[10]Uma coisa precisa ser dita aqui: quando a dita dama levantou-se vestida em meio à câmara na manhã seguinte, a criança correu até ela para agradecer-lhe ou alguma coisa, mas imediatamente quando ela viu-a de perto, ela recuou, e permaneceu ofegando de susto; pois verdadeiramente ela considerava que de modo algum foi ela que a trouxe na última noite para a bela câmara, deu pão e leite a ela, assim como a colocou na cama, mas alguma outra. Pois esta uma não tinha cabelo negro, nem nariz curvo, ou olhos de falcão brilhante; forte e alta era ela de fato, como a outra, e aparentando idade semelhante; mais ai chegava a um fim toda a semelhança dela com a esposa de casa da última noite. Esta uma tinha cabelo vermelho-dourado correndo a baixo de sua cabeça; olhos de cor de avelã, alongados e não bem abertos, mas apertados e astutos. Alta dos ossos da bochecha ela era, queixo comprido e lábios finos; sua pele era boa e branca, mas sem rubor; de peito chato, assim como de quadril estreito.
Agora, ela riu do terror da bebê e disse, apenas em sua antiga voz, finalmente: ‘Tu pequena fera tola! Eu sei o que te assusta, a saber, que tu julga-me mudada. Agora, eu conto-te que eu sou a mesma que te trouxe aqui ontem à noite e alimentou-te; nem é minha mudança uma questão tua, uma vez que ao menos eu sou aquela que deverá manter-te longe da fome e do clima; isso é suficiente para tu saber agora. Agora, tu tens de comer e dormir, brincar e chorar, para que tu possas crescer o mais cedo [possível], crescer para fazer minha vontade.’
[11]Após o que, ela saiu com ela para a luz do sol e amarrou-a a um jovem freixo, o qual crescia próximo a porta, para que a criança pudesse ficar segura enquanto ela começava seu trabalho em acre e prado.
Mas, quanto à questão da mudança de aspecto, a garota subsequentemente viria a saber que a bruxa não se atreveria a ir à floresta na mesma pele que ela usava em casa, portanto, ela havia mudado-a para a viajem a Utterhay, bem como mudou de volta novamente no curso da noite antes que ela levantasse.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The Water of the Wondrous Isles. New York, London, and Bombay: Longman, Green and Co, 1897. pp. 10-11. Disponível em: https://archive.org/details/waterofwondrousi00morrrich/page/10/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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