A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[468]Capítulo XXI Como a Esposa-do-bosque entrou na Cabana, e uma Maravilha que aconteceu naquele Lugar.
Mas quando era o sexto dia desde que aquelas duas tinham se encontrado, Birdalone levantou-se pela manhã e permaneceu de pé à porta da casa, e ela olhou na direção da campina que subia para o bosque e viu alguém a descendo, e soube que era Habundia trajada em sua vestimenta de caça e carregando alguma coisa sobre o braço esquerdo, pois o arco dela estava na mão direita. Assim Birdalone correu para a encontrar, e abraçou-a e beijou-a, e ficou feliz com ela, e disse: ‘Querida mãe, tu viajaste longe com tua rapidez hoje.’ Disse Habundia: ‘Não há nada nas campinas agora, exceto o gado e as cabras e tu; nenhum daquela gente da qual eu fico receosa. Mas pode acontecer que tu devas ficar receosa para vir comigo para dentro das profundezas do bosque, pois para lá eu desejo te conduzir.’ ‘Eu não temerei nada contigo ao meu lago,’ disse Birdalone. ‘Mas vem agora e olha a casa que eu conquistei para mim.’ E ela pegou a mão dela e conduziu-a adiante; e a esposa-do-bosque não falou mais nada até que elas cruzaram o riacho e estavam de pé perto da varanda.
Então disse Birdalone: ‘Tu tens um vestido verde sobre teu ombro; isso também é para mim?’ ‘Sim, certamente,’ disse Habundia; ‘o velho trapo que tu tens sobre ti, e que tu amas tão intensamente, não é bom o suficiente para minha companhia; e o vestido com brilho que eu te dei pode ser fino demais para os espinheiros e as sarças, e, além disso, tu pode ser excessivamente [469]vista se tu portares aquela luz do sol bordada em meio aos galhos. Portanto, entra agora e coloca este outro casaco, embora as fadas tenham produzido-o e, em seguida, sai para mim com teu arco e tua aljava, e eu deverei conseguir-te calçado e sandália e cinto além disso.’
‘Não, mãe-do-bosque,’ disse Birdalone, ‘consagra minha casa ao entrar nela, e come um bocado comigo e bebe o vinho do povo de chifre antes que nós sigamos em nossos caminhos.’
Habundia sacudiu a cabeça e franziu as sobrancelhas um pouco enquanto ela olhava durante para a casa; então ela disse: ‘Eu não sei, filha de Adão; eu tenho pouco a ver com casas, e duvido de se uma casa seja segura para mim. E esta que a bruxa construiu! E talvez ela tenha enterrado algum ser humano em um dos seus quatro cantos. Dize-me, bela criança, alguma vez tu viste aqui a forma de um jovem coroado com uma grinalda perdido ao redor da casa?’
‘Não, absolutamente nunca,’ disse Birdalone. Disse a esposa-do-bosque: ‘Então tu a consagraste com a sabedoria e o amor de ti, e eu posso aventurar-me; e, além disso, eu noto que ela é toda construída de árvores e da grama da terra; e tu estás livre para as usar por minha permissão. Mas, se alguma coisa acontecer com minha entrada sob teu teto, não presta muita atenção a isso, mas pensa, qualquer que o meu aspecto possa ser, eu sou tua mãe-do-bosque e mãe-sabedoria que te ama. Eu também te ordeno, deseja com toda tua força que meu aspecto possa não mudar para ti. Também, se eu comer, é melhor que tu não consagres a comida como [470]os filhos de Adão estão acostumados. Conduza para dentro, então; pois agora eu me tornei voluntariosa, e entrarei seja o que for que aconteça.’
Birdalone maravilhou-se diante dessas palavras, mas ela imediatamente começou a desejar fortemente que a amiga dela não pudesse perder sua amável forma jovem nesta ocasião ou nunca, e ela tomou a mão dela, a qual tremia um pouco, e conduziu-a através da soleira; e quando elas estava sob o teto pareceu para ela que a mãe-do-bosque diminuiu de uma maneira maravilhosa, embora a face dela fosse tão doce e os membros dela fossem tão bem-feitos como sempre; e ela riu estridentemente, contudo docemente, e falou em uma clara voz fina: ‘Birdalone, minha querida, deseja fortemente, deseja fortemente! Embora tu não deverás ver nada pior de mim do que isto.’ E ela escassamente de três pés de altura, mas tão bela como uma pintura.
Diante disso Birdalone ficou realmente assustada, mas ele desejou tudo que ela pôde, e baixou-se para beijar essa criatura; e depois disso novamente a esposa-do-bosque pareceu crescer novamente tão grande e alta como ela sempre foi, e a voz dela surgiu cheia e forte novamente, enquanto ela ria e dizia: ‘Agora tudo está terminado por esta vez, e eu vejo quão bem tu me amas; e eu suplico-te, não me ames menos por causa desta maravilha que tu viste em mim. Mas agora seria melhor que eu nunca mais entrasse debaixo de um teto novamente.’ E ela colocou os braços ao redor de Birdalone e agarrou-a amavelmente; e feliz ficou Birdalone ao senti-la tão forte e sólida novamente.
Então elas sentaram-se à mesa e começaram uma refeição simples de pão e queijo e amoras silvestres, e além disso beberam leite; e a mãe-do-bosque ficou feliz, e os sorrisos dançaram através da face dela enquanto ela olhava para Birdalone com toda gentiliza amável, [471]de modo que Birdalone ponderou sobre o quê havia adiante; mas, tão despreocupada e alegre ela se tornou, que ela considerou que não poderia ser nada exceto o bem.
Mas quando elas tinham comido, então Birdalone tirou o seu velho casaco, o qual ela disse que era suficientemente adequado para o labor do dia, e colocou o belo vestido verde de caça e o calçado de sandália, e colocou o belo cinto que Habundia tinha trazido para ela, e puxou para cima as dobras do vestido dela através dele, até que as pernas dela estavam completamente livres das saias. E Habundia olhou para ela, e riu e disse: ‘Agora são essas pernas brancas e lisas tão ruins quanto o vestido com brilho para ficarem escondidas; mas isso pode não ser melhor, e tu deves puxar tuas saias para baixo e cambalear, se necessário for, quando nós chegarmos à emboscada.’
Birdalone ruborizou enquanto ela ria diante da palavra, e baixou o arco dela e pendurou a aljava dela nas suas costas e guardou a faca dentro do cinto, e adiante ambas elas caminharam, e logo passaram a curva que subia das campinas e entrava em meio às árvores de Habundia.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 468-471. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/468/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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