A Raça Vindoura - Capítulo XXIV

Capítulo anterior


[228]Na aterrissagem do bote aéreo, uma criança abordou Aph-Lin no salão com um pedido para que ele estivesse presente às exéquias fúnebres de um parente que recentemente partira deste mundo inferior.

Agora, eu nunca vira um local de enterro ou cemitério em meio a essa gente, e, feliz em aproveitar mesmo uma ocasião tão melancólica para adiar um encontro com Zee, eu perguntei a Aph-Lin se eu poderia ser permitido testemunhar com ele o enterro de seu parente; a menos que, de fato, isso fosse considerado uma daquelas cerimônias sagradas às quais um estranho à raça deles não poderia ser admitido.

A partida de um An para um mundo mais feliz,” respondeu meu anfitrião, “quando, como no caso de meu parente, ele viveu por tanto tempo neste quanto a ter perdido o prazer nele, é antes um alegre embora [229]tranquilo festival do que uma cerimônia sagrada, e você pode acompanhar-me se você desejar.

Precedidos por uma criança mensageira, nós andamos a rua principal acima até uma casa a uma pouca distância, e, entrando no salão, fomos conduzidos a uma sala no térreo, onde nós encontrarmos várias pessoas reunidas em volta de um sofá no qual estava deitado o falecido. Era um homem velho, quem vivera, como me foi contado, além de seu 130º ano. A julgar pelo sorriso calmo de seu semblante, ele falecera sem sofrimento. Um dos filhos, quem agora era o chefe da família, e quem parecia em uma vigorosa meia idade, embora ele fosse consideravelmente mais velho do que setenta, deu um passo à frente com uma face feliz e contou a Aph-Lin “que o dia antes de ele morrer ele vira em um sonho sua falecida Gy, e estava ansioso por ser reunido com ela, e restaurado à juventude sob o sorriso mais próximo do Todo-Bom.”

Enquanto esses dois estavam conversando, minha atenção foi atraída por uma substância metálica negra na extremidade mais distante da sala. Era aproximadamente de vinte pés de comprimento, estreita em proporção, e toda redonda fechada, salvo, próximo ao teto, havia pequenos [230]orifícios circulares através dos quais se podia ver uma luz vermelha. A partir do interior emanava um rico e doce perfume; e, enquanto eu estava conjecturando a qual o propósito dessa máquina devia servir, todos os relógios na cidade atingiram a hora com sua harmonia musical solene; e conforme aquele som cessava, música de um temperamento mais alegre, mas ainda de uma alegria dominada e tranquila, circundou pela câmara e a partir das paredes além, em um repique de coral. Sinfônico com a melódia, aqueles presentes elevaram as vozes em canto. As palavras desse hino eram simples. Elas não expressavam nenhum arrependimento, nenhum adeus, mas antes uma saudação ao mundo no qual o falecido precedera ao vivo. De fato, na língua deles, o hino funerário é chamado de ‘Canção de Nascimento’. Em seguida, o corpo, coberto por uma longa mortalha, foi ternamente erguido por seis dos parentes mais próximos e transportado em direção à coisa negra que eu descrevi. Eu avancei para ver o que acontecia. Uma porta ou painel corrediço em uma extremidade foi erguido – o corpo depositado no interior, em uma prateleira – a porta fechada novamente - uma mola ao lado tocada – um súbito som sibilante, som suspirante ouvido do interior; e [231]oh! Na outra extremidade da máquina a tampa caiu, e um pequeno punhado de poeira ardente caiu dentro de uma pátera colocada para a receber. O filho tomou a pátera e disse (no que eu entendi depois era a forma usual das palavras), “Contemplai quão grande é o Criador! A este pequeno Ele dá forma e vida e alma. Não é necessário este pequeno para Ele renovar forma e vida e alma ao amado que logo nós devemos ver novamente.”

Cada um presente curvou a cabeça e pressionou a mão contra o peito. Então uma menina abriu uma pequena porta no interior do salão, e eu percebi, no recesso, prateleiras nas quais foram colocadas muitas páteras como aquela que o filho segurava, salvo que todas elas tinham tampas. Com uma tampa semelhante, uma Gy agora se aproximada do filho, e colocava-a sobre o copo, sobre o qual era fechada com uma mola. Sobre a tampa foram gravados o nome do falecido, e estas palavras: - “Emprestado a nós ”(aqui a data de nascimento). “Revocado de nós” (aqui a data de falecimento).

A porta fechada encerrou-se com um som musical, e tudo estava terminado.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

BULWER-LYTTON, E. The Coming Race. Edinburgh and London: William Blackwood and Sons, 1871. p.228-231. Disponível: <https://archive.org/details/comingrace00lytt/page/228/mode/1up>


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...