A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XIV O Bote de Expedição desaparece da Ilha do Aumento Inesperado, e Birdalone busca escapar de lá nadando

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[442]Capítulo XIV O Bote de Expedição desaparece da Ilha do Aumento Inesperado, e Birdalone busca escapar de lá nadando.


Foi como antes que Birdalone veio à costa da ilha enquanto ainda era noite; mas o barco da feiticeira estava tão detestável com ela, que ela saiu dele e deitou-se sobre a terra pelo quê foi o resto da noite; contudo, dura ela considerou a cama dela, e nem gramada nem florida.

A despeito disso, ela dormiu, pois estava muito cansada, e era dia alto e não muito cedo quando acordou. Ela ficou de pé trêmula, pois ela pressagiava o mal, tão perto quanto ela estava da habitação da sua antiga senhora; e ela olhou para onde no passado ficava a casa bela e perversa, e viu que tudo estava de fato mudado; pois não mais a ilha era vistosa, com prado e pomar e jardim, mas estava arruinada e deserta, e nada crescia nela, exceto grama fina e dura, já se semeando mesmo antes que junho nascesse, e aqui e ali ervas duras e feias, escassamente com alguma coisa que poderia ser chamada de uma flor entre elas. Ainda havia árvores, mas a maioria delas completamente mortas, e as melhores morrendo rápido. Nenhuma besta ela viu, nem galinha; nada, exceto lagartos e besouros, e agora e então uma seca víbora cinza enroscada em torno de uma pedra queimada pelo sol. Mas de grande moscas carniceiras, verdes e azuis, havia muitas, e às vezes elas zumbiam ao redor da cabeça dela até que ela adoecia com o asco por elas. Tudo isso ela encontrou no caminho dela enquanto [443]ela subia na direção do lugar onde outrora ficava a grande escadaria externa. Mas quando, ela chegou ao topo de lá, não havia sinal ou dos degraus ou da casa, ou de alguma coisa que alguma vez foi construída; não havia nada, exceto o topo da inclinação descoberto, sem grama, ressecado pelo vento, queimado pelo sol, lavada pela chuva.

Ela perambulou ao redor da ilha, para lugares nos quais ela mesma não tinha estado, mas que ela considerava que poderia ter conhecido pelo relato do conto do Cavaleiro Verde, não tivesse havido mudança desde aqueles dias; mas agora tudo estava mudado, e a ilha inteira era uma mera ruína e, além disso, de aspecto venenoso para a mente dela, como se muitos corpos jazessem sob as pedras miseráveis dela. Mesmo assim, embora ela parecesse tão maligna para Birdalone, ela demorou-se nela, perambulando de um lado para o outro até que ela ficou cansada, pois ela não tinha vontade para partir em tempo tal que seria provável que ela chegasse ao seu antigo lugar de residência pela noite e com nuvens; portanto, ela demorou-se com o tempo, e não retornou ao porto do bote dela até que era perto do pôr do sol, e o sol que se dirige para o oeste estava aos olhos dela quando ela chegou lá; e ela disse a si mesma que essa era a causa de porque ela não podia ver o Bote de Expedição.

Assim ela limpou os olhos e olhou sobre a grama fina por um momento e, em seguida, para baixo, através da borda da terra, e ainda ela não viu o bote dela. Ela empalideceu, e uma dor de angustia surgiu no coração dela; mas ela caminhou um pouco para o leste, considerando que talvez ela tivesse errado quanto ao lugar do porto naquela costa enfadonha e vazia; contudo, não havia bote. Então ela retornou, descontrolada com terror, e procurou onde [444]outrora ela o tinha perdido, e não encontrou nem bote nem o fim do mundo. E ela considerou que poderia haver alguma malícia diabólica da criatura do Bote de Expedição, para a atormentar com medo, e ela caminhou ao longo da borda da água, para cima e para baixo, e para baixo e para cima, mais distante a cada vez, e ainda não havia bote.

Então ela permaneceu parada e esforçou-se para pensar, e pudesse ou não pudesse ela fazer alguma coisa, apenas estendeu as mãos e gemeu em agonia; pois agora, de fato, ela sentiu a si mesma na armadilha; e ela disse que toda sua vida passada de esperança e desejo e amor e honra foi toda por nada, e que ela apenas nasceu para morrer miseravelmente naquela ruína maligna de uma ilha envenenada com as memórias de crueldade e vergonha passadas.

Mas em pouco tempo ela voltou um pouco a si mesma e disse: ‘Pelo menos esta ilha horrenda não deverá zombar da minha angústia moribunda; eu me entregarei à água e que ela faça comigo o que desejar.’

Depois disso, ela tirou seu elmo e cota de malha primeiro, e as armas dela, e a bolsa dela com o tesouro, que não podia comprar nada para ela agora, e, depois disso, toda a vestimenta dela, até que ela estava nua como quando ela primeiramente veio a terra ali na outra vez. Novamente ela gemeu, e levou a mão ao peito e sentiu uma pequena caixa dourada lá entre as colinas flagrantes dos seios, a qual pendia em fio dourado ao redor do pescoço dela; e um pensamento surgiu na mente dela, e ela abaixou-se e tirou da sua bolsa sílex e eslabão, e então abriu a dita caixa dourada e tirou de lá a trança que Habundia, a esposa-do-bosque, tinha dado [445]a ela naqueles anos passados, e toda trêmula, ela tirou dois fios de cabelo dela, como outrora ela fez na Ilha do Nada, e inflamou fogo e acendeu madeira e queimou os ditos cabelos, e então pendurou a caixa dourada com a trança novamente lá ao redor do pescoço dela; e ela disse: ‘Oh mãe-do-bosque, se apenas tu pudesses saber de mim e ver-me, tu me ajudarias!’

Depois ela procurou ao longo do banco de areia pelo pão que ela tinha tirado da sua reserva naquela manhã, e ela encontrou-o, e compeliu a si mesma a comer dele para o fortalecimento do seu corpo, e então ela ficou de pé e aguardou notícias; e por então o sol tinha mergulhado há pouco no anel do lago, e as estrela começaram a brilhar, pois a noite estava sem nuvens, excessivamente bela e muito quente.

Nenhum sinal visível veio a ela, mas o coração dela tornou-se mais forte, e ela parecia ver a si mesma ainda viva e em esperança do outro lado da água; e ela disse: ‘Quem sabe o que o Destino pode fazer, ou para onde as águas podem me levar? E não há nadador mais forte do que eu.’

Assim então, sem mais delongas, Birdalone deslizou para dentro da água, a qual se estendia diante dela tão calma e plana como uma grande folha de vidro, e começou a remar com os braços e as pernas dela como se ela estivesse apenas nadando da Ilhota Verde para a terra firme, como tão frequentemente ela tinha feito em outros dias.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 442-445. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/442/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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