[146]Vazio foi o dia para Birdalone, exceto pelos pensamentos dela, e ela não dormiu bem por um bom tempo da noite. Quando ela acordou pela manhã, não havia terra diante dela, e ela começou a temer um pouco que assim poderia ser por muitos dias, que poderia ter de viajar pela água sem-terra e talvez até que morresse de fome; pois agora havia apenas pouco mantimento restante daquele que a gentil Viridis dera a ela. Assim ela consumiu o dia um pouco dificilmente, e, quando a noite caiu, comera apenas pouco; todavia, aquele era a última migalha e bocado de sua reserva. Portanto, não é de admirar que ela estivesse consternada, quando acordou cedo pela manhã, e não contemplou nada diante dela salvo a água sem-terra.
Mas por volta do meio-dia, ela considerou que viu uma pequena nuvem no alto-mar, que não se movia como as outras nuvens. Inicialmente, ela observou-a rigorosamente e viu que a mesma não mudou mais. Ela cansou-se de observá-la e esforçou-se para dormir, virando a cabeça para a parte posterior de seu bote. Dessa maneira, entre dormindo e acordando, ela consumiu três horas: então ela colocou-se de pé, olhou adiante, e oh, a nuvem branca tomara forma, e era um castelo [147]branco muito distante (pois o dia estava excessivamente claro), assentado, como parecia, na face mesma da água. O bote deslocou-se velozmente para lá, de maneira que não demorou muito antes que Birdalone contemplasse a costa verde de cada lado do dito castelo, e, finalmente, três horas antes do pôr do sol, ela estava aproximando-se de lá, e contemplava tudo claramente, tudo o que havia.
Era novo em folha e era suficientemente belo, construído parte de pedra e tília, parte de trabalho estruturado, mas era apenas razoavelmente grande. Todavia, conforme ela aproximava-se, ela viu que havia pessoas sobre as muralhas dele, e eles pareciam vê-la, pois um chifre foi soprado a partir das ameias, e pessoas estavam correndo juntas para algum lugar. E agora Birdalone chegou tão perto que ela viu a comporta do castelo, e as pessoas saindo através dela para o ponto de desembarque. Ela logo viu que um homem muito alto com cabelo grisalho colocou-se de pé à frente deles. Ele acenou com a mão para ela e falou alguma coisa, mas o vento levou as palavras dele para longe dela. Contudo, ela parecia saber que essa gente faria ela saber que eles não a receberiam de maneira alguma; e o coração dela definhou dentro de si, tão fraca e faminta como ela estava.
De qualquer maneira, o bote deslizou velozmente em seu caminho e, em um minuto ou dois, ele parara a si mesmo na escada de desembarque, paradeiro onde estava reunido uma vintena de homens, alguns armados, alguns desarmados, e eles pareciam, pela maior parte, ser de cabeça grisalha e passados da meia-idade.
Birdalone colocou-se de pé em sua embarcação, e o acima mencionado alto homem de cabelo grisalho, quem estava desarmado, mas envolto em vestimenta cavalheiresca, permaneceu na escada e falou para [148]ela: ‘Moça, esta é uma casa onde mulheres nunca entram desde que primeiro o teto estava concluído sobre ela, o que, verdadeiramente, foi apenas há um ano. Portanto, nós te suplicaremos para virar a cabeça de teu bote para longe, e buscar algum outro alojamento pela água, quer para o leste, quer para o oeste.’
Pouco conhecia Birdalone da cortesia mundana, ou provavelmente ela teria preparado-lhe uma resposta afiada. Mas ela apenas olhou-o tristemente e disse: ‘Bom guerreiro, eu venho por um longo caminho, e não posso voltar atrás em minha missão. Agora eu estou carecendo de mantimentos e faminta e, se vós não me ajudardes, é provável que eu deva morrer. Muito jaz em minha missão, se vós a conhecerdes.’ Ela estava prestes a chorar, mas conteve as lágrimas, embora os lábios estivessem estremecidos. Ela estendeu as mãos para o de barba grisalha, e ele olhou para ela e considerou-a excessivamente bela; ele considerou-a ser sincera, tanto por causa de sua fala simples e voz doce, quanto pela graça de sua face e olhos. Mas ele disse: ‘Moça, tua missão não tem nada a ver com isso, é tua feminilidade que barra nossa porta. Pois todos nós estamos vinculados por julgamento a não tolerarmos uma mulher a residir neste castelo, até que nossos senhores removam o banimento e ordenem-nos a abri-lo a mulheres.’ Ela sorriu fracamente e disse: ‘Se eu pudesse apenas ver teu senhores então, uma vez que tu não és mestre aqui.’ Ele disse: ‘Eles estão distantes, e não retornarão até a manhã de amanhã; e eu não tenho conhecimento da hora do retorno dele. E contudo,’ disse ele, ‘eu gostaria que nós pudéssemos ajudar-te um pouco.’ ‘Oh, eu suplico-te, eu suplico-te!’ ela disse, ‘ou minha missão chegará a nada depois de tudo.’
Com isso outro homem desceu a escada, [149]colocou-se de pé ao lado do velho cavaleiro, removeu sua manga e começou a falar com ele suavemente. Esse homem era por seu hábito um religioso, e era um homem mais jovem que os outros, ele poderia ser de trinta e cinco invernos e era belo de rosto. Enquanto eles conversavam, Birdalone sentou-se novamente e estava quase exausta.
Finalmente o velho falou: ‘Donzela,’ ele disse, ‘nós consideramos que podemos tolerar-te entrar no castelo, uma vez que tua necessidade é tão grande, e ter uma refeição de carne em nossas mãos e, contudo, preservar nosso juramento, se tu partires daqui pelo portão na direção da terra antes do nascer do sol. Isso servir-te-á?’ ‘Bom senhor,’ disse Birdalone, ‘isso salvará minha vida e minha missão; eu não posso dizer mais palavras por causa de minha fraqueza, senão eu te agradeceria.’
Ela colocou-se de pé, e o velho homem de armas estendeu a mão para ela, e ela tomou-a e partiu escada acima, mas descobriu-se apenas fraca. Mas o sacerdote (verdadeiramente ele era o capelão do castelo) ajudou-a do outro lado. Mas, quando ela ficou de pé sobre as pedras niveladas próximas do portão de água, ela voltou-se para o velho homem e disse: ‘Uma coisa eu te perguntarei, é este lugar uma das Ilhas Maravilhosas?’ O ancião sacudiu a cabeça. ‘Nós não conhecemos as Ilhas Maravilhosas,’ ele disse; ‘este castelo é construído no continente.’ A face dela ruborizou de alegria diante daquela palavra e ela disse: ‘Uma coisa eu implorarei a ti, a saber, que tu deixes meu barco jazendo aqui, intocado até que teus mestres retornem, e dês comando para que ninguém se intrometa com ele.’
Ele teria respondido, mas o sacerdote irrompeu e disse: ‘Isso ele fará, moça, e ele é o [150]castelão e, além disso, ele jurara obedecer-te nisso.’ E com isso ele sacou uma cruz com Deus pregado nela, e o castelão jurou sobre ela com uma boa vontade.
Então o sacerdote aproximou-se de Birdalone e, entre eles, trouxeram-na a um grande salão, sentaram-na em uma cadeira e apoiaram-na com almofadas. E quando estava em repouso dessa maneira, ela começou a chorar um pouco, e o castelão e o sacerdote permaneceram perto e consolaram-na; pois parecia-lhes que, a despeito do sofrimento dela, ela trouxera o sol para a casa deles.
Em seguida, alimentos foram trazidos para ela, caldo e carne de veado, e bom vinho e iguarias e morangos. Ela não estava tão esfomeada mas ela pôde comer e beber com uma boa vontade. Mas, quando ela terminara e descansara um pouco, o castelão colocou-se de pé e disse: ‘Moça, o sol partiu da janela ocidental, e eu preciso preservar meu juramento; mas, antes que tu partas, eu estaria inclinado a ouvir tua voz concedendo-me perdão por minha disposição perversa e impelir-te para fora.’ E com isso ele colocou um joelho no chão, tomou a mão dela e beijou-a. Mas Birdalone tornara-se alegre novamente, ela diu e disse: ‘Que perdão tu podes ter de mim, cavaleiro gentil, tu tens; mas agora, parece-me, que tu dá-me muita atenção, porque eu sou a única mulher que entrou em teu castelo. Eu sou apenas uma simples donzela, embora minha missão não seja pequena.’
Verdadeiramente, ela maravilhou-se de que e o velho forte e rude mudara tanto com ela em pouco espaço de tempo; pois [151]nada ela conhecia de como até agora a visão dela lançava uma brasa quente de amor nos corações deles que a observam.
Agora Birdalone ergueu-se; mas o castelão ajoelhou-se diante dos pés dela e beijou a mão dela de novo, e de novo, e ainda de novo. Então ele disse: ‘Tu és graciosa de fato. Mas, parece-me, o padre aqui te conduzirá para fora dos portões; pois ele pode mostrar-te um albergue, no qual tu deverás ficar suficientemente segura durante a noite; e o amanhã pode trazer novas notícias.’
Então o sacerdote fez reverência a ela e guiou-a salão abaixo, e o olhos do castelão ficaram seguindo-os até que o biombo escondeu-os. O sacerdote deixou-a na varanda do salão por um momento, foi à despensa e retornou com uma cesta de comida e bebida, e eles saíram juntos pelo grande portão, e lá estava o fim do sol diante deles.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 146-151. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/146/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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