A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[401]Capítulo VII Birdalone chega a Greenford e ouve sobre a Devastação do Castelo da Busca
Agora entrou Birdalone cavalgando em Greenford uma hora antes do pôr do sol em um dia do último fim de maio; e ela não teve dúvida senão ir diretamente para a estalagem, e isso visto que pouco ela não tinha permanecido lá antes, como tinha sido dito. Para eles que serviu ela ter contado o conto do voto de que ela não poderia tirar a selada dela por sete dias; e alguns acreditaram nela, e alguns consideraram-na uma mulher, mas visto que, pela vestimenta dela, ela parecia ser de condição, ninguém se intrometeu com ela. Além disso, como ela contou que a intenção dela era cavalgar cedo pela manhã, isso importava menos para eles; ao mesmo tempo ela deixou escapar que ela vinha de terras estrangeiras, como verdadeiramente era.
À noite ela sentou-se no salão, e com ela estavam sentados três mercadores viajando com seus artigos e dois bons homens da cidade; e eles estavam conversando, e eles eram corteses e alegres, e em meio à conversa deles eles lançavam muitas olhadelas para a jovem escudeira esbelta e bela, como Birdalone parecia, e ficaram inclinados a falar com ela, mas abstiveram-se por uma questão de cortesia. Pela parte dela, Birdalone ansiava intensamente para os perguntar alguma coisa do Castelo da Busca, mas as palavras agarravam-se na garganta dela por muito medo; e ela sentou-se inquieta e ansiosa. Contudo, finalmente disse um citadino para um mercador: ‘Tu vais para o Domínio Vermelho, mestre Peter, quanto tu [402]tiveres terminado aqui?' Birdalone tornou-se muito pálida diante daquela palavra; e mestre Peter falou: ‘Sim, certamente, vizinho, se o povo deixar alguma coisa em meus pacotes para outros comprarem.’ Ele falou em uma voz jovial, como se ele estivesse feliz, e os outros riram juntos, como se eles estivessem bem satisfeitos e em bom contentamento. E agora, considerou Birdalone, seria o momento dela falar, se ela desejava aprender algo; assim ela finalmente obrigou a si mesma e falou, embora em uma voz trêmula: ‘Então me parece, mestres, que esta boa cidade está progredindo agora? Eu pergunto isso porque eu sou um estrangeiro nessas partes por tanto tempo, e agora eu retorno para cá satisfeito, devesse eu encontrar a terra em boa paz: pois talvez eu possa assumir minha residência por aqui.'
Os bons homens voltaram-se para ela e sorriram amavelmente quando eles ouviram a doçura da voz dela; e um deles disse: ‘Sir da celada, tu deverás ficar contente com a paz nesta terra, e o progresso do seu povo; os próprios vilões das redondezas vivem tão bem quanto os homens livres na maioria das terras, e os agricultores e vavassalos estão trajados como se eles fossem cavalheiros da casa de um bom senhor. Verdadeiramente as casas deles são tanto vistosas quanto agradáveis de entrar; e isso é bom, considerando que lá nunca se carece de boa comida e bebida na mesa. E além disso, as mulheres deles estão sempre buscando seja o que for que seja belo e vistoso, seja o que for rebuscado e dificilmente obtido, do quê os mercadores também progridem, como tu bem podes considerar. Ah! É uma terra vistosa agora!’
Os outros acenaram com a cabeça e sorriram. Mas Birdalone falou, endurecendo o coração para isso, pois muito necessário: [403]‘Então talvez haja uma mudança de dias aqui, pois quando eu soube da terra pela última vez havia pouca paz lá.’ ‘E isso não foi há muito tempo,’ disse um citadino, sorrindo, ‘pois eu duvido de que nós deveríamos ver algum cabelo grisalho em tua cabeça se tua celada fosse tirada.' Birdalone ruborizou: ‘Será aproximadamente cinco anos passados,’ disse ela. ‘Sim, sim,’ disse o citadino, ‘nós estávamos começando a dar um fim à ausência de paz então, e foi a hora mais escura antes do amanhecer; pois há cinco anos, nós e os bons cavaleiros do Castelo da Busca estávamos situados diante das muralhas do Domínio Vermelho. Verdadeiramente, nós limpamos aquele covil de diabos naquele momento e local.’ ‘O que aconteceu com ele depois que vós o conquistastes?’ disse Birdalone, e ela tremeu com isso. Disse o citadino: ‘Tu não ouvistes do Escudeiro Negro, um cavaleiro muito valente, uma vez que disseste que conheceste esta região interiorana?' Ela curvou a cabeça em afirmativa, pois dessa vez ela considerou difícil falar.
‘Bem,’ disse o citadino, ‘nós mantivemos guarnição no Domínio Vermelho por aproximadamente três meses, e depois nós imploramos que ele viesse e fosse o nosso capitão lá; pois, mesmo depois que o Domínio foi conquistado, ainda havia um tipo de fugitivos que assombravam o campo, homens que não tinham ofício exceto roubar e matar. E verdadeiramente nós conhecíamos esse lorde Arthur ser o mais perspicaz e hábil dos homens de armas; assim ele concordou com o nosso pedido, e fez tudo que ele pôde lá, e, verdadeiramente, isso era tudo que havia para fazer; pois ele sempre estava a cavalo e a trabalho. Verdadeiramente ele não era um homem feliz, exceto quando ele estava mais ocupado; e pouco ele falava em salão ou câmara, senão ele tinha sido [404]mais amado. Mas, pelo menos, por nenhum homem melhor a terra poderia ter sido servida.'
Houve um pouco de silêncio, e Birdalone tornou-se mortalmente pálida; então ela lutou consigo mesma e disse: ‘Tu disseste, ele foi e ele era; ele está morto, então?’ Disse o citadino: ‘Não para o nosso conhecimento. Quando nós tínhamos trazido a terra à boa paz, o quê foi há aproximadamente três anos, ele seguiu seus caminhos a partir do Domínio Vermelho completamente sozinho, e nós não mais o vimos. Mas algumas pessoas consideram que ele tenha entrado para a religião.'
O coração de Birdalone adoeceu, e ela pensou consigo mesma que agora tudo devia começar novamente; contudo, ela sentiu que o pior tinha passado, uma vez que ele não estava morto, e ela foi capaz de pensar no quê ela deveria fazer. Assim ela disse: ‘Talvez ele tenha retornado para o Castelo da Busca?’ ‘Não, não,’ disse o citadino, ‘Isso não pode ser; pois a casa está devastada agora; não há ninguém que habite lá, exceto, pode ser, agora e novamente um camponês ou uma camponesa andarilho habite lá um dia ou dois.’ Disse Birdalone: ‘Como isso aconteceu? Ou para onde foi o sir Hugh, o Cavaleiro Verde?’ Disse o citadino: ‘Nós conhecíamos bem o Cavaleiro Verde; franco e livre e alegre era ele; todos os homens o amavam; e a dama dele e amiga de fala, ninguém nunca viu alguém mais amável, e tão amável quanto ele era. Mas nós não pudemos manter ele conosco; eles foram-se para o próprio país deles. Sir Hugh deixou o Castelo da Busca aproximadamente três meses depois do Escudeiro Negro vir a nós como capitão, e ele confiou o castelo ao sir Geoffey de Lea, um homem de guerra idoso e sábio. Mas não muitos meses depois, nós [405]ouvimos que ele também tinha partido, deixando-o desguarnecido de homens; e nós consideramos que a causa disso é que alguma coisa estranha foi vista e ouvida naquele lugar, o qual o povo não pode suportar. Não é assim, meus mestres?'
Todos eles concordaram, e a conversa prosseguiu para outros assuntos. Quanto a Birdalone, embora a esperança dela de chegar entre amigos estivesse tão completamente desfeita, contudo, ela não viu o quê fazer exceto seguir em seus caminhos para o Castelo da Busca, e ver se, talvez, ela poderia encontrar quaisquer notícias lá. E ela disse para si mesma que, se o pior chegasse ao pior, ela mesma habitaria lá como uma eremita do amor; ou talvez, encarar aquelas coisas estranhas e ver se quaisquer novidades poderiam ser extorquidas delas.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 401-405. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/401/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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