A Floresta além do Mundo - Capítulo XXXI Eles encontram Novo Povo

Capítulo anterior


[223]Com isso eles desceram novamente da inclinação, e foram para onde a passagem estreitava-se tanto que eles passaram entre uma íngreme parede de rochas em cada lado. Mas após uma hora avançando, a dita parede recuou subitamente e, quando não eles estavam quase acautelados, eles chegaram a outro vale semelhante àquele que eles deixaram, mas não tão belo, embora fosse coberto por grama e bem regado, e não tão grande. Mas aqui, de fato, ocorreu uma mudança a eles; pois oh! Tendas e pavilhões levantavam-se no dito vale e, no meio dele, uma multidão de homens, a maior parte das vezes armados, e com cavalos prontamente selados à mão. Então eles detiveram seus pés, e o coração de Walter falhou, pois ele disse a si mesmo: ‘Quem sabe o que esses homens podem ser, salvo que eles são estrangeiros? É mais provável que nós devamos ser apanhados como escravos e então, no melhor [dos casos], nós [224]devamos ser separados; e isso é mesmo que o pior.’

Mas a Donzela, quando ela viu os cavalos, e as tendas alegres, e as bandeirolas tremulando, e o resplendor de lanças, e o reflexo de armadura branca, bateu palmas de alegria, e bradou: ‘Aqui chega a povo da cidade para nossa acolhida, e belo e encantador ele é, e muitas coisas eles devem estar pensando, e muitas coisas eles devem fazer, e nós devemos ser participantes nelas. Vem então, e encontremo-los, bom amigo!’

Mas Walter disse: ‘Ai de mim! Tu não sabes de nada: gostaria que pudéssemos fugir! Mas agora é muito tarde; assim, coloquemos uma boa face nisso e vamos a eles quietamente, como algum tempo atrás nós fizemos na região dos Ursos.

Assim eles fizeram; e lá se separaram seis dos homens de armas e vieram àqueles dois, e fizeram humilde reverência a Walter, mas não falaram palavra alguma. Então eles fizeram como se eles fossem conduzi-los aos outros, e os dois prosseguiram com eles curiosos, e chegaram a um círculo de homens de armas, todos armados, salvo pelo líder deles, com a mais vistosa das armaduras, e ele também se curvou diante de Walter, mas não falou [225]palavra alguma. Em seguida, eles levaram-nos ao mestre do pavilhão, e fizeram sinais para eles sentarem-se, e eles trouxeram-lhes comida saborosa e bom vinho. E o durante o tempo de sua alimentação ergueu-se um rebuliço em torno deles e, quando eles terminaram com a comida, o cavaleiro ancião veio a eles, ainda se curvando de maneira cortês, e representou-lhes por sinais para saber que eles deveriam partir. Quando eles estavam fora, eles viram todas as outras tendas desmontadas, homens começando a ocupar-se com o desmantelar do pavilhão, e os outros montados e enfileirados em boa ordem para a estrada; e havia duas liteiras a cavalo diante deles, onde eles foram ordenados a montar, Walter em uma, e a Donzela em outra, e de nenhuma outra maneira poderiam eles fazê-lo. Então, logo um chifre foi soprado, e todos juntos tomaram a estrada; e Walter viu, entre as cortinas da liteira, que os homens de armas cavalgavam em cada lado dele, não obstante eles tivessem deixado-lhe sua espada a seu lado.

Assim eles desceram as passagens da montanha e, antes do pôr do sol, alcançaram a planície; mas eles não se demoraram devido ao anoitecer, salvo para comer um bocado e beber um gole, prosseguindo durante a noite como homens que conheciam seus caminhos muito bem. Conforme eles seguiam, Walter perguntava-se [226]o que aconteceria, e se talvez eles também estariam oferecendo-os aos Deuses deles; considerando que eles eram estrangeiros por certo, e talvez sarracenos. Além disso havia um medo gélido em seu coração de que ele deveria ser separado da Donzela, visto que seus mestres agora eram poderosos homens de guerra, possuindo em suas mãos aquilo que todos os homens desejam, a saber, a beleza manifesta de uma mulher. Contudo, ele esforçou-se para pensar o melhor que poderia disso. E assim, finalmente, quando a noite estava muito gasta, e o amanhecer estava à mão, eles pararam diante de um portão grande e poderoso em uma muralha imensa. Ali eles sopraram o chifre ruidosamente três vezes, e depois disso os portões foram abertos, e todos eles passaram através dele para uma rua, a qual parecia a Walter, no vislumbre, ser grande e vistosa em meio às moradas dos homens. Em seguida, passou-se pouco tempo antes que eles chegassem a uma praça, bastante ampla, um lado da qual Walter tomou por ser a frente de uma casa mais vistosa. Ali as portas do pátio abriram-se para eles ou a qualquer momento o chifre poderia soprar, embora, verdadeiramente, sopraram-no ruidosamente três vezes; todos eles entraram ali, e homens vieram a Walter e sinalizaram a ele para desmontar. Assim ele fez, e teria demorado a olhar para a Donzela, mas eles [227]não toleraram isso, apenas conduziram-no, subindo uma imensa escada, a uma câmara, muito grande, e apenas vagamente iluminada por causa de sua grandiosidade. Então eles conduziram-no a uma cama equipada tão belamente quando poderia ser, e fizeram sinais para que ele despisse-se e deitasse-se lá. Forçosamente ele assim fez, e então eles levaram suas vestes e deixaram-no deitado lá. Assim ele deitou-se quietamente, considerando de nenhuma valia para ele, um homem nu como quando nascido, buscar escapar daquele lugar; mas muito demorou antes que ele pudesse dormir, por causa de sua mente aflita. Finalmente, puro cansaço venceu suas esperanças e medos, e ele caiu no sono exatamente enquanto o amanhecer estava tornando-se o dia.


Próximo capítulo


ORIGINAL:

MORRIS, W. The wood beyond the world. London: Lawrence and bullen, 1895. pp.223-227. Disponível em: https://archive.org/details/woodbeyondworld00morriala/page/223/mode/1up


TRADUÇÃO:

EderNB do Blog Eidonet

Licença: CC BY-NC-SA 4.0

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Último Homem - Volume I - Capítulo IV-II

O Último Homem Por Mary Shelley Volume I Capítulo anterior [121] Capítulo IV-II Há um sentimento tal como amor à primei...