A Água das Ilhas Maravilhosas - A Primeira Parte: Sobre A Casa do Cativeiro - Capítulo IX Sobre a Natação de Birdalone

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[33]Muito bela estava a alvorada do dia seguinte. Birdalone levantou-se cedo, antes que o sol estivesse alto, e pensou que faria deste [dia] um feriado antes que o trabalho no campo começasse novamente, uma vez que a bruxa tornara-se boa em relação a ela. Assim, ela arranjou-se em seus belos sapatos e em suas belas vestes, embora o vestido verde ainda não estivesse concluído, e disse a si mesma que consideraria sobre o que deveria fazer com seu feriado quando estivesse no meio de seu banho.

Então ela desceu à margem do lago e, quando estava de pé imersa até os joelhos na enseada arenosa, olhou para a Ilhota Verde e ficou inclinada a nadar por lá, como sempre fazia. E era um amanhecer sem vento depois de uma noite quente. Uma leve neblina assenta-se sobre a face da água e, acima dela, erguia-se a vegetação da ilhota.

Ela impulsionou-se para dentro da profundeza e nadou fortemente através da água parada. O sol ergueu-se enquanto ela estava a caminho e, por essa altura, ela, [que] colocara a mão nos galhos do salgueiro da ilhota, estava enviando uma longa corrente através das águas; e seus ombros molhados ergueram-se no caminho dali e tornaram-se em ouro corado. Ela levantou a si mesma e, subindo o baixo banco de areia, ficou de pé em meio às rainhas-dos-prados, gotejando em sua fragrância. Em seguida, ela virou-se para a campina verde, a casa e a cerca viva do bosque acolá, suspirou e disse suavemente: ‘Uma lástima isso, deixar-te! Se não houvesse melhor em outro lugar, e não tão bela?’

[34]Então ela virou-se em direção ao interior da ilhota, a qual a fizera nada senão bem, e a qual ela amava. Ela desamarrou seu cabelo, e deixou-o cair até que as extremidades das tranças misturaram-se às rainhas-dos-prados e, após o que, andou rapidamente para dentro da parte central, coberta de grama, da ilha.

Ela estava acostumada a ir para uma pequena colina ali, onde a grama era boa e florida nesta época, com trevos brancos e violetas de cão, e deitar-se debaixo da sombra de um grande espinheiro com um caule muito retorcido. Mas hoje algum pensamento veio a ela, e ela virou-se antes que chegasse ao espinheiro, e foi direto através da ilhota (que era somente um furlong de um lado a outro naquele lugar) e desceu à costa que olhava em direção sul dali. Ali ela deixou-se descer suavemente dentro da água, impulsionando-se sem mais esforço, e nadou sem parar até que se fora uma longa distância. Então, ela conversou consigo mesma e descobriu o que estava pensando: ‘Se eu somente pudesse nadar por todas as águas eu estaria livre.’

E ainda ela nadou. Agora um vento leve subira do oeste, e estava impelindo uma pequena onda através do lago, e ela nadou o mais velozmente [nessa onda] por um momento, mas então virou-se sobre as costas dela e flutuou em direção ao sul quieta. Até que, de repente, enquanto ela deitava-se olhando para o longínquo céu azul, ela tão pequena e baixa sobre a face das águas, e o lago tão profundo debaixo dela, e o vento chegando sempre mais fresco do oeste, e a onda levantando-se contra ela, um terror caiu sobre ela, e ela ansiou pela terra verde, suas flores e folhas e grama bem trabalhadas. Então, ela novamente virou-se de um lado a outro e nadou direto para a ilhota, a qual agora era apenas um pequeno monte verde muito longe diante dela.

[35]Foi um longo tempo antes que ela alcançasse a terra ali. O sol estava alto nos nós céus quando ela chegou, completamente exausta e cansada, à sombra do espinheiro-alvar; e imediatamente ela lançou-se ao chão ali e adormeceu. Verdadeiramente sua natação foi aproximadamente para tanto quanto ela tinha poder.

Quando ela acordou, faltava apenas uma hora para o meio dia, e ela sentiu a vida em si mesma e ficou feliz, mas por um tempo não teve vontade de levantar-se; pois era uma alegria para ela virar a cabeça por aqui e por ali para as flores queridas e delicadas, que faziam o lago amplo, cinza, vazio parecer tão distante, e não mais com o que lidar do que senão o céu mesmo.

Finalmente ela ergueu-se e, quando colhera e comera alguns punhados de morango que cresciam abundantemente no doce solo da ilhota, desceu à costa que olhava em direção à terra, aproveitou a água e nadou lentamente através da onda morna até que, uma vez mais, chegou à praia e às suas vestes. Ela vestiu-se, pôs a mão em sua bolsa e retirou pão. Sentou-se comendo-o sobre o banco de areia acima da areia suave. Em seguida, olhou ao redor, e colocou-se de pé com o rosto em direção à casa, para ver se a dama chamá-la-ia. Mas ela viu a bruxa sair à varanda e ali ficar de pé olhando em direção a ela, sob a afiada mão dela, e, após o que, ela novamente entrou na casa sem dar nenhum sinal. Portanto, Birdalone julgou que ela sairia aquele dia, e que ela poderia aproveitar ainda mais o feriado. Então, ligeiramente, ela desceu de seu lugar de vantagem, virou o rosto em direção ao leste, e quietamente acompanhou a borda mesma da água.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 33-35. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/33/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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