conquistados serem

E Liberdade não encontrar nenhum campeão e filho,

Tal como Colúmbia viu ascender, quando ela

Brotou uma Pallas, armada e imaculada?

Ou tem de tais mentes serem nutridas na selva,

Profunda na floresta não podada, em meio ao rugido

De cataratas, onde a Natureza cuidadora sorriu

Sobre o infante Washington? Não tem mais a terra

Tais sementes no interior do seu seio, ou a Europa nenhuma tal costa?”


Mercúrio (Hermes) era o filho de Júpiter e Maia. Ele presidia sobre o comércio, a luta livre, e outros exercícios ginásticos, até sobre o roubo, e, em resumo, tudo que requeresse habilidade e destreza. Ele era o mensageiro dos deuses e usava um capacete alado e sandálias aladas. Ele portava em sua mão um cajado entrelaçado com duas serpentes, chamado de Caduceu.

HERMES. Museu em Olímpia. Descoberto em 8 de maio de 1877.

Diz-se que Mercúrio inventou a lira. Um dia, ele encontrou uma tartaruga, da qual ele tomou a concha, [8]fez orifícios nas extremidades opostas dela, e puxou cordas de linhas através deles, e o instrumento estava completo. As cordas eram nove, em honra das nove Musas. Mercúrio deu a lira a Apolo, e recebeu dele o caduceu em troca.3

Ceres (Deméter) era filha de Saturno e Reia. Ela tinha uma filha de nome Prosérpina (Perséfone), quem se tornou a esposa de Plutão, e rainha dos reinos dos mortos. Ceres presidia sobre a agricultura.

Baco (Dionísio). O deus do vinho, era o filho de Júpiter e Sêmele. Ele representa não apenas o poder intoxicante do vinho, mas igualmente as suas influências sociais e beneficentes, de modo que ele é visto como o promotor da civilização, e um legislador e amante da paz.

As Musas eram as filhas de Júpiter e Mnemósine (Memória). Elas presidiam sobre a canção, e incitavam a memória. Elas eram nove em número, a cada uma foi atribuída a presidência sobre algum departamento particular da literatura, arte ou ciência. Calíope era a musa da poesia épica; Euterpe, da poesia lírica; Melpômene, da tragédia; Terpsícore, da dança coral e canção; Erato, da poisia de amor; Polímnia, da poesia sagrada, Urânia, da astronomia; Tália, da comédia.

As Graças eram deusas que presidiam sobre o banquete, a dança, e todos os gozos sociais e artes elegantes. Elas eram três em número. Os nomes delas eram Eufrosina, Aglaia e Tália.

Spenser descreve o ofício das Graças desta maneira:


Essas três, sobre os homens, todos os presentes graciosos concedem

Os quais embelezam o corpo ou adornam a mente,

Para lhes tornar uma mostra amável e bem favorecida;

Como carruagem graciosa, entretenimento gentil,

Semelhança doce, favores amigáveis que vinculam,

E todos os complementos da cortesia;

[9]Elas ensinam-nos a cada grau e tipo

Nós deveríamos a nós mesmos rebaixar, para o baixo, para o alto,

Para amigos, para inimigos; habilidade a qual os homens chamam de Civilidade.”


As Parcas também eram três – Cloto, Láquesis e Átropos. O ofício delas eram girar o fio do destino humano, e elas estavam armadas com tesouras, com as quais elas o cortavam quando lhe agradasse. Elas eram filhas de Têmis (Lei), quem se sentavam perto Jove no trono dele para lhe conceder conselho.

As Eríneas, ou Fúrias, eram três deusas que puniam através das suas picadas secretas os crimes daqueles que escapavam da, ou desafiam a, justiça pública. As cabeças das Fúrias eram cobertas por serpentes, e a inteira aparência delas era terrível e assustadora. Os nomes delas era Aleto, Tisífone e Megera. Elas também eram chamadas de Eumênides.

Nêmesis também era uma deusa vingadora. Ela representa a ira justa dos deuses, particularmente na direção do orgulhoso e indolente.

Pan era o deus dos rebanhos e pastores. A sua residência favorita ficava na Arcádia.

Os Sátiros eram divindades dos bosques e campos. Eles eram concebidos ser cobertos por pelo eriçado, suas cabeças decoradas com chifres curtos e brotantes, e seus pés eram semelhantes aos pés de bodes.

Momo era o deus do riso, e Pluto, o deus da riqueza.


DIVINDADES ROMANAS


As anteriores são divindades gregas, embora também recebidas pelos romanos. Estas que seguem são peculiares à mitologia romana:

Saturno era uma antiga divindade italiana. Tentou-se identificá-lo com o deus grego Cronos, e fabulou-se que, depois da sua destronação por Júpiter, ele fugiu para a Itália, onde ele reinou durante o que foi chamado de a Idade de Ouro. Em memória do seu domínio beneficente, a festa da Saturnália era realizada a cada ano na estação do inverno. Então todos os negócios públicos eram suspensos, declarações de guerra e execuções criminais [10]eram postergadas, amigos faziam presentes uns para os outros, e os escravos eram satisfeitos com grandes liberalidades. Um banquete era concedido a eles, no qual eles se sentavam à mesa enquanto os mestres deles serviam-nos, para mostrar a igualdade natural de todos os homens, e que todas as coisas pertenciam igualmente a todos, no reino de Saturno.

Fauno,4 o neto de Saturno, era adorado como o deus dos campos e pastores, e também como um deus profético. O nome dele no plural, Faunos, expressava a classe de divindades brincalhonas, como os sátiros dos gregos.

Quirino era um deus da guerra, dito ser não outro que Rômulo, o fundador de Roma, exaltado após a morte dele a um lugar entre os deuses.

Belona, uma deusa da guerra.

Termino, o deus dos marcos. A estátua dele era uma pedra ou poste rude, fincado no chão para marcar as fronteiras dos campos.

Pales, a deusa presidindo sobre o gado e os pastos.

Pomona, presidia sobre as árvores frutíferas.

Flora, a deusa das flores.

Lucina, a deusa do parto.

Vesta (a Héstia dos gregos) era uma divindade que presidia sobre a lareira pública e privada. Um fogo sagrado, cuidado por seis sacerdotisas virgens chamadas de Vestais, flamejava no templo dela. Visto que a segurança da cidade era considerada estar conectada com a sua conservação, a negligência das virgens, se elas fossem deixadas sair, era severamente punida, e o fogo era aceso novamente a partir dos raios de sol.

Liber é o nome latino de Baco; e Mulciber, de Vulcano.

Jano era o porteiro do céu. Ele abre o ano, o primeiro mês sendo nomeado a partir dele. Ele é o guardião dos portões, por conta disso ele frequentemente é representado com duas cabeças, por que toda porta olha para duas direções. Os templos dele em Roma eram numerosos. Em tempo de guerra, os portões do principal eram sempre abertos. Na paz, eles ficavam fechados; mas eles [11]foram fechados apenas uma vez entre o reino de Numa e aqueles de Augusto.

Os Penates eram os deuses que se supunham cuidar do bem-estar e da prosperidade da família. O nome deles é derivado de Penus, a despensa a qual era sagrada para eles. Cada mestre de uma família era o sacerdote para o penates da sua própria casa.

Os Lares, ou Lars, também eram deuses do lar, mas diferiam dos Penates por serem considerados como espíritos deificados de mortais. Os Lars familiares eram considerados serem as almas dos ancestrais, quem observaram e protegiam os descendentes deles. As palavras Lêmure e Larva correspondem mais estritamente a nossa palavra moderna Fantasma (Ghost).

Os romanos acreditavam que cada homem tinha o seu Gênio, e cada mulher, sua Juno; quer dizer, um espírito quem lhes tinha concedido existência e era considerado o protetor deles por toda a vida. Em seus aniversários, os homens faziam oferendas aos Gênios deles, as mulheres às Junos delas.

Um poeta moderno alude desta maneira aos deuses romanos:


Pomona ama o pomar,

E Baco ama o vinho,

E Palas ama a cabana construída de palha

Quente com o hálito de vacas;

E Vênus ama o sussurro

De jovem comprometido e donzela,

À marmórea luz da lua de abril,

Debaixo da sombra da castanheira.”

Macaulay, “Prophecy of Capys.”


Notar bem: – Deve ser observado que, em nomes próprios, o e e es finais devem ser pronunciados. Desse modo, Cibele e Penates são palavras de três sílabas. Mas Prosérpina (Proserpine) e Tebas (Thebes) são exceções, e devem ser pronunciadas como palavras portuguesas (english). No índice no fechamento do volume nós deveremos marcar a sílaba acentuada em todas as palavras que parecem requerer.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

BULFINCH, T. Bulfinch's Mythology: The Age of Fable, The Age of Chivalry & Legends of Charlamagne. By Thomas Bulfinch. Complete in One Volume. Revised and Enlarged, with Illustrations. New York: Thomas Y. Crowel Company Publishers, 1913. p. 1-11. Disponível em: <https://archive.org/details/bulfinchsmytholo0000thom_q8l3/page/1/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1[4]Os nomes incluídos entre parênteses são os gregos, os outros sendo os nomes romanos ou latinos.

2[5]Essa inconsistência surge a partir da consideração de Saturno dos romanos o mesmo que a divindade grega Cronos (Tempo), o qual, visto que ele traz a um fim todas as cosias que tiveram um começo, pode ser dito devorar sua própria prole.

3[8]A partir dessa origem do instrumento, a palavra “concha (shell)” é frequentemente usada como sinônima de “lira” e, figurativamente, como música e poesia. Dessa maneira, Gray, em sua ode sobre o “Progress of Poesy,” diz:

“Oh Soberana da Alma de boa vontade,

Genitora de ares doces e de respiração solene,

Concha encantada! Os taciturnos Cuidados

E Paixões frenéticas ouvem teu controle suave.”

4[10]Também havia uma deusa chamada de Fauna, ou Bona Dea.

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