A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sétima Parte: Os Dias de Retorno
Capítulo anterior
[537]Capítulo II Birdalone aconselha-se com a Mãe-do-bosque sobre a Questão do sir Hugh.
Naquele mesmo dia, Birdalone foi ao Carvalho de Encontro e convocou a sua mãe-do-bosque para si, e ela veio feliz e sorrindo, e beijou e abraçou Birdalone, e disse para ela: ‘Agora eu vejo que tu estás bem contente com essa última questão que eu resolvi para ti, considerando que tu vieste desejar um novo presente de mim.’ ‘Como tu sabes disso?’ disse Birdalone, rindo. Disse Habundia: ‘Caso contrário tu terias vindo para mim tão cedo a partir de toda aquela felicidade?’ ‘Eu vim para te contar de minha decisão,’ disse Birdalone, ‘e para te perguntar se tu és da mesma opinião que eu nisso.’ Disse a esposa-do-bosque: ‘E qual é tua decisão, minha criança?’ ‘Mãe-do-bosque,’ disse Birdalone, ‘nós consideramos que seria bom para todos nós descermos até Utterhay onde eu nasci e assumir nossa residência lá.’
Disse a esposa-do-bosque: ‘Essa decisão eu aplaudo, e assim mesmo eu teria te aconselhado a fazer, mas eu aguardei para ver se isso deveria vir do teu peito, e agora assim mesmo isso ocorreu; portanto, eu entendo tua sabedoria e regozijo-me em ti. E agora, suplica teu favor, minha criança, e tu deverá tê-lo sem falha.’
‘Sim,’ disse Birdalone, ‘isto eu desejo, e mais, isso é algo simples e fácil para tu fazeres. Tu sabes que Hugh, o Cavaleiro Verde, veio com minha amiga buscando-nos todo o caminho [538]desde sob as Montanhas Verdes, e lá ele deixou bens que ele tem de ter e pessoas a quem ele ama; e agora ele retornaria para lá, e buscaria tudo para cá, e cuidaria dos assuntos dele tão rapidamente quanto pode ser. E eu aceitaria de ti que nos aconselhasses o que fazer, se construir uma barca, visto que talvez nós possamos conseguir isso, e navegar o lago ali até o Castelo da Busca ou nas imediações e, a partir dai, cavalgar para a terra dele; ou senão, receber tua orientação e salvo-conduto através da floresta, e trazer o povo dele de volta da mesma maneira.’
Disse a esposa-do-bosque: ‘Quanto ao caminho através da água, eu posso ajudar-vos pouco nisso, e esse caminho me parece ser de muitas armadilhas e embustes e muitos perigos. Portanto, eu aconselho-vos a não o tentar, mas que o Cavaleiro Verde venha para cá, para esta árvore, amanhã antes do meio-dia, todo a cavalo e armado e equipado, e ali ele deverá encontrar três homens armados em equipamento verde, bem a cavalo, e liderando duas montarias de carga com eles; e eles deverão ser dele até que ele os devolva para mim. Mas se ele duvida de algo entre o fim da floresta e sob as Montanhas Verdes, que assalarie a gente que ele desejar além, pois esses meus homens terão dinheiro suficiente dele com eles. Mas, de maneira nenhuma deixe que ele os dispense até que ele tenha saído completamente da floresta, tanto entre aqui e a terra habitada ocidental, e aqui e Utterhay, exceto se tu estiveres com ele. Mas enquanto eles estiverem com ele, tanto ele quanto qualquer dinheiro que ele traga deverão estar seguros de todo perigo enquanto ele estiver na floresta. Agora, minha criança, não foi este o favor que tu vieste até aqui para me pedires?’
‘Sim, verdadeiramente,’ disse Birdalone; ‘contudo, eu também vim aqui para te aplaudir e agradecer-te e amar-te.’ E ela jogou-se nos braços de Habundia e beijou-a e acariciou-a, e Habundia a ela, de maneira semelhante.
Falou a esposa-do-bosque: ‘Tu és a criança amada da minha sabedoria; e agora eu vejo de ti que tu irás ser fiel e verdadeira e amar-me-ás até o fim. E eu penso que eu consigo ver que tu e teu homem deverão sair-se bem e alegremente em Utterhay; e o Cavaleiro Verde também e tuas amigas. E seja o que for que tu desejares de mim que eu possa fazer por ti ou por teus amigos, diga-o livremente, e livremente tu deverá recebê-lo. Mas isto eu te ordenarei, que o tempo que o Cavaleiro Verde dever estar longe ocupado com o assunto dele, tu deverá ver-me frequentemente; e tuas amigas também tu deverás trazer para mim, para que eu possa vê-las e conversar com elas e amá-las. E especialmente tu deverás aconselhar Atra para mim; pois parece-me que ela já é tão sábia que eu posso ensiná-la mais sabedoria, e colocar no coração dela o quê pode consolá-la e fazê-la cessar de afligir o próprio coração dela, e de tristeza e anseio demais. E eu estava satisfeita em a recompensar no que ela se absteve de guardar rancor contra ti e portar inimizade de ti. Pois eu sei, minha criança, não a partir do meu próprio coração, mas a partir da sabedoria que eu aprendi, quão dificilmente os filhos de Adão podem suportar ter o que eles amam tomado deles por outro, mesmo se eles mesmos pudessem, a longo prazo, terem se cansado disse e jogado-o fora por si mesmo. Agora vai, minha criança, e faze teu amigo saber o quê eu farei por ele.’
[540]Depois disso elas se separaram, e Birdalone viajou de volta a casa, e encontrou a irmandade deles todos sentados à beira do riacho e conversando docemente em toda alegria e esperança pelo que a vida deles deveria ser na nova terra para onde Birdalone deveria conduzi-los. Imediatamente então ela lhes contou de Hugh e da jornada dele, e de quão bem ele deveria estar guardado na floresta tanto chegando quanto saindo. E eles consideraram isso bem correto, e eles agradeceram-na e elogiaram-na, e tomaram-na em sua conversa, e ela sentou-se perto deles alegremente.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 537-540. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/537/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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