A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[446]Capítulo XV Falta pouco para Birdalone se afogar, mas ela finalmente chega à Ilhota Verde.
Adiante Birdalone nadou, não como alguém quem tivesse uma intenção de se afogar para esquecer dos problemas, mas tanto forte quanto sabiamente; e ela virou-se sobre as costas e olhou para as estrelas acima dela, e conduziu-se por elas naquela direção que ela considerava que ficava a terra sob o bosque. Quando ela tinha saído da ilha maligna por uma hora ou algo assim, ali surgiu um belo vento baixo atrás dela, o qual a ajudou adiante, mas escassamente ergueu a água mais do que uma ondulação baixa.
Ela ainda nadava adiante, e fazia aproximadamente três horas quando ela começou a cansar, então ela flutuou sobre as costas deixou o vento e a água conduzirem-na; e agora a noite estava tão escura quanto estaria antes do amanhecer.
Dessa maneira outra hora passou, essa enquanto ela nadava adiante e enquanto ela flutuava; e agora o coração dela começou a falhar com ela, e a grande água não era mais para ela uma estrada molhada, mas um golfo terrível no qual ela pendia ofegando.
Mesmo assim, ela não desistiu de fazer o que podia; ela flutuou supinamente por muito tempo, e então, quando ela tinha reunido um pouco de força, virou-se e começou a abrir caminho, ainda conduzindo-se pelas estrelas. Mas mal ela tinha dado três pancadas antes que os braços dela encontrassem alguma coisa dura e grosseira; e inicialmente, em seu desamparo, ela pensou que tinha topado com algum [447]terrível monstro de água e, por temor dele, ela afundou-se nas profundezas, mas logo subiu novamente, cega e sem fôlego, e abriu os braços, e, novamente, eles chegaram à coisa supracitada, e dessa vez descobriu que não era nada vivo, mas o tronco de uma árvore sentando-se alto fora da água. Assim ela se agarrou a ele com quê força restante ela podia ter, e sentou-se, e viu sob a luz sombria que era grande, e que havia uma bifurcação entre dois membros estendendo-se ao ar, e ela lançou-se sobre esses dois membros e abraçou um deles, de maneira que ela escassamente podia cair; e um grande contentamento e felicidade vieram sobre ela visto que, dessa maneira, ela tinha escapado da morte nas profundezas; mas depois disso, o cansaço dominou-a, e ela dormiu, quer ela desejasse quer não; e o tronco foi através das águas não mais lento do que poderia ter sido considerado, quer isso fosse pelo empurrão do vento sul, quer pela mão do Destino que não a teria deixado morrer.
Longamente ela dormiu, pois, quando ela acordou, já era dia alto, e o sol estava brilhando alto nos céus, e ela limpou seus olhos e olhou ao redor, e viu diante de si a terra, mas ainda azul no alto mar. E o tronco de árvore ainda estava acelerando na direção da praia, como se estivesse sendo arrastado para lá por alguma ordem de poder.
Agora, de fato, Birdalone ficou feliz, e ela pensou que, se alguém a tivesse ajudado, tem de ter sido a mãe-do-bosque mais uma vez, e ela disse para si mesma que logo ela deveria encontrar-se com aquela auxiliadora; nem ela prestou atenção em que ela estava nua e desprovida de quaisquer bens; visto que ela considerava que, de fato, era apenas pedir e receber da amiga dela.
[448]De fato, por um tempo ela não sabia para onde estava se dirigindo, e se a face dela estava verdadeiramente voltada na direção da terra sob o bosque; mas, conforme a manhã passava, a distância começou a tornar-se verde, e então ela viu que um grande bosque estava de fato diante dela, e depois, conforme se limpava ainda mais, ela conheceu a terra da qual ela estava se aproximando pelos campos da Casa sob o Bosque, e não demorou a partir daí antes que ela visse clara e de perto a Ilhota Verde e a Ilhota Rochosa, embora a casa ainda estivesse oculta dela pelas costas verdes da primeira dessas duas ilhas.
Brevemente para contar, o tronco de árvore flutuou com ela além do promontório exterior da Ilhota Verde, e chegou à costa naquela mesma angra arenosa onde outrora ela costumava aprontar o corpo dela para água. Ela pisou na praia toda feliz em sentir a firme areia quente sobre os pés dela, e como alguém bêbada de alegria, ela ficou quando a alta grama florida do último maio estava acariciando as pernas dela enquanto ela livrava-se do pólen nas curvas, e atingia a fragrância das flores; e inicialmente mal ela conseguia erguer os olhos da beleza familiar. De fato, feliz ela estava, mas excessivamente desgastada e cansada com a longa viagem e todo o anseio e temor e esperança que tinham a envolvido durante esse tempo. Ela ergueu os olhos apenas uma vez, e viu a casa da bruxa erguendo-se onde era o costume, mas nenhuma forma de homem movendo-se ao redor dela; então ela virou-se de lado para um pequeno matagal de espinho e madressilva no campo próximo, e deitou-se sobre a grama à sombra dele, e quase antes que a cabela dela tocasse no chão, ela adormeceu, e lá dormiu longa e pacificamente.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 446-448. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/446/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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