[43]DISSE a bruxa-esposa: ‘Quando tu voltares a ti mesma (pois não é minha vontade que tu nunca mais devas ter tua própria forma novamente), sem dúvida a primeira que coisa que tu deverás fazer com tua voz recém-ganha e tua inteligência recém-ganha deverá ser amaldiçoar-me, e amaldiçoar-me novamente. Faze como tu desejares sobre esse assunto; mas eu ordeno-te, não me desobedeça, pois isso deverá conduzir-te à tua perdição. Pois, se tu não fizeres meu comando, se tu bisbilhotares meus assuntos e desnudares aquilo que eu tiver encoberto, então isso será imputado a ti por culpa, e eu, queira ou não queira, precisarei ser vingada de ti mesmo à morte: e então estará terminado todo o labor e a labor que eu tive para criar-te uma amável e destra donzela. Considera tu, então, está angústia vigente amável para ti, para manter-te de modo que tu não venhas a nada.’
‘Agora que eu comecei a falar, eu prosseguirei; pois, até agora, pouco eu falei a ti do que estava em meu coração. Bem, eu sei que tu pensas de mim apenas como um sonho ruim, donde ninguém pode nada, apenas ansiar por acordar dele. Contudo, eu obrigar-te-ia a olhar para isto pelo menos; que eu tomei-te da pobreza e do embaraço, e criei-te tão sinceramente quanto uma cria uma criança; matar-te de fome nunca, batendo-se não tão frequentemente, e apenas raramente de modo cruel. Além disso, eu suportei-te a ir a onde quer que tu desejasses, e obriguei-te a labutar por nada salvo o que fosse necessário para as nossas duas subsistências. E eu não te obstei tuas natações no lago, nem [44]tuas vagabundagens no bosque, e tu aprendeste a disparar o arco lá, até que tu estás agora um mestre no ofício: e, além disso, tu és de pé veloz como o melhor dos veados, e podes correr mais do que qualquer um deles quem tu desejares.’
‘Verdadeiramente uma vida alegre tu tiveste como uma criança, e alegre agora seria tua vida, salvo por teu ódio de mim. Em uma adorável moça imaculada tu cresceste. Isso eu conto-te agora, embora meu costume tenho sido zombar de ti pela maneira de teu corpo; que era apenas a palavra da senhora para sua escrava. E agora, o que te aguarda? Pois tu podes dizer: eu estou sozinha aqui, e não há homem para olhar-me. De que proveito, portanto, é minha bela aparência e voluptuosidade? Criança, eu respondo-te que a hora está chegando quando tu deverás ver aqui muitos dos homens mais belos, e então tu deverás ser rosa em vez de lírio, e chegar completamente à feminilidade; e todos aqueles deverão amar-te e adorar-te, e tu poderás tornar feliz a quem tu desejares, e, a quem tu puderes, entristecer; e nenhuma carência de qualquer tipo tu deverás ter da doçura do amor, ou da glória do domínio.’
‘Pense nisto, então! Tudo isto é para ti, se tu viveres aqui quietamente comigo, fazendo minha vontade até que tua feminilidade tenha florescido. Portanto, eu peço e imploro a ti, extingue de tua mente o pensamento de fugir de mim. Pois se tu o tentares, uma de duas coisas deverá acontecer: ou eu deverei trazer-te de volta e matar-te, ou fazer-te viver em miséria de tormento; ou senão tu escaparás, e então o que será? Tu sabes como deverá ser [45]para ti, entrando pobre e sem nome, uma proscrita, no mundo dos homens? Luxúria tu deverás atrair para ti, mas dificilmente amor. Eu digo que uma proscrita tu deverás ser, sem adoração ou domínio; teu corpo deverá ser presa para indecentes e, quando a bela flor dele tiver desbotado, tu deverás descobrir que as malavras de teus amantes eram apenas fingimento. Que nenhum homem deverá amar-te, e nenhuma mulher ajudar-te. Então deverá a Idade chega-te e encontrar-te em casa com o Inferno; e a morte deverá vir e zombar-te por tua vida naufragada por nada, por nada. Essa é minha palavra para ti: e agora eu não tenho nada para fazer-te salvo mudar-te a pele, e assim deverás tu fazer como tu podes, mas, pelo menos, não deverá ser feia ou má de forma. Mas, em outra ocasião, talvez, eu não deverei ser tão gentil como para dar-te uma nova forma, mas deverei deixar-te a vaguear de um lado para o outro vista por ninguém exceto por mim.’ Em seguida, ela pegou o copo e pegou água na concavidade de sua mão, jogou-a na face de Birdalone e murmurou algumas palavras ao mesmo tempo. De fato logo ela viu a si mesma novamente, que ela tornou-se uma corça branca como leite; e ela ouviu e viu novamente, mas não como ela, a donzela, estava a acostumada a ouvir e ver; pois ambas sua audição e visão assim como seu pensamento eram os de uma fera e não de uma donzela.
Disse a bruxa-esposa: ‘Está terminado agora, até que eu dê-te a graça novamente. Agora, fica fora no campo; mas, se vagueares por mais do que metade de um tiro de arco a partir do riacho, deverá ficar pior para ti. E agora o dia terminou e a noite chegou.’
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 43-45. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/43/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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