A Coluna de César - Ao Público e Conteúdos

A Coluna de César. Uma História do Século XX.


Por Ignatius L. Donnelly (sob o pseudônimo de Edmund Boisgilbert)


[3]Ao Público


É a você, o público pensativo e atencioso, que eu dedico este livro. Que ele possa, sob a providência de Deus, causar o bem para esta geração e posteridade!

Eu espero sinceramente que a minha intenção na escritura dele possa não ser mal compreendida.

Não deve ser pensado que, porque eu estou obrigado a descrever a derrubada da civilização, eu deseje isso. O profeta não é responsável pelo evento que ele prevê. Ele pode contemplá-lo com a tristeza mais profunda. Cristo chorou sobre o destino de Jerusalém.

Tampouco eu sou um anarquista: pois eu pinto um retrato terrível da destruição de mundo que o anarquismo exitoso produziria.

Eu busco pregar para os ouvidos do capaz e rico e poderoso a grande verdade que negligência dos sofrimentos dos seus companheiros, a indiferença ao grande vínculo de irmandade que jaz na base da cristandade e a adoração cega, brutal e degradante da mera riqueza, têm de – dados tempos e pressão suficientes – causar a derrubada da sociedade e a destruição da civilização.

Eu venho às igrejas com meu coração preenchido com o respeito mais profundo pela essência da religião: eu busco mostrar a eles porque perderam sua influência [4]sobre o pobre, - sobre aquela vasta multidão, os mais amados do reino de Deus, - e eu indico para eles como podem reobtê-la. Eu digo a eles que, se a religião deve reassumir sua condição antiga, como a senhora coroada das almas dos homens, ela tem de se erguer, em armadura brilhante, com a serpente debaixo dos pés dela, a campeã e defensora da humanidade contra todos os seus opressores.

O mundo hoje clama por feitos, não credos; por pão, não dogma; por caridade, não cerimônia; por amor, não intelecto.

Alguns dirão que os eventos aqui descritos são absurdamente impossíveis.

Quem é que está satisfeito com a presente condição infeliz da sociedade? Concede-se que a vida seja uma falha escura e miserável para a grande massa da humanidade. Os muitos são roubadas para enriquecer os poucos. Vastas combinações deprimem o preço do labor e aumentar o custo das necessidades da existência. Como uma regra, o rico despreza o pobre; e os pobres estão vindo a odiar o rico. O rosto do labor torna-se carrancudo; o antigo amor cristão tenro está perdido; exércitos permanentes são formados de um lado, e grandes organizações comunistas para o outro; a sociedade divide-se em dois campos hostis; nenhuma bandeira branca é passada de um para o outro. Eles esperam apenas pela batida do tambor e pela trombeta para os convocar para conflito armado.

Essas condições surgiram em menos de um século; a maioria delas, em um quarto de um século. Multipliquem-nas pelos anos de outro século, e quem deverá dizer que os eventos que eu represento são impossíveis? Há uma aceleração de movimento nos assuntos humanos assim como há nas operações da gravidade. O [5]míssil morto do espaço finalmente arte em chamas, e o ar mesmo incendeia-se. As massas tornam-se mais inteligentes conforme elas se tornam mais miseráveis; e mais capazes de cooperar conforme elas se tornam mais desesperadas. As organizações do labor de hoje em dia teriam sido impossíveis há cinquenta anos. E o que deve deter o fluxo do evento a partir da causa? O que deve evitar a chegada da noite se a terra continua a girar em torno do seu eixo? O tolo pode bradar: “Não deverá haver noite!” Mas os pés das horas marcham sem descanso na direção da escuridão.

Alguns pensam que, mesmo se tudo isso for verdade, “A Coluna de César” não deveria ter sido publicada. O que deterá o mal que se move ao ignorar sua presença? O que será pensado do cirurgião que, vendo no lábio do paciente o primeiro nódulo do câncer, diz-lhe que não há perigo, e ri em segurança enquanto as raízes do monstro comem seu caminho na direção das grandes artérias? Se minha mensagem for verdadeira, ela deveria ser falada; e o mundo deveria ouvi-la. O câncer deveria ser extirpado enquanto ainda há tempo. Qualquer outro curso


Apenas esfolará e velará o lugar ulceroso,

Enquanto corrupção de classe, minando tudo abaixo,

Infecta invisível.”


Acreditando, como acredito, que eu leio o futuro corretamente, seria criminoso para eu permanecer em silêncio. Eu suplico por pensamento mais elevados e mais nobres nas almas dos homens; por amor mais amplo e caridade mais ampla nos corações deles; por uma renovação do vínculo de irmandade entre as classes; por um reino de justiça sobre a terra que deverá obliterar os ódios e as paixões cruéis que agora dividem o mundo.

[6]Se Deus notar alguma coisa tão insignificante quanto este pobre livro, eu suplico que ele possa usá-lo como um instrumento de bem para a humanidade; pois ele sabe que eu amo suas criaturas humanas, e eu as ajudaria se eu tivesse o poder.


CONTEÚDOS1


Capítulo I A Grande Cidade 9

Capítulo II Minha Aventura 23

Capítulo III A Casa do Pedinte 29

Chapter IV. The Under-world 42

Chapter V. Estella Washington 51

Chapter VI. The Interview 58

Chapter VII. The Hiding-place 70

Chapter VIII. The Brotherhood 77

Chapter IX. The Poisoned Knife 85

Chapter X. Preparations for To-night 99

Chapter XI. How The World Came to be Ruined 103

Chapter XII. Gabriel's Utopia 116

Chapter XIII. The Council of the Oligarchy 134

Chapter XIV. The Spy's Story 142

Chapter XV. The Master of “The Demons” 152

Chapter XVI. Gabriel's Folly 158

Chapter XVII. The Flight and Pursuit 161

Chapter XVIII. The Execution 168

Chapter XIX. The Mamelukes of the Air 178

Chapter XX. The Workingmen's Meeting 186

Chapter XXI. A Sermon of the Twentieth Century 207

Chapter XXII. Estella and I 223

Chapter XXIII. Max's Story—The Songstress 231

Chapter XXIV. Max's Story Continued—The Journeyman Printer 238

Chapter XXV. Max's Story Continued—The Dark Shadow 248

Chapter XXVI. Max's Story Continued—The Widow and her Son 257

Chapter XXVII. Max's Story Continued—The Blacksmith Shop 262

Chapter XXVUI. Max's Story Concluded— The Unexpected Happens 265

Chapter XXIX. Elysium 273

Chapter XXX. Upon the Housetop 284

Chapter XXXI. “Sheol” 289

Chapter XXXII. The Rat-trap 294

Chapter XXXIII. “The Ocean Overpeers its List” 299

Chapter XXXIV. The Prince Gives his Last Bribe 305

Chapter XXXV. The Liberated Prisoner 310

Chapter XXXVI. Cesar Erects his Monument 317

Chapter XXXVII. The Second Day 327

Chapter XXXVIII. The Flight 334

Chapter XXXIX. Europe 344

Chapter XL. The Garden in the Mountains 350


ORIGINAL:

DONNELLY, I. L. Caesar's Column. A Story of the Twentieth Century. Chicago: F. J. Schulte & Company, Publishers, 1890. p.3-6. Disponível em: <https://archive.org/details/csarscolumnsto00donn/page/3/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


1Esta seção serve como índice para as postagens com os capítulos. A medida que as traduções forem postadas, links para as mesmas serão adicionados nos locais correspondentes.

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