A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo IX Birdalone encontra a Ilha do Nada grandemente melhorada, e é amavelmente tratada naquele lugar

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[413]Capítulo IX Birdalone encontra a Ilha do Nada grandemente melhorada, e é amavelmente tratada naquele lugar.


Agora escassamente era meio-dia quando ela partiu, e a noite escura veio sobre ela no meio da água; e ela adormeceu no bote antes que a noite tivesse se tornado muito velha, e despertou pela manhã, não excessivamente cedo, talvez por volta das seis da manhã; então ela olhou adiante e logo pensou ver a mancha desfavorecida da Ilha do Nada sobre o seio das águas azuis, visto que era uma manhã clara e sem nuvens do final de maio. Suficientemente certo ela viu terra adiante, e ela estendia-se baixa sobre a água, mas ela considerou desde o início que era uma tonalidade de verde, e, conforme ela se aproximava, ela viu que era verdadeiramente tão verde quanto esmeralda. Ela ficou um pouco confusa com isso, porque ela pensou que talvez o Bote de Expedição tinha se perdido, e que, se a criatura dele não estivesse se dirigindo pelo caminho antigo, talvez ele não estivesse alcançando o velho porto. Pois agora, de fato, ela disse imediatamente a si mesma que a vontade dela era retornar à Casa sob o Bosque e ver o quê poderia acontecer lá, e se ela e mãe-do-bosque juntas não poderiam sobrepujar a bruxa.

Mas, seja o quê for que pudesse acontecer, nada ela poderia fazer, exceto sentar-se em seu lugar e dirigir-se como o Bote de Expedição desejaria; e em um espaço de uma hora ela estava exatamente sob o sotavento da terra, e ela viu que era formada exatamente como a Ilha do Nada tinha sido antigamente. [414]Mas isto a fez se maravilhar, que agora a grama crescia espessa até a beira da água, e por toda parte a partir da água para cima havia muitas pequenas árvores finas, e algumas delas com a floração de maio ainda sobre elas, como se fosse um pomar belo e grande que estava se aproximando; e além disso, além de tudo que ela via, os tetos de palha de casas erguendo-se.

Logo depois o Bote de Expedição tinha a trazido para a terra, e ela desembarcou, mas estava cansada, e ela curvou seu arco e colocou uma flecha nele, antes que ela começasse a subir a partir da água. Todavia, ela pensou dentro de si mesma, não será nada ruim se eu chegar em meio a pessoas, enquanto elas forem pacificas, ou senão, como poderia eu viver a jornada para todas as ilhas e assim para casa, para a Casa sob o Bosque?

Assim ela voltou a face dela para onde ela tinha visto aqueles tetos, os quais agora ela não mais via, por causa das folhas espessas das pequenas árvores, e assim ela caminhou adiante em um caminho estreito, o qual se tornava cada vez mais cercado de perto por árvores, e agora não eram mais macieiras e pereiras e marmeleiros e nespereiras, mas uma mata jovem crescida de árvores de floresta, como carvalhos e álamos e faias e azevinhos.

Finalmente, enquanto caminhava, ela ouviu vozes diante dela, portanto ela se moveu sorrateira e cautelosamente para a margem do bosquete, dedo na flecha; e logo conseguiu enxergar claramente as mudas e fora, para um amplo espaço de relvado, além do qual ficava um terreno de muitas casas e caramanchões, como aquele de um bom agricultor em terras pacíficas, exceto que a construção principal era mais longa, embora fosse mais baixa. Mas em meio ao dito relvado [415]ficava um vistoso rebanho de ovelhas que tinham sido apenas recentemente lavadas para a tosquia, e junto com as ovelhas, quatro pessoas, dois rapazes e duas moças, todos eles de idade jovem, nenhum parecendo ter mais de uma vintena e dois anos de verões. Essas pessoas estavam trajadas bastante simplesmente, homem e mulher, em casacos curtos de lã branca (mas os casacos das mulheres eram um pouco mais longos do que os dos homens), sem calçados e calças; eles tinham coroas de folhas verdes sobre as cabeças e estavam inteiramente desarmados, exceto que um dos homens portava um bastão de freixo na mão dele. Quanto aos corpos deles, eles eram vistosos de forma, de fato, bronzeados pela queimação do sol, mas todos doces de carne eram eles, bem torneados e asseados, limpos, e leves e magros.

O coração de Birdalone ansiou na direção deles, e ela imediatamente saiu da cobertura do bosquete, e o sol chamejou a partir da celada dela e cintilou nos anéis da cota de malha dela, de modo que o povo não pôde falhar em a ver; as ovelhas fugiram agrupadas para além dos guardiões dela, quem permaneceram firmes, mas pareceram um pouco assustados, e não se moveram na direção de Birdalone. Ela deu-lhes bom dia e permaneceu parada; mas o homem com o bastão de freixo disse: ‘Saudações, tu homem; mas não te aceitaríamos chegar mais perto por um tempo, embora tua voz seja doce: pois nós conhecemos quais são essas coisas que tu portas, e que tu és um guerreiro. Tu nos machucarás?'

Birdalone riu tão docemente quanto o melro canta, e ela tirou a sua celada e sacudiu o abundante cabelo para baixo sobre si, e então desembainhou sua [416]espada e adaga e lançou-as à terra, e deitou seu arco e aljava sobre elas, e disse: ‘Agora eu irei a vós, ou vós devereis vir a mim, considerando que eu estou desarmada, e não sou guerreiro, mas uma mulher, e vós sois quatro para uma, e dois de vós rapazes; portanto, agora vós podeis me amarrar ou matar se vós desejardes; mas, em qualquer caso, eu suplico-vos primeiro para me conceder um bocado de comida.’

Quando ela tinha terminado o discurso dela, ela foi até a mais bela das mulheres e beijou-a; mas os dois rapazes não fizeram mais delongas, apenas vieram a Birdalone e beijaram-na, um depois do outro, e isso como homens que não necessitam de nada para os compelir nisso, e depois cada um pegou uma mão dela e segurou-a e acariciou-a. Mas a outra mulher tinha corrido para dentro da casa assim que Birdalone falou, e voltou novamente com uma tigela de madeira cheia de leite e uma pequena fatia de pão, não branco mais marrom; e ali, tropeçando ao redor das penas dela enquanto ela vinha, um pequeno rapaz de uns três invernos, nu e moreno, quem estava tímido da recém-chegada cintilante, e, em um momento, escondia-se atrás da mulher, e, em outros, vinha à frente para ver a coisa nova. Mas a mulher disse: 'Querida mulher, aqui está para ti um poco do leite das ovelhas, e um pedaço de mão, e uma pequena quantidade de queijo; o dito leite ainda está quente, de modo que ele ainda não está amarelado; mas se tu desejares vir conosco, tu rapidamente podes beber leite de vaca, e nós agora estamos a ponto de as ordenhar.'

Birdalone agradeceu-a com um coração cheio de contentamento, e não ficou malsatisfeita de conseguir livrar suas mãos dos dois rapazes; assim ela se sentou e comeu [417]o café da manhã dela enquanto os outros falavam com ela, e contavam a ela do trabalho diverso deles; quanto a como as árvores deles estavam crescendo, e o novo cultivo que eles tinham realizado na primavera passada, e como aconteceu com as vacas e os bodes; dos filhos deles eles também falaram, e de como já havia quatro deles, e uma das mulheres, a que trouxe comida, já se apressou com a criança mais uma vez. ‘De modo que, antes de nós morrermos,’ disse o rapaz quem estava falando, ‘nós esperamos ver muito netos, e deveremos ter alguns rapazes e algumas moças fortes aqui. E por aquele tempo, algumas das árvores estarão crescidas, de modo que nós podemos derrubar madeira e construir para nós algum barco que irá para o lago, e ajudar-nos-á a pescar; ou nós podemos ir para outras terras; ou, entremente, pessoas podem vir até nós, assim tu vieste, tu, mulher de mãos queridas e voz doce. Mas tu permanecerás aqui para sempre?’

Sim,’ disse o outro, ‘mas isso é olhar para um longo tempo adiante, para construção de navios. O quê está mais próximo e é melhor de pensar é que estas árvores de maçã e pera estejam tão bem frutadas, pequenas como elas são, que, nesta colheita, nós deveremos ser capazes de produzir para nós cidra e perada; sim, e não pouca quantidade disso. Mas tu estás intencionada de permanecer conosco para sempre? Isso seria querido para nós; e talvez tu desejes nos dar filhos, tu também.'

Então falou a mulher que trouxe a comida e depois riu: ‘Não, tu também pareces um bom partido à distância; considerando que o que há para fazer agora é ir ordenhar as vacas, e levar essa hóspede conosco, de modo que ela possa beber um pouco melhor do que o leite de ovelhas, embora a cidra não esteja pronta à mão. Mas diz-me, nossa querida hóspede, tu verdadeiramente residirás [418]conosco por um longo tempo? Isso seria doce para nós, e nós faremos tudo que nós podemos para te agradar.’

Não,’ disse Birdalone, ‘não será melhor senão que eu parta pela manhã; e todos os obrigados eu concedo a vós pela vossa gentileza.'

A mulher beijou-a, e ela levantou-se, e todos eles foram juntos para a ordenha das vacas a uma meia milha terra a dentro; e eles passaram por muito do pomar, e uma grande quantidade de cultivo, no qual o trigo já estava crescendo alto; e dessa maneira eles chegaram a um campo amplo através do qual corria um pequeno riacho, e ali havia um vistoso rebanho de vacas. Assim eles imediatamente começaram a ordenhar, e fizeram Birdalone beber do doce leite das vacas, e então caminharam e deitaram-se sob a sombra de pequenas árvores jovens, e conversaram e foram felizes juntos. Mas os dois homens inicialmente estiveram um pouco desejosos de beijar Birdalone e brincar com ela, mas quando ela os deixou saber que ela não desejava isso, eles restringiram-se sem rancor.

Durante todo o tempo da conversa deles, eles não perguntaram a Birdalone nada de onde e para onde, e ela não lhes perguntaria, com medo que pudesse excitar as perguntas deles, e então ela teria de lhes contar alguma parte da história dela; e agora a contar tinha se tornado um trabalho um pouco cansativo.

Em algum tempo, todos eles se levantaram, e os homens e uma mulher seguiram seus caminhos para lidar com a terra de cultivo, mas a buscadora de comida entrou novamente com Birdalone na casa; e ela mostrou a ela tudo que havia lá, o quê era, pela maior parte, verdadeiramente, os quatro bebês supracitados. Os outros retornaram ao entardecer, [419]trazendo com eles abundância de campainhas azuis, e contando alegremente como eles as tinham encontrado perto da beira da mata de talhadia em um tal lugar; e depois eles ficaram alegres, e cantaram e conversaram a noite toda, e finalmente mostraram a Birdalone um belo pequeno quarto no qual ficava uma cama de grama seca, onde ela se deitou e dormiu toda contente.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 413-419. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/413/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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