O Último Homem - Volume I - Capítulo II

 O Último Homem


Por Mary Shelley


Volume I


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Capítulo II


[26]Eu vivia longe dos habitações abafadas dos homens, e o rumor de guerras ou mudanças políticas chegava esgotado a um mero som às nossas moradas das montanhas. A Inglaterra tinha sido cena de conflitos históricos durante o começo da minha infância. No ano de 2073, o último dos reis, o antigo amigo do meu pai, tinha abdicado em concordância com a força gentil dos protestos dos seus súditos, e uma república foi instituída. Grandes propriedades foi asseguradas para o monarca destronado e a família dele; ele recebeu o título de conde de Windsor, e o castelo de Windsor, uma prerrogativa real antiga, com suas amplas terras, era uma parte da sua riqueza alocada. Ele [27]morreu logo depois, deixando duas crianças, um filho e uma filha.

A ex-rainha, uma princesa da casa da Áustria, há muito tinha estimulado seu esposo a opor-se à necessidade dos tempos. Ela era altiva e destemida; ela acalentava um amor ao poder, e um desprezo amargo por ele quem tinha despojado a si mesmo de um reino. Apenas pelo bem dos seus filhos ela consentiu em permanecer, despojada de realeza, um membro da república inglesa. Quando ela se tornou uma viúva, ele voltou todos os pensamentos para a educação do seu filho Adrian, o segundo conde de Windsor, de maneira alcançar seus fins ambiciosos; e com o leite da sua mãe ele bebeu, e foi projetado para crescer em, o propósito firme de reconquistar a sua coroa perdida. Adrian tinha agora quinze anos de idade. Ele era dedicado a estudar, e imbuído além dos anos com conhecimento e talento: relato dizia que ele já tinha começado a contrariar as visões da mãe dele, e a cogitar princípios republicanos. Seja como for, a altiva condessa [28]não confiava a ninguém os segredos da sua instrução familiar. Adrian era criado em solidão, e mantido separados dos companheiros naturais da sua idade e classe social. Alguma circunstância desconhecida agora induzia a mãe dele a enviá-lo para longe de sua tutela imediata; e nós ouvimos que ele estava prestes a visitar Cumberland. Mil contos eram frequentes, explicativos da conduta da condessa de Windsor; nenhum provavelmente verdadeiro; mas a cada dia tornava-se mais certo que nós deveríamos ter o nobre descendente da última casa real da Inglaterra entre nós.

Havia uma grande propriedade com uma mansão anexada a ela, pertencente a essa família, em Ulswater. Um grande parque era um dos seus apêndices, arranjados com grande gosto, e abundantemente sortido com caça. Frequentemente eu tinha feito depredações nessas reservas; e o estado negligenciado da propriedade facilitava minhas incursões. Quando foi decidido que o jovem conde de Windsor deveria visitar Cumberland, trabalhadores chegaram para colocar a casa e os terrenos em ordem para as sua [29]recepção. Os apartamentos foram restaurados ao seu esplendor imaculado, e o parque, todas as ruínas restauradas, era guardado com cuidado incomum.

Eu fiquei perturbado além da medida por essa informação. Ela instigou todas as minhas memórias dormentes, meus sentimentos suspensos de injúria, e deu origem a um novo de vingança. Eu não conseguia mais cuidar das minhas ocupações; todos os meus planos e expedientes foram esquecidos; eu parecia prestes a começar a vida novamente, e isso sob nenhum bom auspício. O cabo de guerra, eu pensei, devia começar agora. Ele chegaria triunfantemente ao distrito para o qual meu pai tinha fugido de coração partido; ele descobriria a prole malfadada, legada com confiança tão vã ao seu régio pai, pobres miseráveis. Que ele deveria conhecer a nossa existência, e tratar-nos, próximos à mão, com a mesma contumélia que o seu pai tinha praticado à distância e em ausência, parecia-me a consequência certa de tudo que tinha ocorrido antes. Dessa maneira então eu deveria encontrar esse adolescente dotado de títulos – o filho do [30]amigo do meu pai. Ele estaria cercado por servos; nobres, e os filhos de outros nobres, eram seus companheiros; toda Inglaterra soava com o nome dele; e a sua chegada, como uma tempestade, era ouvida de longe: enquanto eu, iletrado e fora de moda, deveria, se eu entrasse em contato com ele, no julgamento dos seus seguidores corteses, portar evidência na minha pessoa mesma da propriedade daquela ingratidão que tinha me tornado o ser degradado que eu parecia.

Com minha mente completamente ocupada por essas ideias, eu poderia ser dito como se fascinado para assombrar a morada destinada do jovem conde. Eu observava o progresso das melhorias, e permanecia perto dos vagões descarregando, enquanto vários artigos de luxo, trazidos de Londres, eram tirados e transportados para dentro da mansão. Era parte do plano da ex-rainha cercar seu filho com magnificência principesca. Eu observei ricos carpetes e cortinas sedosas, ornamentos de ouro, metais ricamente em relevo, mobília estampada, e todos os apêndices de elevada classe social arranjados, [31]de maneira que nada, exceto o que fosse régio em esplendor, deveria alcançar o olhar de um descendente real. Eu olhei para esses e voltei meu olhar para minhas próprias vestes ruins. - De onde surgia esta diferença? De onde exceto da ingratidão, da falsidade, de um abandono, por parte do pai do príncipe, de toda nobre simpatia e sentimento generoso. Sem dúvida, ele também, cujo sangue recebeu uma corrente misturada das da sua própria mãe orgulhosa – ele, o foco reconhecido da riqueza e nobreza do reino, tinha sido ensinado a repetir o nome do meu pai com desdém e a zombar das minhas justas reivindicações de proteção. Eu esforçava-me para pensar que toda essa grandeza era apenas mais infâmia flagrante, e que, plantando seu estandarte envolvido em ouro perto da minha insígnia manchada e esfarrapada, ele proclamava não sua superioridade, mas seu rebaixamento. Todavia, eu o invejava. O seu plantel de lindos cavalos, suas armas de acabamento custoso, o elogio que o acompanhava, a adoração, o servo pronto, elevada posição e elevada estima, - eu considerava-os como forçosamente arrancados de mim, [32]e invejava-os todos com amargura nova e atormentante.

Para coroar minha vexação de espírito, Perdita, a visionária Perdita, pareceu despertar para a vida real com êxtase, quando ele me contou que o conde de Windsor estava preste a chegar.

E isso agrada você?” Eu observei, mau-humorado.

De fato agrada, Lionel.” Ela respondeu; “Eu anseio bastante para o ver; ele é o descendente dos nossos reis, o principal nobre da terra: todos o admiram e amam, e eles dizem que a posição social dele é o menor dos seus méritos; ele é generoso, corajoso e afável.”

Você aprendeu uma bela lição, Perdita,” eu disse, “e repete-a tão literalmente que, ao mesmo tempo, você esqueceu-se das provas que nos temos das virtudes do conde; a generosidade dele conosco está manifesta em nossa plenitude; a bravura dele, na proteção que ele propicia a nós; a afabilidade dele, na atenção que ele concede a nós. A posição social dele o seu menor mérito, você diz? Por que, todas as virtudes dele são derivadas apenas da sua posição social; [33]porque ele é rico, ele é chamado de generoso; porque ele é poderoso, bravo; porque ele é bem servido, ele é afável. Que eles o chamem assim, que toda a Inglaterra acredite que ele é dessa maneira – nós conhecemos a ele – ele é o nosso inimigo – nosso inimigo mesquinho, covarde, arrogante; se ele fosse dotado com uma partícula das virtudes que você chama de dele, ele agiria justamente conosco, se fosse apenas para revelar que, se ele tem de atacar, não deveria ser um inimigo caído. O pai dele prejudicou o meu pai – o pai dele, inatacável em seu trono, atreveu-se a desprezar aquele que apenas se posicionava abaixo dele mesmo, quando ele se dignou a associar-se com o ingrato régio. Nós, descendentes de um e do outro, também devemos ser inimigos. Ele deverá descobrir que eu sinto minhas injúrias; ele deverá aprender a temer a minha vingança!”

Uns poucos dias depois, ele chegou. Cada habitante da cabana mais miserável foi intensificar o fluxo de população que se derramou adiante para o encontrar; até Perdita, a despeito da minha última filípica, moveu-se sorrateiramente perto da estrada, para observar [34]aquele ídolo de todos os corações. Eu, quase enlouquecido, enquanto eu encontrava grupo após grupo da gente de interior, vestidos com roupas de feriado, descendo as colinas, escapados para os seus picos velados por nuvens, e, olhando para as rochas estéreis a minha volta, exclamava – “Eles não choram, longa vida ao conde!” Nem, quando a noite chegou, acompanhada por chuva torrencial e frio, eu pude retornar para casa; pois eu sabia que cada cabana soava com os elogios de Adrian; enquanto meu membros entorpeciam e esfriavam, a minha dor servia como alimento para minha aversão insana; ou melhor, eu quase triunfava nela, uma vez que parecia propiciar-me razão e justificativa para meu ódio do meu adversário desatento. Tudo era atribuído a ele, pois eu confundia tão inteiramente a ideia de pai e filho, que esqueci que o segundo poderia estar inteiramente inconsciente da negligência do seu pai para conosco; e enquanto eu atingia minha cabeça dolorida com minha mão, eu exclamei: “Ele deverá temer isto! Eu serei vingado! Eu não sofrerei como uma pessoa servil! Ele deverá saber que, pedinte e sem amigos como eu sou, eu não me submeterei mansamente à injúria! ”

[35]Cada dia, cada hora, acrescentava a esses erros exagerados. Os elogios a ele eram tantas picadas de víbora gravadas em meu peito vulnerável. Se eu o visse a uma distância, cavalgando um belo cavalo, meu sangue fervia de raiva; o ar parecia envenenado pela presença dele, e o meu inglês muito nativo era mudado em um jargão vil, uma vez que cada frase que eu ouvia estava ligada com seu nome e sua honra. Eu ansiava por aliviar este coração ardente através de algum delito que deveria despertar nele uma sensação da minha antipatia. Era o auge de ofensa causada por ele que ele devesse me ocasionar sensações tão intoleráveis, e não se dignar a propiciar-me qualquer demonstração de que ele estava ciente de que eu até vivia para as sentir.

Logo se tornou conhecido que Adrian se deliciava grandemente em seu parque e reservas. Ele nunca se exercitava, mas despendia horas observando as tribos de animais amáveis e quase domesticados com as quais o lugar estava abastecido, e ordenou que o maior cuidado deveria ser tomado com eles. Aqui estava uma abertura para os meus planos de ofensa, e eu fiz [36]uso disso com toda a impetuosidade bruta que eu derivava do meu modo ativo de vida. Eu propus aos meu camaradas remanescentes, quem eram os mais determinados e sem lei da hora, empreender uma caça furtiva nas terras dele; mas todos eles recuaram diante do perigo; assim eu fui deixado para alcançar minha vingança sozinho. Inicialmente, minhas proezas foram desconhecidas; eu intensifiquei a ousadia; pegadas sobre a grama orvalhada, galhos quebrados e marcas de abate revelaram-me para os encarregados da caça. Ele mantiveram melhor vigilância; eu fui pego e enviado para a prisão. Eu entrei em suas paredes sombrias em uma crise de êxtase triunfante: “Ele sente-me agora,” eu clamei, “e deverá, de novo e de novo!” Eu passei apenas um dia em confinamento; à tarde, eu fui liberado, como me disseram, por ordem do conde mesmo. Essa notícia precipitou-me do meu pináculo autoerigido de honra. Ele despreza-me, eu pensei; mas ele deverá aprender que eu o desprezo e considero com desdém igual suas punições e sua clemência. Na segunda noite após a minha liberação, eu fui pego novamente pelos [37]encarregados da caça – novamente aprisionado e, novamente, libertado; e novamente, tal era minha obstinação, a quarta noite encontrou-me no parque proibido. Os encarregados da caça estavam mais enraivecidos com seu lorde do que com minha obstinação. Eles tinham recebido ordens de que, se eu fosse pego novamente, eu deveria ser levado ao conde; e a clemência dele fazia-os esperar uma conclusão que eles consideravam inadequada para o meu crime. Um deles, quem desde o início tinha sido o líder entre aqueles que tinham me capturado, resolveu satisfazer o seu próprio ressentimento, antes que ele me entregasse aos poderes superiores.

O tardio pôr da lua, e a cautela extrema que eu fui obrigado a usar nesta minha terceira expedição, consumiram tanto tempo, que alguma coisa como um escrúpulo de medo afetou-me quando eu percebi a escura noite produzir o crepúsculo. Eu arrastei-me adiante através das samambaias, sobre minhas mãos e joelhos, buscando os esconderijos sombrios da vegetação rasteira, enquanto os pássaros despertavam com canções desagradáveis, e o fresco vento da manhã, [38]brincando em meios aos galhos, fizeram-me suspeitar um ruído de passos a cada volta. Meu coração batia rapidamente enquanto eu me aproximava das paliçadas; minha mão estava em uma delas, um salto levar-me-ia ao outro lado, quando dois guardas pularam de uma emboscada sobre mim: um derrubou-me e prosseguiu para me infligir uma chicotada severa. Eu levantei-me subitamente – uma faca estava ao meu alcance; eu esfaqueei o braço direito elevado dele, e um infligi um machucado profundo e amplo na sua mão. O ira e os berros do homem machucado, as execrações uivantes do seu companheiro, aos quais eu respondi com amargura e fúria iguais, ecoaram através do vale; a manhã irrompia mais e mais, mal de acordo, em sua beleza celestial, com a nossa disputa bruta e barulhenta. E e meu inimigo ainda estávamos lutando quando o homem ferido exclamou, “O conde!” Eu saltei do agarrão hercúleo do guarda, ofegando devido aos meus esforços; eu lancei olhares furiosos para os meus perseguidores e, colocando-me com minhas costas para uma árvore, resolvi a defender-me até o fim. Minhas vestimentas estavam rasgadas, e elas, assim como [39]minhas mãos, estavam manchadas com o sangue do homem que eu tinha ferido; uma mão agarrava os pássaros mortos – minha presa conquistada com dificuldade, a outra segurava a faca; meu cabelo estava emaranhado; o meu rosto manchado com os mesmos sinais de culpa que testemunhavam contra o instrumento pingante que eu apertava; minha aparência inteira estava abatida e esquálida. Alto e muscular como eu era de forma, eu devo ter parecido como, o que de fato eu era, o rufião mais simples que alguma vez pisou na terra.

O nome do conde atingiu-me, e causou todo o sangue indignado que aquecia o meu coração correr para dentro das minhas bochechas; eu nunca o tinha visto; eu imaginei para mim mesmo um jovem altivo, pretensioso, quem me responsabilizaria, se ele condescendesse em falar comigo, com toda a arrogância de superioridade. Minha resposta estava pronta; uma censura que eu considerava calculada para picar o coração mesmo dele. Enquanto isso ele se aproximava; e a aparência dele soprou de lado, com gentil fôlego ocidental, minha ira nublada; um rapaz alto, magro, claro, com uma fisionomia [40]expressiva dos excessos de sensibilidade e refinamento, erguia-se diante de mim; o raios de sol da manhã tingiram de ouro o seu cabelo sedoso; e espalharam luz e glória sobre o seu semblante radiante. “Como é isso?” ele exclamou. Os dois homens ansiosamente começaram a sua defesa; ele colocou-os de lado dizendo “Dois de você, de uma vez, contra um mero rapaz – que vergonha!” Ele veio a mim: “Verney,” ele exclamou, “Lionel Verney, desta forma nós nos encontramos pela primeira vez? Nós nascemos para sermos amigos um do outro; e, embora a má fortuna tenha nos divido, você não reconhecerá o vínculo hereditário de amizade que, eu confio, daqui em diante nos unirá?”

Enquanto ele falava, seus olhos firmes, fixados em mim, pareciam ler a minha própria alma: meu coração, meu selvagem vingativo coração, sentiu a influência de doce benignidade cair sobre ele; enquanto a voz emocionante dele, como a melódia mais doce, despertou um eco mudo dentro de mim, movendo para as suas profundezas o sangue da vida em meu corpo. Eu desejei responder, reconhecer sua bondade, aceitar sua amizade proferida; mas palavras, palavras adequadas, não forma disponibilizadas para [41]o montanheiro grosseiro; eu teria estendido minha mão, mas sua mancha culpada restringiu-me. Adrian apiedou-se do meu semblante vacilante: “Venha comigo,” ele disse, “eu tenho muito a dizer a dizer a você; venha para casa comigo – você sabe quem eu sou?”

Sim,” eu exclamei, “eu acredito que eu agora conheço você, e que você perdoará meus erros – meu crime.”

Adrian sorriu gentilmente; e após dar ordens aos encarregados de caça, ele veio a mim; colocando o braço no meu, nós caminhamos juntos para a mansão.

Não era a posição social dele – depois de tudo que eu tinha dito, certamente não será suspeitado que era a posição social de Adrian que, desde o início, subjugou meus sentimentos, e colocou meu espírito inteiro diante dele. Nem era que apenas eu sentia dessa maneira intimamente as perfeições dele: sua sensibilidade e cortesia fascinavam a todos. Sua vivacidade, inteligência e espírito ativo de benevolência, completavam a conquista. Mesmo nesta idade jovem, ele era profundamente lido e imbuído com o espírito de [42]elevada filosofia. Esse espírito concedia um tom de persuasão irresistível à relação dele com outros, de modo que ele parecia como um músico inspirado, quem tocava, com habilidade infalível, a “lira da mente,” e a partir daí produzia harmonia divina. Em pessoa ele dificilmente parecia deste mundo; seu corpo delicado era excessivamente formado pela alma que habitava nele; ele era todo mente; “Um homem que tivesse apenas se precipitado contra” o seu peito, e teria conquistado sua força; mas a força do seu sorriso teria domado um leão faminto, ou levado uma legião de homens armados a largarem suas armas aos pés dele.

Eu despendi um dia com ele. Inicialmente, ele não recorreu ao passado ou, de fato, a quaisquer ocorrências pessoais. Provavelmente ele desejava inspirar-me com confiança, e conceder-me tempo para reunir meus pensamentos dispersos. Ele falou de assuntos gerais, e deu-me ideias que eu nunca tinha concebido. Nós sentamos em sua biblioteca, e ele falou dos antigos sábios gregos, e do poder que eles tinham adquirido sobre as mentes dos homens, [43]apenas através da força do amor e da sabedoria. A sala estava decorada com bustos de muitos deles, e ele descreveu suas personalidades para mim. Enquanto ele falava, eu senti-me sujeito a ele; e meu orgulho e força alardeada foram subjugados pelos sotaques melosos desse rapaz de olhos azuis. O patrimônio em bom estado e pálido da civilização, o qual eu antes tinha considerado inacessível, a partir da minha selva bravia, teve seu postigo aberto por ele; eu caminhei para dentro e senti, enquanto eu entrava, que eu pisava em meu solo nativo.

Enquanto a noite chegava, ele retrocedeu ao passado. “Eu tenho um conto a relatar,” ele disse, “e muita explicação a dar relativa ao passado; talvez você consiga me ajudar a encurtá-la. Você lembra do seu pai? Eu nunca tive a felicidade de o ver, mas o nome dele é uma das minhas memórias mais antigas; ele está escrito nas tábuas da minha mente como o tipo de tudo que era galante, amigável e fascinante no homem. A inteligência dele não era mais conspícua do que a bondade transbordante do seu coração, o qual ele derramava com medida tão cheia sobre [44]seus amigos, quando a deixar, ai de mim! Pequeno resto para si mesmo.”

Encorajado por esse elogio, eu prossegui para responder às suas investigações, para relatar o que eu lembrava do meu pai; e ele deu um relato daquelas circunstâncias que tinham causado uma negligência da carta testamental do meu pai. Quando, em tempos posteriores, o pai de Adrian, então rei da Inglaterra, sentiu sua situação tornar-se mais perigosa, sua linha de conduta mais embaraçada, repetidas vezes ele desejou o seu antigo amigo, quem podia se erguer como um dique contra a ira impetuosa da rainha, um mediador entre ele e o parlamento. A partir do momento que ele tinha abandonado Londres, na noite fatal da sua derrota na mesa de jogo, o rei não tinha recebido mais notícias relativas a ele; e quando, após o escoar dos anos, ele esforçou-se para o descobrir, todo rastro tinha sido perdido. Com arrependimento mais afeiçoado do que nunca, ele agarrou-se à memória dele; e entregou-a aos cuidados do seu filho, se alguma vez ele devesse encontrar seu amigo valioso, em seu nome, conceder todo socorro, e [45]assegurar-lhe que, no fim, o seu apego sobreviveu à separação e ao silêncio.

Um breve tempo antes da visita de Adrian a Cumberland, o herdeiro do nobre a quem meu pai tinha confiado o seu último apelo ao seu mestre régio, colocou essa carta, seu selo intacto, nas mãos do jovem conde. Ela tinha sido encontrada jogada de lado com uma massa de papeis de data antiga, e apenas um acidente trouxe-a a luz. Adrian leu-a com interesse profundo; e encontrou ali aquele espírito lívido de gênio e inteligência que tão frequentemente ele tinha ouvido comemorado. Ele descobriu o nome do local para onde o meu pai tinha se retirado, e onde ele morreu; ele aprendeu sobre a existência dos seus filhos órfãos; e durante o breve intervalo entre a sua chegada em Ulswater e o nosso encontro no parque, ele tinha estado ocupado realizando investigações a nosso respeito, e organizando uma variedade de planos para o nosso benefício, preliminar à sua introdução à nossa atenção.

O modo pelo qual ele falou do meu pai foi gratificante para minha vaidade; o véu que [46]delicadamente lançou sobre a sua benevolência, alegando uma satisfação respeitosa do último desejo do rei, foi acariciante para meu orgulho. Outros sentimentos, menos ambíguos, foram colocados em jogo pelas sua maneiras conciliatórias e o calor generoso das suas expressões, respeito raramente antes experienciado, admiração e amor – ele tinha tocado o meu coração rochoso com o seu poder mágico, e o fluxo de afeição jorrava, imperecível e puro. À tarde, nós nos separamos; ele pressionou minha mão: “Nós devemos nos encontrar de novo; venha para mim amanhã.” Eu apertei aquela mão gentil; eu tentei responder; um fervente “Deus o abençoe!” foi tudo o que a minha estruturar de discurso, e eu saí apressadamente, oprimido por meus novos sentimentos.

Eu não pude descansar. Eu busquei as colinas; um vento do oeste varria-as, e as estrelas cintilavam acima. Eu corri, descuidado de objetos externos, mas tentando dominar o espírito em luta dentro de mim através de fatiga corporal. “Isto,” eu pensei, “é poder! Não é ser forte de membro, duro de coração, feroz e ousado; mas amável, [47]compassivo e suave.” - Logo parando, eu agarrei minhas mãos e, com o fervor de um novo prosélito, exclamei, “Não me duvide, Adrian, eu também me tornarei sábio e bom” e em seguida, bastante dominado, eu chorei alto.

Enquanto essa rajada de paixão passava por mim, eu senti-me mais composto. Eu deitei-me sobre o chão e, dei rédeas a meus pensamentos, repassei minha vida antiga em minha mente; e comecei, dobra por dobra, a desenrolar os muitos erros de meu coração, e a descobrir quão bruto, selvagem e sem valor eu tinha sido até então. Contudo, no momento, eu não pude sentir remorso, pois eu considerava que eu tinha nascido de novo; minha alma jogou fora o peso do pecado passado para começar uma nova carreira em inocência e amor. Nada severo ou grosseiro restou para abalar os sentimentos suaves que as realizações do dia tinham inspirado; eu era como uma criança balbuciando suas devoções conforme sua mãe, e minha alma plástica era remodelada por uma mão de mestre, à qual eu nem desejava nem era capaz de resistir.

Esse foi o começo primeiro da minha amizade com minha [48]amizade com Adrian, e eu devo comemorar esse dia como o mais afortunado da minha vida. Eu agora começava a ser humano. Eu fui admitido naquela fronteira sagrada que divide a natureza intelectual e moral do homem daquela que caracteriza os animais. Meus melhores sentimentos foram colocados em jogo para dar respostas adequadas à generosidade, sabedoria e amenidade do meu novo amigo. Ele, com uma bondade nobre inteiramente sua, teve deleite infinito concedendo à prodigalidade os tesouros da sua mente e fortuna sobre o filho há muito negligenciado do amigo do seu pai, a prole daquele ser dotado, cujas excelências e talentos ele tinha ouvido comemorados desde a infância.

Depois da sua abdicação, o falecido rei tinha se retirado da esfera da política, contudo, o seu círculo doméstico concedia-lhe pequeno contentamento. A ex-rainha não tinha nenhuma das virtudes da vida doméstica, e aquelas de coragem e ousadia foram tornadas nulas pela secessão do seu esposo: ela desprezava-o e não [49]se importava em ocultar seus sentimento. O rei tinha, em conformidade com as exigências dela, tinha rejeitado seus amigos antigos, mas ele não tinha adquirido nenhum só a orientação dela. Nessa escassez de simpatia ele tinha recorrido ao seu filho quase infante; e o desenvolvimento precoce de talento e sensibilidade tornaram Adrian repositório adequado da confiança do pai dele. Ele nunca ficava cansado de ouvir os relatos frequentemente repetidos dos tempos antigos pelo falecido, nos quais o meu pai tinha desempenhado uma parte distinta; suas observações eram repetidas para o menino, e lembradas por ele; sua inteligência, suas fascinações, mesmo suas faltas, eram consagradas pelo arrependimento de afeição; sua perda, sinceramente deplorada. Mesmo o desgosto do favorito pela rainha era inefetivo para o privar da admiração do filho: era amargo, sarcástico, desdenhoso – mas conforme ela concedia sua censura pesada igualmente sobre as virtudes e sobre os erros dele, sobre sua amizade dedicada e seus amores mal concedidos, sobre o seu desinteresse e sua prodigalidade, só sua graça atraente de maneiras, [50]e a facilidade com a qual ele se rendia à tentação, o tiro duplo dela provou-se pesado demais e ela errou o alvo. Nem o desprezo irado dela evitou que Adrian imaginasse meu pai, como ele tinha dito, o tipo de tudo que era galante, amigável e fascinante no homem. Portanto, não foi estranho que, quando ele ouviu da existência da prole dessa celebrada pessoa, ele deveria ter formado o plano de conceder a eles todas as vantagens que a sua posição social poderia proporcionar. Quando ele me descobriu um pastor vagabundo das colinas, um larápio, um selvagem iletrado, ainda assim a gentileza dele não falhou. Em adição à opinião que ele recebeu de que o pai dele era a um grau culpável de negligência em relação a nós, e que ele estava obrigado a qualquer reparação possível, ele ficou agradado de dizer que, sobre toda minha aspereza cintilava uma elevação de espírito, a qual poderia ser distinguida da mera coragem animal, e que eu herdei uma similaridade de semblante com o meu pai, o que provava que todas as suas virtudes e talentos [51]não tinham morrido com ele. Quaisquer que fosse esses que poderiam ter descendido para mim, o meu jovem amigo nobre resolveu que não deveriam ser perdidos por falta de cultura.

Agindo em consequência desse plano em nossa relação subsequente, ele levou-me a desejar participar naquele cultivo que agraciava o seu próprio intelecto. Minha mente ativa, quando uma vez assediada por essa nova ideia, apressou-se até ela com avidez extrema. Inicialmente, o grande objeto da minha ambição era rivalizar os méritos de meu pai, e tornar-me digno da amizade de Adrian. Mas logo a curiosidade despertou, e um amor firme pelo conhecimento, o qual me levou a passar dias e noites em leitura e estudo. Eu já estava bem familiarizado com o que eu posso denominar de o panorama da natureza, a mudança das estações e as várias aparências do céu e da terra. Mas de uma vez atingido e encantado pela extensão súbita da visão, quando a cortina, a qual tinha sido puxada diante do mundo intelectual, foi retirada, e eu vi o universo, não apenas como ele se apresentava para os meus [52]sentidos superiores, mas como ele tinha aparecido para os mais sábios entre os homens. A poesia e as suas criações, a filosofia e suas pesquisas e classificações, igualmente despertaram as ideias adormecidas na minha mente e deram-me novas.

Eu senti-me como o marinheiro, quem, a partir do mastaréu da gávea, descobriu primeiramente a costa da América; e, como ele, eu apressei-me para contar aos meus companheiros sobre as minhas descobertas em regiões desconhecidas. Mas eu fui incapaz de animar em qualquer peito o apetite desejante de conhecimento que existia no meu. Até Perdita foi incapaz de me entender. Eu tinha vivido no que é geralmente chamado de o mundo da realidade, e estava despertando para uma nova região, para descobrir que havia um significado mais profundo em tudo o que eu via, além do que meus olhos transmitiam a mim. A visionária Perdita observava em tudo isso apenas uma nova interpretação sobre uma leitura antiga, e a sua própria era suficientemente inexaurível para a contentar. Ela ouvia-me como ela tinha feito com a narração das minhas aventuras, e algumas vezes tomava um interesse nessa espécie de [53]informação; mas ela não olhava para isso, como eu fazia, como uma parte integral do ser dela, a qual, tendo sido obtida, eu não mais poderia desconectar do que o sentido universal do toque.

Nós dois concordamos em amar Adrian: embora ela, ainda não tendo escapado da infância, não poderia apreciar como eu fazia a extensão dos méritos dele, ou sentir a mesma simpatia nas buscas e opiniões dele. Eu sempre estava com ele. Havia uma sensibilidade e doçura na disposição que concediam um tom tenro e sobrenatural à nossa conversa. Nessa ocasião ele era alegre como uma cotovia cantando a partir da sua sua torre no céu, elevando-se em pensamento como uma águia, inocente como um pombo de olho suaves. Ele conseguia dispersar a seriedade de Perdita e tomar o ferrão da atividade torturante da minha natureza. Eu olhava de volta para os meus desejos sem descanso e lutas dolorosas com meus companheiros como para um sonho dificultado, e sentia-me tão mudado como se eu tivesse transmigrado para outra forma, cujos sensório e mecanismo dos nervos frescos tinham alterado o [54]reflexo do universo aparente no espelho da mente. Mas não era assim; eu era o mesmo em força, em anseio firme por simpatia, em meu desejo por exercício ativo. Minhas virtudes masculinas não me desertaram, pois a bruxa Urania poupou os cachos de Sansão, enquanto ele repousa aos pés dela; mas tudo foi suavizado e humanizado. Nem Adrian me instruiu apenas nas gélidas verdades de história e filosofia. Ao mesmo tempo em que ele me ensinava através delas a subjugar o meu próprio espírito impaciente e inculto, ele abriu para minha visão para página vívida do seu próprio coração, e concedeu-me sentir e entender a sua personalidade maravilhosa.

A ex-rainha da Inglaterra, mesmo durante a infância, tinha tentado implantar desígnios audazes e ambiciosos na mente do seu filho. Ela viu que ele era dotada de gênio e talento superiores; esses ela cultivo em prol de posteriormente os usar para o avanço das próprias visões dela. Ela encorajou o anseio dele por conhecimento e sua coragem impetuosa; ela até [55]tolerou o seu amor indomável pela liberdade, sob a esperança de que isso conduziria, como muito frequentemente é o caso, a uma paixão por comando. Ele tentou criar nele um sentimento de ressentimento, e um desejo de vingança, contra aqueles que tinham sido instrumentais para causar a abdicação do seu pai. Nisso ela não teve sucesso. Os relatos proveram-lhe, por mais que distorcidos, de uma grande e sábia nação afirmando o seu direito de governar a si mesma, excitaram a sua admiração: nos dias iniciais, ele tornou-se um republicano a partir de princípio. Ainda assim a mãe dele não se desesperou. Ao amor ao comando e orgulho elevado ela acrescentava ambição, paciência e autocontrole. Ela dedicou-se ao estudo da disposição do filho dela. Através de aplicação de elogio, censura e exortação, ela tentou buscar e atingir os acordes adequados; e embora a melódia que se seguia ao toque dela discordava dela, ela construiu suas esperanças nos talentos dele, e sentiu-se certa de que, por fim, ela o conquistaria. [56]O tipo de banimento que ela agora experienciava surgiu a partir de outras causas.

A ex-rainha também tinha uma filha, agora com doze anos de idade; a sua irmã encantadora, Adrian costumava chamá-la assim; uma coisinha amável, animada, toda sensibilidade e verdade. Com eles, seus filhos, a nobre viúva residia constantemente em Windsor; e não admitia visitantes, exceto seus próprios partidários, viajantes da sua nativa Alemanha, e uns poucos dos ministros estrangeiros. Entre esses, e altamente distinguido por ela, estava o príncipe Zaimi, embaixador da Inglaterra para os Estados livres da Grécia; e a sua filha, a jovem princesa Evadne, passava muito tempo no castelo de Windsor. Em companhia dessa alegre e esperta garota grega, a condessa relaxaria do seu estado usual. As visões dela com respeito aos seus próprios filhos, todas as palavras e ações dela relativas a elas postas sob restrição: mas Evadne era um brinquedo que de maneira nenhuma ela poderia temer; nem eram os talentos e a vivacidade dela alívios [57]leves da monotonia da vida da condessa.

Evadne tinha dezoito anos de idade. Embora eles despendessem muito tempo juntos em Windsor, a extrema juventude de Adrian impedia qualquer suspeita quanto à natureza da relação. Mas ele era ardente e tenro de coração além da natureza comum do homem, e já tinha aprendido a amava, enquanto a bela grega sorria benignamente para o menino. Era estranho para mim, quem, embora mais velho do que Adrian, nunca tinha amado, testemunhar o sacrifício de coração inteiro do meu amigo. Não havia ciúme, inquietude ou desconfiança no sentimento dele; era devoção e fé. A vida dele estava completamente absorvida na existência da sua amada; e o coração dele apenas batia em união com as pulsações que vivificavam o dela. Essa era a lei secreta da vida dele – ele amava e era amado. Para ele, o universo era uma morada, para habitar com a sua escolhida; e nem um esquema de sociedade ou um encadeamento de eventos, que poderiam lhe transmitir ou felicidade ou miséria. Que, embora [58]vida e o sistema de relação social fossem uma selvageria, uma selva assombrada por tigres! Através do meio dos seus erros, nas profundezas de recessos selvagens, havia um caminho desemaranhado e florido, através do qual eles poderiam viajar em segurança e deleite. A trilha deles seria como a passagem do Mar Vermelho, a qual eles poderiam atravessar com pés secos, embora uma muralha de destruição estivesse ameaçando de cada lado.

Ai de mim! Por que eu devo registrar a ilusão infeliz desse exemplo incomparável de humanidade? O que há em nossa natureza que para sempre nos impelir na direção da dor e miséria? Nós não somos formados para o prazer; e, por mais que nós possamos estar sintonizados para a recepção da emoção prazerosa, o desapontamento é o piloto que nunca falha do barco da nossa vida, e impiedosamente nos conduz aos bancos de areia. Quem era melhor estruturado do que esse jovem altamente dotado para amar e ser amado, e para colher alegria inalienável de uma paixão inocente? Se o seu coração tivesse dormido por apenas mais alguns anos, ele poderia [59]ter sido salvo; mas ele despertou na infância dele, teve poder, mas não conhecimento; e foi arruinado, assim como um broto de floração precoce demais é beliscado pela geada mortal.

Eu não acusei Evadne de hipocrisia ou de um desejo para enganar o seu amante; mas a sua primeira carta que eu vi convenceu-me de que ela não o amava; ela foi escrita com elegância, e, estrangeira como ela era, com grande comando da linguagem. A escrita manual mesma era exoticamente bela; havia alguma coisa em seu papel mesmo e em suas dobras, a qual mesmo eu, quem não a amava e, além disso, era inexperiente em tais questões, podia discernir como sendo de bom gosto. Havia amabilidade, gratidão e doçura demais em sua expressão, mas não amor. Evadne era dois anos mais velha do que Adrian; e quem, os dezoito anos, sempre amou alguém tão muito mais jovem? Eu comparo suas plácidas epístolas com as ardentes de Adrian. A alma dele parecia distilar-se nas palavras que ele escrevia; e elas respiravam no papel, levando com elas uma porção da vida de amor, a qual era sua vida. [60]A escrita mesma usada para o exaltar; ele choraria sobre elas, meramente a partir do excesso de emoção que elas despertavam no seu coração.

A alma de Adrian estava pintada em seu semblante, e dissimulação ou engano estavam em oposição direta à franqueza terrível da sua natureza. Evadne fez-lhe a mais firme requisição de que o conto dos amores deles não deveria ser revelado para a mãe dele; e após um tempo contestando a ideia, ele rendeu-se a ela. Uma concessão vã; o seu semblante rapidamente traiu o seu segrego para os olhos rápidos da ex-rainha. Com a mesma prudência cautelosa que caracterizava toda a sua conduta, ela ocultou sua descoberta, mas apressou-e para remover o seu filho da esfera da grega atraente. Ele foi enviado para Cumberland; mas o plano de correspondência entre os amantes, arranjado por Evadne, estava efetivamente oculto dela. Dessa maneira, a ausência de Adrian, arranjada para o propósito de separação, uniu-os em vínculos mais firmes do que nunca. Para mim, ele discursava incessantemente sobre sua jônia amada. O país dela, seus antigos [61]anais, suas recentes lutas memoráveis, eram todos feitos tomarem partes na glória e excelência dela. Ele submeteu-se a ficar longe dela, porque ela comandou essa submissão; mas, pela influência dela, ele teria declarado o seu compromisso diante de toda a Inglaterra, e resistido, com constância inabalável, à oposição da sua mãe. A prudência feminina de Evadne percebeu quão inútil seria qualquer afirmação de sua resoluções, até que os anos adicionassem peso ao poder dele. Talvez houvesse um desgosto oculto de se vincular diante da face do mundo a alguém que ela não amava – não amor, pelo menos, com aquele entusiasmo apaixonado que o coração dela dizia-a que um dia ela poderia sentir em relação a outro. Ele obedeceu às injunções dela e passou um ano em exílio em Cumberland.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

SHELLEY, M. W. The Last Man. London: Henry Colburn, New Burlington Street, 1826. p.26-61. Disponível em:<https://archive.org/details/lastman01shel/page/26/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

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