A Água das Ilhas Maravilhosas - A Primeira Parte: Sobre A Casa do Cativeiro - Capítulo XI Sobre a Culpa de Birdalone e o respectivo Castigo

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[39]Por esta [hora], ela retornou à enseada arenosa e o sol estava dirigindo-se ao oeste. Ela olhou para cima em direção à casa e viu que era a hora da refeição noturna delas, pois a fumaça azul do fogo de cozinhar estava subindo no ar. Então ela foi depressa para lá e entrou alegre de aparência. A bruxa olhou para ela duvidosamente, mas logo começou a falar com ela graciosamente como ontem. Birdalone estava contente e tranquila, e aproximou-se para servi-a; pois sempre ela comia depois da dama; e a senhora perguntou-a de muitos assuntos concernentes à casa, a coleção de materiais.

Então, veio a conversa sobre pesca no riacho que corria diante da porta delas, e [sobre] como as trutas dali eram apenas pequenas, e não raramente nenhuma em absoluto; e, após o que, ainda vieram essas palavras à boca de Birdalone, ela mal sabia como: ‘Minha senhora, por que nós não pescamos no lago, onde há locais de cardumes entre nós e as ilhotas, onde existem muitos e grandes peixes, como eu tenho visto que eu estive nadando acima? E agora, naquela mesma angra onde a serpente costumava espreitar quando eu era pequena, nós temos uma coisa surgida, a qual é feita para flutuar sobre a água. Eu, poderia ter um longo fuste com o qual a empurrar.

Mas nenhum tempo ela tinha para chegar a um fim, antes que a bruxa-esposa se erguesse e virasse-se contra ela, com um rosnado como de um cachorro maligno, e a face dela mudasse horrivelmente: [40]os dentes dela mostraram-se sorrindo descontroladamente, os olhos dela arregalaram-se na cabeça, a testa estava inteiramente sulcada e as mãos cerradas como molas de ferro.

Birdalone estremeceu afastando-se dela e encolheu-se de mero terror, mas não teve força para chorar. A bruxa puxou-a para cima pelo cabelo e arrastou sua cabeça para trás, de modo que a garganta dela estendeu-se nua diante dela durante todo o tempo. Em seguida, retirou a bruxa uma faca afiada de seu cinto e ergueu sua mão sobre ela, roncando e rosnando com um lobo. Mas logo ela soltou a faca, sua mão caiu a seu lado e, como uma pilha, caiu no chão e assentou-se lá silenciada.

Birdalone permaneceu olhando-a fixamente, e tremendo em cada membro. Muito confusa ela estava para pensar ou fazer qualquer coisa, embora uma ideia de voar através da porta aberta ocorresse diante dela. Mas seus pés pareciam de chumbo, e, como em sonho ruim, ela não tinha força para mover os membros, e os minutos passaram-se como se ela estivesse ali meio morta de medo.

Finalmente, (e talvez não fosse um longo tempo) a bruxa-esposa voltou a si mesma novamente, olhou tudo em volta da câmara e, quando os olhos delas caíram sobre Birdalone, ela disse em uma você fraca, contudo alegremente;Ah! Tu ainda estás ai, minha boa serva! Então ela disse: Um mal caiu sobre mim subitamente, como às vezes é costume. Mas agora eu sou eu mesma novamente; e logo eu terei uma palavra para ti.

Após o que ela levantou-se lentamente, Birdalone ajudando-a, e sentou-se em grande cadeira, silente por um tempo e, em seguida, falou:Minha serva, tu tens, pela maior parte, servido-me bem: mas desta vez tu fizeste [41]mal, visto que tu estiveste espiando meus caminhos; do que pode vir problemas difíceis se nós examinarmos isso. Bem deve ser para ti que tu não tenhas ninguém com quem tu pudesses tagarelar; pois então eu precisaria ter matado-te aqui e agora. Mas por esta primeira vez eu perdôo-te, e tu escapaste da ira.

A voz dela era suave e lisonjeira. Mas, para Birdalone, o terror entrara em sua alma, e por ora continuou com ela.

A bruxa-esposa sentou por um momento. Em seguida, ergue-se e andou de um lado para o outro na câmara, veio a um certo armário, abriu-o, e de lá tirou um pequeno frasco de chumbo e um copo de ouro gravado em cima com estranhos sinais. Colocou-os sobre a mesa diante da cadeira dela, na qual ela agora sentava-se novamente e falou uma vez mais, ainda na mesma voz suave e lisonjeira:Contudo, minha serva, tua culpa seria requerida de mim, se eu deixasse isto passar como se hoje fosse o mesmo que ontem; sim, e de ti também ela seria requerida; portanto, é parte de teu perdão que tu seja repreendida: e a correção precisa ser terrível para ti, de modo que tu possas lembrar de nunca mais jogar a ti mesma nas mandíbulas da morte. E que posso eu fazer para repreender-te? Deverá ser de um modo estranho, tal como nunca sonhaste. Também a angústia disso deverá ir para a base de teu coração; mas isso tu precisas suportar, pelo meu bem e pelo teu, de modo que igualmente nós possamos viver e ser felizes doravante. Vai agora, enche este copo com água da fonte e retorna com ele. Birdalone pegou o copo, com o coração afundando, encheu-o, e trouxe-o [42]de volta diante da bruxa, mais morta do que viva.

Então a bruxa-esposa pegou o frasco, tirou a rolha, entregou-o a Birdalone e disse:Bebe isto agora, um pequeno gole, não mais. E a donzela assim o fez e, antes que a solução tivesse descido seu esôfago, a bruxa-esposa, a câmara e todas as coisas ao redor dela tornaram-se algo sombrias para ela; mas ainda não tanto quanto [a ponto de] que ela não pudesse vê-las. Mas, quando ela estendeu seu braço, não pôde vê-lo em absoluto, nem seus membros nem qualquer outra parte sobre a qual seus olhos pudessem cair. Então, ela teria proferido uma lamúria lamentável, mas a voz dela fora selada dentro dela e nenhum som veio de sua voz. Em seguida, ela ouviu a bruxa-esposa conforme ela dizia (e contudo ela ouviu-a como se a voz dela viesse de longe), Não, tu não podes falar, e tu não podes ver a ti mesma, nem pode qualquer outro, exceto eu, e eu apenas vagamente. Mas isto é apenas parte do que eu devo lançar sobre ti; pois em seguida eu preciso dar-te uma nova forma, e que tu mesma bem como todos os outros possam ver. Mas, antes que faça isso, eu preciso falar uma palavra contigo, que tua nova forma não experimentaria a sensação disso para alcançar teu coração. Ouve atentamente!


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 39-42. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/39/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0 

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