A Água das Ilhas Maravilhosas
Por William Morris
A Sexta Parte: Os Dias de Ausência
[485]Capítulo XXIV A Mãe-do-bosque muda sua Forma para Aquela de uma Mulher acometida pelos Anos.
Quando a manhã seguinte chegou, ali ainda se deitava Arthur dormindo pacificamente, e Birdalone despertou da sonolência que finalmente tinha caído sobre ela e olhou ao redor e não viu Habundia na caverna; então ela se levantou e inclinou-se sobre Arthur e beijou-o, e dessa maneira caminhou e ficou de pé à porta e olhou ao redor. E ela ainda estava de olhos turvos com a sua sonolência há pouco afastada e o brilho da luz do sol matutina, e ela escassamente sabia se isso era parte de um sonho, ou uma visão que estava verdadeiramente diante dela, que ela parecia ver alguém vindo através do riacho na direção dela, caminhando cuidadosamente de pedra em pedra naquele lugar: uma mulher acometida pelos anos, mas esbelta e elegante e ereta, trajada em um vestido de tecido verde, com uma palatina de pelo um pouco branco. Quando tinha chegado ao relvado, ela falou com Birdalone em uma voz doce, mas fina com velhice, e desejou a ela bom dia; e Birdalone ficou um pouco assustada de ver uma recém-chegada, mas ela agradeceu-a, recuando um pouco dela timidamente. Mas a mulher idosa disse: ‘O quê tu fazes aqui, minha filha? Tu não sabes que está é minha terra e minha casa, e que eu sou dita não ser fraca nestes bosques?’
‘Eu suplico-te teu perdão se eu tiver errado,’ disse Birdalone; ‘mas eu tenho um amigo doente, um homem jovem, e eu te suplicaria permitir que ele permanecesse aqui nesta caverna um pouco mais; mas também houve [486]outra amiga mulher, uma amiga, mas ela partiu enquanto eu dormia, talvez para conseguir ervas medicinais, pois ela é sábia na arte da cura, e está cuidando do homem doente. Eu suplico-te humildemente para nos tolerar, com receio de que percamos nosso amigo.’
Enquanto ela falava, ela ouviu a mulher gargalhar suavemente, e, finalmente, ela disse: ‘Por que, Birdalone, minha querida, tu não me conheces depois de todos estes anos? Olha para mim novamente, olha! E tu deverás ver que eu não estou tão mudada do quê tu me viste na última noite. Eu ainda sou tua imagem, minha querida, apenas que eu era a imagem do quê tu fostes, e agora eu sou a imagem do que tu deverás ser quando duas vintenas de anos mais dez de vida feliz tiverem se passado para ti. Diz-me, agora eu estou um pouco parecido com tua mãe na carne?’
‘Como tu me assustaste, mãe,’ disse Birdalone; ‘eu pensei que minha amiga tinha me esquecido, e que talvez a recém-chegada fosse outra bruxa como aquela antiga, e que eu nunca deveria ficar em paz e feliz. Mas, quanto à minha mãe na carne, não, tu agora não é inteiramente como ela; e, verdadeiro dizer, eu deverei ficar mais satisfeita quando tu tiveres de volta tua própria forma de mim mesma jovem, pois eu não te amo tanto como tu estás agora.’
A esposa-do-bosque disse: ‘Bem,’ ela disse, ‘tu não deverás ver muito de mim nesta forma; e isso menos por causa de alguma coisa que eu deverei te contar, a saber, que eu estive pensando sobre o assunto, e eu desejo te obrigar a deixar nós dois juntos antes que o jovem homem desperte. Eu desejo te obrigar a chegar em casa e esperá-lo lá; isso [487]não deverá demorar, eu prometo a ti; e também isto, que ele deverá chegar em casa para ti são de corpo e inteiro de membro.’
O semblante de Birdalone abrandou e ela disse: ‘Por que essa outra opinião, mãe? Por quê, eu suplico-te?’ Disse Habundia: ‘Eu temo por teu amor com receio de que ele não esteja suficientemente forte para abrir os olhos sobre a tua face; mas, após ele tiver ficado um dia nos bosques, e eu tiver falado com ele diversamente e alegrado-o com a esperança de te encontrar, ele pode ficar suficientemente forte para procurar-te pela extensão de um milha, e primeiro encontrar tua casa e então a ti. Assim agora tu me obedecerás? Ou melhor, se tu tens de chorar, eu entrarei no bosque até que tenhas terminado, tu obstinada!’ Birdalone sorriu através das lágrimas e disse: ‘Eu suplico-te para perdoares minha obstinação, mãe, eu partirei sem me voltar para a caverna.’ ‘Não,’ disse Habundia, ‘não há necessidade para tanta pressa assim: eu entrarei agora, e realizarei minhas curas com o homem doente. Mas atravessa o riacho, tu de pés descalços, e tu encontrará do outro lado, ao pé da tramazeira acolá favos de mel e pão branco e um vasilha de leite de cabras selvagens. Banha-te então, se tu desejares, e traz essas coisas para cá; e então tu deverá ir e beijar o rosto do teu companheiro doente com o teu refrescado, e depois nós deveremos sentar perto da ondulação da água e desjejuar; e por fim, tu deverás ir e beijá-lo novamente e então tomar a estrada. Mas diz-me, tu consideras certamente que tu podes encontrá-la novamente?’ ‘Sim, certamente, mãe,’ disse Birdalone; ‘eu sou [488]silvícola o suficiente para isso; e agora eu realizarei toda tua vontade.’ E com isso ela pisou levemente sobre o relvado e procurou córrego acima até que encontrou um poço bem balanceado, apropriado para o banho dela, e quando isso estava terminado, ela buscou os mantimentos e retornou à esposa-do-bosque; então elas duas sentaram-se juntas e comeram e beberam enquanto a água ondulava aos pés delas. Mas quando elas tinha terminado, Birdalone entrou na caverna novamente e beijou carinhosamente o homem adormecido, e saiu levemente e ficou de pé por um momento diante da esposa-do-bosque, e disse: ‘Diz-me isto pelo menos, mãe, quando ele deverá estar lá?’ ‘Amanhã,’ disse a esposa-do-bosque; ‘e, pela minha parte, eu te manteria dentro das portas e aguardá-lo-ia lá, com o receio de que haja problema; pois ele ainda pode não ser tão forte quanto o mais forte.’ Birdalone pendeu a cabeça e não a respondeu, mas logo disse: ‘Adeus, mãe-do-bosque, e sê tu abençoada.’ Então ela pegou seu arco e foi ligeiramente para a estrada do bosque, e a esposa-do-bosque permaneceu olhando para ela até que o matagal tinha a escondido, e então virou-se e entrou na caverna.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 485-488. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/485/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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