A Água das Ilhas Maravilhosas - A Primeira Parte: Sobre A Casa do Cativeiro - Capítulo V Sobre Birdalone e Como ela cresceu até a Solteirice

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[15]CONSUMIRAM-SE os anos e anos em meio dias semelhantes a esses, e agora Birdalone cresceu uma querida donzela de dezessete verões. Contudo, a vida dela não era infeliz, embora a alegria de sua infância estivesse de algum modo subjugada dentro dela, e ela andasse sobre a terra de maneira sóbria e calculada, como se profundos pensamentos sempre estivessem na cabeça dela. Embora, verdadeiramente, não estivesse tudo assim tão certo de que o rosto sério e os olhos solenes dela fossem apenas uma parte da beleza que estava crescendo com a saída da infância para a juventude e a solteirice. Mas isto ao menos é certo, que por volta desta época, esses presságios, os quais a mostraram que ela não tinha razão para amar e honrar sua senhora, tomaram forma clara, e tornaram-se um fardo para ela, do qual ela nunca pôde livrar-se totalmente. Pois isto ela enxergava, que ela não era dela mesma, mas um móvel e uma ferramenta de alguém que não somente a usava como uma escrava no dia que se passa, mas tinha em sua mente fazer dela uma coisa amaldiçoada como ela mesma, e com ela atrair à armadilha para a tomada dos filhos de Adão. Verdadeiramente ela percebia, embora vagamente, que sua senhora era de fato perversa, e que nas amarras daquela maldade ela estava confinada.

Uma coisa, além disso, ela agora notara por muito tempo, que, uma vez e novamente, poderia ser a cada duas luas, a bruxa-esposa erguer-se-ia no silêncio da noite e sumiria da casa. [16]Ficaria longe por um dia, ou dois ou três, ou entrementes mais, e retornaria novamente cansada e abandonada. Mas nunca dizia ela qualquer palavra acerca disso a Birdalone. Contudo, frequentemente, quando ela levantava-se para ir a essas incumbências, antes que ela deixasse a câmara, ela viria à cama de rodízio de Birdalone e ficaria de pé sobre ela para observar se ela estava adormecida ou não; e sempre nessas vezes Birdalone fingia dormir em meio a pavor repugnante. Verdadeiramente, nesses últimos dias, enquanto entrou na cabeça da donzela que quando a senhora estivesse fora ela se levantaria e segui-la-ia e veria para onde ela ia, e o que ela fazia; mas o terror compeliu-a para que ela não o fizesse.

Agora, do meio de todas essas imaginações, surgiu uma esperança de que ela poderia um dia escapar de sua servidão, e, ao mesmo tempo que, quando ela estava solitária e segura no bosque, a essa esperança ela entregava-se. Mas disso vinha um tumulto tal a sua alma pela alegria da esperança, que ela não podia controlar sua paixão; a terra pareceria erguer-se debaixo dela e os bosques rodopiarem ao redor diante de seus olhos, de modo que ela não podia manter os pés, mas afundaria na terra, e lá repousava chorando. Então, mais frequentemente, viria o frio ajuste de temperamento após o quente, bem como o terror que a levaria àquele algum dia [onde] a bruxa surpreenderia essa alegria daquela esperança nos olhos dela e saberia o que significava, ou que alguma luz poderia revelá-la. Após o que vinham imagens do que então aconteceria a ela, nem eram tão difíceis de descrever, e viriam diante dela de novo e de novo, até que com isso ela cansava-se e esgotava-se.

[17]Mas, embora eles sempre permanecessem com ela, esses pensamentos perturbadores não a atormentavam tão frequentemente de modo mais vivo, mas eram como uma dor aborrecida de pouca importância que sucede à dor superada: pois em verdade, cansativa e trabalhosamente ela consumia os dias, o que não a aborrecia de maneira nenhuma, uma vez que a alivia do tormento daquelas esperanças e medos supracitados, e trazia a ela sono são e doce despertar. As vacas e as cabras ela precisava ordenhar, assim como arar, semear e colher na terra dos acres de acordo com as estações, e guiar as bestas para as pastagens nos bosques quando as [terras] delas mesmas estavam inundadas ou queimadas. Ela precisava reunir os frutos do pomar, as avelãs acima nos bosques e bater nas árvores de nozes em setembro. Ela precisava fazer a manteiga e o queijo, moer o trigo no moinho de mão, fazer e assar o pão, bem como de todos as maneiras conseguir seu sustento de modo bastante difícil. Além disso, o ofício do arqueiro ela aprendera, e à ordem da dama precisava viajar sozinha dentro da floresta, agora e novamente, para matar cervos grandes e pequenos e conseguir veação: mas nem isso de modo algum a aborrecia, pois descanso e paz havia nos bosques para ela.

Verdadeiro é, que enquanto ela dirigia-se ao matagal, clareira ou relva no bosque, ela às vezes se atemorizaria e pisava leve e atentamente, com medo de que folhas farfalhantes ou varas crepitantes deveriam provocar alguma criatura estranha em forma humana, diabo, ou deus agora condenado, ou mulher das fadas. Mas, se tal houvesse ali, ou eles eram sábios e não eram vistos, ou amáveis e não tinham vontade de assustar a donzela simples; ou senão talvez não havia nada de tais [coisas] naqueles dias. De qualquer maneira, nada de mal veio a ela de Evilshaw.


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ORIGINAL:

MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 15-17. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/15/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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