A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[493]Capítulo XXVI O Escudeiro Negro conta à Esposa-do-bosque dos seus Feitos desde que Birdalone partiu do Castelo da Busca.
Enquanto eles caminhavam, Habundia disse para Arthur: ‘Agora tu deves falar e contar para o encurtamento do caminho, e deixar-nos conhecer um pouco da tua história. Mas, primeiro, eu devo te contar, pois tu podes não saber, tão sem noção tu então estavas, que ontem nós te encontramos no vale abaixo acolá, tocando cordas docemente, de fato, mas, de outra maneira, trajado como uma meio besta mais do que um homem, de modo que nós nos maravilhamos diante de ti e apiedamo-nos de ti.’
Arthur franziu as sobrancelhas como se ele lutasse com alguma memória e não conseguisse dominá-la; então ele disse: ‘Tu dizes Nós, quem então é o outro?’ Disse Habundia: ‘Eu tinha uma querida amiga comigo.’ Respondeu ele: ‘E ela também se apiedou de mim?’ ‘Sim,’ disse a esposa-do-bosque, ‘senão escassamente ela tinha sido uma amiga de mim.’ ‘Oh, vamos rapidamente,’ disse Arthur, ‘enquanto possa haver tempo!’ E eles apressaram o ritmo e consumiram o caminho rapidamente.
Logo falou a esposa-do-bosque novamente: ‘Agora, ao conto de ti, belo senhor; contudo, eu o encurtarei um pouco te contando que eu conheço teu nome, que tu és Arthur, o Escudeiro Negro do Castelo da Busca.’ Ele olhou fixamente diante dessa palavra, e disse: ‘Como tu sabias disso? Como tu poderias adivinhá-lo, quem nunca me viste antes?’ ‘Uma amiga contou-me,’ disse ela; ‘seria longo demais falar disso agora. Antes tu me conta como tu viajaste quando [494]tu descobriste tua amiga desaparecida do castelo naquela vez que tu voltaste da vitória do Domínio Vermelho.’
Arthur encarou surpreso e disse: ‘O que é isso? Tu conheces verdadeiramente o meu amor? Ou és tu uma feiticeira e conheces um pouco de mim através de feitiços?’ ‘Eu sou um pouco mais do que uma feiticeira, talvez,’ disse a esposa-do-bosque; mas não prestes atenção a isso, uma vez que eu sou tua amiga hoje, mas conta-me o que eu pergunto, para que eu possa ter todo o conto de ti; isso servirá para o encurtamento do caminho.’ Disse Arthur: ‘E quem senão eu necessito-o tão curto quanto possa ser? Assim, não permaneçamos nos demorando aqui, e eu falarei conforme nós caminhemos velozmente.’
Portanto, eles apressaram-se, e Arthur disse: ‘Como eu viajei? Como alguém aturdido, mãe, e não sabia o que tinha acontecido; e quando eu ouvi o balbucio deles de como ela tinha errado aqui e acertado ali, eu tornei-me meio louco por isso, de modo que me apressei de volta para o Domínio Vermelho e tornei-me o capitão de Greenford, para caçar os inimigos espalhados deles; pois eu disse para mim mesmo que eu tinha de me irar e matar, e que estavam piores entre os meus amigos do que entre meus não amigos. O que depois? Aquele chegasse a um fim; embora nem todos os homens malignos estivessem mortos, mas todos foram expulsos das partes de Greenford; e verdadeiro dizer que eles não se atreviam a chegar em nenhum ponto perto de onde eles ouviam de mim. Então cada dia tornou-se como qualquer outro, e o pensamento da minha esperança e do meu desespero comeram meu coração, e eu não era de utilidade para ninguém. Agora isso aconteceu assim, em meios às minhas muitas batalhas e perseguições, eu [495]tinha caçado os bandos do Domínio Vermelho até os pântanos noroeste do bosque; e eu notei que mesmo eles, por mais que dificilmente posicionados, e os piores dos homens para chutar, escassamente, inicialmente, seriam expulsos para os matagais de lá, embora finalmente, se ou não eles tivessem feito aliança com os demônios de lá eu não sei, eles tinham levado-os para as profundezas do bosque e tinham arrancado mulheres das habitações e feito crianças nelas, e são prováveis de gerar um povo ruim. Que então eu notei que esta Evilshaw era uma habitação detestada e deserta, e era pouco provável que qualquer um se intrometeria comigo lá. Três anos tinham se passado desde que eu fui abandonado no Castelo da Busca por aquela que me amava, quem teve de sacrificar tanto a si mesma quando a mim ao diabo ocupado da loucura; e eu também considerava que se eu procurasse por ela, eu não deveria a encontrar; e ainda mais verdadeiramente, que se eu a encontrasse, ela seria tão dura comigo como quando ela fugiu de mim. Quanto a mim, eu endureci e irritei-me, e nenhum homem, se o coração dele o permitisse, teria qualquer coisa para mim. Assim eu me afastei do Domínio Vermelho, assim como eu tinha do Castelo da Busca, e fiz saber que eu entraria para a religião. E proíbe qualquer homem de me seguir. Nem que qualquer um desejasse. Primeiro de tudo eu estabeleci-me nos arredores mesmos do bosque, e levantei um caramanchão lá, rude e mal formado. Poucas pessoas chegavam perto de mim, e mesmo alguns poucos, queimadores de carvão, e caçadores das extremidades do bosque, e semelhantes. Esses consideravam-me um homem sagrado, ao passo que eu era apenas grosseiro. Um pouco também eles me temiam, considerando que, em algumas de suas caçadas ou [496]idas e vindas em busca de presas, eu tinha posto para fora toda a minha força, suprida pelo saber de cavalaria, o qual era estranho para eles. Havia um homem deles, quem era formado na arte do menestrel pela natureza, e quem reunia-se especialmente comigo, até que nos tornamos amigos, e ele era um consolo para mim, com seus contos e suas canções de um povo mais grosseiro do que eu tinha o costume de lidar. Mas quando eu tinha estado naquele lugar por dois anos ele morreu de uma doença, e eu fui deixado sozinho, e minha dor de coração caiu sobre mim até que eu escassamente sabia o quê eu deveria fazer em seguida. Assim eu viajei ainda mais profundamente dentro do bosque, levando comigo a harpa que o meu amigo tinha me dado antes que ele morresse. Era verão e eu errava de um ponto para outro ainda mais profundo dentro do bosque, até que, talvez, eu escassamente tivesse sido capaz ser vitorioso nele se eu tivesse tentado. Finalmente, quando o outono chegou, eu mesmo construí novamente um tipo de caramanchão em uma clareira do bosque onde havia água e o recurso à caça abundante.’
‘O que aconteceu em seguida? Minha mente não estava excessivamente clara absolutamente sobre isso. Mas isto eu sei, que alguns homens dos bandos a a quem eu tinha perseguido, toparam comigo. Eles não me reconheceram como o seu antigo inimigo, mas o tipo deles era atormentar e matar qualquer homem a quem eles pudessem sobrepujar rapidamente; contudo, a batalha não foi tão excessivamente leve, exceto que eu matei e feri diversos deles, até que eles derrubassem-me e despissem-me e amarrassem minhas mãos e atormentassem-me, segundo o modo que os diabos deverá fazer com ele quando eles deverão buscar sua recompensa. Contudo, de alguma maneira eu vivi, [497]embora eles me considerassem morto, e eu arrastei-me para longe de lá quanto eles tinham saído; e de alguma maneira eu fui curado do meu corpo, mas eu fiquei confuso da minha inteligência depois, e agora possa trazer à mente apenas pouco do que me aconteceu enquanto eu perambulava de lugar a lugar, exceto que eu me lembro que eu sempre estava infeliz e de coração partido; e também me pareceu que eu às vezes via visões, e aqueles quem tinha estado na minha vida antes dessas coisas, as imagens delas viriam diante de mim para me zombar enquanto eu me sentava cantando e enquanto tocando cordas (pois minha harpa sempre estava comigo): e às vezes eu me lamentava, e apelava por ajuda a eles, quem não me ajudariam nem poderiam. E agora eu nem mesmo conto os anos de minha residência no deserto, quantos possam ser. Mas eu suplico-te, vamos ainda mais rápido.’
Disse a esposa-do-bosque: ‘Tu contaste-me apenas pouco da tua vida, Escudeiro Negro, mas é suficiente, talvez; e eu vejo que tu não podes me contar mais porque tu tens tua mente colocada no que pode te acontecer quando este dia estiver terminado. Mas tu tens de saber que tu entraste na floresta de Evilshaw, na qual, além daqueles homens selvagens que te subjugaram, há não poucas coisas estranhas, e criaturas que não são da raça de Adão; portanto, não é grande surpresa que tu vistes visões e imagens daqueles que não estavam perto de ti.’ ‘Sim,’ disse ele, ‘mas eu tive uma visão que me confundiu e sobrepujou mais do que todas as outras, e parece-me que veio a mim há não muito tempo. Pois primeiro eu vi a forma daquela que a minha alma deseja sempre, e ela chorava e lamentava por mim; e então, por um breve momento, parecia como se eu tivesse saído da minha confusão de sentidos; quando, oh! Ali [498]surgiu do matagal outra imagem da minha amada e culpou-me e ameaçou-me. Deus sabia que havia boa causa para culpa. Mas diz-me, mãe, uma vez que tu chama a si mesma de sábia, o que isso pode pressagiar?’
A esposa-do-bosque riu: ‘Uma vez que eu sou sábia,’ disse ela, ‘eu te pressagiarei bons dias. E agora nós não mais falaremos de ti ou do teu amor ou do teu sofrimento, mas, uma vez que tu desejas tão ferozmente devorar o caminho, eu te contarei um conto ou dois deste bosque e das criaturas para nos salvar de cansaço excessivo.’
Assim ela fez, conversando e contando enquanto eles caminhavam; e ela seguiu em ritmo diante dele, e por mais longa ou intensamente que ele pudesse andar a passos largos, ele não conseguia a superar. E tão rápido foram que eles estavam dentro de uma pouca distância do Carvalho de Encontro antes que o sol tivesse se posto, embora eles tivessem partido da caverna três horas depois da hora quando Birdalone e a esposa-do-bosque tinham deixado a Casa sob o Bosque no dia anterior. Eles tinham chegado a uma rocha íngreme que se erguia em um lado da água, e a esposa-do-bosque ordenou parar, se Arthur desejasse ou não, e ela fez ele comer e beber, tirando o mantimento e o vinho de um cofre na dita rocha. E ela manteve-o lá até que a noite chegasse e houvesse um vislumbre da lua ascendente no leste, e ele ficou ansioso e agitado; mas ela ainda o manteve ali até que a lua ficou alta e brilhou sobre ele, e as sombras dos galhos de carvalho estenderam escuras por toda parte.
Então ela ordenou que ele levantasse, e conduziu-o ao Carvalho de Encontro, sim, e um pouco além disso na direção da grande água. Então ela falou para ele: ‘Escudeiro [499]Negro, agora eu cheguei em casa, e não te conduzirei mais adiante; eu estava considerando que nós deveríamos ter dormido no bosque a uma boa distância daqui, e então eu teria te trazido em teu caminho amanhã de manhã; mas a ansiedade do teu coração tornou teus pés tão velozes, que nós estamos aqui um pouco cedo, e contudo, eu não estou mal satisfeita com isso.’ Então ela virou-o e disse: ‘Olha a campina abaixo e diz-me o quê tu vês.’ Ele disse: ‘Eu vejo os caules de árvores vistosas e, entre eles, o brilho de uma grande água.’ Ela disse: ‘Vá naquela direção então, enquanto a lua ainda está no seu ponto mais brilhante, e tu logo deverá chegar a amplos prados estendendo-se ao longo da água, e um córrego correndo através deles. Então entra nos prados e olha ao redor de ti, e tu deverás ver uma pequena casa (não há nenhuma outra próxima), erguendo-se exatamente através do dito córrego; sobe até lá ousadamente e suplica hospedagem de seja quem for que tu devas encontrar lá, e talvez coisas deverão perseguir tua mente. Mais do que isso eu não posso fazer por ti. Adeus então, e se tu desejares tu podes encontrar-me novamente; quer dizer, aquilo que verdadeiramente eu sou: mas é provável que esta forma que esteve caminhando contido durante o dia todo tu não deverás ver mais.’
Ele olhou para ela maravilhando-se, pois ela parecia ter se tornado vistosa e majestosa diante dos olhos dele. Mas, mesmo enquanto ele estendia a mão para pegar a dela, ela virou-se subitamente e entrou no bosque fora da vista, dirigindo-te completamente tão velozmente quanto poderia ter sido desejado. Então, ele desembainhou sua espada e virou o rosto para longe do bosque, e desceu na direção da água.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 493-499. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/493/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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