A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XXII Birdalone caminha no Bosque em companhia de Habundia

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[472]Capítulo XXII Birdalone caminha no Bosque em companhia de Habundia.


Agora, enquanto elas seguiam levemente em seus caminhos através do bosque, Habundia falou e disse: Birdalone, minha criança, belo é o anel dourado com a pedra de safira que o terceiro dedo da tua mão direita porta; raramente eu vi uma pedra tão bonita quanto essa azul profundo; pende algum conto em relação a isso?Disse Birdalone: ‘Eu não te contei disso, mãe-do-bosque, como aquele meu amado que está perdido deu-o para mim na última vez que eu o vi, ai de mim, vale a pena?’ ‘Não,’ disse Habundia, ‘eu não me lembro do conto. Mas tu consideras que ele o conheceria novamente se ele o visse?’ ‘Sim, certamente,’ disse Birdalone, inclinando a cabeça; ‘pois quando ele primeiro me deu, o presente não era para mim, mas para outra mulher.’ E ela manteve-se em silêncio, e prosseguiu com a cabeça inclinada e todo contentamento desaparecido dela por um tempo.

Finalmente, ela voltou-se para Habundia e disse: Eu agora me lembrei de te perguntar para onde nós estamos indo e em qual missão; pois inicialmente eu fiquei tão feliz de coração, eu não sei porque, e era tão alegre caminhar no bosque contigo livremente, que eu não tive nenhum pensamento em mim quanto de para onde e porquê. Mas agora tu me contarás?

Disse a esposa-do-bosque: E se eu devesse contar-te que nós estamos indo caçar?Birdalone disse: ‘Então eu deveria te perguntar com o que a presa se parecia.’ ‘E suponha-a fossem homens?’ disse a esposa-do-bosque. Birdalone tornou-se um pouco pálida. ‘Minha mãe,’ ela [473]disse, ‘se nós estamos indo contra alguns daqueles homens dos Bandos Vermelhos, eu não fico feliz com isso. Eu não sou guerreira, e temo golpes.’ Disse Habundia, rindo: ‘Contudo, tu és uma arqueira feroz; e tu podes atirar a partir de uma tocaia de folhas espessas, uma vez que hoje é junho.’ ‘Mas nem eu mataria ou machucaria qualquer homem,disse Birdalone, ‘exceto se fosse para me salvar de morte presente.’

Habundia olhou para ela com um sorriso astuto e disse: Bem, talvez se nós tomarmos cobertura e chegarmos ao alcance da nossa presa tu não deverás necessitar apressar uma flecha para ele. Portanto, tem paciência. Pois essa que eu marquei é uma besta estranha; ele não é ruim de se olhar, e a voz dele, pois às vezes ele canta, é antes doce que grosseira.’ ‘O que tu queres dizer, mãe?disse Birdalone, ruborizando e então empalidecendo de novo; ‘que homem é este? Uma vez que o tu o chamares de uma besta é uma piada, não é?’

Não,disse Habundia, eu nem o conheço nem o nomeio; apenas eu não o considero, de maneira nenhuma, ser um do Bando Vermelho. Quanto ao resto, ele pode ser um homem em uma pele de besta, ou uma besta em uma pele de homem, pois alguma coisa eu conheço; considerando que ele parece, até onde eu o tenho visto, ser não inteiramente semelhante a homem ou inteiramente semelhante a besta. Mas agora, mantenhamos nosso silêncio para ele até que nos aproximemos da toca dele.

Assim elas seguiram seu caminho, e Birdalone falou bem pouco, enquanto que a esposa-do-bosque foi de muitas palavras e alegre. Elas fizeram toda diligência, pois Birdalone não se cansou logo e, além disso, visto que agora ela estava ansiosa e impaciente para ver o que aconteceria, [474]o quê ela não poderia senão considerar que seria alguma coisa grande.

Elas caminharam sem parar até passado o meio-dia, quando elas chegaram a um pequeno vale sombreado através do qual corria um córrego claro; ali elas descansaram e banharam-se e, depois disso, sentaram-se sob os galhos e comeram a comida deliciosa que a esposa-do-bosque providenciou, de qualquer maneira que ela a obteve; e quando elas tinham descansado por um tempo, a esposa-do-bosque virou-se para falar uma vez mais de Arthur, o Escudeiro Negro, e mandaria Birdalone contar-lha que modo inteiramente belo de homem ele era; e Birdalone não ficou nada relutante com isso; pois, tivesse ela o desejo dela, ela tinha falado sobre ele o dia inteiro.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 472-474. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/472/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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