[152]Em uma bela estrada regular, eles caminharam em meio de um vistoso prado, no qual haviam pequenos bosquetes aqui e ali. Quando eles estavam razoavelmente fora do portão, o sacerdote alcançou a mão de Birdalone, e ela deixou ele tomá-la e conduzi-la juntamente desse modo, não pensando mal; mas ele escassamente pôde falar por um tempo, tão grande era o rebuliço em seu coração ao toque da carne nua dela. Mas Birdalone falou e disse: ‘Tu és gentil, pai, para me guiar em meu caminho desta maneira.’
Ele respondeu em uma voz rouca com seus olhos baixos, e verdadeiramente colocados nos pés dela: ‘Não é longe para onde eu estou conduzindo-te; há uma cabana quebrada perto do bosquete na curva da estrada acolá, na qual tu podes permanecer nesta noite; é melhor hospedagem do que nenhuma.’ Birdalone riu: ‘Pior eu tenho tido,’ disse ela, ‘do que seria o bosquete sem a cabana.’ E, ao mesmo tempo, ela pensou na prisão na Ilha do Aumento Inesperado.
A voz dela pareceu tão alegre e amigável ao sacerdote, que ele livrou-se um pouco do mau humor de seu desejo e disse: ‘Eu devo contar-te, moça, que suponho que tu tenhas mais incumbência com meus senhores do que implorar hospedagem deles a despeito do costume do castelo. Ou melhor, eu tenho uma suspeita do que tua missão possa ser, da qual [153]mais em breve; mas agora eu devo contar-te o que é melhor para você fazer de forma tal a ter conversa com eles o mais breve. Ele partiram com alguns de nossos rapazes para obter carne de veado, ou pode ser carne de vaca e de carneiro para nosso abastecimento, e um pouco de batalha eles podem ter tido durante o caminho, pois vizinhos ruins nós temos. Mas, se eles retornarem sem ter lutado, eles passarão por esta estrada, e precisarão passar pelo lado do bosquete; e se tu estiveres dormindo, o barulho deles muito certamente te despertará. Então, tudo que tu tens a fazer é sair e colocar-se no caminho diante deles, para que eles possam ver-te e, uma vez que eles tenham visto-te, como podem eles passar por ti sem falar?’
‘Eu agradeço-te cordialmente por teu conselho,’ disse Birdalone; ‘apenas eu te perguntaria duas coisas: primeiro, qual é o nome do castelo atrás de nós? E segundo, por que vós tendes o costume de fechar a porta para mulheres?’ Disse o sacerdote: ‘O castelo é chamado de Guarda Branca à Beira d’Água, nesta região rural; mas dentro dele nós chamamo-lo de o Castelo da Busca e, dessa maneira é chamado por que meus senhores porque meus senhores estão buscando os amores deles que eles perderam; e eles fizeram um juramento de que nenhuma mulher deveria entra ali até que os próprios amores deles tenham posto os pés em seus pisos.’
Ergueu-se o coração de Birdalone diante daquela palavra, e ela de fato considerou que veio para cá, para onde as amigas dela mandá-la-iam. O sacerdote observou-a e viu como a beleza dela foi aumentada por aquela alegria, ele mal sabia como se conter e não pôde falar palavra alguma por um tempo; [154]então ele falou: ‘Ouve com atenção mais a respeito de teu assunto; se meus senhores estiverem atrasados, e não vierem pela canção matinal, então eu não duvido de que apenas o castelão enviará gente para ver-te.’ Com isso ele olhou para baixo e disse: ‘Eu virei a ti eu mesmo, e trar-te-ei homens de armas, se necessário for. Mas, no devido tempo amanhã de manhã, meus senhores chegarão, salvo se diabrura tiver ocorrido, o que Deus me livre.’ E ele fez o sinal da cruz diante de si mesmo. Então ele olhou para cima e em cheio para a face dela e disse: ‘Mas mantém teu coração elevado; pois, seja o que for que tenha acontecido, tu não deverás ser deixada abandonada.’
Disse Birdalone: ‘Eu vejo de ti que tu tornaste-te meu bom amigo, e isso alegra meu coração; eu deverei fica bem à vontade esta noite em tua cabana e, amanhã de manhã, eu deverei ser valente para realizar tua instrução.’
A doçura da fala dela assim o dominou, mas ele olhou confusamente para ela, como se ele escassamente a ouvisse; e eles prosseguiram sem palavras, até que ele disse: ‘Aqui nós estamos na cabana, e eu te mostrarei teus aposentos.’ Assim ele conduziu-a a um pequeno caramanchão de palha, construído com paredes de obra de pau-a-pique emplastrado com argila; o qual se levantava sem o restante da cabana: ele estava limpo e seco, pois o teto era à prova de intempéries; mas não havia nada ali de maneira alguma, salvo um montão de samambaia em um canto.
Ali permaneceu o sacerdote, ainda segurando a mão de Birdalone, e não falou, mas observou em torno, todavia sempre disfarçadamente a Birdalone. Mas, após um tempo, ele deixou a mão dela ir-se, pareceu despertar e disse: ‘É isso; um lugar bastante triste, ele foi até mesmo, por um tempo, um [155]tronco de vagabundo.’ ‘Assim mesma eu sou,’ respondeu ela rindo; ‘e tu podes cuidar disto, que aqui eu deverei descansar inteiramente feliz.’ Então ele deu um chifre a ela, retirando-o da cesta de mantimentos, o qual agora ele colocava sobre o chão e ele disse: ‘Se tu deves considerar-te difícil assistência, então sopra este chifre, e nós deveremos conhecer tua voz lá em cima e vir para te ajudar. Agora eu desejo-te boa noite.’
Ela agradeceu-lhe docemente, e ele saiu lentamente do caramanchão, mas escassamente fora embora até que ele veio novamente e disse: ‘Uma coisa talvez eu possa contar-te sem atrair tua raiva sobre minha cabeça; a saber, que fui eu quem disse ao castelão que ele deveria acolher-te. Tu dirás alguma coisa quanto a isso?’ Ela disse: ‘Eu te agradecerei de novo e de novo; pois isso foi a salvação de minha vida e de minha missão. E é mais claro para mim agora do que nunca que tu és um bom amigo para mim.’
Enquanto ela olhava para ele e acariciava-lhe com olhos gentis, ela viu que a testa dele franziu-se e face dele inquietou-se, e ela disse-lhe: ‘O que te afliges? Estás tu indignado comigo de alguma maneira?’ ‘Oh, não,’ disse ele; ‘como eu poderia ficar indignado contigo! Mas há uma coisa que eu te perguntaria.’ ‘Sim, e o que é?’ Disse ela: ‘Não, eu não posso, eu não posso. Deverá ser para amanhã, ou outro dia.’ Ele disse isso olhando para baixo, e em uma voz quebrada; e ela ponderou um pouco sobre ele, mas não muito, considerando que ele estava inquieto por alguma coisa que nada tinha a ver com ela, e na qual ela poderia abster-se de pensar, mesmo diante de um estranho.
[156]Mas logo ele tomou a mão dela, beijou-a, desejou-a boa noite novamente e então saiu apressadamente do caramanchão. Quando estava suficientemente fora, ele murmurou, mas não de maneira que ela pudesse ouvi-lo: ‘Houvesse eu atrevido-me a perguntá-la, ela teria permitido-me beijar a bochecha dela. Ai! Que tolo eu fui!’
Então, Birdalone voltou-se para sua cama de samambaia e encontrou-a doce e limpa. Ela estava em repouso e com paz em sua mente, embora seu corpo estivesse excessivamente cansado. Ela sentiu-se feliz na pequena cabana solitária, e o coração dela saíra para o doce prado, e ela amou-o, após toda a dificuldade da água; e parecia-lhe que, mesmo agora, no crepúsculo crescendo em escuridão, ele amava e acariciava-a. Assim ela deitou-se, não despida de qualquer modo, com medo de que ela devesse ter de se levantar subitamente e mostrar aqueles símbolos das três donzelas em seu corpo.
Por um pouco ela deitou-se ali alegremente, ouvindo as vozes dos rouxinóis no matagal, então ela caiu em um sono sem sonho, ininterrupto até que a breve noite mudou-se em dia.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 152-156. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/152/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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