[18]ESBELTA e comprida é Birdalone a doce, com pernas que emergem nuas e bronzeadas de seu escasso agasalho cinzento e de uma bata ainda mais escassa abaixo, que era toda o seu traje, salvo quando o tempo estava implacável; então, de fato, era um manto de pele de cabra que aumentava seu vestuário. Pois a dama pouco atentava para as roupas dela. Nem Birdalone dava tanta atenção a isso para que ela se interessasse em arriscar-se à ira de sua senhora ao pedir a ela qualquer coisa.
Mas, em um dia dessa mesma primavera, quando a bruxa-esposa estava de temperamento mais doce do que era seu costume e o dia estava muito quente e agradável, embora fosse apenas um dos últimos dias de fevereiro, Birdalone, ruborizando e acanhada, suplicou timidamente por algum vestuário mais feminino. Mas a dama virou-se asperamente para ela e disse: ‘Hum, criança! De que necessita? Aqui não há homem para ver-te. Eu deverei pensar nisso; que, quando o devido tempo chegar, tu deverás ser embranquecida e amaciada ao máximo. Mas vê-te! Tu és uma moça destra com as mãos; toma a pele de veado que está pendurada acolá e faz-te sapatos de couro para teus pés, se tu assim desejares’
Assim mesmo fez Birdalone, e deu forma à pele para seus pés. Mas, enquanto ela estava costurando, uma fantasia veio a sua cabeça; pois ela há pouco se deparou com alguns fios de seda de cores diversas. Então ela levou-os, bem como seu sapato e sua agulha, para o bosque e lá se sentou alegremente debaixo de um grande carvalho que se espalhava, o qual ela visitava com frequência, e imediatamente começou a bordar [19]a amável pele de veado. E ela teve de demorar-se nesse trabalho, retornando a ele no próximo dia e no próximo, e por muitos dias, quando quer que a servidão dela suportasse, e, contudo, o sapato ficou escassamente concluído.
Então, em uma manhã, a dama olhou para os pés dela, enquanto ela movia-se de um lado para o outro da câmara, e gritou com ela: ‘O que! Ainda estás de pé descalço como uma galinha? Estragaste a boa pele de veado e ainda estás sem sapatos?’ ‘Não, senhora nossa,’ disse Birdalone, ‘mas o sapatos não estão inteiramente concluídos.’ ‘Mostre-os a mim,’ disse a dama.
Birdalone foi à sua pequena arca para pegá-los, e trouxe-os um pouco timidamente, pois ela não sabia como a sua senhora compreenderia o seu trabalho neles por tanto tempo, se porventura ela a punisse, ou poderia ser castigada, pois mesmo naqueles dias a mão da bruxa-esposa às vezes se erguia contra ela. Mas agora, quando a dama tomou os sapatos e examinou-os, e viu como havia folhas de carvalho trabalhadas sobre eles, bem como flores, e coelhos, e esquilos, ela apenas sorriu um pouco soturnamente para Birdalone, e disse: ‘Bem, talvez tu sejas uma tola para desperdiçar teu tempo e o meu em tais brinquedos; e dar-te tua punição justa seria dar-te marcas de cinto. Mas tu fizeste aqui segundo a natureza das mulheres mundanas, adornar teu corpo, bem como qualquer outra coisa com respeito ao mesmo. E desejável isso é, uma vez que eu te teria uma mulher tão logo possa ser; e eu ajudarei tua mente em relação à elegância, uma vez que tu és tão hábil com tua agulha.’
Após o que, ele foi ao cofre grande e retirou de lá uma peça fino tecido verde, outro de fino linho, e disse a Birdalone: ‘Isto tu podes [20]pegar, e fazer-te um vestido dai e uma nova bata, e fazê-los, se tu desejares, tão alegres quanto teus novos sapatos consigam ser; e aqui estão os recursos.’ E com isso ela deu a ela dois punhados de fios de seda e ouro, e disse: ‘Agora, suponho que eu preciso fazer a maior parte de teu trabalho, enquanto tu estás fazendo-te essas roupas espalhafatosas. Mas talvez alguém mais possa chegar por aqui logo, quem julgará o pássaro mais belo pelas suas belas penas. Agora, afasta-te de mim; pois eu trabalharei por ambas, mim e ti, assim como ponderarei sobre assuntos importantes.’
Quem estava satisfeita agora senão Birdalone; ela ruborizou com a nova alegria e ajoelhou-se e beijou a mão da bruxa. Em seguida, prosseguiu em seu caminho para o bosque, com sua carga preciosa, e lá trabalhou debaixo do carvalho dia após dias e todos os dias, ou naquele lugar, ou na casa quando o clima estava louco. Aquele era no meio de março, quando todos os pássaros estão cantando, e as jovens folhas mostrando-se nos espinheiros, de modo que haviam pálidas nuvens verdes, como era, entre os grandes troncos cinzentos do carvalho e das castanheiras; e, perto do lago, o açafrão do prado recém-emergido estava abrindo sua floração. Março passou-se, assim como abril, e ela ainda estava alegremente no trabalho, quando ora, era final de maio, e as campainhas estavam em plena floração abaixo da inclinação diante dela.
Tudo isso enquanto a bruxa intrometera-se pouco com Birdalone, e ordenou-a não trabalhar fora de casa ou em lugar que fosse de qualquer maneira penoso, mas fizera tudo ela mesma. Contudo, foi ela de pouca conversa com [a donzela], assim como frequentemente a observaria melancolicamente. E em uma tarde, quando Birdalone entrou da floresta, a [21]bruxa aproximou-se dela, encarou-a na face e disse subitamente: ‘Está em teu coração fugir de mim e deixar-me?’
Um tormento afiado de medo correu através do coração de Birdalone àquela palavra; ela ruborizou intensamente, e em seguida empalideceu os lábios, e apenas gaguejou: ‘Não, senhora, não está em meu coração.’ A dama olhou de modo sombrio para ela e disse: ‘Se tu o tentares e falhares, tu deverá lamentá-lo uma vez somente, a saber, por toda a vida; e tu não podes senão falhar.’ Ela ficou silente por um momento, e em seguida falou numa voz mais suave: ‘Fica contente aqui comigo por um tempo, e depois disso tu deverás ficar mais contente, e isso em breve.’
Ela nada mais disse dessa vez; mas a palavra dela arranhou o coração de Birdalone, e por algum tempo depois disso ela ficou extremamente oprimida por um fardo de medo, e não sabia como se segurar diante da bruxa-esposa. Mas os dias passaram-se e nada aconteceu, o coração da donzela aliviou-se, assim como ela ainda trabalhava em seu vestido e sua bata, [os quais] estavam perto de ficarem completos. Ela bordara o dito vestido com rosas e lírios, uma árvore alta brotando do meio da bainha da saia, e um veado de cada lado dali, face a face um do outro. E a bata ela costurara delicadamente nas bainhas e no peito, com belos laços e botões. Agora se passou o meio de junho, clima quente e brilhante.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 18-21. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/18/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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