A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo IV Do Amor dos Filhos de Gerard e de Jacobus por Birdalone

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[385]Capítulo IV Do Amor dos Filhos de Gerard e de Jacobus por Birdalone


Agora Birdalone permaneceu descansada e em paz quando ela tinha sido levada para dentro da guilda junto com a mãe dela, e elas tinham escolhido as aprendizes devidas a elas; e elas começaram a acumular muito bens para elas, pois de bordado fino havia pouco produzido na Cinco Ofícios, e absolutamente nenhum que poderia ser colocado ao lado do trabalho delas, quer por causa da beleza do desenho dele, quer pela habilidade de trabalho manual. Ela declarou para todas as pessoas como que a esposa-pobre (quem tinha o nome de Audrey) era a mãe dela mesma, de quem ela tinha sido roubada nos dias mais jovens; mas ela não contou a ninguém nenhum conto de como ela foi roubada. E as duas moravam juntas na máxima gentileza amável; e foi com Audrey como ela tinha previsto, que, agora que os dias dela eram felizes em conforto e contentamento completos, a beleza da juventude dela retornou a ela, e ela tornou-se uma bela mulher para os anos dela; e com isso veio a ficar claro que as duas eram tão parecidas uma com a outra, que todos podiam ver que elas eram mãe e filha.

Gerard e seus dois filhos ela ainda manteve como homens dela; e não apenas eles foram de muito uso para ela em buscar e levar, mas também é verdadeiro que a beleza dela era tão manifesta, que às vezes ela necessitava de um forte rapaz armado às costas dela quando ela estava nas ruas ou em meio à multidão do mercado; e muitos eram eles, e embora dos mais elevados, quem [386]ansiavam pelo amor dela, alguns com honra, e alguns com falta dela.

Verdadeiramente, desses eram apenas dois que, de alguma maneira, incomodavam-na; e o maior problema era este, que ela não poderia deixar de ver que o amor por ela tinha entrado nos corações dos dois filhos de Gerard, Robert e Giles; de modo que havia vezes quando ela considerava que até ela tinha de os enviar embora, mas, quando se chegava à ocasião, ela não tinha o coração para isso; embora nenhum outro remédio parecia haver ali, tão intensamente como as almas deles estavam feridas pelo anseio por ela. Não deve ser dito que eles alguma vez falaram com ela disso, ou voluntariamente a cansaram com sinais de amor; mas eles não conseguiram esconder tão facilmente isso, mas estava sempre diante dos olhos dele. Mas ela tolerava tudo isso pelo bem da amizade e pelo serviço verdadeiro deles e, em toda amabilidade, fazia o que ela podia para suavizar o sofrimento deles. Verdadeiramente tão bom e verdadeiro ela considerava aquele amável pai, e os homens jovens tão vistosos e amáveis, que ela disse para si mesma; não tivesse ela outro homem estendido no coração dela, ela bem poderia ter escolhido um daqueles dois para ser o seu mesmo amigo de fala e amante verdadeiro.

O segundo galanteador que a incomodava era o mestre, Jacobus, quem, quando apenas três meses passaram-se da habitação dela na casa dela, suplicava de maneira completamente aberta o amor dela e oferecia casamento a ela, ele sendo um homem solteiro. Doloroso ficou o coração dela para que ela tivesse necessidade de lhe negar, tão amável e cortês como ele tinha sido com ela no primeiro encontro deles; embora isto verdadeiramente fosse verdadeiro, que imediatamente, tão logo ele a viu, ele foi capturado pelo amor a ela. [387]Seja como foi, negar-lhe ela necessita, e ele recebeu a negação tão intensamente que ele mal parecia um homem diante dela, e chorou e suplicou e lamentou muitas vezes diante dela, até que ela se cansou disso, e quase começou a desprezá-lo. De modo que finalmente se chegou a isto, que, um dia ela falou com ele e disse que ela não mais poderia suportar isso, mas tem de buscar outra casa e deixar a dele. Então houve o alvoroço, pois ele caiu de joelhos diante dela, e beijou os pés dela e, ela desejasse ou não, ele chorou em seu pesar, até que, finalmente, por puro cansaço da loucura dele, ela desistiu por causa ele, e disse que ela ainda moraria ali; no que ele se levantou dos pés dela e saiu com toda a tristeza esgotada nele por aquele momento, e um homem tão satisfeito de se olhar quanto você poderia ver em um dia de verão.

Mas na manhã seguinte ele veio até ela novamente, e ela, pensando que tudo ia começar de novo, não lhe fez nenhum semblante alegre; mas ele ficou de pé diante dela e falou amigavelmente, e disse como que ela estava no direito, e que se eles ambos moravam juntos em uma casa eles eram prováveis de ter apenas um tempo cansativo com isso, tanto ela quanto ele. ‘Mas,’ disse, ‘eu não desejo que tu partas desta casa, pois uma vistosa ela é, e inteiramente apropriada para ti; é para eu partir e não tu. Verdadeiramente eu te digo que eu inicialmente intencionava esta casa como um presente de mim para ti.’ E com isso ele tirou da sua bolsa um pergaminho, o qual era uma escritura de presente da dita casa, devidamente selado e atestado, e ele deu-o nas mãos dela; mas ela ficou intensamente movida com isso, e diante do semblante dele naquela manhã, e ela deixou o pergaminho cair no chão e chorou [388]com piedade dele, e estendeu ambas as mãos, e ele beijou-as, e então os lábios delas também, e vendo isso ele sentou ao lado dela. Mas ela disse: ‘Ai de mim! Que tu desejas me dar o que eu não posso aceitar, e desejas ter de mim o que eu não posso dar.’

Mas agora ele se tornou mais intenso, e disse: ‘Desta vez eu ordeno-te fazer minha vontade e aceitar meu presente. Não será para meu ganho se tu não o aceitares; pois eu não posso viver nesta casa quando tu tiveres saído dela; e eu juro por todos os santos que eu não deixarei ninguém a ter para alugar, nem eu a venderei, uma vez que tu a tornaste sagrada ao habitar nela.’

Ela ainda ficou muito movida pela maneira generosa dele, e ela disse: “Eu aceitarei teu presente então, e viverei aqui em honra de ti e da tua amizade; pois eu não tinha bem conhecimento de que tinhas intenção de me comprar com teu presente.”

Assim ela falou, e ele ficou de pé austero e severo, e assim ele partiu, e não a beijou novamente: embora parecesse que ela o teria permitido tivesse ele oferecido-o. Ou melhor, talvez, naquele momento, ele tivesse pressionado seu galanteio um pouco magistralmente, não estava tão certo senão que ela poderia ter concordado com ela, e permitido ele ter casado com ela e levado-a à cama; embora isso tivesse sido ruim, tanto para ele quanto para ela, depois.

Daí em diante Birdalone habitou com sua mãe e suas donzelas e seus homens naquela casa, e ela tornou-se famosa na Cinco Ofícios por causa da beleza e sabedoria dela, a qual não diminuía, mas crescia dia a dia; mas, mesmo assim, conforme o tempo passou, cresceram o anseio e a tristeza dela. Mas tudo isso ela escondia no próprio coração, e era jovial com todos a volta dela, e tão boa para o povo pobre que ninguém tinha nenhuma palavra exceto de benção sobre a beleza e sabedoria dela.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 385-388. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/385/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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