[45]Agora somente resta a ser tratada a geografia de nosso país antes que a história seja iniciada. Assim sendo, a diferença mais impressionante entre o país como nós conhecemo-lo e como ele era conhecido pelos antigos é a existência de um grande Lago no centro da ilha. Das Rochas Vermelhas (próximas ao Severn) para cá, considera-se que a rota mais direta que uma galé pode seguir seja de aproximadamente 200 milhas em extensão, e é uma jornada que frequentemente leva uma semana até para uma embarcação bem tripulada, porque o curso, como ele gira em torno das ilhas, depara-se com tantos pontos da bússola e, portanto, os remadores têm certeza de laborar nos dentes do vento, não importa para qual direção ele sopre.
Muitas partes ainda estão inexploradas, e escassamente alguma coisa conhecida de sua extensão, mesmo por renome. Até a época de Felix Aquila, a maior porção, de fato, não tinha nem mesmo um nome. Cada comunidade era suficientemente familiar com a baía diante de sua própria cidade, e com a rota para a próxima, mas, além disso, eles eram ignorantes, e não tinham desejo de aprender. Todavia, o Lago não pode realmente ser tão longo e largo como ele parece, pois o país não poderia contê-lo. O comprimento é aumentado, quase triplicado, pelas ilhas e bancos de areia, os quais não permitirão a navegação em linha reta. Também, pela maior parte, elas seguem a costa sul da terra, a qual é protegida por [46]uma margem de ilhotas e bancos de areia das tempestades que se movem rapidamente através das águas abertas.
Dessa maneira, remando ao lado dos golfos e promontórios, a viagem delas é três vezes prolongada, mas tornada quase segura das ondas, as quais sobem com celeridade incrível antes das tempestades. As lentas embarcações de comércio, de fato, frequentemente estão em dias para atravessar a distância entre um porto e outro, pois elas esperam o vento soprar à popa e, sendo pesadas, profundamente carregadas, construídas largas e de fundo achatado para rasos e escarpadas nos arcos, elas flutuam como toras de madeira. Em canoas, de fato, os caçadores algumas vezes passam rapidamente de um lugar para outro, aventurando-se mais distantes no mar do que os navios. Eles poderiam passar ainda mais rapidamente, não fosse pela inquisição das autoridades a cada cidade e porto, quem não apenas arrecadam tributos e taxas para o tesouro do príncipe, e para seus próprios desejos vorazes, mas perguntam de onde a embarcação vem, a quem ela pertence, e para onde ela destina-se, de maneira que nenhuma embarcação pode viajar rapidamente a menos que tão armada para se livrar desses inquisidores.
Portanto, as canoas viajam durante a noite e em clima calmo por muitas milhas longe da costa, e, dessa maneira, escapam, ou deslizam, durante a luz do dia em meio aos rasos cobertos de canaviais, abrigadas da visão por espadanas e salgueiros. As embarcações de comércio são rebocadas à costa perto da noite, e as tripulações, desembarcando, acendem suas fogueiras e cozinham sua comida. Contudo, há um ou dois intervalos, por assim dizer, no seu curso usual no qual eles não podem passar dessa maneira desocupada: onde a costa é exposta e rochosa, ou muito rasa, e [47]onde eles precisam relutantemente velejar, e navegar de uma península da terra a outra.
O Lago também é dividido em duas porções desiguais pelos estreitos do Cavalo Branco, onde as embarcações são frequentemente retidas pelo mau tempo, e não podem abrir caminho contra o vento, o qual regula uma corrente através do canal estreito. Não há maré; as águas doces não têm vazante e fluxo; mas, enquanto discurso dessa maneira, eu esqueci de narrar como elas vieram a encher o meio do país. Agora, o filósofo Silvester, e aqueles que buscam maravilhas, dizem que a passagem do corpo negro através do espaço causou um volume imenso de água a cair na forma de chuva, e também que o crescimento das florestas destilasse água das nuvens. Deixemos essas especulações aos sonhadores e recontemos o que é conhecido por ser real.
Pois não há tradição em meio ao povo comum, que é extremamente tenaz com tais coisas, de qualquer grande chuva, nem há qualquer menção de enchentes nos manuscritos antigos, nem há qualquer queda maior de chuva agora do que anteriormente foi o caso. Mas o Lago em si conta-nos como ele foi formado, ou tão aproximadamente quanto nós devemos alguma vez conhecer, e esses fatos foram estabelecidos pelas expedições recentemente enviadas.
Na extremidade oriental, o Lago estreita-se e finalmente é perdido nos vastos pântanos que cobrem o local da antiga Londres. Embora nesses, sem dúvida, nos dias do mundo antigo, fluía o rio Tâmisa. Através das mudanças do nível do mar e da areia que foi levantada ali devem ter crescido grandes bancos, os quais [48]obstruíram o curso de água. Anteriormente eu mencionei as vastas quantidades de madeira, os destroços de cidades e pontes, os quais foram carregados para baixo pelos vários rios, e por nenhum outro mais do que pelo Tâmisa. Esses auxiliaram a acumulação, a qual aumentou o mais rápido porque as fundações das antigas pontes seguraram-lhes como estacas de construção conduzidas para esse propósito. E antes disso, o rio tornou-se parcialmente sufocado pela cloaca da cidade antiga, a qual se despejou dentro dele através de enormes aquedutos e sorvedouros subterrâneos.
Após um tempo todos esses rasos e bancos tornaram-se bem emaranhados pelo crescimento de joios, de salgueiros e espadanas, enquanto a maré, vazando de volta a cada recuo, deixava ainda mais lama e areia. Agora se acredita que quando isso prosseguira por um tempo, as águas do rio, incapazes de encontrar um canal, começaram a transbordar para as ruas desertas e, especialmente, para encher as passagens e sorvedouros subterrâneos, dos quais o número e a extensão estavam além de todo o poder das palavras para descrever. Esses, pela força da água, foram arrebentados, e as casas, cheias.
Pois essa maravilhosa cidade, sobre a qual lendas semelhantes são relatadas, afinal era apenas de tijolo e, quando a hera cresceu por cima e as árvores e os arbustos brotaram, e, por fim, as águas subterrâneas arrebentaram, a imensa metrópole logo foi derrubada. Hoje, todas aquelas partes que forma construídas sobre chão baixo são brejos e pântanos. Aquelas casas que foram construídas sob chão elevado foram, é claro, como as outras cidades, saqueadas de tudo que elas continham pelos remanescentes que foram deixados; o ferro, também, foi extraído. [49]Árvores crescendo perto delas em tempo racharam as paredes, e elas caíram. Árvores e arbustos cobriram-nas; hera e urtiga esconderam as massas em ruína de tijolos.
O mesmo foi o caso com as cidades e vilas menores, cujos locais são conhecidos nos bosques. Pois, embora muitas cidades presentes levem os nomes antigos, elas não se levantam sobre os lugares antigos, mas ficam a duas ou três, e algumas vezes, dez milhas de distância. Os fundadores levaram com eles o nome de suas residências originais.
Dessa maneira, as partes baixas da poderosa cidade de Londres tornaram-se pântanos, e as mais elevadas forma envolvidas por arbustos. Os muito maiores dos prédios caíram, e não há nada visível senão árvores e espinheiros nas terras elevadas, e salgueiros, espadanas, canas e juncos nas baixas. Essas ruínas em desintegração sufocaram o córrego ainda mais, e quase, se não completamente, viravam-no de volta. Se qualquer lodo de água passasse, não era perceptível, e não há canal até o oceano salgado. É um vasto pântano estagnado, no qual homem nenhum se atreve a entrar, uma vez que a morte seria seu destino inevitável.
Naquele lugar exala dessa massa pantanosa um vapor tão fatal que nenhum animal pode suportá-lo. A água negra transporta uma escória flutuante marrom esverdeada, a qual para sempre borbulha a partir da lama pútrida do fundo. Quando o vento recolhe o miasma, e, por assim dizer, pressiona-o junto, ele torna-se visível como uma nuvem baixa que fica suspensa sobre o lugar. A nuvem não avança além dos limites do pântano, parecendo permanecer ali por alguma atração constante; e para nós é bom que não o faça, uma vez que nessas [50]horas, quando o vapor é o mais espesso, até o pássaro selvagem deixa os juncos e voa do veneno. Não há peixes, nem podem enguias existir na lama, nem mesmo salamandras. Está morto.
As espadanas e juncos são revestidos com limo e fétidos de tocar; há um lugar onde até esses não crescem, e onde não há nada salvo um líquido oleoso, verde e rançoso. É claro que aqui não há peixes na água, pois as garças não vêm para cá, nem os martins-pescadores, nenhum dos quais se aproxima do lugar. Eles dizem que o sol algumas vezes fica oculto pelo vapor quando ele é o mais espesso, mas eu não vejo como alguém pode dizer isso, uma vez que eles não podem entrar na nuvem, visto que a respirar quando coletada pelo vento é imediatamente fatal. Pois toda a podridão de um milênio e de muitas centenas de milhões de seres humanos está apodrecendo sob a água estagnada, a qual se afundou e penetrou na terra, e flutuou até a superfície os conteúdos da cloaca enterrada.
Muitas vintenas de homens, eu temo, pereceram na tentativa de entrarem nesse lugar terrível, levados pelo desejo de ganho. Pois mal pode ser discutido que tesouro incalculável jaz oculto naquele lugar, mas guardado por terrores maiores do que as serpentes de fogo. Esses comumente realizaram seus esforços para entrar em geadas severas e contínuas, ou no apogeu de uma seca. O frio diminui o poder do vapor, e os pântanos podem então, também, ser parcialmente atravessados, pois não há canal para um bote. Mas no momento em que alguma coisa for movida, quer ela seja um arbusto, ou um salgueiro, até uma espadana, se o gelo for quebrado, a pestilência sobe ainda mais forte. [51]Além do que, há porções onde nunca congela, e que podem ser aproximadas de surpresa, ou uma virada do vento pode impelir o gás na direção do explorador.
No meio do verão, após um longo calor, o vapor sobe, e em um grau é dissipado no céu, e então seguindo caminhos tortuosos, uma entrada pode ser efetuada, mas sempre ao custo de doença. Se o explorador for incapaz de deixar o lugar antes da noite, seja no verão ou inverno, a morte dele é certa. Nos tempos mais antigos, alguns homens ousados e aventureiros de fato sucederam em conseguir algumas joias, mas, desde então, o pântano tornou-se mais perigoso, e sua natureza pestilenta, de fato, aumenta ano após ano, conforme a água estagnada penetra mais profundamente. De modo que agora, por muitos anos, nenhuma tentativa semelhante foi feita.
A extensão desses pântanos imundos não é conhecida com certeza, mas geralmente se acredita que eles são, no mais largo, vinte milhas de lado a lado, e que eles abrangem, em uma linha sinuosa, quase quarenta. Mas as partes exteriores são muito menos letais; é apenas o interior que deve ser evitado.
Na direção do Lago, a areia jogada para cima pelas ondas há muito formou uma barreira parcial entre a água doce e a estagnada, erguendo-se até uns poucos pés da superfície. Essa barreira é coberta de vegetação com espadanas e juncos, onde ela é rasa. Aqui é possível navegar junto a água doce dentro de um tiro de flecha de distância do pântano. De fato, nem desejaria a estagnada misturar-se com a doce, como é evidente em outras partes do pântano, onde as correntes fluem lado a lado com a água escura ou vermelha; e [52]há poças, em um lado das quais o cervo bebe, enquanto que o outro não é frequentado nem mesmo por ratos.
O povo comum afirma que demônios residem nesses pântanos; e, de fato, à noite formas ígneas são vistas, as quais, para o ignorante, são confirmação suficiente de semelhantes contos. O vapor, onde ele é mais denso, pega fogo, como a chama azul dos espíritos, e essas nuvens ardentes flutuam para lá e para cá, e todavia não queimam os juncos. O traço supersticioso nelas, as formas de demônios e de ferozes serpentes aladas, e diz-se que espectros brancos assombram a margem do pântano após o crepúsculo. Em um grau menor, a mesma coisa ocorrera com outras cidades antigas. É verdadeiro que nem sempre há pântanos, mas os locais são inabitáveis por causa das emanações das ruínas. Portanto, eles são evitados. Mesmo o ponto onde uma única casa foi conhecida de ter existido é evitado pelos caçadores nos bosques.
Eles dizem que, quando estão acometidos de malária ou febre, que eles devem ter dormido involuntariamente ao lado de alguma habitação antiga. Nem pode o solo ser cultivado próximo das cidades antigas, porque ele causa febre; e é dessa maneira que, como eu já declarei, os lugares presentes de mesmo nome frequentemente ficam a milhas de distância da localização antiga. Não antes que o arado ou a pá apareçam em um lugar antigo do que aqueles que lá trabalham são atacados por doença. E dessa maneira as cidades do mundo antigo, e suas casas e habitações, estão desertas e perdidas na floresta. Se os caçadores, prestes a armarem o seu acampamento para a noite, devessem tropeçar em tanto quanto um tijolo em ruínas ou um fragmento [53]de pedra lavrada, eles imediatamente o removeriam para, pelo menos, um tiro de arco de distância.
O fluxo oriental do Tâmisa sendo primeiramente reprimido e, finalmente quase ou inteiramente parado pela formação desses bancos, a água virou-se para trás, por assim dizer, e começou a cobrir a terra até então seca. E isso, com os outros rios e riachos menores que não têm mais um a saída final, explicam o lago, até onde se diz respeito a este lado do país.
Na extremidade ocidental, as águas também se contraem entre os penhascos íngremes chamados de Rochas Vermelhas, próximos dos quais uma vez existiu a cidade de Bristol. Agora os galeses dizem, e a tradição daqueles que habitam naquela parte do país suporta-os, que na época do mundo antigo o rio Severn fluía além do mesmo ponto, mas não entre aqueles penhascos. O grande rio Severn descendo do norte, com a Inglaterra em um banco e o País de Gales no outro, entrava no mar alargando-se como o fazia. Exatamente antes de alcançar o mar, outro rio menor, chamado de Avon, a parte superior do qual ainda está ali, juntava-se a ele, passando através dessa fenda nas rochas.
Mas quando os dias do mundo antigo tiveram fim com o crepúsculo dos antigos, como oceano salgado retrocedeu e seu nível tornou-se mais baixo, vastos bancos de areia foram descobertos, o que logo se estendeu através da maior parte do rio Severn. Outros, de fato, pensam que o oceano salgado não afundou, mas que, em vez disso, a terra foi erguida mais alta. Então eles dizem que as ondas jogaram para cima imensas quantidades de cascalho e areia, e que, dessa maneira, esses bancos foram [54]formados. Tudo que nós sabemos com certeza, contudo, é que através do estuário do Severn ali ergueu-se uma ampla barreria de praia, a qual expandiu-se com os anos, e ainda hoje aumenta. É como se o oceano agitasse seu fundo e jogasse-o adiante sobre a praia.
Agora, quando o Severn foi dessa maneira obstado ainda mais eficientemente do que o Tâmisa, em primeiro lugar, por assim dizer, ele também fluiu para trás até seu transbordamento e que dos rios menores que afluíam para ele encontraram-se e misturaram-se com o refluxo do Tâmisa. Dessa maneira o mar interior de água fresca foi formado; embora Silvester insinue (o que é mais improvável) que o nível da terra afundou-se e formou uma bacia. Após um tempo, quando as águas subiram suficientemente, uma vez que as águas precisam ter uma saída para algum lugar, o Lago, passando através da região verde por trás das Rochas Vermelhas, veio vazando através do canal do Avon.
Então, mais adiante abaixo, ele ergueu-se sobre os bancos que são os mais baixo lá e, dessa maneira, encontrou seu caminho, através de uma represa para o mar. Agora, quando a maré do oceano está em sua vazante, as águas do Lago arrojam-se sobre esses bancos com uma corrente tão furiosa que nenhuma embarcação pode ou subir ou descer. Se os barcos tentarem descer, eles serão inundados pelo encontro das ondas; se eles tentarem subir, o mais forte vendaval que sopre não poderia forçá-los contra a correnteza. Conforme a maré gradualmente retorna, contudo, o nível do oceano eleva-se ao nível do Lago, o fluxo das águas para o exterior cessa, e até há um fluxo parcial da maré para o interior, o qual, em seu mais alto, alcança as Rochas Vermelhas. Nesse estado da maré, [55]o qual ocorre duas vezes em um dia e noite, embarcações pode entrar ou sair.
As embarcações irlandesas, das quais eu falei, dessa maneira entram no Lago, aguardando do lado de fora da barreira até que a maré erga-as através dela. Sendo construídas para atravessarem o oceano a partir de seu país, elas são grandes, robustas e bem tripuladas, levando de trinta a cinquenta homens. As embarcações galesas, as quais descem da enseada do Lago que segue o antigo curso do Severn, são muito menores e mais leves, como não são requeridas de resistirem às águas pesadas. Elas levam apenas quinze ou vinte homens cada, mas então elas são mais numerosas. As embarcações irlandesas, por conta de seu tamanho e projeto, ao navegarem sobre águas doces, nem sempre podem alar na costa à noite, nem seguir das embarcações de carga entre a franja das ilhas e a praia.
Frequentemente elas têm de permanecer nas águas mais exteriores e profundas; mas os botes galeses entram facilmente em todas as partes da costa, de maneira que nenhum lugar está a salvo deles. Os galeses sempre têm sido os mais ciumentos quanto àquela parte do Lago que se supõe seguir o curso do Severn, e, em hipótese alguma, permitirão tanto quanto uma canoa entrar ali. De maneira que, quer seja um riacho estreito, ou haja alcances amplos, ou como as costas podem ser, nós somos ignorantes. E isso é tudo que é conhecido com certeza a respeito da origem do mar interior de água doce, excluindo tudo que a superstição e especulação sugeriram, e não estabelecendo nada senão fatos verificados.
[56]Um lindo mar ele é, claro como cristal, exótico de beber, abundando com peixes de todos os tipos, e adornado com ilhas verdes. Não há nada mais amável no mundo do que quando, em uma noite calma, o sol desce através da água nivelada e cintilante, onde ela é tão ampla que o olho apenas consegue distinguir uma nuvem baixa e escura, por assim dizer, descansando sobre o horizonte, ou talvez, olhando longitudinalmente, não pode distinguir qualquer fim da expansão. Algumas vezes é azul, refletindo o sol do meio-dia; algumas vezes branca, a partir das nuvens; novamente verde e escura enquanto o vento eleva-se e as ondas deslizam.
De fato, tempestades surgem com extraordinária rapidez, razão pela qual as embarcações, sempre que possível, seguem a rota de comércio, como ela é chamada, por atrás das ilhas, a qual as acolhe como um recife protetivo. Elas desaparecem igualmente rapidamente e, dessa maneira, não é incomum para a manhã ser calma, o meio-dia furioso em ondas arremessando-se sem resistência sobre a praia, e a noite novamente parada. Os irlandeses, quem são acostumados com o oceano salgado, dizem, na rapidez de suas tempestades e dos ventos inconstantes, elas são mais perigosos do que o mar mesmo. Mas então quase sempre há ilhas, atrás das quais uma embarcação pode ser abrigada.
Sob a superfície do Lago devem haver muitas vilas e cidades escondidas, das quais os nomes estão perdidos. Algumas vezes, mesmo agora, as ancoras levantam ferro enferrujado e metal velho, ou vigas de madeira. Diz-se, e com probabilidade, que quando os remanescentes dos antigos descobriram a água gradualmente invadindo (pois ela subia muito lentamente), conforme eles eram impelidos [57]de volta ano após ano eles consideravam que, com o tempo, eles seriam todos varridos para longe e afogados. Mas após a extensão para seus limites atuais o Lago não se elevou mais adiante, nem mesmo nas temporadas mais úmidas, mas sempre permanece o mesmo. A partir da posição de certos cais, nós sabemos que ele tem permanecido dessa maneira pela última centena de anos pelo menos.
Nunca, como eu observei antes, houve uma vastidão de água tão bela. Quão nós devemos ficar tristes que ela tão frequentemente se provou apenas o modo mais fácil de trazer as misérias da guerra às portas do inofensivo! Todavia, os homens nunca se cansam de navegar para lá e para cá sobre ela, e a maioria das cidades do tempo presente estão em sua costa. E à noite nós caminhamos pela praia e, a partir dos solos elevados, olhamos através das águas, como se olhar para o encanto delas fosse recompensa para nós pelo labor do dia.
ORIGINAL:
JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.45-57. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/45/mode/1up>
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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