[157]Foram os pássaros, começando uma vez mais sua canção, que despertaram Birdalone antes que o sol estivesse alto. Mas, por um tempo, ela não teve vontade de se mover, já que se sentia tão feliz e tranquila; e mais ainda quando ela lembrava-se de onde estava e dizia a si mesma que sua missão agora devia provavelmente ser realizada. Ela pensou em suas amigas, que ela deixara na Ilha do Aumento Inesperado, e abençoou-as pela bondade delas, e o amor delas era tão doce para o coração dela, e, em meio a semelhantes pensamentos, ela adormeceu novamente.
Depois disso, quando ela acordou, havia uma enchente de luz do sol deitando-se nos prados, e ela saltou com pressa, com medo que dormira demais, mas, quando saíra do caramanchão, logo viu que os raios de sol deitavam-se baixo sobre a terra, e que ainda era a primeira hora de sol. Então ela virou-se e caminhou através do bosquete para o outro lado, e oh! Um pequeno córrego, límpido, correndo diante dela. Então ela falou para si mesma suavemente e disse: ‘Vergonha disto! Eu estava cansada do bote e de minha fome na última noite, e fui para a cama suja e, nesta manhã eu estou cansada da impureza de meu corpo sujo. Impróprio seria para me mostrar desalinhada diante desses senhores. Deixe-me encontrar tempo para um banho, pelo menos.’
Após o que, ela desceu rapidamente para a água, abrindo seu cinto e laços pelo caminho. Ela veio ao córrego e encontrou-o fluindo, entre não-me-esqueças [158]de floração azul e juncos, para um poço que se aprofundava um raso arenoso. Assim, sem demora, a vestimenta emprestada dela estava estendida na orla coberta de grama da água, e ela estava nadando e divertindo-se no poço, com o cabelo solto e ondulando sobre suas costas brancas como alguma trança das elódeas. Nesse lugar ela não se atreveu a demora-se muito, mas saiu rapidamente para a grama, e vestiu-se com pressa. Apenas ela não cobriu os ombros com o vestido dourado, nem o laçou em volta do seio, de modo que a bata de Viridis poderia ser a mais simples de ver: bata a qual era digna de nota, pois o peito dela ela era bordado com galhos verdes, donde irrompiam pequenas chamas de fogo, e tudo tão delicadamente trabalhado como se as fadas tivessem preparado.
Além disso, ela amarrou acima o vestido com seu cinto, e deixou a bainha da saia revelar seus tornozelos, de modo que o calçado de Atra pudesse ser visto imediatamente; e ele delicadamente arrumado com ornamento e bordado de ouro e pedras verdes e azuis. E verdadeiramente era um pouco como se qualquer homem devesse permanecer diante dela por um minuto antes que os olhos dele procurassem os pés e tornozelos dela, tão clara e agradavelmente como eles estavam moldados.
Após o que ela colocou as mãos na cabeça, amarrou o cabelo para cima, e confinou-o perto da cabeça, de maneira que ele não pudesse esconder nenhuma partícula de sua vestimenta emprestada.
Ali ela permaneceu, com o colar de Aurea estendendo-se em torno de seu querido pescoço, e o cinto de Viridis em volta dela dando forma aos quadris, e o anel de Atra em seu dedo amável. E ela ouviu com atenção por um tempo e não escutou nenhum som de [159]homens chegando; e ali surgiu no coração dela um leve medo, que não a afligiu. Através da água, diante dela, pendia um arbusto de madressilvas, com suas muitas rosas ou em botão ou apenas para fora. Birdalone moveu-se suavemente para lá e disse, sorrindo: ‘Não, se eu não tenho nada do que é meu sobre meu corpo, eu tomarei isto do banho da donzela e torná-lo-ei meu.’ E com isso ela arrancou um raminho do arbusto e transformou-o em uma coroa para a cabeça dela; e então, quando ela permanecera timidamente por um tempo naquele mesmo lugar, ela voltou e caminhou rapidamente para o lugar ao lado de seu albergue noturno, e lá permaneceu, ouvindo aquele doce medo crescendo sobre ela, a cor dela indo e vindo, e o coração dela batendo rápido.
Agora, o pensamento daquele tipo de sacerdote que a guiara ao caramanchão na última noite surgiu na mente dela, e ela ponderou sobre porque ele ficara tão perturbado. E ela pensou, seriam aqueles outros tão amáveis com ela, ou eles a julgariam uma moça impudente ou uma tola, ou ignorá-la-iam?
Verdadeiramente, se ninguém a ignorou, não tinha sido ele que deveria falhar em ver a beleza dela, mas que ele deveria temê-la, e considerá-la alguma deusa dos Gentios do tempo antigo, que vinha diante dele para o enredar.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 157-159. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/157/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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