A Água das Ilhas Maravilhosas - A Sexta Parte: Os Dias de Ausência - Capítulo XXXI Habundia chega com Notícias daqueles Amigos Queridos

A Água das Ilhas Maravilhosas


Por William Morris


A Sexta Parte: Os Dias de Ausência


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[512]Capítulo XXXI Habundia chega com Notícias daqueles Amigos Queridos


Daí em diante os dias passaram alegremente; e um dia, era deleite nos amplos campos, e no outro, eles iam em um longo caminho para o oeste, ao longo da margem da água, e assim para dentro de outra planície de campinas, a qual Birdalone nunca tinha entrado outrora; e três ilhotas estendiam-se dela, verdes e cercadas de árvores, para onde eles nadavam juntos. Então eles entraram no bosque perto dali no calor da tarde, e assim o dia passou, de modo que eles consideraram a si mesmos atrasados e deitaram-se lá sob um arbusto de espinho através da noite.

Outro dia Birdalone levou seu companheiro através a Ilhota Verde e a Ilhota Rochosa, e mostrou-lhe todos os lugares nos quais ela costumava visitar com frequência. E eles tinham seu equipamento de pesca com eles, e pescaram nas ilhotas durante uma boa parte do dia, e tiveram boa pesca e depois disso nadaram de volta alegremente. E Birdalone riu, e disse que parecia para ela como se uma vez mais ela estivesse resgatando a pele dela da esposa-bruxa com aquela pescaria nobre.

Diversas vezes eles viajaram para dentro do bosque, e três vezes eles deitaram-se durante a noite em algum relvado do bosque onde havia água; e em uma dessas vezes aconteceu que Arthur despertou na aurora cinzenta, e deitou-se de olhos abertos por um tempo, mas não se movendo; e com isso ele considerou que viu o brilho de equipamento de guerra na mata. Assim, ele manteve-se tão parado quanto ele pôde, apenas pegou sua espada da bainha dela sem barulho, [513]e então saltou subitamente, pulou naquela direção onde ele tinha visto aquele sinal e novamente viu armadura brilhar e ouviu algum homem colidindo através da vegetação rasteira, pois tudo tinha desaparecido em um momento. Assim ele acordou Birdalone, e eles vergaram seus arcos, ambos eles, e procuraram nas redondezas do matagal atentamente, flecha na corda, mas não encontraram nada mais feroz do que uma grande porca e sua ninhada. Assim chegou o dia alto, e eles retornaram às suas campinas e sua casa; mas depois disso eles ficaram mais cautelosos de andarem por aí no bosque.

Em toda alegria então os dias passaram até décimo quinto, e cedo pela manhã eles seguiram seus caminhos para o Carvalho de Encontro, e não tiveram necessidade de chamar Habundia para eles, pois logo ela saiu de um matagal, com o vestido dela reunido na cintura e o arco na mão. Mas ela jogou-o ao chão e correu até Birdalone, e beijou-a e apertou, e então ela tomou uma mão de Arthur e uma mão de Birdalone, e segurou-as ambas e disse: ‘Minha criança, e tu, querido cavaleiro, vós ainda tendes um anseio para vos encontrarem com aqueles amigos de vós, e correrem todo risco de qualquer disputa e conflito que possa existir entre vós depois?’ ‘Sim, certamente,’ disse Arthur; e assim mesmo disse Birdalone. ‘Bem, assim seja, então,’ disse a esposa-do-bosque; ‘mas agora e por esta vez, antes que eu vos ajude, eu deverei colocar um preço sobre a minha ajuda, e este é o preço, que vós jureis para mim que nunca vos separareis completamente de mim; que uma vez no ano, pelo menos, enquanto vós estiverdes vivos e capazes, vós entrareis na Floresta de Evilshaw e convocar-me-eis [514]através da queima de um cabelo meu, de modo que nós possamos nos encontrar e ser felizes por um tempo, e separar-nos com esperança de encontro em mais uma vez, pelo menos. E se vós não pagardes o preço, ide em paz, e vós ainda devereis ter minha ajuda em todas as outras questões que possam parecer boas para vós, mas não neste de me juntar a vossa companhia. Que dizes tu, Birdalone, minha criança? Que dizes tu, Escudeiro Negro, a quem, como me parece, eu libertei de um destino pior do que a morte e retirei da miséria para a felicidade?’

Falou Birdalone: Tivesse eu me atrevido, eu teria te ordenado me jurar mesmo um juramento semelhante, a saber, para que tu nunca te separes inteiramente de mim. Então como eu não posso jurar isto que tu me ordenas, e isso com alegria e confiança completas?

Falou Arthur: Dama, não tivesse eu vontade de jurar esse juramento por tua causa, contudo, com uma boa vontade eu o juraria por causa do meu verdadeiro amor, quem te amas. Contudo, verdadeiramente, de minha própria vontade, eu juro-o alegremente, não fosse isso por nada senão para te agradar, quem agiste tão gentilmente comigo, e devolves-te minha virilidade e meu amor, os quais, senão, eu tinha miseravelmente perdido.

Falou a esposa-do-bosque: ‘Está bem novamente, então juntai as mãos e jurai como eu vos ordenei, pelo amor que vós portais um pelo outro.’

Assim mesmo eles fizeram, e, em seguida, a esposa-do-bosque beijou-os ambos e disse: Agora eu vos considero filhos mesmos da terra e de mim, e esse desejo de vós é bom, e deverá ser realizado se eu puder causá-lo; [515]contudo, nisso a valentia e sabedoria de vós ambos pode ser bem testada. Pois isto eu descobri por meus mensageiros e outros, que vossos amigos estão vivos, todos eles; e eles têm pensado em vós em seus corações mais íntimos, e há muito determinaram que eles tem de ir procurar-vos se eles devem viver vidas felizes e dignas. Além disso, a missão deles atraiu-os para cá, para Evilshaw (para não dizer que eu não tive nada com isso), e eles estão agora mesmo no bosque. Mas vós deveis saber que o perigo os envolve; pois eles viajam apenas com poucos, e desses poucos há dois traidores que estão decididos a entregá-los para os homens da Companhia Vermelha, para quem três mulheres tão belas quanto vossas amigas eram realmente um prêmio. Portanto, o Povo Vermelho está perseguindo-os, e cairão sobre eles quando eles encontrarem ocasião. Mas eu deverei cuidar para que a ocasião deva ser em tempo e local onde eles não deverão ficar sem ajuda. Agora, o quê vós podeis fazer por vossa parte é emboscar os assaltantes, e vigiar e guardar perto da estrada que eles precisam tomar, e cair-vos sobre eles quando for necessário. Mas disso novamente eu deverei cuidar, para que vosso ataque não deva falhar.

Mas agora vós podeis dizer: Uma vez que tu és poderosa, por que tu mesma não deveria tirar nossos amigos das mãos desses amaldiçoados, como tu bem podes, e nós não tomemos parte nisso? Meus amigos, isso bem poderia ser; mas tu, Birdalone, contou-me o conto inteiro, e como que há erros a serem perdoados que não podem ser retificados, e gentileza passada a ser despertada novamente, e frieza a ser aquecida em amor, e [516]estranhamento em amizade familiar; e parece-me que a visão dos vossos corpos e das vossas mãos tornada manifesta para os olhos deles pode realizar um pouco disso. Contudo, se de outra maneira vós pensardes, então assim seja, e retornei à Casa sob o Bosque, e no tempo de três dias eu trarei vossos amigos completamente seguros e sãos.

Agora eles ambos disseram que por coisa alguma eles não desejavam ter uma mão na libertação deles; e a esposa-do-bosque disse: Vinde comigo, eu deverei liderar-vos para o lugar da vossa emboscada.

Então todos eles foram juntos, e viajaram em um longo caminho para o ocidente, e na direção do lugar onde primeiramente elas tinham encontrado Arthur; e finalmente, duas horas antes do pôr do sol, eles chegaram para onde havia uma clareira ou caminho entre os matagais, o qual era como se estivesse um pouco batido pelas idas do homem. E a esposa-do-bosque fê-los saber que o povo maligno acima mencionado o tinha usado e batido assim, para que ele pudesse parecer exatamente como se o povo estivesse acostumado a passar por esse caminho, considerando que ele não ficava muito longe do antro e da fortaleza deles. Um pouco ao norte desse caminho quase sem saída, e dez jardas através do matagal, o terreno caia em um pequeno vale, o fundo do qual era plano e bem gramado, e irrigado por um riacho.

Para lá a esposa-do-bosque trouxe o par; e quando todos eles estavam de pé ao lado do riacho, ela disse a eles: ‘Amigos queridos, está é a sua casa no bosque desta vez, e eu vos aconselho a não sairdes dela, com o receio de que vos depareis com aqueles homens malignos; pois nada vós tendes a temer de qualquer coisa senão deles. Aqui, [517]em meio a essas grandes pedras, as quais formam, vede vós, por assim dizer uma caverna, eu armazenei mantimentos para vós; e além disso armadura, porque, embora ambos vós estais armados de alguma maneira, contudo, quem sabe onde uma seta atraída aleatoriamente pode alcançar.’

E das duas ditas pedras ela tirou duas belas armaduras, elmo e cota de malha, e proteções de perna e braço; e elas eram todas de cor verde, e brilhavam bem pouco, mas eram formadas como nenhum ferreiro do homem pudesse ter produzido semelhante.

Isto é teu, Sir Arthur,disse a esposa-do-bosque, e tu a usará como se fosse seda; e esta, tua, minha criança, e tu és suficientemente forte para portar equipamento tão leve. E eu encarrego a vós para colocarem logo esse equipamento, nem o retirai até que vós tenhais realizado a aventura. E agora está é a última palavra: aqui está um chifre de olifante que tu deves usar ao redor do teu pescoço, Birdalone; e se tu ficares dolorosamente afetada, ou teu coração falhar-te, sopra-o, contudo, não antes do ataque; e então, quer tu o sopres muito ou pouco, tu deverás ser bem ajudada.

Agora, não fiqueis abatidos se nada acontecer hoje à noite ou amanha, ou até no dia depois; mas, se o terceiro dia for sem novidades, então, ao pôr do sol, queimai um cabelo de minha cabeça, Birdalone, e eu virei a vós. E agora adeus! Pois eu ainda tenho algo a fazer neste assunto.

Com isso ela beijou Birdalone afetuosamente e abraçou Arthur, e seguiu o caminho dela; e aquela dupla residiu no vale, e dormiu e observou por turnos, e tudo ficou sem novidades até a aurora da manhã seguinte; tampouco houve algo sobre o que contar daquele dia e da noite que o encerrou.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 512-517. Disponível em: <https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/512/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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