A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[449]Capítulo XVI Birdalone descobre a sua Senhora-bruxa Morta.
Foi algum tempo antes do meio-dia quando ela acordou, e o sol estava brilhando muito e quente. De alguma forma ela sentiu o peso do medo sobre ela, mesmo antes que tivesse voltado a si completamente, e não sabia o quê era que temia; mas quando ela convocou a mente que era mesmo o encontro com a sua antiga senhora, a carne dela de fato tremeu com a memória de angústia passada, mas valentemente ela se ergueu e encarou a habitação da bruxa a despeito do seu desamparo nu. Enquanto caminhava, ela olhou para a casa e não viu fumaça saindo da chaminé, mas pouco se maravilhou com isso, uma vez que ainda não era hora de cozinhar e o clima estava quente. Ela aproximou-se mais, e viu alguém sentado no banco sem a porta onde a bruxa costuma sentar-se; e o coração dela bateu rápido, pois ela viu que não era ninguém senão a senhora dela. Além disso, próximos a ela estavam três das vacas leiteiras mugindo inquietamente e como que em censura, exatamente como tais bestas costumam fazer fazer quando suas tetas estão cheias e elas desejam ser ordenhadas.
Birdalone demorou-se um minuto, e as pernas dela quase falharam por causa do medo, e então, por causa do medo mesmo, ela correu até que ela chegou dentro de dez passos da dita bruxa; e intensamente ela sentiu falta do seu arco e flechas, e da lâmina cortante da sua escuderia simulada, como medo de que a bruxa devesse erguer-se e vir furiosa e gritando sobre ela.
Então Birdalone falou em voz não fraca, e disse: ‘Dama, eu retorno para ti, como tu [450]vês, em mesmo em apuro tão grande como quando eu fugi de ti; e eu tenho uma intenção de residir nesta terra: que tu dizes?’ A bruxa nem se moveu nem falou diante da palavra dela; e as vacas, quem tinham mantido silêncio quando ela se aproximou inicialmente, e tinham se afastado dela, imediatamente recomeçaram seu mugido rabugento.
Birdalone aproximou-se mais um passo e disse: ‘Tu me ouves, dama, ou tu estás excessivamente irada comigo, e estás ponderando que vingança tu terás sobre mim?’ Ainda nenhuma mudança veio da bruxa e as vacas continuavam mugindo agora e novamente. Mas uma vez Birdalone aproximou-se, e falou alto e disse: ‘Diz-me finalmente, é paz entre nós ou não paz?’
Mas agora, quando ela olhou, ela viu que os olhos da bruxa estavam abertos e encarando, e os lábios dela brancos, e as mãos dela tinham se contorcido; e ela gritou e disse: ‘Ela está morta? Ou ela logo despertará e bater-me-á? Certamente ela está morta.’ E ela esticou a mão e tocou a face ela, e estava fria como pedra; e ela descobriu, além de toda dúvida, que ela estava morta.
Então um grande preso ergueu-se do coração dela, e ela virou-se de um lado para o outro e olhou para os campos, e alto para as árvores do bosque, e baixo para o córrego ondulante diante dela, e belo e doce e alegre eles tornaram-se para ela; e ela olhou para as vacas, quem estavam vindo na direção dela, e ela riu alegremente, e saiu para perto da casa e pegou um balde de ordenha e um banco e começou a ordenhá-las uma depois da outra, e as bestas desciam o campo mugindo em uma voz mudada, [451]por alegria, a saber, desta vez. Mas Birdalone ajoelhou-se e bebeu um longo gole do doce leite quente e, em seguida, levantou-se e entrou rapidamente na cada, e não viu nada mudado ou piorado até onde ela podia ver. Havia a própria cama dela, no canto, e a da senhora, muito maior e mais bela, no lado oposto ao dela; e arca perto da porta, na qual os mantimentos eram mantidos: ela abriu-a, e encontrou três fatias de pão na prateleira, e um contêiner de comida abaixo, e ela pegou uma fatia e quebrou-a e começou a comê-la enquanto ela caminhava para lá para cá na câmara. Lá estava o arco dela de pé, em um canto ao lado da arca, e a aljava de flechas pendurada sobre ele. Havia o banco estendendo-se perpendicularmente a partir do centro; e ela sorriu, e ajustou seus punhos para as costas do urso entalhado que formava o ângulo dele, no qual a bruxa costumava amarrá-lo quando ela a castigava.
Então ela foi aos cofres que ficavam perto da parede atrás dele, e levantou a tampa de um deles, e encontrou ali uma bata ou duas dela própria, amareladas pela passagem do tempo, e seu próprio antigo casaco verde, esfarrapado como ele estava quando ela o usou pela última vez, e agora um pouco ruído por traças além disso; e ela tirou ambas as batas e o casado e estendeu-os sobre o banco. Então ela abriu o outro cofre, e lá haviam vestidos e posses alegres e espalhafatosos do uso da bruxa; mas, estendendo-se em meio a eles, como se a bruxa também os tivesse usado, o seu vestido e calçado verdes, os quais as suas próprias mãos haviam bordado. Mas ela disse: ‘Não, vós estivestes em má companhia, eu não vos usarei, embora vós sois vistosos, pelo menos não até que vós tenhais sido desinfetados e consagrados para mim.’
[452]Com isso ela se virou para banco e colocou sua bata velha e seu esfarrapado casaco cinzento, e disse: ‘Pelo menos hoje estes serão suficientemente bons para o trabalho de hoje.’ E ela franziu a testa com isso, e caminhou com um passo firme para fora da porta e ficou de pé por um tempo observando o corpo morto da inimiga dela; e ela pensou como que aqui estava aquela coisa uma vez tão grande diante dela, para dar forma aos dias dela, e a qual tão frequentemente surgia nos pensamentos despertos dela depois dela ter escapado das mãos dela, (embora, como dito anteriormente, ela raramente sonhasse com ele durante a noite), e além disso, há uma hora, ela ainda a temia tão intensamente que escassamente poderia ficar de pé por causa do medo dela; e agora ela não era nada exceto um tronco esculpido para ela.
Mas ela disse a si mesma que o trabalho tinha de ser feito; assim ela arrastou o corpo dela dali, e através do riacho, e um pouco distante dentro do campo, e então ela retornou e buscou picareta e pá e começou a cavar uma cova para o corpo do seu terror morto. Mas por mais pesado que ela pudesse laborar, ela não tinha superado o trabalho antes que a noite começasse a cair sobre ela, e ela não tinha intenção para continuar com a escavação durante a noite. Portanto, ela retornou para dentro da casa, e acendeu velas, das quais não havia falta, e fez sua ceia com pão e leite; e ela sentou-se ponderando sobre a vida dela que tinha sido até que a paixão surgiu em seu peito, e as lágrimas irromperam, e longamente ela chorou por desejo de outros e piedade por si mesma. Então ela foi para cama com a qual outrora ela esteve acostumada, e deitou-se lá e adormeceu. [453]E a senhora dela não caminhou, nem interferiu com a paz dela; nem Birdalone nem mesmo sonhou com ela, mas com a mãe dela e com o mestre Jacobus na bela cidade de Cinco Ofícios; e no sonho dela ela chorou pensando neles.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 449-453. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/449/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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