A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XVII Birdalone enterra o Corpo da Bruxa e descobre o Bote de Expedição Quebrado

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


Capítulo anterior


[454]Capítulo XVII Birdalone enterra o Corpo da Bruxa e descobre o Bote de Expedição Quebrado


Quando foi de manhã, Birdalone acordou, sentiu um peso sobre o coração dela e lembrou-se da tarefa que se estendia diante dela. Assim ela se levantou e vestiu e, indo diretamente para a cova, começou, e laborou duramente até que ela tinha cavado-a profundamente e depois ela arrastou a bruxa para dentro empilhou terra sobre ela. Então ela banhou-se no poço mais perto do riacho, retornou para casa e tomou café da manhã com pão e leite, e era então por volta do meio da manhã. Depois disso, ela ocupou-se com a casa, e cuidou de assar o pão, e assim saiu para o campo para ver as vacas e as cabras, e então armazenou o leite para a produção de manteiga e queijo, e fez de modo como se ela devesse habitar longamente naquele local; mas depois ela descansou o corpo, enquanto o pensamento dela ocupava-se amplamente. Mas ela disse a si mesma que não iria ao Carvalho do Encontro para se encontrar com a mãe-do-bosque naquele dia, mas permaneceria a noite, no caso de que alguma coisa acontecesse que ela devesse contar a ela.

Mas quando o sol estava ficando baixo, ela animou-se e saiu, e caminhou ao redor do campo, e ouviu com atenção a canção dos pássaros, e observou as vacas e as cabras enquanto elas comiam na pastagem a baixo; e agora uma satisfação suave veio sobre ela, de que tudo isso estava livre para ela manter em paz, e ter o [455]prazer dela, tanto quanto uma filha solitária de Adão poderia ter.

Finalmente ela perambulou abaixo, para o promontório arenoso do lago e permaneceu encarando a Ilhota Verde, onde os vimeiros e salgueiros tinham crescido selvagens e longos em todos esses anos, e ela disse que nadaria até lá pela manhã. Mas agora os pés dela a levaram para o leste dali, na direção do porto do Bote de Expedição em meio aos amieiros; pois, no coração dela, ela ficaria encantada em saber se havia quaisquer notícias para ela.

Assim ela avançou rapidamente no caminho ao lado da água, onde ela tinha acelerado tão rapidamente naquela última vez, e finalmente chegou à beira do riacho, e olhou para baixo sobre a água um pouco timidamente. Então ali ela viu o que ela considerou ser exatamente o bote mesmo, parado como ela o tinha conhecido; mas, quando olhou novamente, ela viu que ele estendia-se de proa a popa, todas as aduelas soltas com água entre elas, e os assentos e costelas todos separados e desfeitos, de modo que nunca novamente ele poderia flutuar sobre as águas. Então ela disse em uma voz suave: ‘Tu estás morto, então, como tua senhora está morta? Não foi então que tu estiveste a ponto de morte, e ela também, quando tu falhaste comigo na Ilha do Aumento Inesperado?’ Nenhuma voz veio a ela enquanto ela falava; e ela disse novamente: ‘Então eu tenho de de enterrar como eu enterrei tua senhora? Não, isso eu não farei até que tu me forces; talvez em um pouco tempo poucas das aduelas de ti deverão restar, agora que a vida está fora de ti. Que o teu fantasma e o dela reúnam-se se vós desejeis.’

Enquanto ela falava a última palavra, ele viu um movimento em torno da popa, a qual se estendia mais distante acima na angra, e [456]enquanto ela tremia com o coração falhando, oh!, uma grande serpente, coberta por fungos e peluda, cinza e salpicada de marrom, surgiu de sob a popa e entrou na água e assim para dentro da escuridão da madeira de amieiro. Birdalone permaneceu um tempo pálida e abatida de medo, e, quando os pés dela sentiram vida neles, ela virou-se e moveu-se sorrateiramente de volta novamente para o prado verde e os baixos raios de sol, ponderando se essa criatura maligna era a aparição da criatura que conduzia o bote sob o sangue do emissário.

Assim ela se apressou de volta para a casa, e acendeu um fogo no centro, e começou imediatamente a cozinhar um pouco de sêmola para a ceia dela; e ela observou o fogo, pensando com isso: ‘Agora, se alguma pobre alma estiver ao mar, eles podem ver a fumaça e procurar aqui, e eu posso confortá-los com comida e abrigo e conversa; ou, quando a noite escurecer, eles podem ver as janelas iluminadas e vir a mim; portanto, o fogo ainda deve queimar e as velas ficarem acessas, pois, tão quente quanto é a noite, mesmo como se fosse a época de natal, e a neve profunda do lado de fora, e o vento uivando nas árvores da floresta.’ E com isso ela chorou por anseio daqueles que ela amava.

Mas em pouco tempo ela enxugou as lágrimas, e repreendeu-se por sua moleza excessiva; e ela comeu a ceia dela quando ela tinha acendido uma vela (pois estava escuro agora), e novamente sentou-se olhando para o centro, até que ela disse: ‘Agora eu estou ficando mole novamente, e quem sabe se minha moleza pode tentar os fantasmas para virem a mim. Eu daria a minhas mãos alguma coisa para fazer.’

[457]Com isso, o olho dela apercebeu-se dos buracos e trapos do seu velho vestido cinza, e ela riu um pouco tristemente enquanto lembrava-se da sua galante vestimenta de cavaleiro, a qual agora jazia na praia da ilha maligna e arruinada; e da vestimenta vistosa dela dos dias da Cinco Ofícios; e da rica vestimenta na qual os amigos dela do Castelo da Busca a tinham trajado. Então ela levantou-se e buscou agulha e linha e alguns restos de tecido verde e começou a alinhavá-lo às presas e a remendá-lo, e assim ela se sentou em trabalho de costura de vestido até que a noite ficou velha e ela cansada e o sono a dominou, e ela deitou-se na cama dela e dormiu sem sonhos até que o sol estava alto na manhã seguinte.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 454-457. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/454/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...