A Água das Ilhas Maravilhosas - A Primeira Parte: Sobre A Casa do Cativeiro - Capítulo VIII Sobre Birdalone e a Bruxa-esposa

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[30]Passou-se com Birdalone como Habundia predissera, pois ela retornou à casa, contente de semblante, corada e de pé leve, de modo que ela estava adorável e graciosa além de seu costume. A dama olhou para ela sombria e duvidosamente por um tempo e, em seguida, disse: ‘O que te afliges, minha serva, que tu parece tão magistral?’ ‘Nada me aflige, senhora,’ disse Birdalone, ‘salvo que estou alegre por causa da temporada do verão, e principalmente por causa de tua bondade e de teu presente, e que eu esteja bem perto de terminar meu trabalho nele, e que logo eu deva sentir essas coisas delicadas lançadas ao redor de meus tornozelos. E ela levantou e espalhou amplamente a saia com as duas mãos, e era de fato agradável de olhar-se.

A Bruxa-esposa bufou com desdém, fez careta para ela, e disse: Teus tornozelos verdadeiramente! Saco de ossos! Seu farrapo! Em verdade, tu estás enamorada por tua aparência, embora tu não sabias o que uma bela mulher seja. Verdadeiramente, eu começo a pensar que tu nunca irás crescer uma bela mulher em absoluto, mas permanecerás um elfo magro por toda a tua vida. Provavelmente eu fiz mal a mim mesma para experimentar-te desperdiçar esses três ou quatro meses de teu trabalho de escrava, uma vez que para nada exceto trabalho de escrava tu alguma vez deverás ser apropriada.

Birdalone baixou a cabeça, ruborizou, mas sorriu um pouco, e balançou o corpo gentilmente, como um galho de salgueiro é balançado quando um vento leve eleva-se pela manhã. Mas a bruxa colocou-se de pé, tão carrancuda com [31]ela, e com uma aparência tão azeda, que Birdalone, relanceando para era, descobriu seu coração afundar tão profundamente dentro de si, que ela mal manteve a expressão; contudo, ela não a perdeu.

Em seguida, disse a bruxa rispidamente: Estiveste tu no bosque hoje? Sim, senhora, disse a donzela. Então disse a dama ferozmente: E o que viste tu? Respondeu Birdalone, olhando para cima com um rosto inocente e um pouco assutado: Senhora, eu vi um urso, um dos grandes, cruzando uma clareira. E tu sem arco e flecha ou faca para madeira, eu tenho certeza disso, disse a bruxa. Tu devias ser açoitada, para manter em mente que tua vida é minha e não tua. Não, não, eu suplico-te, não fiques irada! disse a donzela; ‘ele estava a uma longa distância abaixo da clareira, e não teria seguido-me se ele tivesse visto-me: não havia perigo ali. Disse a bruxa-esposa: Viste tu qualquer coisa a mais? Sim, disse Birdalone, e estava chorando um pouco agora; o que verdadeiramente não era difícil para ela fazer agora, exausta como ela estava entre a esperança e o medo: eu vi minha corça branca e seu filhote, e eles passaram próximos de mim; e duas garças voaram sobre minha cabeça em direção à água; e […] Mas a bruxa virou-se bruscamente e disse: Escrava! Tu viste uma mulher hoje no bosque? Uma mulher? disse Birdalone, e que mulher, minha senhora, disse Birdalone. ‘Alguma mulher veio à casa, e passou adiante para o bosque?

A dama olhou para ela cuidadosamente, e lembrou-se de como ela gaguejara e mudara de semblante naquele outro dia, quando ela acusou-a de estar disposta a fugir. Agora ela via-a com face inquisitiva, e de maneira nenhuma confusa ou [32]receosa de astúcia, como parecia. Assim, ela acreditou em sua história e, desse modo, ficou mais acessível; sua ira escoou-se dela, assim como ela falou de maneira inteiramente agradável com Birdalone, e disse: Agora [que] eu tive meu escárnio em ti, minha serva, eu preciso contar-te que, em verdade, não é tudo por nada que tu teve esses meses de descanso. Pois, verdadeiramente, deste modo, tu tornaste-te mais como uma mulher; poliu-se e arredondou-se muito. Embora, a estação do feno não mais esperará por nós, e no dia depois de amanhã nós deveremos começá-la. Mas, quando ela estiver terminada, tu deverás estar livre para fazer teu vestido verde, ou que tu desejares, até que a colheita do trigo [esteja] em progresso; e após o que nós deveremos considerar. Ou o que dizes tu?

Birdalone maravilhou-se um pouco mediante essa palavra tão graciosa, mas não muito; pois agora, em seu coração, nascera alguma astúcia para fazer frente à astúcia da bruxa. Assim ela ajoelhou-se e tomou as mãos da bruxa, beijou-as, e disse: Eu não digo nada, senhora, senão que eu agradeço-te de novo e de novo que tu tornara-te tão boa para mim; e que eu completamente alegre trabalharei para ti no campo de feno, ou em qualquer lugar que tu desejares.

E realmente ela estava tão despreocupada que escapara deste modo das mão da bruxa desta vez, e acima de tudo, que conseguira uma amiga tão amável e querida como a mulher do bosque, que o coração dela abandonava-se em direção à sua senhora, de modo que ela chegou próximo de amá-la.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 30-32. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/30/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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