Depois de Londres: ou, A Inglaterra Selvagem - Parte II Inglaterra Selvagem - Capítulo XXI Uma Viagem

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[242]O sol estava alto quando Felix despertou, e enquanto ele colocava-se de pé, a beleza do Lago diante dele encheu-o de prazer. Pela costa estava tão calmo que as árvores eram perfeitamente refletidas, e as poucas folhas de salgueiro tinham caído flutuavam sem se espalharem para um lado ou para o outro. Mas distantes, as ilhas eram iluminadas pela luz do sol, e as andorinhas tocavam de leve a água, seguindo o contorno das suas costas. No Lago além delas, vislumbres do que ele podia ver através do canal ou passagem entre elas, havia uma ondulação onde a fraca briza sudoestina tocava a superfície. A mente dele recuou diante da beleza dela. Ele não questionou nem analisou seus sentimentos; ele lançou a sua embarcação e deixou aquela terra difícil e tirânica pela amabilidade da água.

Remando para fora das ilhas, ele ultrapassou-as e alcançou o Lago aberto. Ali ele içou a vela, a briza gentil encheu-a, o agudo talhamar começou a dividir as ondulações, um som borbulhante surgiu, e, conduzindo diretamente para o norte, diretamente para a vastidão aberta e sem limites, ele foi carregado velozmente para longe.

Os patos selvagens, quem viam a canoa se aproximando, nunca pensando que um bote se aventuraria fora das ilhas, dentro da linha na qual eles estavam acostumados a verem navios, mas, quando a canoa continuou a aproximar-se deles, eles fugiram e desceram muito longe [243]para um lado. Quando ele tinha navegado além do ponto para onde esses pássaros tinham fugido, o Lago era dele. Pelas costas das ilhas, os corvos desciam em busca de mexilhões. Galinhas d’água nadavam para dentro e para fora em meio a arremetidas, ratos d’água roiam as bandeiras, lúcios aqueciam-se ao sol na beira das ervas daninhas, narcejas de verão corriam ao longo da areia e, sem dúvida, aqui e ali, uma lontra estava oculta. Sem a linha dos bancos de areia e das ilhotas, agora que os patos selvagens tinham fugido, havia a solidão da água. Era profundo demais para as mais longas ervas daninhas, nada parecia existir ali. Mesmo os caracóis d’água buscavam a costa, ou eram impelidos pelas correntes para recantos rasos. Nem grande nem pequeno se importava com a vastidão imensa.

A canoa movia-se mais rapidamente, enquanto o vento chegava agora com sua força total através de bosques e colinas distantes, e, embora ele fosse apenas uma leve briza do sul, a vela ampla impelia a embarcação afunilada velozmente. Reclinando-se na popa, Felix perdeu toda a consciência de qualquer coisa, exceto de que ele estava sendo agradavelmente carregado para frente. Os olhos dele não estavam fechados, e ele estava ciente da canoa, do Lago, da luz do sol, e do céu, todavia, ele estava dormente. Fisicamente desperto, ele dormia mentalmente. Era descanso. Após a miséria, o esforço e a exitação da última quinzena, era descanso, descanso intenso para corpo e mente. Talvez, apenas a pressão da água contra a alavanca do remo do leme, a leve vibração da madeira, conforme as bolhas apressavam-se por baixo, evitavam que ele adormecesse. Isso era uma coisa que não poderia ser deixada a si mesma; ela tinha de ser firmemente agarrada, e esse esforço restringia a sua sonolência.

[244]Três horas passaram-se. A costa ficou doze ou quinze milhas para trás, e parecia uma nuvem azul, pois a neblina de verão ocultou as colinas, mas do que teria sido o caso em clima mais claro.

Outra hora, e, finalmente, Felix, despertando da sua condição sonolenta, olhou em volta e não viu nada exceto as ondas. A costa que ele tinha deixado tinha desaparecido inteiramente, desaparecido sob o horizonte; se houvesse terra mais elevada, a neblina ocultava-a. Ele olhou novamente, ele escassamente pôde compreender isso. Ele sabia que o Lago era muito amplo, mas nunca tinha lhe ocorrido que ele possivelmente poderia navegar até fora da vista da terra. Então era por isso que os marinheiros não se afastariam das ilhas; eles temiam o mar aberto. Ele ficou de pé e explorou cuidadosamente o horizonte, sombreando os olhos com a mão; não havia nada, exceto uma neblina no horizonte. Ele estava sozinho com o sol, o céu e o Lago. Certamente ele não poderia ter navegado para o oceano sem o saber? Ele sentou-se, mergulhou a mão no mar e provou as gotas que aderiram; a água era pura e doce, quente da luz do sol do verão.

Não havia nem mesmo um gaivão no céu superior; mas apenas finos filamentos ou nuvem branco. Nenhuma andorinha planava sobre a superfície da água. Se havia peixes, ele não podia os ver através das ondas, as quais eram muito maiores aqui; suficientemente maiores, embora o vento fosse leve, para fazer a canoa dele subir e descer com sua ondulação regular. Para enxergar peixes, uma superfície calma é necessária, e, como outras criaturas, eles infestavam os [245]rasos e a costa. Nunca ele tinha se sentido sozinho assim nas profundezas da floresta floresta mais distante que ele tinha penetrado. Tivesse ele contemplado antecipadamente a possibilidade de ultrapassar a visão da terra, quando ele descobriu que o momento tinha chegado, provavelmente, ele teria ficada alarmado e ansioso pela sua segurança. Mas, tropeçando dessa maneira sonolenta na solidão do vasto Lago, ele ficou tão espantado com a sua própria descoberta, tão absorvido no pensamento da extensão imensa, que a ideia de perigo não lhe ocorreu.

Outra hora passou, e ele agora começava a olhar em volta de si mais ansiosamente por algum sinal de terra, pois ele tinha muita pouca provisão com ele, e ele não desejava despender a noite sob o Lago. Contudo, em pouco tempo, a neblina sobre o horizonte pareceu tornar-se mais espessa e, em seguida, azul, e, em um período mais breve do que ele esperava, terra surgiu à vista. Isso surgiu a partir do fato dela estar baixa, de maneira que ele tinha se aproximado mais do que sabia entes de a reconhecer. Finalmente, quando ele estava realmente fora da vista da costa, ele estava muito mais longe da terra coberta por colinas do que da região baixa adiante, e não no sentido matemático, como ele tinha suposto, do Lago. Enquanto ela subia e chegava mais à vista, ele já começava a ponderar sobre com que recepção ele deveria deparar-se dos habitantes, e se ele deveria descobri-los tão duros de coração quanto o povo do qual ele há pouco escapara. De fato, ele deveria aventurar-se entre eles, de qualquer maneira? Ou ele deveria permanecer nos bosques até que ele tivesse observado mais dos modos e maneiras deles? Essas questões estavam sendo debatidas em sua mente, quando ele percebeu que o vento estava falhando.

[246]Enquanto o sol passava o meridiano, a briza falhou, até que, na parte mais quente da tarde, e quando ele julgava que não estava a mais do que oito milhas da costa, ela afundou-se no mais simples zéfiro, e as ondas gradualmente diminuíam. Tão fraca tornou-se a briza em um intervalo de meia hora, e tão intermitente, que ele considerou desperdício de paciência até segurar o remo do leme. A vela pendia e não estava mais inchada; conforme as ondas rolavam sob, ela batia-se contra o mastro. O calor estava agora tão intolerável, a luz refletida a partir da água aumentando a sensação, que ele foi obrigado a criar para si mesmo algum abrigo ao parcialmente baixar a vela e e içar a verga através da embarcação, de maneira que a tela agisse como um toldo. Gradualmente as ondas declinaram em volume, e a briza gentil do vento decaiu, até que, finalmente, a superfície ficou quase parada, e ele não conseguiu sentir nenhum ar perceptível se agitando.

Cansado de estar sentado no bote estreito, ele colocou-se de pé, mas não pôde se esticar suficientemente para a mudança ser de muita utilidade. O longo dia de verão, previamente tão agradável, agora parecia escassamente suportável. Sobre a água silente, o tempo demorava-se, pois não havia nada para marcar o seu avanço, nem tanto quanto uma sombra além daquela do próprio bote. As ondas agora não tendo crista, passavam sob a canoa sem se friccionarem contra ela ou ressoarem, de modo que elas eram silenciosas. Nenhum peixe subia à superfície. Não havia nada vivo próximo, exceto um borboleta azul, a qual se acomodou no mastro, tendo se aventurado dessa forma longe da terra. A vastidão do céu, a abrangência da [247]ampla água, o sol, os filamentos sem movimento de nuvem, não concediam respouso à visão dele, pois eles estavam aparentemente imovéis. Para a vista cansada, movimento é repouso; os galhos ondulantes, as nuvens encimadas por espuma, fornecem descanso positivo para se olhar. Paralisia tão intensa como essa do céu de verão era opressiva; era como viver no espaço mesmo, no éter acima. Finalmente, ele deu boas vidas à gradual direção descendente do sol, pois, conforme o calor diminuia, ele poderia trabalhar com o remo.

Logo ele enrolou a vela, pegou seu remo, e virou o rosto para a terra. Ele laborou firmemente, mas não realizou nenhum progresso aparente. A canoa era pesada, e o estabilizador ou a viga, os quais eram de uso material na navegação, eram um inconveniente para remar. Ele trabalhou até que os braços dele se cansaram, e ainda a terra azul parecia tão distante quanto sempre.

Mas, pelo tempo que o sol começou a aproximar-se do horizonte, os esforços dele tinha produzido algum efeito, a costa estava vísivel, e os bosques além. Ele ainda estava a cinco milhas de distância e estava cansado; havia pouca chance para ele a alcançar antes da noite. Ele baixou seu remo em busca de refresco e descanso, e, enquanto ele estava ocupado dessa maneira, uma mudança ocorreu. Um fraco sopro de ar surgiu; um segundo, e um terceiro; uma minúscula ondulação correu ao longo da superfície. Agora ele se lembrou de que tinha ouvido que o marinheiros dependiam muito da briza da manhã e da tarde – a terra e o Lago – conforme eles trabalhavam ao longo da costa. Esse foi o primeiro sopro da briza da terra. Após um tempo, isso refrescou, e ele re-estabeleceu a sua vela.

Uma hora ou aproximadamente depois, ele aproximou-se da costa; ele [248]ouviu os tordos cantando, e o cuco chamando, muito antes que ele desembarcasse. Ele não permaneceu para procurar por um angra em volta, mas levou a canoa para a praia, a qual estava livre de canas ou bandeiras, um sinal de que as ondas batiam furiosamente ali, rolando como elas devem por tantas milhas. Ele arrastou a canoa tão alto quanto ele pôde, mas logo, quando ele olhou em volta de si, descobriu que estava em uma pequena e estreita ilha, com um canal na retaguarda. Contudo, cansado como ele estava, ansioso pela segurança da sua canoa, ele empurrou-a novamente, e impeliu-a em volta com o remo e aterrou-a novamente, com a ilha entre ela e o Lago aberto. Senão ele temia que, se um vento sul devesse soprar, ela poderia ser quebrada em pedaços na praia diante de seus olhos. Era prudente tomar a precaução, mas, como aconteceu, no dia seguinte, o Lago ficou parado.

Ele não conseguiu ver traços de ocupação humana na ilha, a qual era de pequena extensão e quase vazia, e, portanto, pela manhã, ele remou através do canal para a terra firme, como ele pensava. Mas, explorando a costa oposta, ela provou-se não ser a terra firme, mas meramente outra ilha. Remando em torno dela, ele tentou novamente, mas com o mesmo resultado; ele não encontrou nada, exceto ilha depois de ilha, todas estreitas e não suportando nada exceto arbustos. Observando um canal que parecia ir em linha reta entre essas ilhotas, ele resolveu segui-lo, e assim o fez (descansando ao meio-dia) a manhã inteira. Enquanto remava, ele descobriu a água mais rasa, e que ervas daninhas, juncos e canas tornavam-se mais espessos, exceto bem no centro.

[249]Após o calor do meio-dia ter passado, ele retomou sua viagem e ainda encontrou o mesmo; ilhotas e bancos de areia, mais ou menos cobertos por arbustos de espinheiro, salgueiro, sabugueiro e amieiro, sucederamm a ilhotas, frangeadas em torno de suas extremidades com canas e alpiste de cana. Quando se cansou de remar, ele desembarcou e parou durante a noite; no dia seguinte, ele prosseguiu novamente, e ainda, hora após hora, remou para dentro e para fora entre esses bancos de areia e ilhotas, até que ele começou a pensar que ele nunca deveria encontrar sua saída.

Quanto mais longe ele penetrava, mais numerosas se tornavam as aves aquáticas. Patos nadavam entre as bandeiras, ou subiam com uma arremetida e pancada de água. Os galeirões e galinhas-d’água mergulhavam e ocultavam-se nas canas. O mergulhão menor afundava-se como uma pedra ao som do remo. O forte mergulhão do norte levantava uma onda enquanto ele se apressava para longe sob a água, o curso dele marcado pela ondulação sobre ele. As felosas-dos-juncos chilreavam nos salgueiros; os emberizas assentavam-se nas árvores, e observavam-lhe sem medo. Os chapins barbados estavam lá, agarrando-se aos talos das junças, e as garças de pescoço longo erguiam-se a partir de locais cobertos de cana onde eles amam vadear. Libélulas azuis lançavam-se para lá e para cá, ou se assentavam em plantas aquáticas como se elas fossem flores. Cobras nadavam através dos canais, vibrando suas cabeças de lado a lado. Andorinhas planavam sobre a cabeça dele. Lúcios “atiravam-se” a partir da beira das espessas ervas daninhas enquanto ele se aproximava. Percas subiam em busca de inseto, visto que eles caiam desamparados dentro da água.

Ele notou que a água, embora cheia de canas, era tão clara quanto aquela do Lago aberto; não havia nenhuma escumalha, tal como a que se acumula em lugares estagnados. A partir disso ele [250]concluiu que devia haver uma corrente, por mais que fraca, talvez a partir de rios fluindo para dentro dessa parte do Lago. Ele sentiu o mais forte desejo de explorar mais longe, até que ele alcançasse a terra firme, mas ele refletiu que a mera exploração não era o seu objetivo; ela nunca obteria Aurora para ele. Não havia nenhum sinal de habitação humana que fosse, e, a partir de canas e juncos, por mais que interessantes, nada poderia ser obtido. Portanto, relutantemente, na terceira manhã, tendo passado a noite em uma das ilhotas, ele virou sua canoa, e remou para o sul na direção do lago.

Nem por um momento ele tentou retraçar a origem do canal através do qual ele tinha entrado; isso teria sido uma impossibilidade; ele tirou vantagem de qualquer espaço aberto para atravessar. Demorou tanto para ele sair quanto tinha demorado para entrar; era a tarde do quarto dia quando finalmente ele voltou a alcançar a costa. Ele descansou durante o restante da tarde, desejando começar de novo na manhã, tendo se determinado a seguir a linha da costa para o leste, e assim, gradualmente, circunavegar o Lago. Se ele não tivesse sucesso em nada mais, pelo menos isso seria alguma coisa para relacionar com Aurora.

A manhã surgiu bela e brilhante, com um ar sudestino em vez de uma briza. Ele navegou diante dele; ele era tão leve que o progresso dele não poderia ser excedido mais do que três milhas por hora. Hora após hora se passava, e ele ainda seguia a linha da costa, agora se distanciando um pouco para orlar uma ilha, e agora mais perto para passar entre os bancos de areia. Pelo meio-dia, eles estava tão [251]cansado de se sentar na canoa que ele a conduziu para a costa e descansou por um tempo.

Era o auge mesmo do calor do dia quando ele partiu novamente, e o vento mais leve do que o da manhã. Todavia, ele tinha mudado um pouco, e agora soprava a partir do oeste, também quase exatamente à popa para servir ao seu bote. Ele não podia fazer um mapa enquato navegando, ou observar precisamente a sua posição, mas parecia-lhe que a costa tendia para o sudeste, de maneira que ele estava gradualmente girando um arco. A partir disso ele supôs que ele tem estar aproximando-se da extremidade leste do Lago. A água paregia mais rasa, a julgar pela quantidade de ervas daninhas. De vez em quando ele capturava vislumbres de numerosas ilhas do Lago aberto, e também lá as ervas daninhas cobriam a superfície de muito lugares.

Em uma hora ou duas, a briza aumentou consideravelmente, e, viajando tão muito mais rápido, ele descobriu que requeria toda a sua destreza para conduzir além das ilhas e limpar os bancos de areia sobre os quais ele estava à deriva. Uma ou duas vezes ele roçou nos salgueiros que se sobressaiam sobre a água, e ouviu a quilha da canoa arrastar-se sobre o fundo. Tanto quando possível, ele conduziu para longe do vento da terra firme, conduzindo para o sudeste, pensando encontrar água profunda, e ficar livre das ilhotas. Ele teve sucesso no primeiro, mas as ilhotas eram tão numerosas que ele não podia dizer onde o Lago ficava. Qual mais longe a tarde avançava, mais a briza refrescava, até que, ocasionalmente, conforme ela soprava entre as ilhas, ela atingiu o seu mastro quase com a força de uma ventania. Felix deu boas vindas ao vento, o qual [252]possibilitaria a ele realizar grande progresso antes da noite. Se tais brizas favoráveis continuassem, ele poderia circunavegar as águas em um tempo comparativamente curto, e finalmente poderia retornar a Aurora, até agora, com sucesso. A esperança encheu o coração dele, e ele cantou para o vento.

As nuvens não podiam se elevar entre essas ilhas, as quais as interceptavam antes que elas pudessam rolar longe o suficiente para reunirem força, de maneira que ele tinha toda a vantagem da ventania sem os riscos. Exceto por uma leve neblina por todo o horizonte, o céu estava perfeitamente claro, e estava agradável agora que a forte corrente de ar esfriava o calor do sol. Enquanto circulava as ilhas, ele constantemente se encontrava com e pertubava grupos de aves aquáticas, patos selvagens e galeirões. Algumas vezes eles meramente se ocultavam nas ervas daninhas, algumas vezes eles subiam, e, quando eles assim o faziam, eles passavam para a retaguarda dele.


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ORIGINAL:

JEFFERIES, R. After London; or, Wild England. London: Duckworth & Co, 1905. p.242-252. Disponível em: <https://archive.org/details/afterlondonorwil00jeffuoft/page/242/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0


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