A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XX Birdalone conta a Habundia do Amor dela por Arthur, e obtém dela Promessa de ajuda nisso

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


Capítulo anterior


[465]Capítulo XX Birdalone conta a Habundia do Amor dela por Arthur, e obtém dela Promessa de ajuda nisso.


Por muito tempo elas se sentaram naquele dia, e até que o sol estivesse baixo, e por essa altura Birdalone tinha pouco para contar da história dela, pois ela já tinha chegado então aos dias da Cinco Ofícios. Muitas vezes ela tinha chorado e voltado-se para Habundia enquanto ela contava, não sem vergonha, mas sem nenhum disfarce, todo o conto do amor dela por Arthur o Escudeiro Negro, e como ela ficou surpresa pelo amor dele, e pela sabedoria, graça e encanto dele. E a mãe-do-bosque foi sempre tão doce e amável com ela quanto ela podia ser; contudo, pudesse outro do que um amante ter visto que muito tudo isso era estranho parar ela, e ela considerava Birdalone como uma criança quem tinha quebrado o brinquedo dela, e é difícil confortar pela perda disso, embora haja muito mais no mundo. Mas quando escureceu como dito acima, e era tempo de se separarem, ela falou para Birdalone e disse: ‘Verdadeiro é, minha criança, tu viveste muito nesse tempo de seis anos; nem eu me maravilho diante do aumento da tua beleza, e da majestade dela; pois bela é a vida que tens vivido, embora tu tenhas sido entristecida e atormentada por ela de vez em quando. E agora eu conheço pelo quê tu anseias; e aqui, novamente, eu desempenharei o papel de mãe para ti, e buscar aqui e ali para te trazer o que tu desejas ter; assim, não fica demasiado ansiosa ou perturbada; e tu podes ficar [466]bem aqui, como minha bela criança deveria ficar; pois isto eu tenho notado em ti, que o Amor não é um mestre tão tirano mas que seus servos podem às vezes pensar em outros assuntos e assim consolarem suas almas, para que eles vivam a despeito de tudo.’

Agora Birdalone levantou-se e ficou de pé, confusa e ruborizando, diante da sua amiga. Mas Habundia colocou as duas mãos nos ombros dela e beijou-a, e disse: ‘Vai para casa e dorme, e retorna novamente amanhã e ouçamos o final do teu conto; e, quando isso estiver feito, talvez eu deverei ser capaz de fazer alguma coisa para teu proveito.’

Assim elas separaram-se, e, pela manhã, Birdalone retornou e contou o resto da história dela, a qual não era tão longa agora que o Escudeiro Negro estava fora dela. E quando ela tinha terminado, Habundia manteve-se em silêncio por um tempo e, em seguida, ela disse: ‘Uma coisa eu te contarei, que, enquanto antigamente de fato era apenas raramente que qualquer filho de Adão poderia ser visto aqui na floresta, recentemente, quer dizer, dentro dos últimos três anos, há muitos entre nós; e para nossa consideração eles são bestas malignas, mais impiedosos e gananciosos do que qualquer urso; e embora nós não tenhamos nada a ver com eles, pois eles temem-nos e fogem de nós, nós deveríamos ter destruído todos eles. E agora que eu ouvi toda tua história, parece-me não tão improvável que esses possam ser remanescentes dos bandos do Domínio Vermelho, e que eles tenham se espalhado para cá fugindo diante da força dos teus amigos da cavalaria. Portanto agora, confia em mim que eu investigarei isso, mas eu preciso ficar longe daqui por um tempo; assim, [467]conserva tua alma em paciência, embora tu não ouças nada de mim, e habita quietamente em casa pelo espaço de tempo de sete dias, e então vem para cá e encontra-me, adeus agora, minha criança!’

Assim elas se beijaram e separaram-se; e Birdalone foi para casa em casa, e passou os dias depois fazendo o que era necessário ao redor do lugar, perambulando através dos campos, e nadando nas águas ao redor da Ilhota Verde; e os dias não foram inquietos para ela.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 465-467. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/465/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...