[12]ESSA pequena, quem daqui por diante será chamada de Birdalone, embora raramente a bruxa chame-a assim, nem de fato por qualquer nome, habitava ali, entre a água e a floresta, e não via ninguém salvo a bruxa-esposa, quem, como supracitado, alimentava-a bem, mas além disso escassamente se intrometia com ela por um longo tempo. Assim, ela vagueava bem perto conforme ela tinha vontade, e muito no bosque, pois ela não tinha medo naquele lugar, nem de fato de qualquer outra coisa, salvo da dama. Ela aprendeu as maneiras e os costumes de todas as criaturas próximas ao redor dela, a relva mesma e as flores ficaram amigas dela, e ela criou histórias delas em sua mente. As coisas selvagens não a temiam de nenhuma maneira, a ave doméstica vinha à mão dela e brincava com ela e amava-a. Uma criança encantadora ela era, rosada e forte, e tão alegre quanto os pássaros sobre o galho; e [se] ela tivesse [algum] problema, pois ao mesmo tempo ela deparava-se com alguma disposição desagradável da bruxa-esposa, ela suportava isso tão levemente quanto eles.
Desse modo os anos passaram-se, até que ela crescera alta e esbelta, e tinha visto doze invernos, e era muito mais forte e destra com as mãos do que à primeira vista ela parecia ser. Isso encontrou sua senhora, e [ela] não renunciaria a usar de sua destreza. Pois, de fato, a donzela conhecia muito bem todos os assuntos de bosque e campo, assim como alguma coisa da água também (embora nenhum barco ela nunca tenha visto ali), pois ela aprendeu por si mesma a nadar, provavelmente como os patos fazem.
Mas agora sua senhora ensinaria sua labuta, [13]e difícil era a lição, pois foi com varas e chibatas de ramos que ela aprendeu, e ficou um tanto teimosa com essa mulher, quem ela julgava não amar. Não obstante fosse, ali começou a crescer nela uma suspeita de que nem tudo estava bem com a dama e, por mais que ela pudesse temê-la, ela não confiaria nela, nem a honraria. De outro modo, ela aprendera sua lição velozmente, pois ela não era nem indolente nem preguiçosa, bem como não odiava a labuta, mesmo quando a atormentava e esgotava-a; mas, contra a raiva e a malícia, ela endureceu seu coração.
Deve ser dito, que embora ali ela habitasse junto com a bruxa-esposa, ela de algum modo chegou a conhecer que elas duas não estavam sozinhas no mundo, e ela sabia de homens e mulheres, jovens e velhos. Sobre isso, sem dúvida, a bruxa mesma ensinara a ela, desejasse ela ou não; pois, embora na maioria das vezes ela fosse de falar pouco, contudo, conforme a língua dela soltar-se-ia, ela contaria a Birdalone contos de homem e mulheres, de rei e guerreiros e escravos, e de pessoas do mundo se fosse apenas para assustar a criança. Sim, quando ela considerava Birdalone, ou escarnecia dela, palavras viriam adiante, as quais a donzela armazenava e, fazendo palpites corretos a partir do que ouvia, obtinha sabedoria de qualquer maneira que fosse. Além disso, ela era da raça de Adão, e seu coração imaginou diversas questões sobre o leite de sua mãe e o sangue de seu pai, assim como o coração e a mente dela cresceram junto com o corpo. Nisto também ela era sábia, a saber, em como dar à indignação o desprezo, de modo que ela frequentemente encontrava na floresta um lar melhor do que o da casa: pois agora ela sabia que a bruxa-esposa [14]nunca entraria nela; portanto, ela amava-a muito e visitava-a com frequência, se ela pudesse.
Em meio a tudo isso ela vivia não sem alegria, pois a terra era amiga dela e confortava-a quando ela sofria qualquer coisa. Além disso, logo ela crescera ousada assim como forte; e o mal ela poderia tolerar, nem deixá-lo sobrecarregá-la com miséria.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 12-14. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/12/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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