A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[500]Capítulo XXVII Sir Arthur chega à Casa sob o Bosque.
Assim Arthur chegou aos prados e caminhou ansiosamente, mas cautelosamente, sobre a grama orvalhada. E aqui e ali uma vaca se ergueu diante dele e apressou-se uma pequena distância no prado abaixo, e as corujas gritaram atrás dele, e uma raposa ganiu a partir da beira do matagal. Então ele descobriu-se a lado do córrego e parou e olhou de lado para lado e oh! Do outro lado do córrego uma pequena casa que parecia familiar para ele como a habitação de um pequeno fazendeiro nas terras construídas, e o teto de palha de lá brilhava sob a lua e as janelas dela eram amarelas com a luz de velas; e tão singela ela pareceu para ele que ele enfiou sua espada na bainha e ligeiramente cruzou o córrego, e chegou à porta e colocou sua mão sobre o trinco e ergueu-o e empurrou a porta, e tudo estava aberto diante dele.
Os olhos dele, saindo da noite, deslumbraram-se com a luz brilhante das velas, mas ele viu uma bela mulher erguendo-se no lugar dela, e ele disse: ‘Pode um viajante no bosque ser bem recebido aqui hoje à noite, lidando com tudo em toda honra?’
Mas a mulher caminhou na direção dele, segurando as duas mãos dela, e, antes que ele pudesse bradar que a conhecia, ela jogou-se sobre ele e tinha lançado os braços dela ao redor dele e estava beijando o rosto dele e murmurando: ‘Oh, bem-vindo realmente! Bem-vindo, bem-vindo e bem-vindo!’ E tão intensamente [501]sua tristeza e seu desejo passados moveram-lhe, que ele ficou fraco diante dela e baixou suas mãos e deixou-a agir. E aqueles dois estavam sem fôlego com maravilha e alegria e anseio; e eles ficaram um pouco distantes por um tempo e olharam um para o outro, ela com seio pesado e olhos molhados, e ele com braços estendidos para frente e lábios que lutaram com as palavras do seu coração e não puderam proferi-las; mas uma vez mais ela entregou a si mesma a ele, e ele segurou-a em seus braços fortemente agora, de modo que ela ficou frágil e fraca diante dele, e ele colocou sua bochecha na bochecha dela, e os lábios dele nos lábios dela, e beijou os olhos dela e os ombros dela e murmurou sobre ela. E então novamente eles separaram-se, e ela tomou-o pela mão e conduziu-o para o banco, e sentou-o ao lado dela, e ela mesma perto dele; e entrementes eles nada falaram. Então ela falou como alguém quem tinha voltado a si mesma e estava calma, embora o coração dela estivesse em chamas por amor: ‘Conta-me, amor, quando tua mão estava no trinco, tu procuravas encontrar-me aqui nesta casa? Pois tua mão foi o que me despertou; eu não ouvi teu pé antes da entrada, pois eu estava cansada e adormecida. Ai de mim! Que eu perdi o som dos teus pés!’ Ele falou, e a voz dele soou falsa para ele, como se ela viesse da boca de outro: ‘Eu não sei; a mulher que me conduziu perto pareceu desejar-me esperança.’ Então ele disse: ‘Não, o verdadeiro é que eu deveria ter morrido se eu não tivesse te encontrado aqui; e tenho estado doente por tanto tempo com anseio.’
Novamente eles ficaram silentes até que ela disse: ‘Eu desejava que tivesse te ouvido cruzando o riacho. Mas a esposa-do-bosque ordenou-me procurar por ti não antes do que [502]amanhã; senão eu teria tido tempo suficiente; e eu teria tornado a casa elegante com novos galhos verdes, e arrumado a nossa cama com flores rosas; e eu teria me arrumado com o vestido brilhante que a esposa-do-bosque me deu.’ Pois de fato ela estava trajada apenas em sua bata diminuta e nada mais.
Mas ele deitou a cabeça sobre o peito dela e beijou-a por toda parte, e disse: ‘Não, meu próprio amor, está bem, é melhor.’ E ela murmurou sobre ele: ‘Oh amigo, meu querido, não penses que eu tinha vontade de me ocultar de ti. Tudo que está aqui de mim é teu, e teu, e teu.’
E ela pegou a mão dele e eles ergueram-se juntos, e ela disse: ‘Oh amigo, eu fugi de ti uma vez e deixei-te sozinho de mim porque eu considerei que a necessidade me conduziu a isso; e eu temi o conflito de amigas, e confusão e complicação. Agora, se tu desejares vingar-te de mim tu podes, pois eu estou em teu poder. Contudo, eu e perguntarei, que necessidade te conduzirá a deixar-me sozinha?’
Ele disse: ‘A necessidade da morte.’ Mas ela disse: ‘Pode acontecer que nós devamos jazer juntos, então, como aqui, hoje à noite, nós devemos deitar.’
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 500-502. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/500/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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