A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[505]Capítulo XXIX Aquele Par deseja buscar a Sabedoria da Esposa-do-bosque.
Novamente no dia seguinte a vida deles foi tal como tinha sido no dia anterior; e enquanto eles deitam-se na sombra fria de um grande carvalho, Birdalone imediatamente começou a contar a inteira história das suas lidas com a esposa-do-bosque, e como ela tinha amado e ajudado-a tanto que, através do amor e da ajuda dela, ela tinha escapado da bruxa e dos ardis dela, quem a teria transformada em um meio diabo para a ruína dos homens. E como que a dita esposa-do-bosque nunca tinha aparecido para ela exceto como uma imagem e um duplo dela mesma, exceto uma vez quanto ela personificou a curandeira para ele. Então ela contou-lhe como tudo tinha acontecido quando a esposa-do-bosque o tinha procurado para a satisfação do amor dela, e do dia terrível quando elas se depararam com ele fora dos seus sentidos e apenas pouco semelhante a um homem.
Então ela perguntou, desejaria ele, dentro dos próximos um ou dois dias, que eles devessem ir juntos ver a esposa-do-bosque e agradecê-la pela ajuda, e conduzi-lo para dentro do círculo de amor e guarda dela; ele concordou com isso com uma boa vontade.
Depois disso, ela o obrigaria contar a ela de como as coisas tinham ocorrido com ele desde aquele dia ruim quando ele tinha retornado ao lar no Castelo da Busca e descoberto que ela tinha desaparecido. Assim ele contou a ela um pouco, e da sua sorte e miséria, e das suas lidas com os inimigos de Greenford; mas ainda escassamente, e como alguém compelido; e, finalmente, ele disse:
[506]‘Amada querida, uma vez que tu estás me mimando com todo o conforto de carícias, eu suplico-te para te lembrares da minha aflição e sofrimento, quão doloridos eles foram, e faze comigo como com um homem doente melhorando, como eu sei certamente que tu desejas fazer; e faze tu aquilo que no presente é o mais suave e mais feliz para mim, e que verdadeiramente é que tu devas falar e contar, e eu deverei ouvir com atenção a doçura da música, e apenas aqui e ali colocar em uma palavra para te descansar e tornar o teu conto mais doce.’
Ela riu dele com amor e, sem mais delongas, imediatamente começou a contar tudo que ela conseguiu pensar, relativo aos dias dela na Casa do Cativeiro, tanto quando ela era apenas uma criança, e quando ela tinha crescido para ser uma jovem mulher; e longamente foi ela sobre o conto, nem foi todo ele realizado em um dia; e uma multidão de coisas ela contou a ele, as quais não estão escritas neste livro.
Ao entardecer, quando eles estavam entrando e saindo novamente das campinas, foi outra a conversa que eles iniciaram, a saber, dos seus companheiros da Busca, tanto de sir Hugh quanto das três damas amáveis: e agora Arthur não foi nada senão amável quando ele falava de Atra, nem Birdalone falava de outra maneira; mas ela disse: ‘Eu agora deverei dizer uma palavra difícil, contudo, tu deves suportá-la, meu amado, uma vez que nós dois nos tornamos um, e temos juntos apenas uma alegria e um sofrimentos. Tu consideras que Atra ainda está viva?’ ‘Verdadeiramente é,’ disse Arthur, ‘bem pode ser que eu a tenha matado.’ ‘E o que nós podemos fazer por ela se alguma vez nos encontrarmos com ela viva?’ disse Birdalone. ‘Eu não sei,’ disse Arthur; ‘alguns diriam que nós realizamos penitência pela nossa falta, tanto [507]tu quanto eu; e que outra penitência nós podemos fazer, senão nos separarmos um do outro? E por Deus acima eu não o farei.’ ‘Pela tua cabeça e tuas mãos eu não o farei,’ disse Birdalone.
Assim disseram eles; mas com isso os olhos deles contaram conto da bela véspera e das campinas amáveis, e da casa, o santuário da querida cama branca, não menos doce para eles do que outrora; mas então logo Birdalone deteve seu amor, e levou seu braços ao redor dele, e cada um sentiu a doçura do corpo do outro, e a alegria floresceu novamente nos corações deles. Então Arthur começou a contar dos feitos e da gentileza de Baudoin, a quem eles nunca novamente deveriam ver sobre a terra; e eles retornaram novamente à casa, e, no caminho, falou Birdalone: ‘Isto é o que eu desejo que nós devemos fazer: considerando que eu te procurei e tu a mim, e nós encontramos um ao outro, considerando que vós me procurares quando eu me perdi no Vale Negro da Greywethers, e antes, quando vós três procurardes vossos próprios amores, agora eu desejo que nós devemos buscar nossos companheiros e ter alegria neles, e suportar o sofrimento com eles como nós dias passados.’
Falou Arthur: ‘Querido é o descanso contigo nesta vastidão; contudo, seria isso um feito de fama, e causaria um dia de alegria, pudéssemos nós encontrar nossos amigos novamente, e ligar novamente os vínculos da sociedade uma vez mais. Mas tu, sábia e valente!, talvez tu tenhas em tua cabeça algum artifício pelo qual isso poderia ser começado.’
Birdalone disse: ‘Simples é meu artifício, a saber, que nós perguntemos a quem é mais sábia do que eu. Não nos demoremos, mas vamos amanhã e vejamos a esposa-do-bosque e conversemos [508]com ela sobre isso.’ Então ela sorriu para ele e disse: ‘Mas quando nós a virmos, tu ficarás horrorizado se ela vir diante de nós em minha forma do que eu era há cinco ou seis anos?’
‘Não, não, tu não és tão terrível quanto aquilo; não muito longe de ti eu agora corro.’ E com isso eles se beijaram e abraçaram-se e, dessa maneira, entraram na Casa do Amor.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 505-508. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/505/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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