[239]Mas enquanto isso acontecia, aquele murmúrio do lado de fora, o qual se mencionou acima, ficou mais alto; e ele atingiu o ouvido do Rei, e ele disse novamente ao ancião: ‘Conta-nos agora desse barulho do lado de fora, o que é?’
Disse o ancião: ‘Se tu, Rei, e a Rainha, desejardes apenas levantar-se e colocar-se de pé à janela, e ides em frente na galeria suspensa de lá, então vós deveis saber imediatamente o que é esse rumor, e com isso vós deveis ver uma visão adequada para alegrar o coração de um novo rei chegado à dignidade real.’
Assim o Rei levantou-se e tomou a Donzela pela mão, e caminhou até a janela e olhou adiante; e oh! A grande praça do lugar aglomerada de gente, tão densa quanto eles podiam ficar de pé, e a maior parte dos camponeses com uma arma em mãos, e muito armados reta e galantemente. Então ele saiu para a [240]galeria com sua Rainha, ainda segurando a mão dela, e seus senhores e homens sábios de pé atrás dele. Imediatamente então se ergueu um brado, e um grito de alegria e boas vindas que tomou os céus mesmos, e o grande lugar estava todo cintilando e surpreendente com o arremesso para cima de lanças e o brandir de espadas, e o estender de mãos.
Mas a Donzela falou suavemente com o Rei Walter e disse: ‘Então aqui está a região selvagem deixada para trás em um longo caminho, e aqui está guarda e proteção contra os inimigos de nossa vida e alma. Oh, abençoado sê tu e teu coração valente!’
Mas Walter nada falou, apenas permaneceu de pé como alguém em um sonho; e ainda, se isso podia ser, seu anseio por ela aumentou muitas vezes.
Mas abaixo, em meio a multidão, erguiam-se dois vizinhos um pouco perto da janela; e um disse ao outro: ‘Vê tu! O novo homem na antiga armadura da Batalha da Águas, portando a espada que matou o rei inimigo no Dia da Investida Duvidosa! Certamente isso é um sinal de boa sorte para nós todos.’
‘Sim,’ disse o segundo, ‘ele porta bem a armadura dele, os olhos são brilhantes na cabeça dele; mas tu contemplaste bem a companheira dele, e como ela é?’
[241]‘Eu vejo-a,’ disse o outro, ‘que ela é uma bela mulher; contudo, um pouco pior vestida do que simplesmente. Ela está na bata dela, homem, e, não fosse pelas balaustradas, eu consideraria que tu deverias vê-la descalça. O que está de errado com ela?’
‘Tu não a vês,’ disse o segundo vizinho, ‘que ela não é apenas uma bela mulher, mas ainda mais, uma daquelas amáveis que desacanham o coração de um homem do corpo dele, alguém escassamente pode dizer o por quê? Certamente Muralha-forte deve ter lançado uma rede de sorte desta vez. E quanto à vestimenta dela, eu vejo dela que ela está envolta em branco e coberta por rosas, mas que o corpo dela é tão inteiramente puro e doce que ele torna todo o traje dela apenas uma parte de seu corpo, e consagra-o, de maneira que tem a aparência de gemas. Ai de mim, meu amigo! Esperemos que essa Rainha viajará fora de casa comumente em meio ao povo.’
Dessa maneira, então, eles conversavam. Mas, após um tempo, o Rei e sua companheira retornaram para dentro da câmara, e ele deu o comando para que as mulheres da Rainha deveriam vir e levá-la, para a vestir em vestimenta real. E para lá vieram as mais belas das donzelas honoráveis, e estavam inclinadas a serem suas acompanhantes. Com isso o Rei estava [242]desarmado, e vestido o mais gloriosamente, mas ainda ele portava a Espada da Morte do Rei. Logo a seguir, o Rei e a Rainha foram trazidos a um grande salão do palácio, e eles encontraram-se no estrado, e beijaram-se diante dos senhores e das outras pessoas que enchiam o salão. Ali eles comeram um bocado e beberam juntos um cálice, enquanto todos os observavam. Em seguida, eles foram conduzidos para fora, e um cavalo branco dos mais vistosos, bem equipado, trazido para cada um deles. Depois disso eles montaram, e seguiram juntos em seus caminhos, através da passagem estreita que a imensa multidão fez para eles, à grande igreja, para a consagração e a coroação. Eles foram conduzidos por um escudeiro apenas, e ele desarmado, pois tal era o costume em Muralha-forte quando um novo rei deveria ser consagrado. Assim eles chegaram à grande igreja (pois aquele povo não era herético, por assim dizer), e entraram nela, os dois sozinhos, e foram ao coro e, quando eles estavam de pé naquele lugar por um tempo, enquanto se maravilhando com sua sorte, eles ouviram como os sinos começaram a badalar afortunadamente sobre as cabeças deles. Em seguida, aproximou-se o som de muitos trompetes soprando juntos, e depois disso a voz de muitas pessoas cantando; então as grandes portas abriram-se, e o bispo e seus sacerdotes [243]entraram na igreja com canto e menestréis. Depois disso, veio a inteira multidão do povo, e logo a nave da igreja estava cheia dele, como quando a água segue o corte da barragem, e enche o dique. Depois, vieram o bispo e seus companheiros ao coral, e subiram ao Rei, e deram-lhe e à Rainha o beijo de paz. Em seguida, uma missa foi cantada gloriosamente; e subsequentemente foi o Rei ungido e coroado, e grande alegria estabeleceu-se em toda parte da igreja. Depois eles retornaram a pé para o palácio, eles dois juntos e sozinhos, com ninguém salvo o escudeiro indo diante dele para lhes mostrar o caminho. E conforme eles prosseguiam, eles passaram bem perto daqueles dois vizinhos, cuja conversa foi contada antes, e o primeiro, ele quem elogiara a veste de guerra do Rei, falou e disse: ‘Verdadeiramente, vizinho, tu estás no direito disso; e agora a rainha está devidamente arrumada, e tem a coroa em sua cabeça, e está envolta em samito branco todo feito com pérolas, e vejo-a ser de excessiva beleza; tão vistosa, pode ser, quanto o Senhor Rei.’
Disse o outro: ‘Para mim ela parece como ela parecia agora mesmo; ela está envolta em branco, como então ela estava, e é em razão do puro [244]e doce corpo dela que as pérolas brilham e resplandecem, e pela santidade do corpo dela a sua rica vestimenta é consagrada; mas, verdadeiramente, parecia-me que, conforme ela passava, como se o paraíso aproximara-se de nossa cidade, e que todo o ar exalava-o. Assim eu digo, abençoados sejam Deus e Seus Santos que a aceitam residir em meio a nós!’
Disse o primeiro homem: ‘Verdadeiramente, isso está bem; mas tu sabes em absoluto de onde ela vem, e de que linhagem ela pode ser?’
‘Não,’ disse o outro, ‘eu não sei de onde ela é; mas isto eu sei com toda certeza, que quando ela se for, aqueles que ela conduzir deverão ficar bem assistidos. Novamente, da linhagem dela nada conheço eu; mas isto eu sei, que aqueles que vêm com ela, até a vigésima geração, deverão abençoar e louvar o nome dela, e reverenciar o nome dela não menos do que eles reverenciam o nome da Mãe de Deus.’
Assim conversavam os dois; mas o Rei e a Rainha retornaram ao palácio, e sentaram-se em meio aos senhores e no banquete que foi realizado depois disso, e longo foi o tempo de glória deles, até que a noite estava muito gasta e todos os homens precisavam procurar suas camas.
ORIGINAL:
MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.239-244. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/239/mode/1up
TRADUÇÃO:
EderNB do Blog Eidonet
Licença: CC BY-NC-SA 4.0
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