A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XXII Birdalone caminha no Bosque em companhia de Habundia

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[472]Capítulo XXII Birdalone caminha no Bosque em companhia de Habundia.


Agora, enquanto elas seguiam levemente em seus caminhos através do bosque, Habundia falou e disse: Birdalone, minha criança, belo é o anel dourado com a pedra de safira que o terceiro dedo da tua mão direita porta; raramente eu vi uma pedra tão bonita quanto essa azul profundo; pende algum conto em relação a isso?Disse Birdalone: ‘Eu não te contei disso, mãe-do-bosque, como aquele meu amado que está perdido deu-o para mim na última vez que eu o vi, ai de mim, vale a pena?’ ‘Não,’ disse Habundia, ‘eu não me lembro do conto. Mas tu consideras que ele o conheceria novamente se ele o visse?’ ‘Sim, certamente,’ disse Birdalone, inclinando a cabeça; ‘pois quando ele primeiro me deu, o presente não era para mim, mas para outra mulher.’ E ela manteve-se em silêncio, e prosseguiu com a cabeça inclinada e todo contentamento desaparecido dela por um tempo.

Finalmente, ela voltou-se para Habundia e disse: Eu agora me lembrei de te perguntar para onde nós estamos indo e em qual missão; pois inicialmente eu fiquei tão feliz de coração, eu não sei porque, e era tão alegre caminhar no bosque contigo livremente, que eu não tive nenhum pensamento em mim quanto de para onde e porquê. Mas agora tu me contarás?

Disse a esposa-do-bosque: E se eu devesse contar-te que nós estamos indo caçar?Birdalone disse: ‘Então eu deveria te perguntar com o que a presa se parecia.’ ‘E suponha-a fossem homens?’ disse a esposa-do-bosque. Birdalone tornou-se um pouco pálida. ‘Minha mãe,’ ela [473]disse, ‘se nós estamos indo contra alguns daqueles homens dos Bandos Vermelhos, eu não fico feliz com isso. Eu não sou guerreira, e temo golpes.’ Disse Habundia, rindo: ‘Contudo, tu és uma arqueira feroz; e tu podes atirar a partir de uma tocaia de folhas espessas, uma vez que hoje é junho.’ ‘Mas nem eu mataria ou machucaria qualquer homem,disse Birdalone, ‘exceto se fosse para me salvar de morte presente.’

Habundia olhou para ela com um sorriso astuto e disse: Bem, talvez se nós tomarmos cobertura e chegarmos ao alcance da nossa presa tu não deverás necessitar apressar uma flecha para ele. Portanto, tem paciência. Pois essa que eu marquei é uma besta estranha; ele não é ruim de se olhar, e a voz dele, pois às vezes ele canta, é antes doce que grosseira.’ ‘O que tu queres dizer, mãe?disse Birdalone, ruborizando e então empalidecendo de novo; ‘que homem é este? Uma vez que o tu o chamares de uma besta é uma piada, não é?’

Não,disse Habundia, eu nem o conheço nem o nomeio; apenas eu não o considero, de maneira nenhuma, ser um do Bando Vermelho. Quanto ao resto, ele pode ser um homem em uma pele de besta, ou uma besta em uma pele de homem, pois alguma coisa eu conheço; considerando que ele parece, até onde eu o tenho visto, ser não inteiramente semelhante a homem ou inteiramente semelhante a besta. Mas agora, mantenhamos nosso silêncio para ele até que nos aproximemos da toca dele.

Assim elas seguiram seu caminho, e Birdalone falou bem pouco, enquanto que a esposa-do-bosque foi de muitas palavras e alegre. Elas fizeram toda diligência, pois Birdalone não se cansou logo e, além disso, visto que agora ela estava ansiosa e impaciente para ver o que aconteceria, [474]o quê ela não poderia senão considerar que seria alguma coisa grande.

Elas caminharam sem parar até passado o meio-dia, quando elas chegaram a um pequeno vale sombreado através do qual corria um córrego claro; ali elas descansaram e banharam-se e, depois disso, sentaram-se sob os galhos e comeram a comida deliciosa que a esposa-do-bosque providenciou, de qualquer maneira que ela a obteve; e quando elas tinham descansado por um tempo, a esposa-do-bosque virou-se para falar uma vez mais de Arthur, o Escudeiro Negro, e mandaria Birdalone contar-lha que modo inteiramente belo de homem ele era; e Birdalone não ficou nada relutante com isso; pois, tivesse ela o desejo dela, ela tinha falado sobre ele o dia inteiro.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 472-474. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/472/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XXI Como a Esposa-do-bosque entrou na Cabana, e uma Maravilha que aconteceu naquele Lugar

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[468]Capítulo XXI Como a Esposa-do-bosque entrou na Cabana, e uma Maravilha que aconteceu naquele Lugar.


Mas quando era o sexto dia desde que aquelas duas tinham se encontrado, Birdalone levantou-se pela manhã e permaneceu de pé à porta da casa, e ela olhou na direção da campina que subia para o bosque e viu alguém a descendo, e soube que era Habundia trajada em sua vestimenta de caça e carregando alguma coisa sobre o braço esquerdo, pois o arco dela estava na mão direita. Assim Birdalone correu para a encontrar, e abraçou-a e beijou-a, e ficou feliz com ela, e disse: ‘Querida mãe, tu viajaste longe com tua rapidez hoje.’ Disse Habundia: ‘Não há nada nas campinas agora, exceto o gado e as cabras e tu; nenhum daquela gente da qual eu fico receosa. Mas pode acontecer que tu devas ficar receosa para vir comigo para dentro das profundezas do bosque, pois para lá eu desejo te conduzir.’ ‘Eu não temerei nada contigo ao meu lago,’ disse Birdalone. ‘Mas vem agora e olha a casa que eu conquistei para mim.’ E ela pegou a mão dela e conduziu-a adiante; e a esposa-do-bosque não falou mais nada até que elas cruzaram o riacho e estavam de pé perto da varanda.

Então disse Birdalone: Tu tens um vestido verde sobre teu ombro; isso também é para mim?’ ‘Sim, certamente,disse Habundia; ‘o velho trapo que tu tens sobre ti, e que tu amas tão intensamente, não é bom o suficiente para minha companhia; e o vestido com brilho que eu te dei pode ser fino demais para os espinheiros e as sarças, e, além disso, tu pode ser excessivamente [469]vista se tu portares aquela luz do sol bordada em meio aos galhos. Portanto, entra agora e coloca este outro casaco, embora as fadas tenham produzido-o e, em seguida, sai para mim com teu arco e tua aljava, e eu deverei conseguir-te calçado e sandália e cinto além disso.

Não, mãe-do-bosque,disse Birdalone, consagra minha casa ao entrar nela, e come um bocado comigo e bebe o vinho do povo de chifre antes que nós sigamos em nossos caminhos.

Habundia sacudiu a cabeça e franziu as sobrancelhas um pouco enquanto ela olhava durante para a casa; então ela disse: ‘Eu não sei, filha de Adão; eu tenho pouco a ver com casas, e duvido de se uma casa seja segura para mim. E esta que a bruxa construiu! E talvez ela tenha enterrado algum ser humano em um dos seus quatro cantos. Dize-me, bela criança, alguma vez tu viste aqui a forma de um jovem coroado com uma grinalda perdido ao redor da casa?’

Não, absolutamente nunca,disse Birdalone. Disse a esposa-do-bosque: ‘Então tu a consagraste com a sabedoria e o amor de ti, e eu posso aventurar-me; e, além disso, eu noto que ela é toda construída de árvores e da grama da terra; e tu estás livre para as usar por minha permissão. Mas, se alguma coisa acontecer com minha entrada sob teu teto, não presta muita atenção a isso, mas pensa, qualquer que o meu aspecto possa ser, eu sou tua mãe-do-bosque e mãe-sabedoria que te ama. Eu também te ordeno, deseja com toda tua força que meu aspecto possa não mudar para ti. Também, se eu comer, é melhor que tu não consagres a comida como [470]os filhos de Adão estão acostumados. Conduza para dentro, então; pois agora eu me tornei voluntariosa, e entrarei seja o que for que aconteça.’

Birdalone maravilhou-se diante dessas palavras, mas ela imediatamente começou a desejar fortemente que a amiga dela não pudesse perder sua amável forma jovem nesta ocasião ou nunca, e ela tomou a mão dela, a qual tremia um pouco, e conduziu-a através da soleira; e quando elas estava sob o teto pareceu para ela que a mãe-do-bosque diminuiu de uma maneira maravilhosa, embora a face dela fosse tão doce e os membros dela fossem tão bem-feitos como sempre; e ela riu estridentemente, contudo docemente, e falou em uma clara voz fina: ‘Birdalone, minha querida, deseja fortemente, deseja fortemente! Embora tu não deverás ver nada pior de mim do que isto.’ E ela escassamente de três pés de altura, mas tão bela como uma pintura.

Diante disso Birdalone ficou realmente assustada, mas ele desejou tudo que ela pôde, e baixou-se para beijar essa criatura; e depois disso novamente a esposa-do-bosque pareceu crescer novamente tão grande e alta como ela sempre foi, e a voz dela surgiu cheia e forte novamente, enquanto ela ria e dizia: ‘Agora tudo está terminado por esta vez, e eu vejo quão bem tu me amas; e eu suplico-te, não me ames menos por causa desta maravilha que tu viste em mim. Mas agora seria melhor que eu nunca mais entrasse debaixo de um teto novamente.’ E ela colocou os braços ao redor de Birdalone e agarrou-a amavelmente; e feliz ficou Birdalone ao senti-la tão forte e sólida novamente.

Então elas sentaram-se à mesa e começaram uma refeição simples de pão e queijo e amoras silvestres, e além disso beberam leite; e a mãe-do-bosque ficou feliz, e os sorrisos dançaram através da face dela enquanto ela olhava para Birdalone com toda gentiliza amável, [471]de modo que Birdalone ponderou sobre o quê havia adiante; mas, tão despreocupada e alegre ela se tornou, que ela considerou que não poderia ser nada exceto o bem.

Mas quando elas tinham comido, então Birdalone tirou o seu velho casaco, o qual ela disse que era suficientemente adequado para o labor do dia, e colocou o belo vestido verde de caça e o calçado de sandália, e colocou o belo cinto que Habundia tinha trazido para ela, e puxou para cima as dobras do vestido dela através dele, até que as pernas dela estavam completamente livres das saias. E Habundia olhou para ela, e riu e disse: ‘Agora são essas pernas brancas e lisas tão ruins quanto o vestido com brilho para ficarem escondidas; mas isso pode não ser melhor, e tu deves puxar tuas saias para baixo e cambalear, se necessário for, quando nós chegarmos à emboscada.

Birdalone ruborizou enquanto ela ria diante da palavra, e baixou o arco dela e pendurou a aljava dela nas suas costas e guardou a faca dentro do cinto, e adiante ambas elas caminharam, e logo passaram a curva que subia das campinas e entrava em meio às árvores de Habundia.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 468-471. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/468/mode/1up>


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EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XX Birdalone conta a Habundia do Amor dela por Arthur, e obtém dela Promessa de ajuda nisso

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


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[465]Capítulo XX Birdalone conta a Habundia do Amor dela por Arthur, e obtém dela Promessa de ajuda nisso.


Por muito tempo elas se sentaram naquele dia, e até que o sol estivesse baixo, e por essa altura Birdalone tinha pouco para contar da história dela, pois ela já tinha chegado então aos dias da Cinco Ofícios. Muitas vezes ela tinha chorado e voltado-se para Habundia enquanto ela contava, não sem vergonha, mas sem nenhum disfarce, todo o conto do amor dela por Arthur o Escudeiro Negro, e como ela ficou surpresa pelo amor dele, e pela sabedoria, graça e encanto dele. E a mãe-do-bosque foi sempre tão doce e amável com ela quanto ela podia ser; contudo, pudesse outro do que um amante ter visto que muito tudo isso era estranho parar ela, e ela considerava Birdalone como uma criança quem tinha quebrado o brinquedo dela, e é difícil confortar pela perda disso, embora haja muito mais no mundo. Mas quando escureceu como dito acima, e era tempo de se separarem, ela falou para Birdalone e disse: ‘Verdadeiro é, minha criança, tu viveste muito nesse tempo de seis anos; nem eu me maravilho diante do aumento da tua beleza, e da majestade dela; pois bela é a vida que tens vivido, embora tu tenhas sido entristecida e atormentada por ela de vez em quando. E agora eu conheço pelo quê tu anseias; e aqui, novamente, eu desempenharei o papel de mãe para ti, e buscar aqui e ali para te trazer o que tu desejas ter; assim, não fica demasiado ansiosa ou perturbada; e tu podes ficar [466]bem aqui, como minha bela criança deveria ficar; pois isto eu tenho notado em ti, que o Amor não é um mestre tão tirano mas que seus servos podem às vezes pensar em outros assuntos e assim consolarem suas almas, para que eles vivam a despeito de tudo.’

Agora Birdalone levantou-se e ficou de pé, confusa e ruborizando, diante da sua amiga. Mas Habundia colocou as duas mãos nos ombros dela e beijou-a, e disse: ‘Vai para casa e dorme, e retorna novamente amanhã e ouçamos o final do teu conto; e, quando isso estiver feito, talvez eu deverei ser capaz de fazer alguma coisa para teu proveito.’

Assim elas separaram-se, e, pela manhã, Birdalone retornou e contou o resto da história dela, a qual não era tão longa agora que o Escudeiro Negro estava fora dela. E quando ela tinha terminado, Habundia manteve-se em silêncio por um tempo e, em seguida, ela disse: ‘Uma coisa eu te contarei, que, enquanto antigamente de fato era apenas raramente que qualquer filho de Adão poderia ser visto aqui na floresta, recentemente, quer dizer, dentro dos últimos três anos, há muitos entre nós; e para nossa consideração eles são bestas malignas, mais impiedosos e gananciosos do que qualquer urso; e embora nós não tenhamos nada a ver com eles, pois eles temem-nos e fogem de nós, nós deveríamos ter destruído todos eles. E agora que eu ouvi toda tua história, parece-me não tão improvável que esses possam ser remanescentes dos bandos do Domínio Vermelho, e que eles tenham se espalhado para cá fugindo diante da força dos teus amigos da cavalaria. Portanto agora, confia em mim que eu investigarei isso, mas eu preciso ficar longe daqui por um tempo; assim, [467]conserva tua alma em paciência, embora tu não ouças nada de mim, e habita quietamente em casa pelo espaço de tempo de sete dias, e então vem para cá e encontra-me, adeus agora, minha criança!’

Assim elas se beijaram e separaram-se; e Birdalone foi para casa em casa, e passou os dias depois fazendo o que era necessário ao redor do lugar, perambulando através dos campos, e nadando nas águas ao redor da Ilhota Verde; e os dias não foram inquietos para ela.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 465-467. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/465/mode/1up>


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EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XIX Habundia oculta a Nudez de Birdalone com Vestimenta Feérica

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Por William Morris


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[463]Capítulo XIX Habundia oculta a Nudez de Birdalone com Vestimenta Feérica.


Na manhã seguinte Birdalone demorou-se ao redor da casa tão pouco quanto ela pôde, e então foi apressada para o bosque; e quando ela chegou à vista da Árvore de Encontro, oh! Lá estava Habundia diante dela, e as mãos dela ocupadas revirando vestimenta vistosa, de modo que era quase como se os dias tivessem retornado ao tempo do cativeiro, e a sentada sob o carvalho fosse Birdalone mesma lidando com a sua bata meio terminada.

Alegremente elas se encontraram e abraçaram uma a outra, e então falou a esposa-do-bosque: ‘Agora, tu, querida do mundo, eu não fui pior do que minha palavra, e, se tu te atreveres a usar a trama das fadas, tu logo deverá estar trajada tão vistosamente quanto tu alguma vez estiveste lá em meio à cavalaria; e em seguida teu conto, minha querida, e, se pode ser, a sabedoria da estéril esposa-do-bosque estabelecida nisso.’

E com isso ela colocou sobre os braços estendidos de Birdalone a vestimenta que ela tinha trazido com ela, e foi como se o raio de sol tivesse se lançado através da folhagem fechada do carvalho, e torna-se sombra dele um espaço inútil ao redor de Birdalone, tanto brilhava e resplandecia em brilho astuto o bordado do vestido; e Birdalone deixou-a cair à terra, e passou suas mãos e braços sobre o vestido fino costurado em seda amarela e branca, de modo que a trama dele parecia de creme e coalhada misturados; e ela [464]olhou para o calçado que estava ao lado do vestido, que era produzido tão bela e finamente que o trabalho era como o robe de penas de um lindo pássaro, do qual alguém escassamente pode dizer se é brilhante ou cinza, de mil tonalidades ou todo simples de cor. Birdalone tremeu pela alegria das coisas finas, e exultou em sua fala enquanto ela ajoelhava-se diante de Habundia para a agradecer: então, em uma piscadela, ela teve a vestimenta de pedinte tirada dela e depois o vestido se agarrou ao redor da sua nudez querida, e, em seguida, o vestido estava brilhando ao redor dela, e o cinto dourado abraçou os quadris dela como se ele os amasse dignamente; e Birdalone olhou para o bosque ao redor dela e riu, enquanto Habundia permaneceu em seu lugar e sorriu para ela com gentileza amável suave.

Mas em pouco tempo Birdalone estava sóbria; pois o pensamento de quão bela ela deveria parecer aos olhos do seu amado quando ela fosse revelada para ele no grande dia, jogou seu prazer leve e ansioso de lado; e ela pegou seus calçados do chão (pois ela não os tinha colocado), e sentou-se ao lado da esposa-do-bosque e começou a brincar com a maravilha deles; e dessa maneira, sem mais delongas, ela começou seu conto novamente, onde ela tinha deixado-o na última noite, quando ela tinha contado de como o Bote de Expedição estava acelerando através das águas na direção da Ilha do Jovem e do Velho.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 463-464. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/463/mode/1up>


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EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XVIII A Mãe-do-bosque vem a Birdalone e ouve a História Dela

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Por William Morris


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[458]Capítulo XVIII A Mãe-do-bosque vem a Birdalone e ouve a História Dela.


Agora Birdalone levantou, banhou-se e desjejuou e, em seguida, ocupou-se com seu trabalho com as bestas e a vacaria; mas todo aquele tempo pareceu longo para ela, até que ela tinha arco em mãos e aljava às costas, e estava dirigindo-se para o Carvalho de Encontro; e velozes foram os pés dela, e o coração dela batia rápido com a esperança de prazer.

Verdadeiramente, ela não teve demora longa, pois, escassamente ela tinha se sentado sob o carvalho antes que a mãe-do-bosque aparecesse a partir do bosquete, assim mesmo como na primeira vez que Birdalone a viu, e logo ela tinha seus braços ao redor de Birdalone e estava beijando-a e apertando-a. Então elas sentaram-se juntas sob a sombra da grande árvore, e mãe-do-bosque tratou muito bem a amiga dela com poucas palavras e essas foram simples, enquanto Birdalone chorava de alegria.

Finalmente, Birdalone falou: ‘Mãe-do-bosque, minha querida, eu olho tua face e vejo-te que tu não estás mudada de maneira nenhuma, de modo que me fazes lembrar da Birdalone que te encontrou aqui, quando ela estava perdida da Casa do Cativeiro, como um pássaro com uma corda na sua perna.’

Habundia sorriu para ela e disse: ‘Assim é que tu agora pareces mais velha do que eu mesma. Mais redondo e cheio é teu corpo, e teus membros, maiores e mais belos, e tua carne, mais elegante; tu és mais amável em todos os sentidos, e tal como eu tenho pensado de ti durante esses anos, exceto que tua face se tornou mais sábia e mais triste [459]do que poderia ser esperado.’ ‘Mãe,’ ela disse, ‘eu envelheci mais do que eu deveria pelo conto dos anos, pois eu tenho tido alegria e tristeza, e tristeza e alegria, e tristeza novamente; e agora que os anos passaram, a tristeza permaneceu e a alegria partiu, exceto esta alegria de ti e do dia de encontro que tão frequentemente eu tenho procurado.’

Disse a esposa-do-bosque: ‘Fosse eu ouvir a história de ti, eu considero mais provável que eu ficaria satisfeita de comprar tua alegria com tua tristeza, tanto aquela que foi quanto aquela que está por vir. E agora eu te pedirei diretamente para me contares todo teu conto, tanto quanto tu podes; e tudo tu podes contar-me, quem sou teu outro eu: e além disso eu tenho conhecimento de que não contaste de mim para ninguém que tu encontraste no mundo desde que nós estivemos juntas pela última vez: não é assim?’ ‘Em fé e em verdade é assim,’ disse Birdalone. Disse Habundia, depois dela ter olhado firme para Birdalone por um tempo: ‘Agora há isto que eu descubro em ti, que, embora tu ainda me chames de mãe-bo-bosque, tu não és minha filha como tu foste outrora, nem eu tua mãe; e eu não sei se fico contente ou triste com isso, uma vez que tu és mesmo tanto minha amiga quanto tu alguma vez foste. Mas muito eu regozijo-me nisto, que tu não contaste a nenhuma alma sobre mim.’

Disse Birdalone: ‘Eu tenho de te contar que aquela parte do conto que eu deverei te contar é de como eu encontrei minha mãe na carne e amei-a intensamente; e então eu a perdi novamente, pois ela está morta.’

Respondeu a esposa-do-bosque, sorrindo amavelmente para ela: ‘Então eu deverei ser ainda mais tua mãe do que outrora [460]eu fui: há mais alguma coisa em teu conto, querida.’

Então Birdalone ruborizou intensamente, e ela sorriu lamentavelmente na face de Habundia; mas em seguida ela ergueu as mãos para esconder a mudança ali que a angústia da espera operou, e os ombros dela tremeram e o peito dela pesou, e ela chorou amargamente; mas a esposa-do-bosque ainda olhava para ela sorrindo e finalmente disse suavemente: ‘Sim, quão doce seria ser lamentada com tua dor.’

Mas em um momento, Birdalone acalmou-se novamente e um sorriso mesmo floresceu na face dela, e elas beijaram-se. Em seguida, Habundia ergueu-se e olhou para ela, e finalmente disse e riu com isso: ‘Uma coisa eu tenho de dizer, que tu não te trouxeste vestimenta de preço dos casas de cavalaria e dos reis; ou eu não vi teu casaco verde de outrora, enquanto tu estava vivendo em meio à crueldade da bruxa?’ ‘Sim, verdadeiramente,’ disse Birdalone; ‘tu não necessitas perguntar isso.’ ‘Verdadeiramente não,’ disse Habundia, ‘nem porque tu não estás envolta em bela bata verde, a qual tu bordaste; pois às vezes eu vi a bruxa ostentado-a no desajeitado corpo feio dela, e tu não a usa depois de ela ter amaldiçoado-a com a imundície dela. Não é assim?’ ‘Sim, é assim mesmo,’ disse Birdalone; ‘tu me amas menos por causa disso?’ Habundia riu novamente: ‘Fosse eu um homem dos filhos de Adão,’ ela disse, ‘eu poderia produzir-te muitas palavras sobre a aparência do teu casaco curto, e a amabilidade dele, que estará para sempre escorregando de um ou outro dos teus ombros. Mas agora eu sou pelo menos suficientemente tua mãe, e tu estás habitando tanto [461]assim na minha casa que, da próxima vez que nos encontrarmos (e essa deverá ser amanhã), eu deverei trazer-te vestimenta que deverá fazer-nos esquecer que tu retornaste para esta terra tão nua quanto tu partiste daqui.’

Birdalone ruborizou e baixou a cabeça, mas a mãe-do-bosque sentou-se ao lado dela e beijou-a e disse: ‘Mas agora, esquece-te de tudo, exceto do teu conto, e conta tudo tão rigorosamente quanto tu podes, pois eu não quero perder nada disso.’ ‘Sim,’ disse Birdalone; 'e por onde eu deverei começar?’ Disse Habundia: ‘Eu não conheço nada disso exceto do começo, que tu fugiste nua e escapaste da bruxa; e o fim, a saber, que o Bote da Expedição falhou-te na última das Ilhas Maravilhosas e que tu me convocaste, não inteiramente em vão, considerando que a bruxa estava morta e, portanto, não havia nada para me impedir de te enviar uma de minhas árvores e a criatura de lá (quem, talvez, eu possa mostrar-te um dia) para te salvar do fundo da água profunda.’

Diante daquela Birdalone jogou-se sobre a esposa-do-bosque e apertou-a e beijou-a, e agradeceu-a pela ajuda com todas as palavras mais queridas que ela podia. Mas a esposa-do-bosque riu de alegria, acariciou as bochechas dela e disse: ‘Agora eu te considero minha filha novamente, visto que tu me agradeces com paixão tão doce por fazer para ti como uma mãe amável necessita sem nenhum pensamento disso. E eu ordeno-te, minha querida, nunca mais vás tão longe de mim para que eu não consiga facilmente te ajudar e confortar a partir do meu reino no qual eu sou poderosa. E agora, conta-me teu discurso querido.’

[462]Com isso Birdalone começou a história dela sem mais delongas, assim como vós a ouvistes outrora. Sim, e muito mais coisas do que nós podemos escrever ela conta, por inteiramente cheia ela estava com a sabedoria da floresta. E entre momentos, a mãe-do-bosque alimentou-a com comida e bebida delicadas, tais como Birdalone nunca outrora tinha provado parecidas. E por então, quando ela tinha ido tão longe quanto a fuga dela da Ilha do Aumento Inesperado, o sol pôs-se e o crepúsculo começou. E a esposa-do-bosque disse: ‘Agora tu deves ir para casa; e não tenhas medo de bruxa ou coisa maligna, pois eu não estou longe de ti e observar-te-ei. Doce é teu conto, minha filha, e queridas são tuas amigas; e se alguma vez possa ser que eu possa fazer-lhas qualquer prazer, disposta estarei eu; e isso especialmente para tua Viridis, quem, parece-me, é tanto doce quando sabia assim mesmo como tu mesma és. Não, tu invejas meu amor por ela?’ ‘Não, não,’ disse Birdalone, rindo; ‘eu apenas regozijo-me com ele. E depois, quando eu te contar quão intensamente eles pagaram por me ajudarem, eu te suplicarei para os amar ainda mais do que agora tu o fazes.’ Depois disso, elas separaram-se, e Birdalone veio para a casa dela; e no caminho ela fez como se fosse um conto simulado em zombaria à sua dificuldade antiga, que lá haveria uma senhora-bruxa esperando-a para a açoitar. De modo que, quando ela chegou à porta, ela estava meio assustada com a sua própria zombaria, com receio de que, agora, pelo menos, a bruxa tinha começado a caminhar.

Mas tudo estava quieto quando ela entrou com o fim do crepúsculo, e ela descansou naquela noite em completa paz, como no melhor dos dias dela na Cinco Ofícios.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 458-462. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/458/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

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A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XVII Birdalone enterra o Corpo da Bruxa e descobre o Bote de Expedição Quebrado

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Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[454]Capítulo XVII Birdalone enterra o Corpo da Bruxa e descobre o Bote de Expedição Quebrado


Quando foi de manhã, Birdalone acordou, sentiu um peso sobre o coração dela e lembrou-se da tarefa que se estendia diante dela. Assim ela se levantou e vestiu e, indo diretamente para a cova, começou, e laborou duramente até que ela tinha cavado-a profundamente e depois ela arrastou a bruxa para dentro empilhou terra sobre ela. Então ela banhou-se no poço mais perto do riacho, retornou para casa e tomou café da manhã com pão e leite, e era então por volta do meio da manhã. Depois disso, ela ocupou-se com a casa, e cuidou de assar o pão, e assim saiu para o campo para ver as vacas e as cabras, e então armazenou o leite para a produção de manteiga e queijo, e fez de modo como se ela devesse habitar longamente naquele local; mas depois ela descansou o corpo, enquanto o pensamento dela ocupava-se amplamente. Mas ela disse a si mesma que não iria ao Carvalho do Encontro para se encontrar com a mãe-do-bosque naquele dia, mas permaneceria a noite, no caso de que alguma coisa acontecesse que ela devesse contar a ela.

Mas quando o sol estava ficando baixo, ela animou-se e saiu, e caminhou ao redor do campo, e ouviu com atenção a canção dos pássaros, e observou as vacas e as cabras enquanto elas comiam na pastagem a baixo; e agora uma satisfação suave veio sobre ela, de que tudo isso estava livre para ela manter em paz, e ter o [455]prazer dela, tanto quanto uma filha solitária de Adão poderia ter.

Finalmente ela perambulou abaixo, para o promontório arenoso do lago e permaneceu encarando a Ilhota Verde, onde os vimeiros e salgueiros tinham crescido selvagens e longos em todos esses anos, e ela disse que nadaria até lá pela manhã. Mas agora os pés dela a levaram para o leste dali, na direção do porto do Bote de Expedição em meio aos amieiros; pois, no coração dela, ela ficaria encantada em saber se havia quaisquer notícias para ela.

Assim ela avançou rapidamente no caminho ao lado da água, onde ela tinha acelerado tão rapidamente naquela última vez, e finalmente chegou à beira do riacho, e olhou para baixo sobre a água um pouco timidamente. Então ali ela viu o que ela considerou ser exatamente o bote mesmo, parado como ela o tinha conhecido; mas, quando olhou novamente, ela viu que ele estendia-se de proa a popa, todas as aduelas soltas com água entre elas, e os assentos e costelas todos separados e desfeitos, de modo que nunca novamente ele poderia flutuar sobre as águas. Então ela disse em uma voz suave: ‘Tu estás morto, então, como tua senhora está morta? Não foi então que tu estiveste a ponto de morte, e ela também, quando tu falhaste comigo na Ilha do Aumento Inesperado?’ Nenhuma voz veio a ela enquanto ela falava; e ela disse novamente: ‘Então eu tenho de de enterrar como eu enterrei tua senhora? Não, isso eu não farei até que tu me forces; talvez em um pouco tempo poucas das aduelas de ti deverão restar, agora que a vida está fora de ti. Que o teu fantasma e o dela reúnam-se se vós desejeis.’

Enquanto ela falava a última palavra, ele viu um movimento em torno da popa, a qual se estendia mais distante acima na angra, e [456]enquanto ela tremia com o coração falhando, oh!, uma grande serpente, coberta por fungos e peluda, cinza e salpicada de marrom, surgiu de sob a popa e entrou na água e assim para dentro da escuridão da madeira de amieiro. Birdalone permaneceu um tempo pálida e abatida de medo, e, quando os pés dela sentiram vida neles, ela virou-se e moveu-se sorrateiramente de volta novamente para o prado verde e os baixos raios de sol, ponderando se essa criatura maligna era a aparição da criatura que conduzia o bote sob o sangue do emissário.

Assim ela se apressou de volta para a casa, e acendeu um fogo no centro, e começou imediatamente a cozinhar um pouco de sêmola para a ceia dela; e ela observou o fogo, pensando com isso: ‘Agora, se alguma pobre alma estiver ao mar, eles podem ver a fumaça e procurar aqui, e eu posso confortá-los com comida e abrigo e conversa; ou, quando a noite escurecer, eles podem ver as janelas iluminadas e vir a mim; portanto, o fogo ainda deve queimar e as velas ficarem acessas, pois, tão quente quanto é a noite, mesmo como se fosse a época de natal, e a neve profunda do lado de fora, e o vento uivando nas árvores da floresta.’ E com isso ela chorou por anseio daqueles que ela amava.

Mas em pouco tempo ela enxugou as lágrimas, e repreendeu-se por sua moleza excessiva; e ela comeu a ceia dela quando ela tinha acendido uma vela (pois estava escuro agora), e novamente sentou-se olhando para o centro, até que ela disse: ‘Agora eu estou ficando mole novamente, e quem sabe se minha moleza pode tentar os fantasmas para virem a mim. Eu daria a minhas mãos alguma coisa para fazer.’

[457]Com isso, o olho dela apercebeu-se dos buracos e trapos do seu velho vestido cinza, e ela riu um pouco tristemente enquanto lembrava-se da sua galante vestimenta de cavaleiro, a qual agora jazia na praia da ilha maligna e arruinada; e da vestimenta vistosa dela dos dias da Cinco Ofícios; e da rica vestimenta na qual os amigos dela do Castelo da Busca a tinham trajado. Então ela levantou-se e buscou agulha e linha e alguns restos de tecido verde e começou a alinhavá-lo às presas e a remendá-lo, e assim ela se sentou em trabalho de costura de vestido até que a noite ficou velha e ela cansada e o sono a dominou, e ela deitou-se na cama dela e dormiu sem sonhos até que o sol estava alto na manhã seguinte.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 454-457. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/454/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XVI Birdalone descobre a sua Senhora-bruxa Morta

 A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[449]Capítulo XVI Birdalone descobre a sua Senhora-bruxa Morta.


Foi algum tempo antes do meio-dia quando ela acordou, e o sol estava brilhando muito e quente. De alguma forma ela sentiu o peso do medo sobre ela, mesmo antes que tivesse voltado a si completamente, e não sabia o quê era que temia; mas quando ela convocou a mente que era mesmo o encontro com a sua antiga senhora, a carne dela de fato tremeu com a memória de angústia passada, mas valentemente ela se ergueu e encarou a habitação da bruxa a despeito do seu desamparo nu. Enquanto caminhava, ela olhou para a casa e não viu fumaça saindo da chaminé, mas pouco se maravilhou com isso, uma vez que ainda não era hora de cozinhar e o clima estava quente. Ela aproximou-se mais, e viu alguém sentado no banco sem a porta onde a bruxa costuma sentar-se; e o coração dela bateu rápido, pois ela viu que não era ninguém senão a senhora dela. Além disso, próximos a ela estavam três das vacas leiteiras mugindo inquietamente e como que em censura, exatamente como tais bestas costumam fazer fazer quando suas tetas estão cheias e elas desejam ser ordenhadas.

Birdalone demorou-se um minuto, e as pernas dela quase falharam por causa do medo, e então, por causa do medo mesmo, ela correu até que ela chegou dentro de dez passos da dita bruxa; e intensamente ela sentiu falta do seu arco e flechas, e da lâmina cortante da sua escuderia simulada, como medo de que a bruxa devesse erguer-se e vir furiosa e gritando sobre ela.

Então Birdalone falou em voz não fraca, e disse: ‘Dama, eu retorno para ti, como tu [450]vês, em mesmo em apuro tão grande como quando eu fugi de ti; e eu tenho uma intenção de residir nesta terra: que tu dizes?’ A bruxa nem se moveu nem falou diante da palavra dela; e as vacas, quem tinham mantido silêncio quando ela se aproximou inicialmente, e tinham se afastado dela, imediatamente recomeçaram seu mugido rabugento.

Birdalone aproximou-se mais um passo e disse: ‘Tu me ouves, dama, ou tu estás excessivamente irada comigo, e estás ponderando que vingança tu terás sobre mim?’ Ainda nenhuma mudança veio da bruxa e as vacas continuavam mugindo agora e novamente. Mas uma vez Birdalone aproximou-se, e falou alto e disse: ‘Diz-me finalmente, é paz entre nós ou não paz?’

Mas agora, quando ela olhou, ela viu que os olhos da bruxa estavam abertos e encarando, e os lábios dela brancos, e as mãos dela tinham se contorcido; e ela gritou e disse: ‘Ela está morta? Ou ela logo despertará e bater-me-á? Certamente ela está morta.’ E ela esticou a mão e tocou a face ela, e estava fria como pedra; e ela descobriu, além de toda dúvida, que ela estava morta.

Então um grande preso ergueu-se do coração dela, e ela virou-se de um lado para o outro e olhou para os campos, e alto para as árvores do bosque, e baixo para o córrego ondulante diante dela, e belo e doce e alegre eles tornaram-se para ela; e ela olhou para as vacas, quem estavam vindo na direção dela, e ela riu alegremente, e saiu para perto da casa e pegou um balde de ordenha e um banco e começou a ordenhá-las uma depois da outra, e as bestas desciam o campo mugindo em uma voz mudada, [451]por alegria, a saber, desta vez. Mas Birdalone ajoelhou-se e bebeu um longo gole do doce leite quente e, em seguida, levantou-se e entrou rapidamente na cada, e não viu nada mudado ou piorado até onde ela podia ver. Havia a própria cama dela, no canto, e a da senhora, muito maior e mais bela, no lado oposto ao dela; e arca perto da porta, na qual os mantimentos eram mantidos: ela abriu-a, e encontrou três fatias de pão na prateleira, e um contêiner de comida abaixo, e ela pegou uma fatia e quebrou-a e começou a comê-la enquanto ela caminhava para lá para cá na câmara. Lá estava o arco dela de pé, em um canto ao lado da arca, e a aljava de flechas pendurada sobre ele. Havia o banco estendendo-se perpendicularmente a partir do centro; e ela sorriu, e ajustou seus punhos para as costas do urso entalhado que formava o ângulo dele, no qual a bruxa costumava amarrá-lo quando ela a castigava.

Então ela foi aos cofres que ficavam perto da parede atrás dele, e levantou a tampa de um deles, e encontrou ali uma bata ou duas dela própria, amareladas pela passagem do tempo, e seu próprio antigo casaco verde, esfarrapado como ele estava quando ela o usou pela última vez, e agora um pouco ruído por traças além disso; e ela tirou ambas as batas e o casado e estendeu-os sobre o banco. Então ela abriu o outro cofre, e lá haviam vestidos e posses alegres e espalhafatosos do uso da bruxa; mas, estendendo-se em meio a eles, como se a bruxa também os tivesse usado, o seu vestido e calçado verdes, os quais as suas próprias mãos haviam bordado. Mas ela disse: ‘Não, vós estivestes em má companhia, eu não vos usarei, embora vós sois vistosos, pelo menos não até que vós tenhais sido desinfetados e consagrados para mim.’

[452]Com isso ela se virou para banco e colocou sua bata velha e seu esfarrapado casaco cinzento, e disse: ‘Pelo menos hoje estes serão suficientemente bons para o trabalho de hoje.’ E ela franziu a testa com isso, e caminhou com um passo firme para fora da porta e ficou de pé por um tempo observando o corpo morto da inimiga dela; e ela pensou como que aqui estava aquela coisa uma vez tão grande diante dela, para dar forma aos dias dela, e a qual tão frequentemente surgia nos pensamentos despertos dela depois dela ter escapado das mãos dela, (embora, como dito anteriormente, ela raramente sonhasse com ele durante a noite), e além disso, há uma hora, ela ainda a temia tão intensamente que escassamente poderia ficar de pé por causa do medo dela; e agora ela não era nada exceto um tronco esculpido para ela.

Mas ela disse a si mesma que o trabalho tinha de ser feito; assim ela arrastou o corpo dela dali, e através do riacho, e um pouco distante dentro do campo, e então ela retornou e buscou picareta e pá e começou a cavar uma cova para o corpo do seu terror morto. Mas por mais pesado que ela pudesse laborar, ela não tinha superado o trabalho antes que a noite começasse a cair sobre ela, e ela não tinha intenção para continuar com a escavação durante a noite. Portanto, ela retornou para dentro da casa, e acendeu velas, das quais não havia falta, e fez sua ceia com pão e leite; e ela sentou-se ponderando sobre a vida dela que tinha sido até que a paixão surgiu em seu peito, e as lágrimas irromperam, e longamente ela chorou por desejo de outros e piedade por si mesma. Então ela foi para cama com a qual outrora ela esteve acostumada, e deitou-se lá e adormeceu. [453]E a senhora dela não caminhou, nem interferiu com a paz dela; nem Birdalone nem mesmo sonhou com ela, mas com a mãe dela e com o mestre Jacobus na bela cidade de Cinco Ofícios; e no sonho dela ela chorou pensando neles.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 449-453. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/449/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XV Falta pouco para Birdalone se afogar, mas ela finalmente chega à Ilhota Verde

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[446]Capítulo XV Falta pouco para Birdalone se afogar, mas ela finalmente chega à Ilhota Verde.


Adiante Birdalone nadou, não como alguém quem tivesse uma intenção de se afogar para esquecer dos problemas, mas tanto forte quanto sabiamente; e ela virou-se sobre as costas e olhou para as estrelas acima dela, e conduziu-se por elas naquela direção que ela considerava que ficava a terra sob o bosque. Quando ela tinha saído da ilha maligna por uma hora ou algo assim, ali surgiu um belo vento baixo atrás dela, o qual a ajudou adiante, mas escassamente ergueu a água mais do que uma ondulação baixa.

Ela ainda nadava adiante, e fazia aproximadamente três horas quando ela começou a cansar, então ela flutuou sobre as costas deixou o vento e a água conduzirem-na; e agora a noite estava tão escura quanto estaria antes do amanhecer.

Dessa maneira outra hora passou, essa enquanto ela nadava adiante e enquanto ela flutuava; e agora o coração dela começou a falhar com ela, e a grande água não era mais para ela uma estrada molhada, mas um golfo terrível no qual ela pendia ofegando.

Mesmo assim, ela não desistiu de fazer o que podia; ela flutuou supinamente por muito tempo, e então, quando ela tinha reunido um pouco de força, virou-se e começou a abrir caminho, ainda conduzindo-se pelas estrelas. Mas mal ela tinha dado três pancadas antes que os braços dela encontrassem alguma coisa dura e grosseira; e inicialmente, em seu desamparo, ela pensou que tinha topado com algum [447]terrível monstro de água e, por temor dele, ela afundou-se nas profundezas, mas logo subiu novamente, cega e sem fôlego, e abriu os braços, e, novamente, eles chegaram à coisa supracitada, e dessa vez descobriu que não era nada vivo, mas o tronco de uma árvore sentando-se alto fora da água. Assim ela se agarrou a ele com quê força restante ela podia ter, e sentou-se, e viu sob a luz sombria que era grande, e que havia uma bifurcação entre dois membros estendendo-se ao ar, e ela lançou-se sobre esses dois membros e abraçou um deles, de maneira que ela escassamente podia cair; e um grande contentamento e felicidade vieram sobre ela visto que, dessa maneira, ela tinha escapado da morte nas profundezas; mas depois disso, o cansaço dominou-a, e ela dormiu, quer ela desejasse quer não; e o tronco foi através das águas não mais lento do que poderia ter sido considerado, quer isso fosse pelo empurrão do vento sul, quer pela mão do Destino que não a teria deixado morrer.

Longamente ela dormiu, pois, quando ela acordou, já era dia alto, e o sol estava brilhando alto nos céus, e ela limpou seus olhos e olhou ao redor, e viu diante de si a terra, mas ainda azul no alto mar. E o tronco de árvore ainda estava acelerando na direção da praia, como se estivesse sendo arrastado para lá por alguma ordem de poder.

Agora, de fato, Birdalone ficou feliz, e ela pensou que, se alguém a tivesse ajudado, tem de ter sido a mãe-do-bosque mais uma vez, e ela disse para si mesma que logo ela deveria encontrar-se com aquela auxiliadora; nem ela prestou atenção em que ela estava nua e desprovida de quaisquer bens; visto que ela considerava que, de fato, era apenas pedir e receber da amiga dela.

[448]De fato, por um tempo ela não sabia para onde estava se dirigindo, e se a face dela estava verdadeiramente voltada na direção da terra sob o bosque; mas, conforme a manhã passava, a distância começou a tornar-se verde, e então ela viu que um grande bosque estava de fato diante dela, e depois, conforme se limpava ainda mais, ela conheceu a terra da qual ela estava se aproximando pelos campos da Casa sob o Bosque, e não demorou a partir daí antes que ela visse clara e de perto a Ilhota Verde e a Ilhota Rochosa, embora a casa ainda estivesse oculta dela pelas costas verdes da primeira dessas duas ilhas.

Brevemente para contar, o tronco de árvore flutuou com ela além do promontório exterior da Ilhota Verde, e chegou à costa naquela mesma angra arenosa onde outrora ela costumava aprontar o corpo dela para água. Ela pisou na praia toda feliz em sentir a firme areia quente sobre os pés dela, e como alguém bêbada de alegria, ela ficou quando a alta grama florida do último maio estava acariciando as pernas dela enquanto ela livrava-se do pólen nas curvas, e atingia a fragrância das flores; e inicialmente mal ela conseguia erguer os olhos da beleza familiar. De fato, feliz ela estava, mas excessivamente desgastada e cansada com a longa viagem e todo o anseio e temor e esperança que tinham a envolvido durante esse tempo. Ela ergueu os olhos apenas uma vez, e viu a casa da bruxa erguendo-se onde era o costume, mas nenhuma forma de homem movendo-se ao redor dela; então ela virou-se de lado para um pequeno matagal de espinho e madressilva no campo próximo, e deitou-se sobre a grama à sombra dele, e quase antes que a cabela dela tocasse no chão, ela adormeceu, e lá dormiu longa e pacificamente.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 446-448. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/446/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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